Céu De Dezembro

1 Capítulo Único


Notas iniciais
Tenho essa história na cabeça desde que li A Maldição do Titã tempos atrás. Sei que não é um shipper comum, mas amo a Zoë com a minha alma e precisava escrever isso. Na parte da morte da Zoë usei a passagem do livro. Espero que gostem. Boa Leitura *-*

Zoë passou as mãos por seus braços a fim de bloquear a brisa gelada que fazia àquela hora. Ela não deveria estar ali, não deveria ter saído escondida do Chalé das Caçadoras para encontrar com Apolo. Mas fora necessário. Sabia o fim que a aguardava e não queria ter remorsos por não ter feito aquilo que seu coração pedia.

Havia recusado uma vida de paixões, havia aceitado uma eternidade sem romances, fez aquilo que seu ser pedira, porém agora aquele pequeno órgão em seu peito também exigia algo mais.

Zoë tinha reprimido aquele sentimento o quanto pôde, por muito tempo, entretanto, agora que seu tempo estava acabando, seu fim estava próximo, ela já não queria mais. Desejava, pela ultima vez, sentir-se amada. É claro que era amada pelas suas irmãs Caçadoras e admirada por sua Senhora Ártemis, mas o caso aqui era outro tipo de amor.

— Você está aqui. — a voz melodiosa às suas costas a fez arfar.

— Não deveria. — disse ela, virando-se para olhá-lo.

— Mas veio mesmo assim. — sorriu ele. — Prova de que estou tendo progresso.

— Não tenhas tanta esperança. — disse ela, de forma irônica.

A Caçadora cruzou os braços em frente ao peito, de forma que o fizesse pensar que ainda estava na defensiva, mas na realidade o gesto era apenas para que Apolo não notasse o quanto ela estava tremendo.

— Irei numa missão em busca de vossa irmã, assim que o dia clarear. — falou Zoë, o brilho suave que geralmente emanava tremeluziu por alguns instantes.

Apolo gostava do modo como ela falava, usando expressões mortas há décadas. Embora vivesse em caçadas perigosas e brutais, a garota era tão delicada e majestosa como se ela própria fosse uma deusa, mas naquele instante havia uma tensão extra em sua voz.

— Algo te preocupa? — perguntou ele, tomando uma das mãos de Zoë entre as suas e sorriu internamente quando ela não a puxou de volta.

— Antes de ir, eu... — ela inspirou e expirou, buscando coragem para completar sua frase.

— Ei, — sussurrou Apolo, levanto uma mão até o rosto da Caçadora, que ergueu os olhos até os dele.

O deus mal podia conter a alegria que irradiava dentro de si por finalmente a garota não repelir e se distanciar de seus toques. Ele havia se apaixonado por uma das seguidoras de sua irmã, não qualquer uma, mas sim Zoë, que entre todas era a mais inacessível, aquilo era mais do que proibido e em vários momentos ambos sentiam-se traidores da confiança de Ártemis, mesmo que nunca tivessem se tocado.

E, céus, como foi difícil ter algum progresso com aquela garota! Mas não era pra menos, o Chalé de Apolo no Acampamento Meio-Sangue não estava exatamente transbordando, mas também não estava vazio, e isso era um argumento que Zoë sempre usava contra ele. E um fato era que ambos amaldiçoavam Afrodite secretamente por aquele sentimento proibido que lhes afogava o peito.

Até que os dois já não puderam controlar.

E Apolo prometeu a Zoë que lhe provaria com mais do que palavras que ela não se arrependeria por amá-lo.

Porém Zoë sabia que não haveria tempo, por isso o chamou ali naquela noite, onde a lua não era visível, as nuvens de dezembro não permitiam que se visse o céu azul.

— Antes de ir, eu queria... — Zoë tentou dizer outra vez, mas vendo que não conseguiria dizer nenhuma outra palavra, juntou os resquícios de coragem que lhe restavam e o beijou.

Um beijo calmo e também agitado, que assustou aos dois. E aquilo era melhor do que haviam sequer imaginado.

