Notas iniciais
Desculpem a demora pessoal!

CAPÍTULO ÚNICO

“De médico e louco todos temos um pouco”

Mansão Pratz

Tony estava sentado no sofá da Mansão Pratz, seu corpo estava dolorido e seu braço ainda guardava as queimaduras da noite anterior.

Um pequeno incidente com o ferro elétrico havia provocado um tremendo incêndio em um condomínio residencial, e Custodes havia feito o seu papel pela terceira vez na semana.

O Herói mascarado virou a notícia do ano na cidade de Hollcity, se você perguntasse quem era o prefeito, poucas pessoas saberiam, porém se você tocasse no assunto Custodes, todas as pessoas, de quaisquer religiões, raça ou classe social que vivesse em Hollcity, todos saberiam de quem se estava falando, em parte, por que ninguém sabia quem estava por trás do capuz.

Naturalmente, milhões de rumores surgiram e Tony tentava ser o mais cuidadoso possível, procurava alterar sua voz drasticamente quando estava usando o capuz, se preocupava em não deixar escapar nenhum fio de cabelo que estivesse por fora da proteção e usava lentes que deixavam seus olhos verdes quando fosse sair como Custodes – embora geralmente esquecesse-se de colocá-las.

- Seu braço melhorou filho? – Perguntou Benjamin assustando o filho distraído, o seu pai tinha uma péssima mania de se aproximar quase inaudivelmente.

- Está melhorando – Falou Tony com um meio sorriso.

- Desde que isso começou – Disse Benjamin depois de tomar um gole de café. Ele adorava café – Eu estive pensando em algumas coisas.

Não era necessário pedir a Tony que seguisse o seu pai, era um instinto, algo que havia se tornado um hábito dos dois de certo modo lerem a mente um do outro.

Foram até a parte dos fundos da copa, onde havia uma pequena portinhola dando lugar a uma escadaria subterrânea. Tony nunca havia prestado atenção ali, pois era perto dos cômodos dos empregados. Como ele já havia esperado, Terry estava próximo dos dois. Ele era o filho do antigo empregado da família Pratz. Desde que seu pai Robert havia falecido – o que fazia pouco mais de um mês – Terry havia pedido para Benjamin deixá-lo trabalhar para eles, como havia sendo feito a gerações, Terry era jovem o que não agradou muito Ben, ele preferia que Terry estudasse em uma boa universidade com as despesas pagas pela família Pratz, ele fazia questão disso, mas Terry decidiu seguir a tradição e se tornar o mordomo e ele andava sendo muito prestativo. Desde pequeno perambulava pelos corredores da Mansão, causando uma dor de cabeça para o pai, embora Ben não se importasse com isso.

Para a sorte de Tony ele era de confiança, pois no terceiro dia de trabalho de Terry – quando ainda não havia tido por completo o hábito de ser mais discreto com o disfarce – fora visto pondo o capuz pelo mordomo. Logo, ele acabou se tornando parte de um daqueles que sabia do segredo e começou a ajudar no tratamento de ferimentos após algum salvamento arriscado ou limpando devidamente o carro de Tony. Ele não queria que essa lista aumentasse.

Até agora, somente Benjamin, Carolina – que estava namorando Tony por sinal – e o Comandante Collins sabiam do segredo. Collins era totalmente discreto e deu carta branca para as ações de Custodes, tinha certo contato com Tony por linhas confidenciais caso alguém do governo estivesse monitorando as chamadas das delegacias de polícia.

Ele ainda sentia um frio na barriga por causa de Alkatraz, ele ainda estava em testes psicológicos no hospício Rorschach. Mas por sorte, ele iria ser transferido logo para a Penitenciária Especial que fazia parte de um novo projeto do governo americano para conter as penas de morte. A Segurança na prisão era inacreditável, embora alguns dissessem que as condições são subumanas, Collins havia garantido a Tony que Alkatraz iria passar a vida inteira vendo o sol nascer quadrado.

Hospício Rorschach

Alkatraz não via o sol nascer quadrado, pois nem o sol podia enxergar, estava desde que havia sido preso trancado em uma sala com as mãos amarradas, fazia os testes psicológicos sem sair da sala com uma divisória blindada entre os médicos e ele.

“Parabéns seu estúpido” Pensava ele “Um erro, uma falha fatal no plano e você vai passar alguns meses comendo feijão com carne de porco. Somente alguns meses. Aquele idiota irá ter seus órgãos postos como sobremesa de minha refeição naquele restaurante parisiense. Aquela época em Paris havia sido ótima.”

Interrompendo os seus pensamentos sobre a gloriosa época em que havia vivido na Europa a por se abriu e pouca claridade que vinha de fora, para ele era ofuscante. A Luz se acendeu.

- Olá enfermeira – Disse Alkatraz olhando para a mulher que havia entrado.

- Sou uma doutora, Dra. Hadley. Respeite-me – Disse ela.

- Você é bem melhor que as outras.

- Lave sua boca para falar comigo – Disse ela se descontrolando.

Seus olhos estavam cheio de lágrimas e de ódio, retirou sua mão do jaleco revelando uma arma, inutilmente, desferiu dois tiros contra Alkatraz, o barulho se ouviu em todo o prédio e por causa do vidro blindado, não havia uma bala no peito e outra na cabeça de Alkatraz. Ela caiu no chão tremendo muito, a arma escorregou no chão.

- Você matou a minha mãe, seu rato sujo...

Após falar isso, ela foi agarrada por dois seguranças a porta se fechou e Alkatraz abriu seu sorriso malicioso.

- Esses humanos... – Disse de forma quase inaudível.

O Diretor do hospício, Dr. Robinson já havia tomado conhecimento da situação, logo, a Dra. Hadley fora trazida até a sua sala.

