Custodes - a Nova Inimiga

1 CAPÍTULO ÚNICO


Notas iniciais
Continuação direta de A Origem da Doutora.
Ficou meio longo mais vale a pena XD

CAPÍTULO ÚNICO

Galpão abandonado nas

Imediações de Hollcity

- Sejam Bem-Vindos – Falou uma voz feminina suave.

O Galpão estava iluminado por uma luz pálida e que se alongava pelas camas hospitalares que estavam espalhadas por ali, as camas estavam levantadas e havia três homens e duas mulheres amarrados a cada uma delas. Tentavam emitir sons, mas suas vozes não respondiam.

Desesperados, não perceberam os leves passos se aproximando, a mulher possuía uma altura de pouco mais que 1,70 e usava luvas e uma máscara médica branca ao redor da boca e encobrindo as narinas. Ela retirou do jaleco um pote, o líquido era azulado e pastoso.

Ela se aproximou de um homem, ele tinha uns quarenta anos e possuía cabelos ruivos. Seu olhar permanecia firme, fitando os belos olhos da médica.

Ela abriu a tampa do recipiente de vidro, derramou um fio do líquido azul pelo corpo nu do homem, desceu pondo o líquido na região da cintura e das pernas, com a mão, abriu a boca fechada do homem e depositou o líquido pastoso na boca do homem, possuía um gosto semelhante a caramelo, mas começou a se transformar em uma espécie de chiclete que se grudou ao corpo de forma intensa, sua respiração começou a se tornar lenta e seus olhos desesperados. O Líquido começou a penetrar na pele, o homem começava a suar e a médica o observava. Ela passou as mãos sobre os cabelos dele e beijou a sua testa, se aproximou do ouvido dele e começou a sussurrar:

- Elas vão vim com tanta fome que sua pele não será o bastante. È Uma pena você fazer parte do mundo.

O Homem se perguntou quem seriam “elas”.

Poucos minutos depois, ele soube a resposta.

Um enxame de abelhas adentrou o salão, rapidamente pousaram na pele do ruivo. A Dor foi infernal, elas penetraram na pele, ele começou a sangrar. Elas encheram sua boca e desciam pela garganta a dor infernal cessou e nos olhos dele veio uma luz ofuscante.

Minutos depois, a médica entrou novamente na sala se aproximando do homem.

- Sem sinais vitais – Falou ela. – Quem será o próximo?

Disse ele para seus pacientes que a olhavam aterrorizados.

Mansão Hearter

- Senhor Hearter – Falou Tony adentrando ao portão – È um prazer. Bonita casa.

- Obrigado Tony, o prazer é todo meu. – Falou Thomas Hearter – Carolina está descendo, por favor, sente-se.

Ele apontou-lhe uma cadeira vermelha e se dirigiu a um bar na lateral da sala.

- Você bebe Tony – Falou ele servindo o copo de alguma bebida que Tony não distinguiu.

- Não muito. – Respondeu Tony.

- Fuma? – Tony balançou a cabeça negativamente – Usa drogas?

O Silêncio se perpetuou sobre a sala, sendo quebrado pela gargalhada de Thomas.

- Brincadeira Tony, eu sei que você é um ótimo rapaz – Elogiou Hearter – Conheço seu pai há anos, você sabe que fomos sócios e quebramos a sociedade. Eu queria investir em outros ambientes, mas mesmo assim continuamos amigos e temos investido em um novo projeto conjunto para o desenvolvimento de um sistema operacional que irá revolucionar o mercado.

- Parece lucrativo – Falou Tony

- Absolutamente. Íamos falar mais detalhes na festa, porém... Bem, você sabe. Afinal, onde você se meteu durante o incidente. – Questionou ele se sentando.

- Eu estava debaixo de uma mesa. – Disse Tony pensando rapidamente em uma mentira.

No mesmo instante, Carolina desceu pelas escadas.

- Vamos Tony? – Disse ela.

Tony se levantou dando um aceno para Thomas e se juntou a Carolina, os dois saíram pela portam enquanto o pai dela pensava sobre os dois.

- Sinto muito a demora – Falou Carolina.

- Sem problemas, seu pai é ótimo.

