Notas iniciais
Bom dia amores, tenham uma boa leitura! *-*

Saindo da escola, Angie viu de longe Will. Seu coração saltou do peito e sua respiração falhou. Ele estava conversando com uns amigos do primeiro ano numa rodinha. Pelo visto, teria que esperar uns cinco minutos para poder ir para casa.

Sim, porque sua mãe disse que ela só poderia voltar para casa com a companhia dele, já que eles moravam no mesmo prédio e a mãe dela era colega de trabalho da dele. Angie tinha quatorze anos e sua mãe achava que ela tinha sete, pois não confiava na filha para atravessar três ruas antes de chagar em casa.

Era muito constrangedor para ela ter que fazer esse mesmo percurso todos os dias na companhia do menino que gostava, ainda mais porque o silêncio que preenchia os momentos quando eles ficavam juntos era muito constrangedor. Ele não falava nada, não dirigia nenhuma palavra a ela.

Importante dizer que eles não eram amigos nem nada. Apenas vizinhos de um prédio imenso de trinta e cinco andares.

Will já morava lá quando ela se mudou.

A mãe de Angie tinha se separado do seu pai, o que fazia um ano, e elas se mudaram para lá. Ela era filha única e sua mãe era juíza federal. Seu pai continuou morando no mesmo apartamento, com a diferença de que, agora, o quarto de Angie era ocupado pela filha da namorada de seu pai, Margareth. Ela era mais velha quatros anos e se achava por ser maior de idade. As duas já haviam se encontrado algumas vezes, mas não tinham trocado nenhuma palavra, assim como as caminhadas matinais com Will.

Angie tinha se conformado com a separação dos pais. No começo tinha ficado triste, porém com o tempo, ela percebeu que foi o melhor que eles poderiam ter feito. As brigas sumiram e o clima tenso em casa acabou. Ela se orgulhava muito deles, pois, mesmo depois de tudo, eles ainda continuavam amigos.

Will tinha um irmão menor, Noah. Ele era um moleque muito chato. Abusava sempre que podia e aprontava até mesmo quando estava de castigo, o que acontecia a maioria das vezes. Angie o achava um menino fofo e adorável, isso porque nunca tinha passado mais que três minutos com ele.

Quando a caminhada chegava ao fim, cada um ia para um caminho diferente: Angie seguia direto em direção ao elevador dos fundos e Will entreva no elevador da frente. Eles nem se despediam ou davam um simples “tchau” com a mão. Nesse dia, ela se cansou disso.

– Will – chamou-o quando este já estava quase entrando no elevador.

Ele saiu e ficou na frente dela.

– É... – Angie começou a gaguejar. Suas mãos suavam – Eu estou com um trabalho de ciência pra fazer... – “Que merda, Angie! Não tinha uma desculpa melhor?” – E tem uns itens que o professor não explicou muito bem...

– Ah! Sei qual é! – exclamou Will – Todo ano ele passa esse trabalho.

– Pois é! E eu achei que... você poderia me... me explicar – completou a última parte morrendo de vergonha. “Quase que não sai!”, pensou.

– Claro, Angie! A gente pode se encontrar mais tarde...

– Ah, hoje não vai dá – falou com um sorriso triste – Eu estou meio ocupada esta tarde.

– Que dia pode ser então?

– Nesse final de semana. Está bom pra você? – perguntou.

– Sim, pode ser.

– Então tá.

– Tchau – acenou.

– Tchau – acenou de volta, envergonhada.

Assim que o elevador fechou a porta, Angie falou:

– O que foi que eu fiz? – colocou as mãos na cabeça – Ai meu Deus! Eu estraguei a minha vida! Aquela conversa foi muito, mais muito estranha. O que será que ele está pensando?

Cada vez mais, as perguntas iam deixando-a confusa e incerta. Pensou em desistir da ideia e dar outra desculpa esfarrapada, mas analisou melhor na situação e decidiu seguir adiante com seu plano maluco. Por mais estranho que parecesse, ela tinha gostado da ideia de passar uma tarde inteira com ele.

Angie seguiu seu mesmo caminho indo em direção ao elevador dos fundos, com uma exceção: ela estava feliz.

– Mãe?! – chamou-a dentro de casa.

– Filha?! – ela respondeu da cozinha – Estou esquentando o almoço!

– Ok.

Foi para seu quarto e trocou de roupa. Depois de almoço, iria para sua aula de karatê.

Notas finais
Para deixar bem claro, o que eu disse na sinopse sobre o ligação especial é justamente essa caminhada de depois da escola. É bem estranho isso, e vcs nem imaginam em quem me baseei... Se quiserem saber, leiam o próximo capítulo.