- Deplorável – Disse ele para sua companheira de anos – Hadley! Como você pode tentar matá-lo! Aquele desgraçado merece, mas não temos esse direito.

Ela permaneceu calada.

- Eu entendo o que ele lhe fez. – Falou Robinson se sentando – Mas você não está mais em condições de trabalhar. Vou encobrir o incidente em nome da nossa amizade Dra. Hadley. Prefiro que você somente saia daqui, sem cumprir aviso prévio. Você mora sozinha em um pequeno hotel aqui, será fácil você se adaptar em outro lugar. Espero que você me entenda.

Ela não respondeu somente se levantou e saiu acompanhada pelos guardas.

Estava sozinha na frente do hospício Rorschach com a chuva martelando os seus ombros.

Como odiava o mundo.

Como iria adorar puni-lo pelo que ele havia lhe feito.

Mansão Pratz

Os três entraram pela portinhola e desceram uma longa escadaria.

- Lá embaixo fica o antigo porão – Começou a falar Ben ainda com o café em mãos. – Quanto tudo isso começou eu resolvi fazer uma coisa com ele, espero que goste.

A Porta no final das escadas de abriu. Havia um amplo salão iluminado com uma luz azulada. Possuía uma mesa parecida com a de hospitais, várias estantes com medicamentos e objetos pontiagudos.

- Você vem vindo muito machucado – Disse Ben – Achei melhor termos medicamentos necessários, além disso, há ali ao lado uma sala vazia, você pode colocar o que quiser lá dentro.

- Isso não era necessário pai – Disse Tony observando a limpeza do local – Mas muito obrigado.

- Essa não é a melhor parte, me acompanhe.

Ben abriu outra porta e foi seguido por Terry e Tony, entraram na sala totalmente vazia, exceto por uma mesa com algo encima, essa era do mesmo tamanho da outra e as duas juntas deviam tomar todo o subterrâneo do imenso jardim.

Eles se aproximaram da mesa, Benjamin se pôs a frente.

- Resolvi que é melhor você ter auxílio nas suas “tarefas” – Falou Benjamin se dirigindo para Tony – Desenvolvi uma espécie de bracelete bem mais largo que os normais, ele é totalmente leve e se adapta a cor da roupa. Tecnologia de ponta! O Exército pretende usar um desses daqui a alguns anos, a nossa empresa que desenvolveu – Continuou Ben cheio de orgulho – È O Primeiro, totalmente exclusivo. Ele vai tomar boa parte do antebraço do seu paletó e como já falei você nem o sentirá no braço.

- Desculpe estar me intrometendo senhor, mas para que serve o bracelete? – Disse Terry com o seu sotaque inglês, onde havia vivido cinco anos de sua adolescência.

- Boa pergunta – Exclamou Ben – Ele possui um sistema holográfico, quando você quiser a tela vai ser projetada a cima do seu braço, com ela será possível comunicação por voz e vídeo, acesso a internet, GPS e outras coisas.

- Isso é fantástico!Vai ser uma mão na luva, ou melhor, um bracelete no braço – Falou Tony soltando uma risada, aquilo era ótimo mesmo.

- Por enquanto você não poderá usá-lo, estou formatando o sistema operacional dele, até amanhã estará pronto.

Ben retirou da mesa outra coisa que Tony já estava de olho, percebeu que eram seus sapatos, mas não via nada de mudado nele.

- Eu também tomei a liberdade de alterar o seu sapato – Falou Ben – Por dentro dele instalei um sistema especial de propulsão, você não irá voar ou pular altíssimo ou algo do gênero, isso lhe deixará mais rápido e lhe dará mais impulso em pulos a longa distância. Você teria pegado o Alkatraz antes dele matar aquelas duas pessoas se você estivesse usando ele.

- Parece legal. – Falou Tony colocando os sapatos, cruzou a sala com eles e havia notado uma diferença substancial na sua velocidade.

- Isso é tudo – Falou Benjamin – Só quero que você use o colete á prova de balas ao invés de deixá-lo em casa como da última vez.

- Está certo pai, vou procurar usá-lo.

- Acho bom. – Falou Benjamin soltando uma risadinha e observando Terry fuçar o bracelete, parecia uma criança com um novo brinquedo nas mãos.

Nesse dia Tony finalmente havia percebido que estava totalmente por completo nessa história, agora ele não era somente Tony, era Custodes.

Mas rezava para que a cidade não precisasse de Custodes hoje.

Ele tinha Carolina Hearter para ver e não queria ser interrompido.

Definitivamente, deveria ser uma noite, sem interrrupções.

Pousada Lírio do Campo

“A Sociedade me humilhou” Pensava Dra. Hadley queimando todas as suas roupas. “Agora ela vai pagar. Ela vai sentir a fúria de alguém não furioso. Possuído. Alguém que vai fazê-los sofrer, como um dentista para uma criança. Alguém como eu. E Quando eu sair daqui não será mais Hadley. Serei A Doutora. E Vou fazê-los sofrer. Fazê-los pedirem por suas mães como crianças indo para o consultório médico.”

E Ela pôs seu jaleco e saiu da pousada, deixando o fogo se alastrar por todo o quarto.

No dia seguinte, a pousada havia sido completamente queimada e todos os hóspedes, tinham sido queimados vivos. Exceto um, mas não se podia identificar qual era o hóspede restante, todos haviam sido completamente cremados e nenhum exame pode determinar o DNA de cada um.

O Mais estranho foi que há cem metros da Pousada Lírio do Campo o corpo do recepcionista fora encontrado.

Com um estetoscópio enforcando ele.

Fim?

Notas finais
Espero que tenham gostado!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.