Câmera Escura
3 Capítulo 3
Notas iniciais
Quando Will chegou na casa dela, Angie estava esperando-o na sala.
– Boa tarde – cumprimentou-a.
– Boa tarde, Will.
Ele se sentou ao lado dela na mesa.
– Tem alguém aqui além de nós? – perguntou ele.
– Não...
Um silêncio tenso se instalou entre os dois. Will pensava em algo para falar desesperadamente, mas Angie o interrompeu.
– É... Você já conhece o trabalho, então já deve saber no que eu estou com dúvidas.
– Sim. É no relatório, né?
– É. – concordou ela – O professor não explicou quase nada.
– Mas essa é a parte mais fácil – riu – Você tem que fazer o resumo da sua experiência.
– Tipo descrever passo a passo?
– Sim.
– Do jeito que o professor falou pareceu tão difícil de fazer! – aquela desculpa deveria ganhar um troféu.
– Ele não explica muito bem – acrescentou.
– Pois é! – ela tirou alguns papeis da bolsa – Eu já tenho os tópicos anotados. A... a gente pode começar providenciando os materiais.
– Quais são?
– Bom, eu vou fazer uma câmera escura. Então vamos precisar de uma caixa média de papelão, uma lupa, papel vegetal...
– Você já tem algum dessas coisas? – perguntou ele.
Ela mordeu o lábio inferior.
– Ainda não...
– Nem a caixa?
– Nada.
– Nossa, pelo visto teremos muito trabalho a fazer!
– Sabe o mercadinho aqui em baixo?
– Sim – Will respondeu.
– Eu vi um dia desses que os funcionários jogam as caixas de papelão fora. Nós podemos ir até lá e pedir uma.
– Ótima ideia!
Eles se levantaram e chamaram o elevador.
Saíram do prédio e atravessaram a primeira rua. Para chegarem ao mercado teriam que passar por um cruzamento bem movimentado.
Os carros que iam para direita pararam quando o semáforo ficou vermelho, deixando os carros passarem. Angie se apressou logo para atravessar, mas acabou não vendo um motoqueiro que passava apressado. Quando Will viu aquilo, seu coração disparou. Não pensou duas vezes e agarrou o punho dela e puxou-a para trás, voltando para a calçada.
Ela ficou sem ar ao sentir o movimento brusco e repentino. Um segundo depois, sentiu a moto passar na sua frente, seguida por uma corrente de ar.
Angie parou ofegante ao seu lado. Ela olhou para ele assustada.
– Obrigado – disse, ainda recuperando o fôlego.
– De nada, mas da próxima vez, tome mais cuidado.
– Pode deixar.
Quando ficou seguro a travessia, os dois passaram. Finalmente chegaram ao mercadinho. Angie foi procurar um funcionário.
– Será que você tem uma caixa de papelão vazia que possa me dar? É para um trabalho de escola – justificou.
O homem assentiu e pediu que esperasse. Ela aproveitou esse meio tempo e pegou uma caixa de bombons.
– É chocólatra? – Will perguntou.
No princípio, Angie não entendeu o motivo da pergunta, mas depois se lembrou dos bombons que estava segurando.
– Ah! Não, não. Não chego a esse ponto – riu um pouco para descontrair. – E você?
– Gosto, mas não sou viciado.
– Aqui está a caixa. – disse o funcionário.
– É perfeita! Obrigado – agradeceu.
Depois que Angie pagou o chocolate, os garotos voltaram para casa.
Eles foram para a sala e começaram a preparam a caixa para a montagem. Abriram a caixa bombons e comeram alguns. Um deles estava com o chocolate derretido e Angie melou o canto da boca. Will riu da cara dela.
– O que foi? – perguntou ela inocente.
– Você está melada – disse rindo.
– Onde? – ela passou a mão na boca, o que só fez espalhar a mancha.
Ele riu mais ainda. Quando olhou para sua mão, viu que estava muito melada e correu para o banheiro.
– Você podia ter lambido – Will falou.
– Não! Ia ser muito nojento.
– Quer saber o que é nojento?
– O que?
Ele pegou uma bala e a mastigo-a bem até virar uma pasta. Espalhou-a bem pela boca e depois abriu e mostrou a língua.
– Ai, que nojo! – Angie tampou os olhos – Coma isso logo, Will!
Ela fechou a boca e terminou de mastigar, rindo.
De repente, Soraia entrou no quarto.
– Mãe? – ela e Will olharam para a porta.
– Oi, filha.
– Eu pensava que você só ia chegar mais tarde.
– Eu resolvi fazer uma surpresa. Eu iria levar você para uma pizzaria – ela se virou para Will – Oi, Will.
– Olá, Sra. Albuquerque – cumprimentou-a.
– Ele estava me ajudando no trabalho da escola, mãe – explicou.
– Você gostaria de ir na pizzaria com a gente?
Angie arregalou os olhos com o convite.
– Eu adoraria, mas infelizmente não posso – deu um sorriso triste – Mesmo assim, obrigado pelo convite.
Sua filha suspirou, aliviada.
– É uma pena – falou Soraia.
– Eu acho que já vou indo. Boa noite pra você duas.
– Tchau, Will – despediu-se a mãe.
– Até logo – disse a filha.
Assim que ele foi embora, Angie explodiu:
– Você tá doida?! O que te deu na cabeça?
– Calma, filha. Eu só queria ajudar.
– Ajudar atrapalhando!
– Tá desculpa. Não faço mais nada! – se rendeu – Eu posso pelo menos falar uma coisa?
– Tudo bem.
– Se você estiver tentando conquistar ele, só uma dica: faça-o rir.
Ela assentiu pensativa. Ao voltarem da pizzaria, Angie foi dormir com o sorriso de Will na cabeça.
Notas finais
Muito fofo o Will ter salvado Angie, né?
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