- Sei. Você está falando isso para agradar Tony. – Disse ela ríspida.

- Falo sério.

- Provavelmente deve ter falado sobre coisas velhas e dessa nova coisa inovadora que ele e seu pai vão lançar.

- Meu pai também vive falando sobre isso. Já me acostumei. De qualquer jeito, vamos esquecer eles.

- Para onde vamos? – Perguntou Carolina se sentando no carro de Tony.

- Para o lugar mais bonito de toda a cidade.

Os dois saíram pelas ruas indo por uma avenida que iria dar em um monte que ficava um pouco fora da cidade. Perto do tal monte Tony estacionou o carro.

- Agora – Falou Tony retirando uma venda do porta-luvas e pondo nos olhos de Carolina – Me acompanhe.

Os dois subiram por uma trilha reta, ela se direcionava para o alto e era iluminada pelo caminho e dez minutos depois, se encontravam no alto do monte.

Ele retirou a venda dos olhos dela.

Era uma visão deslumbrante. Dava para ver toda a cidade. Os carros, casas e prédios. As luzes piscando incessantemente e o céu ali estava mais estrelado e o ar mais puro.

Aproximou-se dele e beijou-o de forma tão eufórica que os dois caíram na grama molhada do local, por onde passaram a noite inteira.

Tony acordou, olhou em seu relógio e já eram dez horas da manhã, Carolina estava deitada do seu lado ainda dormindo.

Ele se recompôs e acordou Carolina, em minutos já estavam vestidos enquanto desciam aquele estranho, belo e misterioso monte abraçados.

Ao chegarem ao local Tony não pode deixar de soltar um palavrão. Algum vândalo havia estourado as rodas do carro dele. Por sorte, o restante estava intacto.

Tony teria que ligar para alguém e pedir carona.

Um táxi não iria até um local como aquele.

Seu pai... Não. Definitivamente não era a idéia mais inteligente.

Como que por mágica, a idéia surgiu na cabeça dele. Terry.

O Mordomo possuía um carro herdado do seu pai era antigo, mas possuía uma beleza indescritível.

Além disto, ele seria discreto e era da idade de Tony. Não seria incômodo, ele provavelmente estaria limpando algum vaso ou arrumando pastas.

E Assim ele o fez.

O Serviçal estranhou a princípio, mas estava lá assim como havia sido pedido

- Tony por que...

- Só dirija Terry – Falou Tony cortando a pergunta dele

Ele deixou Carolina em casa e assim que a porta se fechou, seu celular tocou. Era a linha confidencial com o Comandante Collins.

- Preciso de você To... Digo Custodes – Falou a voz já conhecida por toda a cidade –Na estrada norte de Hollcity, após o posto de gasolina estará um galpão interditado, vá para lá.

E Sem deixar Tony falar, ele desligou a ligação.

“Devia ser algo importante” Pensou Tony “Collins não acorda às dez da manhã por um pequeno delito”

E Assim Tony seguiu para o galpão já devidamente “uniformizado”. Collins estava apreensivo e dizia ordens em meio aos goles de café, logo avistou Custodes e com um aceno pediu para ele segui-lo

Os dois adentraram no galpão, vários peritos examinavam o local ainda com um odor fétido, cinco pedaços de lona enrolavam corpos no chão.

- O Que está acontecendo aqui? – Perguntou Custodes.

- Assassinato em série. – Respondeu ele – O Criminoso matou essas cinco pessoas.

- Alguma pista?

- Sim. Os carros das vítimas foram encontrados em um ferro velho local, o homem responsável falou que a pessoa que os havia levado para lá estava vestido como um médico.

Tony deu uma risada.

- Não ria – Retrucou Collins – Temos tudo para crer que era realmente um médico. Os assassinatos ocorreram de forma que só uma pessoa com pleno conhecimento da anatomia humana poderia fazer. Uma pessoa que estudou várias doenças e seus causadores, além de venenos. Estamos lidando com um profissional aqui.

- As pistas são vagas demais Collins. Não podemos interrogar todos os médicos de Hollcity

- Temos uma última pista. Encontramos uma marca de batom na testa de uma das vítimas, essa marca não corresponde a nenhum batom usado pela esposa do indivíduo nem a nenhuma das outras vítimas, nós cremos que é o batom usado pelo criminoso.

