Cálidas Cores
1 O último pôr-do-sol
Tu eras como o Sol, eu, por minha vez, contentava-me em ser sua Lua. Ah, mas que sonho não seria se tu fosses meu. Que pudesse tê-lo nos braços para sempre. Ah, Deus, por que não fizeste com que as alvoradas e o findar dos dias fossem mais longos?
Tu eras vermelho. Eu era amarelo. Beijamo-nos e então fez-se o pôr-do-sol. Infinitas pareceram durar tais tardes em que nos perdíamos naquele crepúsculo de carícias e dizeres repletos de ternura.
Vivo na liberdade que me pregam. Desculpem-me, isso não é ser livre.
Corríamos um do outro quando em público, apenas por sermos amarelo e vermelho. Desculpe-me, isso não e ser livre.
“Libertária, Libertária. Chegará um dia em que não nos veremos mais.”, tu dizias. Eu contentava-me em brincar com os cachos de teus cabelos castanhos e dizer que tal dia nunca chegaria.
No seguinte pôr-do-sol, não te encontrei. E assim sentei-me no alaranjado, porém continuei no amarelo. E chorei.
X
Encontrei-te n’alvorada. Jazia banhado em vermelho. Quisera eu que fosse o vermelho de tua bandeira. Não era.
Num instante estavas em meus braços. Eu brincava com teus cachos castanhos. O pranto banhava-me. Nada podia ser feito.
Permaneci ao teu lado. Fizemo-nos pôr-do-sol por uma última vez. Embalei-te até que dormistes.
Assim, esqueci-me do amarelo. Fiz-me preto.
Notas finais
Obrigada por ler. ♥
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