Apolo ao mesmo tempo estava surpreso e também alegre. Mal podia conter o fôlego. A mão envolta da cintura de Zoë tremia e a outra segurava firme o rosto da garota para que não se afastasse do seu. Ela tinha as mãos espalmadas no peito dele, sentindo seu calor, sua essência, e ambos estavam tão próximos que era impossível que houvesse algum espaço entre seus corpos.

Os corações batiam juntos, batidas fortes, suas línguas dançando em ritmos lentos e agitados, o coração quase saltando do peito, o fôlego por um fio. Eles não queriam separar os lábios, mas faltava-lhes ar.

Ficaram os dois abraçados, sentindo seus batimentos cardíacos estabilizarem até quase ficarem sincronizados. E no meio do inverno, de toda aquela neve, Zoë percebeu que era tão agradável estar nos braços de Apolo que desejou que o tempo parasse, que ela não tivesse que ir.

Mas tinha.

— É hora de ir. — disse ela, ainda sem afastar-se dele.

— Tão rápido? — Apolo perguntou, suas mãos faziam contornos nos fios de cabelos negros da garota, o brilho lunar que ela irradiava parecia ter ficado mais forte. Ela era radiante.

— Tenho de partir assim que clarear. — Zoë falou.

— Mas o dia só clareia se eu quiser... Esqueceu que sou o deus do Sol? — observou ele.

— Como se exibe! — ela brincou. E ele riu. — Irão procurar por mim, o sol já deveria estar nascendo, você está atrasado.

— É inverno, ninguém nota se o sol se levanta alguns minutos mais tarde.

— Se atrasares demais o raiar do dia os mortais pensarão que é o apocalipse.

Do modo como ela falava fazia parecer que desejava que ele fosse logo embora, mas na verdade nenhum dos dois queria se deixar. Zoë tinha um conflito dentro de si: prolongar mais aquele momento e sofrer com a separação, ou acabar logo com aquilo e diminuir sofrimento a ambos. As duas opções causariam dor. Apolo só queria poder estar com ela, era uma das características do deus: viver o agora, aproveitar a intensidade das emoções, prolongar os bons momentos.

Ela o selou nos lábios uma última vez.

— Até logo. — disse ele.

— Até logo. — ela falou.

Os olhos de Zoë brilharam com uma lágrima quando ele sumiu e em seu íntimo ela murmurou um "Adeus".

[...] — — — [...]

— Eu... vos servi bem? — sussurrou Zoë.

— Com grande honra, — disse suavemente Ártemis. — A melhor de minhas assistentes.

O rosto de Zoe relaxou.

— Descanso. Finalmente... As estrelas, — sussurrou ela. — Posso ver as estrelas novamente, minha senhora.

Uma lágrima rolou pelo rosto de Ártemis.

— Sim, minha corajosa Caçadora. Elas estão lindas esta noite.

— As estrelas, — repetiu Zoë.

Seus olhos se fixaram no céu noturno. E ela não mais se moveu.

Ártemis pôs suas mãos em concha sobre os lábios de Zoë e pronunciou algumas palavras em grego antigo. Um fiapo prateado de fumaça exalou dos lábios da garota e foi parar nas mãos da deusa. O corpo de Zoë tremulou e desapareceu.

Ártemis se levantou, proferiu algum tipo de bênção, soprou em suas mãos unidas e liberou a poeira prateada para o céu. Ela subiu, cintilando, e desapareceu.

Por um momento nada havia de diferente. Segundos depois as estrelas estavam mais brilhantes, formavam um padrão que nunca tinha sido percebido antes — uma constelação reluzente que se assemelhava muito à silhueta de uma garota — uma garota com um arco, correndo pelo do céu.

— Que o mundo a glorifique, minha Caçadora, — disse Ártemis. — Viva para sempre nas estrelas.

[...] — — — [...]

No dia seguinte, muitos olharam o céu, mas poucos notaram que o sol brilhava menos.

Notas finais
E então? Alguém leu? Gostaram?
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!