- Está dizendo que o criminoso é uma mulher?

- Sim e não. Também pode ser um homem usando batom.

- É. – Respondeu Tony observando o corpo de uma das vítimas sendo carregada, sua cara estava completamente desfigurada.

- Mesmo assim não temos nada suficiente para acusar alguém especificamente, nem para interrogar alguma pessoa. Nós vamos ficar atentos a crimes parecidos com esses. Esse crime foi totalmente... Terrível. Não há nenhuma humanidade no coração desta pessoa. Estamos lidando com um novo Alkatraz, talvez muito mais terrível. Fique atento Custodes. Se precisar eu irei ligar, só quero que você esteja ciente de que há algo de podre em Hollcity. Isso ainda vai nos dar uma tremenda dor de cabeça.

E Infelizmente, Tony concordava com aquilo.

Assim que chegou a casa, caiu cansado na cama. Era bem mais confortável que a grama daquele monte, porém não estava ao seu lado uma companhia tão agradável.

Logo caiu no sono. Começou a ter um pesadelo. As sirenes tocavam e os guardas saíam de suas posições na Prisão Especial, eles tentavam conter, porém os vários prisioneiros liderados por Alkatraz avançavam e destruíam os muros, marchando em direção a Hollcity.

Acordou ofegante com um cheiro péssimo entrando pela fresta da porta, uma espécie de gás verde saía, tampou o seu nariz e saiu correndo pela escadaria. Toda a casa estava infestada pelo tal gás.

Desesperado, correu até o quarto do pai. Ele estava inconsciente, pegou ele nos braços e saiu o mais rápido que pode pela escadaria, não estava encontrando a chave e chutou a porta que desabou instantaneamente, encontrou Terry também desmaiado no gramado.

Uma mulher se aproximou correndo deles.

- Eu sou médica – Falou ela – Vim correndo, observei da minha janela esse gás saindo e fiquei assustada.

Ela checava o pulso de Benjamin, retirou de sua bolsa uma espécie de seringa. Tony estava tão preocupado que nem desconfiou de quem era aquela mulher.

A Agulha penetrou o pulso de Benjamin, rapidamente a consciência voltou a ele.

- Isso vai ajudar ele. – Disse a mulher.

- Muito obrigado – Agradeceu Tony.

Terry começou a acordar. Quando Tony se virou para perguntar algo novamente para a mulher, ela não estava mais ali.

Benjamin foi levado ao hospital, estava tossindo muito e sua temperatura estava muito acima do normal, dez minutos após a mulher inserir a seringa, ele voltou a ficar sem consciência.

Terry e Tony aguardavam ansiosos na sala de espera, o médico se aproximou deles.

- Senhor Pratz – Disse o médico, ele rapidamente se aproximou.

- Ele vai ficar bem doutor? – Perguntou aflito.

- Eu sinto lhe dizer que é algo muito difícil meu jovem – Falou ele – Você relatou que apareceu uma espécie de gás verde, nós detectamos ser somente uma substância que faz a pessoa ficar tonta e ficar inconsciente por um pequeno período. Isto não está ligado ao estado dele. Ele está com um veneno totalmente desconhecido por nós no sangue, somente o criador do veneno pode ter um possível antídoto, estamos fazendo o possível para desvendar os mistérios desta substância, mas está muito complicado. Quem fez isso é grande conhecedor de venenos. Ele só pode ter recebido isso por meio de uma injeção.

Tony lançou milhões de pragas sobre si mesmo.

Aquela mulher era uma impostora! Havia deixado seu pai doente.

Ele ligou os pontos rapidamente. A Mulher e o criminoso do galpão deveriam ser os mesmos, as características combinavam. E Por sorte havia um jeito de descobrir quem ela era.

Terry ficou no hospital enquanto ele correu para a casa.

O Sistema de vigilância monitorava a entrada da casa, logo possuíam uma fita do momento.

E Estava lá. Um vídeo com a face da mulher, ele o gravou em um CD e

Entrou no seu carro em direção a delegacia de polícia.

