Câmera Escura
12 Capítulo 12
Notas iniciais
Angie sabia que aquela festa não era uma boa ideia. Por que, então, tinha ido para ela mesmo? Por causa de Will. “É uma merda estar apaixonada”, pensou. Você é capaz de fazer loucuras só para poder ver o sorriso se formando naquele rosto que você fica pensando por horas antes de dormir. Você não tem vergonha de falar nem de agir se você tiver na mente e no seu coração o amor da pessoa que você gosta. Não precisa ter reciprocidade para amar.
Agora, Angie estava chorando na chuva, perdida sem saber para onde ir. Imaginava que seria capturada e estuprada por um psicopata no meio do caminho para casa, isso se ela estivesse indo para casa. Tudo estava deserto e não havia nenhum ponto de referência para ela se guiar. “Por que eu fui para aquela maldita festa mesmo?”, repetia essa pergunta em sua mente.
– Angie! – ouviu alguém gritar seu nome ao longe.
Reconheceu a voz do último cara que ela queria ver no mundo.
– Angie, espera!
Ela apenas o ignorava.
– Angie! – ele conseguiu alcança-la e colocou a mão em seu ombro para que ela parasse de andar.
– O que foi?! – ela se virou para ele, chorando.
Will respirou antes de continuar, ainda estava ofegante.
– Me desculpe.
– Por quais dos erros?
– Por todos.
– Sinto muito – disse chorando – São muitos para eu conseguir desculpar – ela se virou e continuou a andar sem rumo.
– Ei, não! – ele correu atrás dela – Espera!
– Será que você pode me deixar em paz?!
– Eu sinto muito pelo o que aconteceu.
– Sente mesmo, Will? – ele engoliu em seco – Pois não parece. O que você fez comigo não tem cabimento. Sabe, eu pensava que a gente tinha alguma coisa, mas ai você beijou aquela menina e tudo foi por água abaixo.
– Foi ela quem me beijou!
– Mas você correspondeu! – Angie se estressou – Não vou ficar discutindo com você. Você não merece minhas palavras.
– Angie, por favor, me desculpa. Vamos fazer um novo começo! – propôs.
– Novo começo? – perguntou irônica – Como um novo começo se essa história nem chegou ao fim?
– E quando é que vai acabar?
– Quando ela acabar com um de nós primeiro. – ela respondeu e depois voltou a caminhar.
Will ficou parado na chuva por alguns segundos, refletindo sobre as palavras de Angie. Ele decidiu o que iria fazer e começou a segui-la.
– Eu sinto muito, Angie. Mas eu não vou desistir de você tão fácil assim.
Ela parou de andar. Uma espécie de chama tinha se acendido em seu coração, porém ela não ligou e continuou a caminhar, dessa vez, forçada.
– Eu não vou desistir de você porque você nem por um segundo desistiu de mim. – ele tentava acompanha-la, dando passos largos. – Você me ensinou que eu não posso exigir o amor de ninguém, apenas posso dar razões para gostarem de mim e deixar a vida fazer o resto. – ele se posicionou na frente dela – Eu quero ensinar a você como podemos aproveitar esse amor.
Angie se desmanchava em lágrimas, que se misturavam com as gotas da chuva.
– Eu queria muito acreditar nas suas palavras, Will. Mas tudo o que você tem feio só me faz perceber que você não consegue seguir em frente com sua vida. Você fala uma coisa, mas faz justamente o contrário.
– É, eu sou assim mesmo – admitiu – Sou um garoto incerto e inseguro, mas quando eu estou com você, Angie, eu sinto que posso ser diferente. Sei que eu posso ser eu mesmo.
– Me prove.
– Eu nunca seria capaz de falar o que estou falando agora se não estivesse completamente apaixonado por você. Eu seria capaz de fazer qualquer coisa só para você acreditar em mim porque eu sei que você confia em mim. Você é a única que confia em mim.
Uma guerra acontecia entre a mente e o coração da jovem menina. Enquanto um dizia que era pra ela deixar os problemas de lado e beijar ele de uma vez, o outro pedia ardentemente para ela refletir sobre o assunto e não tomar nenhuma atitude precipitada. O resultado disso foi lágrimas e mais lágrimas.
– Por favor, pare de chorar – Will limpou seu rosto delicadamente.
Angie acariciou a mão dele. Aos poucos, os dois foram encostando as suas cabeças até sentirem seus lábios selando. O pecado do amor venceu. O beijo foi decorrendo de forma calma e intensa. Suas forças iam sendo consumidas à medida que suas línguas brigavam. Os lábios dele eram cálidos e macios contra os dela que eram frios e molhados. Tudo de ruim que tinha acontecido com eles pareceu ter sumido com um passe de mágica. Se as coisas fossem tão fácies assim, elas não valeriam à pena. Quando o ar fez falta nos seus pulmões, eles se separaram.
Will sorria. Angie recuou um passo.
– Nós não devíamos ter feito isso.
– Você não gostou?
Ela hesitou em responder. Claro que ela tinha gostado. Por meses tinha sonhado com isso, mas agora parecia não ser o momento certo.
– A questão não é essa. – explicou – É que... nós não podemos deixar tudo o que aconteceu de lado e viver esse sentimento. Isso é errado.
– O que você quer que eu faça, Angie? – Will perguntou – Eu me declarei para você, te beijei debaixo da chuva, pedi desculpas... Se pudesse, eu voltaria no passado para consertar os meus erros, mas isso, infelizmente, eu não posso.
A chuva começou a engrossar.
– Você tem razão, Will. Você fez tudo o que você podia – ela suspirou – Talvez o problema seja meu cansaço. Amanhã a gente conversa – se virou e voltou a andar.
– Você vai voltar para casa andando nesse toró?
Angie parou.
– Você pode me dar uma carona?
– Claro – ele suspirou, também cansado.
A viagem foi completamente silenciosa. Ninguém falou nada nem direcionou o olhar para o outro assim como as antigas caminhadas deles. A garota estava agoniada. Seus pensamentos não cessavam.
Quando chegou em casa, ela se sentiu aliviada. Trocou de roupa e foi dormir.
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