Quando o belo sol de primavera estava no alto do céu, um velho bateu fortemente na porta. Foi atendido por meu pai, com poucas palavras nos chamou e fomos sem mais delongas.

Atravessamos a cidade antes de sair pelos portões. Andamos sem rumo aparente ate a hora do crepúsculo.

-Vocês vão dividir um quarto, pois minha casa tem apenas três quartos — disse o velho.

-Certo senhor — disse Céu querendo manter uma conversa — obrigada.

- Não me chame de senhor eu não sou tão velho assim — ele disse.

Olhamos em direção do velho que agora era um belo rapaz de cabelos louros e olhos gentis.

-Mais eu vi... — começou Céu.

-...Você... — disse Roza.

-...ERA um velho! — terminei pasmada.

-Era um disfarce — ele disse como se fosse tão óbvio que era até engraçado alguém perguntar.

-Isto é... — Céu deu uma guinada no passo antes de voltar a andar.

-...Tão legal. Você ... — Roza pulava como se não conseguisse lidar com a euforia (ela não era boa com sentimentos extremamente felizes).

-...Tem que nos ensinar — ele estava aparentemente deliciado pelo nosso modo de falar entrecortado.

-Bom, estamos chegando — ele disse.

Atrás de uma colina ficava uma casinha com chaminé a soltar fumaça. Uma pequena porta de entrada se abria para um cômodo com a lareira, nela estava dois jovens sentados ao redor. Eles olharam para trás e sorriram, um tinha cabelos negros como a noite e o outro vermelhos como fogo.

-Oi meninas! Zacary disse que eram três mas não acreditamos — confessou o de cabelos vermelhos se levantado — olá, belas jovens tudo bem? — ele acrescentou beijando nossas mãos.

-Olá... — disse Roza limpando as costas da mão que ele beijou.

-...Vamos bem... — desse Céu com um olhar zangado pra Roza.

-...E o senhor jovem cavalheiro? — perguntei tentado disfarçar a briga de olhares zangados entre minhas irmãs — como se chama?

-Me chame de Dany. Como se chamam? — ele perguntou usando nosso plural.

-Céu...

-...Roza...

-...E Strela, são nossos nomes.

-Quantos anos tem? — ele perguntou.

-Temos...

-Mais o Zacary já disse que tinham 11anos — disse o de cabelos negros — eu sou o Saulo — ele falava com tal mal humor que depois de nos entreolharmos dissemos em uníssono.

-Muito prazer, ô grande Saulo! — abaixamos a cabeça segurando a barra dos vestidos como uma vez vimos uma serviçal fazer. Depois desatamos a rir.