Pôs rapidamente a roupa e entrou correndo pela delegacia. Não se preocupou em bater nas portas nem de dar bom dia. A Vida do seu pai estava em risco. Abriu a porta do Comandante Collins.

- Encontrei a criminosa – Falou Custodes. – Ponha este vídeo.

E Assim Collins, preocupado com o estado de Tony, colocou o vídeo.

Rapidamente, ele pausou e deu zoom na cara da mulher.

- Não há tempo para explicações. Eu quero uma identificação rápida com todas as câmeras de segurança da cidade.

- Precisamos de autorização do...

- Faça agora. – Disse furioso Custodes.

Em cinco minutos, aquela foto estava sendo comparada com as fitas de segurança de todos os lugares na última semana, não havia ninguém com aquela foto nos registros de polícia nem contando como presa.

Não havia registros nas câmeras.

- Sinto muito Custodes. Não há nada. – Falou Collins – Essa pessoa está andando escondida e tem a ficha limpa.

Ele teve rapidamente a uma idéia. Como não havia pensado nisso antes?

- Compare com as fichas de registro dos médicos de todo o estado.

O Resultado foi quase imediato, as duas fotos eram da mesma pessoa.

- Incrível – Falou Collins – È A Dra. Hadley, uma das psiquiatras do hospício Rorschach.

- Maldita – Berrou Tony. – Quem pode saber o paradeiro dela?

- O Dr. Robinson era muito amigo dela, mas não sei se ele sabe.

- Me ligue com ele. – Falou Custodes.

Collins ligou do seu celular particular transferindo a ligação para o computador embutido ao bracelete de Tony que ativou a opção viva voz.

- Robinson na linha – Falou a voz calma da psiquiatra.

- Delegacia de Polícia de Hollcity. Temos uma denúncia de tentativa de assassinato contra uma de suas psiquiatras.

- Como vocês souberam? – Questionou o doutor pensando se tratar do tiro contra Alkatraz.

- Temos nossos modos – Falou Custodes – Podemos nos encontrar pessoalmente?

- Claro.

Dez minutos depois, Tony estava indo em direção ao hospício Rorschach, passou pelas duas muralhas de proteção que cercavam o local, se identificou e após percorrer um caminho confuso, chegou as portas do imenso local.

Robinson andava de um lado para o outro, ansioso e preocupado.

- Custodes? –Falou ele surpreso. Estava esperando um policial convencional.

- Algum problema? – Questionou Tony irritado.

Um silêncio constrangedor se abateu sobre o local, quebrado pelo som do corpo do doutor sendo pressionado contra a parede.

- Me diga onde está a Dra. Hadley, não me obrigue a usar violência – Disse Tony com os olhos exalando fúria.

Em meio a tensão que havia naquele momento se ouviram passos, eram silenciosos e rápidos.

Logo, Custodes sentiu os olhos pressionados e a visão virou um borrão, ouviu dois gritos de dor e ao retomar a consciência, o corpo do médico caiu inerte no chão.

Conseguiu avistar o pedaço de um jaleco correndo para longe da cena, não se preocupou com Robinson.

Era ela.

E Ele tinha que pega-la.

A Perseguição se deu pelo campo plano ao redor do local, Tony possuía vantagem, pois ela estaria em seu campo de visão onde quer que fosse só havia uma saída para ela, pular o muro.

A Distância diminuía aos poucos, ela parecia estar cansada e usando todas as forças e Tony também, mas sempre que pensava em desistir, em retardar sua ida um milésimo, via a vida do seu pai passando sobre seus olhos.

Correu como nunca havia corrido, estava muito próxima dela, ouviu uma espécie de barulho mecânico e logo após isso, uma agulha voou em direção dele.

Estava em uma velocidade tão rápida e insegura naquele terreno plano e pedregoso que ao desviar perdeu o equilíbrio e caiu.

A Agulha cravou em cheio em uma árvore, ele observava horrorizada a cena, a vida ali parecia estar sendo consumida. As folhas estavam caindo secas no chão, ele se levantou novamente tentando afastar esses pensamentos. Ela estava bem a frente dele agora, mas era por pouco tempo, o muro de dois metros se aproximava.

