Curtas: Lily Evans e James Potter
12 Curta XII – É o começo de uma história de amor
Notas iniciais
– As férias foram incríveis! – Lene suspirou.
Nós três falávamos animadamente sobre o início do último ano, e a semana na casa de James.
James.
– O sétimo ano chegou, e por Merlim, eu me sinto uma velha! – resmungou Alice.
Eu sorri para elas.
– Só você? – elas riram. – Eu preciso fazer o turno meninas...
– No primeiro dia? – perguntou Lene.
– Não Lene, vou fazer no segundo dia. – ela sorriu e acenou. Saí do Salão Comunal às pressas e corri para um lugar em peculiar.
Eram onze horas, e tudo estava meio deserto. Droga, odeio andar pelo castelo sozinha. Vai que tem um... Ei! Fui puxada literalmente por alguém e encostada na parede.
– Sabe James, você podia aprender a ser menos agressivo... – sussurrei e ouvi sua risada. Ele retirou a capa da invisibilidade, e não resisti ao dar um sorriso ao ver seus olhos castanhos esverdeados brilhando, seus cabelos negros desgrenhados e o sorriso maroto nos lábios.
– Deixe-me pensar – ele rolou os olhos. Idiota. – Não.
– Eu deveria xingá-lo agora... – falei baixo pensativa.
– Deveria? – perguntou ele com uma das sobrancelhas erguidas.
– Droga, James! Não faça essa cara! – resmunguei e ele riu.
– Qual? – perguntou novamente, e eu tive vontade de socá-lo, tudo bem, fraco, mas ainda sim. Não era justo quando ele fazia aquela expressão de criança da qual eu não conseguia brigar. Por que o filho da mãe precisa ser tão lindo? Argh!
– Só para recapitular: você não presta.
Ele então deu um último sorriso antes de subir as mãos da minha cintura para o meu cabelo, e selar nossos lábios. É, James Potter não devia fazer isso comigo, sabe essa coisa de me deixar sem chão, ar e ainda por cima sem argumentos. Simplesmente não é justo! Ele prensou nossos corpos e deixou com que sua mão emaranhasse nos meus cabelos de vez, me beijando com calma e necessidade. Eu não conseguia pensar direito... Tê-lo ali comigo era tudo que eu precisava. O que você pode fazer quando se apaixona por um ser lindo e idiota? Ok, eu tenho que admitir que acostumei chamar ele de idiota, mas sabem como é, hábitos.
Ele separou nossos lábios por um segundo. Eu busquei por ar.
– Eu senti tanta a sua falta... – sussurrou.
– É? Eu não senti nenhuma... – falei rindo.
– Lily, mentir para um maroto não é nada inteligente – disse ele sorrindo.
– Talvez eu tenha sentido um pouco... – fechei os olhos para que ele não soubesse que eu estava mentindo. Raios que não senti! Sim, sou culpada pelo fato de riscar os dias e essas coisas de uma pessoa apaixonada. Só não me pergunte como fui me apaixonar por esse ser, até hoje eu digo que meu cupido deve ser meio pirado e bêbado. Por isso que eu amo meu cupido!
– Lily, você é uma péssima mentirosa. – eu abri um dos olhos e continuei sorrindo.
Eu olhei para o corredor, havia esquecido completamente que estávamos fora do horário.
– Nós podemos ir... – ele começou.
Eu queria, muito mesmo, eu queria ficar um pouco mais com ele. Mas não podíamos.
– Não, James. Nós temos que ir. – falei e ele e olhou como se eu fosse sua mãe lhe dando uma ordem.
– Mas Lily... – resmungou.
– Nada disso, James Potter – falei cada palavra seguida de um selinho.
Quando ele ia reclamar de novo, eu entrelacei minhas mãos em seus cabelos e o beijei fervorosamente. Ele esqueceu o que ia dizer e aprofundou o beijo, me puxando novamente para ele, enquanto eu descia uma das mãos e passei de leve em seu abdômen.
– Vamos – falei arfando, e ele fez uma cara feia.
– Você é muito má, Lily Evans.
Eu ri e o puxei, ele colocando a capa sobre nós, me segurando pela cintura. De repente a criatura riu.
– O que?
– Eu só imaginei como seria você numa vassoura comigo. – ele disse e deu de ombros.
Olhei assustada para ele e depois ameaçadora.
– Não e não.
Ele fez aquela carinha de criança de novo.
– Acredite, o meu medo vence meu dó por essa carinha bonitinha e pidona.
Ele suspirou e eu sorri, e nós subimos às escadas.
– Eu não quero ir dormir. – ele reclamou quando chegamos ao Salão Comunal. Dessa vez eu suspirei.