Ela parou a frente do muro, Tony se aproximou a tempo de olhar a cena:

Ela abriu o jaleco e como que magicamente, dois tubos saíram dele. Os tais tubos se grudaram ao concreto e expelir um líquido, ele começou a se deteriorar e o muro caiu.

Quando Custodes percebeu que ela estava conseguindo escapar, parou de somente observar e correu.

Foi tarde demais, a parte do muro desabou e ela avançou com ele em seu encalço. Mas ainda havia quinhentos metros a serem percorridos e vários seguranças armados, além de possivelmente, Comandante Collins e seus policiais.

A Distância diminuiu novamente, com todas as suas forças deu um pulo agarrando o jaleco com o máximo de força que podia, ela caiu no chão junto com ele.

Tony segurou os braços dela no chão e olhou para ela com os olhos arregalados.

- O Que você fez com meu pai? – Falou ele

- Ora, ora, então Benjamin Pratz é o pai do Custodes, logo suponho, que você deva ser Tony Pratz.

- Isso não faz diferença. Diga como eu o curo.

- Não a cura – Disse Hadley.

- Mentirosa! – Falou Tony erguendo a voz. – Façamos um trato.

- Não estou para barganhas hoje garoto.

- Eu lhe digo onde Alkatraz está e você me dá o antídoto.

Ela ficou paralisada, milhões de pensamentos ocorriam na mente dela. Custodes aproveitou a situação para persuadi-la.

- Você não quer se vingar daquele que matou a sua mãe? – Falou baixinho no ouvido da doutora.

Ela acenou positivamente com a cabeça.

Ele a soltou. Estava sem reação alguma como ele havia previsto.

- Me entregue à cura e direi tudo que sei sobre Alkatraz.

Ela pôs a mão dentro do jaleco e retirou um frasco cheio de um líquido amarelo.

- Essa substância vai consumir o vírus. – Falou ela – Agora me diga onde ele está.

- Penitenciária Especial, ao norte do estado – Falou Tony guardando o frasco no paletó.

- Mas é impossível entrar lá!?

- O Problema é seu, querida – Falou ele sarcasticamente.

Ela tentou agarrar ele, mas rapidamente Custodes sumiu pela mata.

Havia uma vida para ser salva.

Hospital Geral de Hollcity

Tony tirou o “uniforme” e adentrou correndo no saguão principal, sem se importar com os avisos, abriu a sala em que se pai estava. O Médico o olhou curioso.

- Tome – Falou ele estendendo o frasco amarelo – É O Antídoto.

- Como você conseguiu isso? – Falou o doutor.

- Não importa. Pelo estado dele não há bastante tempo, insira o líquido no soro.

- É Melhor enviar para testes no...

- Não há tempo. Coloque, eu sou o filho dele. Assumo o risco.

O Médico não iria discutir com aquele tom de voz.

Os minutos seguintes foram de pura tensão, por cerca de sete minutos nenhum resultado, Terry já havia entrado e balançava os pés aflitos, até que os olhos do patrão abriram e a máquina soltou um bip.

- É Um milagre – Falou o médico conferindo os dados – Batimentos cardíacos, cor de pele voltando ao tom normal... Pressão. É Realmente um antídoto poderoso. E Diria que quem fez isso é... Insano. Um gênio insano, ele usou substâncias que só eram usadas como veneno. Isto é a descoberta científica do ano, podemos curar grandes doenças meu jovem, diga-me, quem foi o gênio?

- Não foi um louco muito inteligente. Foi uma louca.

E Ele esboçou o sorriso olhando nos olhos do pai.

- Você voltou – Sussurrou Tony para ele

- Eu nunca fui Tony. E Nunca irei – Completou-o.

No mesmo dia, Benjamin já estava liberado. Por mais insistente que o médico fosse Tony não falou nada sobre ela.

O trio chegou a casa. Ela já estava devidamente pronta após o incidente, Benjamin já estava de volta à atividade normal, fazia ligações e estava agitado. Tony gostou daquilo. Mas ele sabia que ainda tinha uma coisa a fazer.

- Pai – Falou ele – Dr. Robinson faleceu hoje de tarde, sinto muito.

Benjamin colocou a mão na cabeça.

- O Velho Robinson faleceu? – Disse ele – Mas como ocorreu?

- Assassinato – Falou Tony – Tem haver com uma nova psicopata que esta a solta na cidade. É A Mesma que atentou contra você.

Ben parou para refletir sobre isso. Dr. Robinson havia sido o psiquiatra que tratou da doença de sua mulher que havia morrido a oito anos, ele era um ótimo médico e conseguiu retardar os efeitos da doença o máximo. Mas o destino colocou naquele mesmo dia fatídico, Tony em suas mãos.

Ele estava querendo falar com o pai sobre um assunto a alguns meses, e achou que seria o momento certo.

- Pai, eu queria saber quem são meus pais biológicos.

O Segundo silêncio constrangedor para Tony ocorreu novamente, quebrado pela sensatez de seu pai.

- Eu entendo você Tony. Mas eu não faço idéia de quem são eles, quando eu lhe encontrei você possuía quinze anos e não se lembrava absolutamente de nada, o diagnóstico foi amnésia gerada por um acidente de carro.

- Sim, eu sei disso. – Disse Tony – Mas tem que haver um modo. Você não acha?

- Pode ser – Retrucou Ben – Por que isso agora Tony?

- Sempre quis saber – Falou ele – Já sei! Aquela mulher da assistência social que me pôs no ônibus para Hollcity deve saber.

- O Que ela lhe disse?

- Que eles haviam morrido.

- Isso para mim enterra o assunto. – Falou Benjamin. Certo constrangimento ocorreu.

- Só queria saber os nomes deles, quem eles eram.

- Não posso lhe ajudar Tony. – Declarou Ben.

Tony saiu pela porta, pegou o seu carro e se dirigiu ao hospital para cuidar da papelada e dos custos da internação.

Assim que adentrou no salão do imenso hospital, uma enfermeira passou ao seu lado com uma bolsa de sangue. Teve uma idéia.

O Médico que cuidou do seu pai estava na recepção, aproximou-se dele.

- Senhor, existe como saber a paternidade de alguém por exame sanguíneo correto?

- Sim, obviamente.

- Vocês podem conferir o sangue com todos no banco de dados de doadores não é?

- Temos acesso a todos os materiais relativos não só doação de sangue como a todo o sangue que foi guardado para algo, esse acesso ocorre em todos os estados americanos e a alguns países europeus. Por que o interesse?

- Isso pode definir um pai de uma pessoa – Declarou Tony – Esse processo é...

- É Bem simples. Acho que já sei aonde você quer chegar. Tenho muita coisa a fazer agora jovem, mas a enfermeira Bennington poderá tirar seu sangue, os resultados em uns três dias. Se você quiser, claro.

Estava meio relutante, porém, Tony decidiu fazer. Entrou na sala, era muito higiênica como todo o hospital e de certo modo bonita. A Agulha penetrou em sua pele.

Perguntou-se se realmente queria aquilo.

Não havia volta.

O Que será, será.

Hospital Geral de Hollcity

Dra. Hadley entrou pelo salão principal, todos olharam para ela.

Quem não notaria uma médica de cabelos longos, olhos demoníacos e uma faca na mão?

Antes de qualquer reação, ela lançou a faca com uma rapidez inacreditável.

A Cabeça de uma dar enfermeiras rolou pelo chão instalando o caos no local.

A Segurança avançou, mas ela se defendia pressionando certos lugares do corpo deles. Era tão rápida quanto bela. Quando eles apontaram as armas ela abriu o jaleco.

Um aviso se ouviu nos alto falantes, era uma ordem para nenhum paciente ou funcionário descer até o térreo.

Algum dispositivo havia sido ativado, centenas de bisturis voaram pelo acertando a todos no local, exceto um.

Devido a sua altura, o pequeno garoto não foi acertado. Ele segurava uma espécie de urso com os olhos assustados fitando o corpo da mão morta no chão.

A Doutora pegou a faca suja de sangue nas mãos erguendo-a ameaçadoramente, se aproximou do garoto.

A Mão dela levantou-se no ar e se ouviu o barulho estridente do metal cortando a pele.

O Sangue saía, ela esboçava um sorriso de satisfação. Durou pouco. Quando olhou mais para cima viu o punho de sua vítima indo de encontro aos olhos.

Tony havia se jogado na frente e recebido uma faca na barriga. Nada fatal, mas havia penetrado a carne.

Pegou ela pelo jaleco e prendeu contra a parede.

- Eu não bato em mulheres – Falou ele arfante – Mas você é uma psicopata, e para mim, são todos iguais.

Outro soco e ela foi ao chão, ele se aproximou novamente.

- Agora diga, por que você tentou matar Benjamin Pratz? – Disse Tony com os olhos ardendo de fúria.

Ela ficou em silêncio.

Inesperadamente, ela atingiu o pescoço de Tony com o dedo indicador, ele deu dois passos para trás e ela se ergueu.

Tentou um soco na parte de trás do capuz, em vão. Ele era tão rápido quanto ela.

Custodes pulou em cima dela, rolaram no chão tentando sufocar um ao outro.

Tony teve uma idéia. Uma idéia que somente uma mente masculina e pervertida poderia ter.

Ele a parou no chão e deu lhe um beijo.

As costas dela se liberaram da tensão, ele começou a colocar as mãos pelo jaleco dela, ela se entregou.

Certo dia, Benjamin havia falado que a beleza de seu filho o ajudaria e muito.

Obviamente, ele não pensou que isso o ajudaria a prender uma psicopata.

Antes que ele traísse realmente Carolina, pôs o plano em prática, Hadley estava quase nua e Tony somente com as calças Jeans, aproveitou o momento de distração e acertou um soco na cara dela, rapidamente, pegou no jaleco dela algo que já havia notado um soro da verdade.

O Líquido penetrou a pele de Hadley, o efeito só duraria trinta segundos, mas seria fatal.

Assim que Tony percebeu que o efeito começou, perguntou sem pestanejar:

- Por que você tentou assassinar Benjamin Pratz?

Com uma voz totalmente bêbada ela respondeu.

- A Serviço de Thomas Hearter.

Tony ficou paralisado, mas devia aproveitar seu tempo.

- Por quê?

- Ele não disse.

- Como ele lhe pagou?

- Dinheiro.

- Quanto?

- 20% Se eu matasse o Benjamin, 10% se eu matasse seu filho e cinco se também assassinasse o mordomo...

- 20% de que?

- Das partes da ação de Benjamin no novo empreendimento.

Ela caiu desacordada, Tony estava com milhões de pensamentos em sua cabeça.

Como Thomas havia mandado matar Ben? Eles eram ótimos amigos.

Mas era tudo falsidade.

Com esse e outros pensamentos na cabeça, Tony saiu desolado do hospital. O Efeito da droga a deixaria desmaiada por três horas e ela esqueceria de todo o incidente.

Pegou seu carro e voltou para a Mansão.

Seu coração quase saltou, vários repórteres e carros da polícia cercavam o local, Tony retirou a vestimenta de Custodes e saiu correndo pela multidão, até que conseguiu ver a cena.

Thomas Hearter estava sendo algemado por policiais e guiado até um carro, ao seu lado, uma equipe de reportagem dava a notícia em primeira mão, Tony ouviu tudo que eles disseram.

- O Empresário Thomas Hearter, tentou assassinar a facadas o outro empresário e seu “amigo” Benjamin Pratz, o Sr. Pratz passa bem e foi salvo devido à coragem de seu mordomo, voltamos à programação normal.

Tony se identificou e sua entrada na mansão foi liberada, ele correu até seu pai e abraçou-o euforicamente.

- Pai, desculpe por eu não estar aqui para te proteger – Falou ele com lágrimas nos olhos.

- Não se preocupe filho, está tudo bem. – Disse Benjamin também emocionado.

- Há uma coisa que você precisa saber. Thomas estava atrás da sua parte no empreendimento, o incidente com o gás foi a mando dele.

- Como você sabe disso?

- Eu tenho meu modus operandi ¹

- Filho, você tem que parar de usar latim – Falou Benjamin sorrindo e tomando café. Ele adora café.

¹ — Expressão latina que significa ”Método de ação”.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!