– Elas estão dormindo, não faça barulho, tudo bem? – perguntei. Ele instantaneamente ficou feliz.
– Lily, você dizendo assim parece que eu sou um penetra.
– James, você é. – respondi irônica.
Ele me rodopiou e fez com que eu me virasse para fita-lo. Chegou bem perto e sussurrou perto dos meus lábios, fazendo com que seu hálito doce e viciante roçasse meu rosto.
– Nós precisamos contar a todos... – E entrelaçou nossas mãos. Meu corpo todo se arrepiou com se toque, e ele diminuiu a distância e sabendo que minha cabeça girava em torno das suas palavras, ficou em silêncio enquanto subíamos às escadas.
Eu estava certa, Lene e Alice dormiam profundamente. Eu deitei e ele se acomodou ao meu lado, colocando minha cabeça em seu peito. Eu relaxei em seus braços e o senti brincando com meus cabelos ruivos.
– Eu senti sua falta também... – falei baixo com os olhos fechados. Eu sabia que ele estava sorrindo. – Esqueci o quanto isso era bom. – falei e ele começou a percorrer um caminho com seus dedos pelo meu rosto.
– Boa noite, meu anjo – disse me beijando rapidamente.
Eu abri os olhos, sorrindo feito uma boba. Era só o que eu conseguia fazer ultimamente: sorrir e rir.
– James, me promete uma coisa?
– Qualquer coisa.
– Me promete que você nunca vai me deixar?
– Lily... Eu morreria por você.
Com aquelas palavras, eu fechei os olhos e sussurrei ainda sentindo suas mãos em meu cabelo e rosto:
– Boa noite, James.
**
– LILY! – gritou Lene.
Eu virei na cama e enfiei meu rosto no travesseiro.
– Por que você nunca me deixa dormir dez minutinhos a mais, Lene?
Ela bufou e eu senti travesseiros voando na minha direção. Eu ri com o algodão me atacando e resolvi levantar.
– Ok, estou de pé.
Ela me olhou bem feio e murmurou algo, os travesseiros caíram na cama, imóveis.
– Eu te acostumei mal no primeiro ano, e agora preciso acordá-la todo santo dia. – ficou resmungando pelo quarto.
Não sei para quê, em meia hora eu estava pronta, mas minhas amigas tinham que sair antes, não é? Lembrei das férias e como eu e James decidimos deixar nossas escapadas por fora dos nossos amigos, ok, que eu decidi, e imaginei como seria se Lene soubesse. Eu ri com a minha imaginação, provavelmente um “EU SABIA!”.
No Salão Comunal, ele estava com Sirius e Remus. Eu sorri e ele disse algo aos marotos que ficaram para trás.
– Quando? – perguntou ele e eu sabia que era em relação a deixar nosso “relacionamento” claro a todos.
Acontece que eu tinha medo. Medo de assumir, ou eu não sei o que, mas as borboletas no meu estômago sinalizavam que não daria nada bom. Só respondi:
– Ainda não.
Ele me olhou um pouco chateado, mas depois de um minuto já voltara com o sorriso normal falando do sonho que tivera comigo em uma vassoura.
– Nem pensar James!
– Lily, não tem nada demais... – e nós seguimos pelo Salão Comunal discutindo sobre a ideia absurda do moreno da minha pessoa voar, e eu negando até a morte.
A verdade, é que eu o enrolei por três meses. Durante esse tempo, toda a vez que ele falava sobre contar aos marotos, minhas amigas e todo o resto eu ficava apavorada e mudava de assunto. Eu sei, eu sei, devo ter um problema sério com essa coisa toda, e tinha medo da palavra “namoro”. Podem me xingar à vontade, nem ligo.
Quando eu decido dizer a ele que podemos contar a todos sobre nossas escapadas, simplesmente não sai as palavras da minha boca.
Por que eu não posso ser normal?
Andei em direção da biblioteca a fim de redigir um trabalho de Feitiços e tenta termina-los ainda hoje, já que James ocupa muito do meu tempo... Digamos apenas que um maroto pode ser muito possessivo quando quer.
– Ai!
Esbarrei em alguém e dois dos meus livros caíram. O garoto se abaixou e aí eu pude ver quem era. Severus pegou meus livros e lançou um olhar que eu não pude decifrar. Um arrepio percorreu todo o meu corpo e eu senti a tristeza me inundar. Eu ainda me perguntava por que eu tinha dito aquilo. É tão doloroso quando você tem um melhor amigo e parece que nunca vai perdê-lo, que sempre vai ter ele com você e de repente, você se vê se afastando e depois levando uma decepção tão grande que seu coração não consegue processar que é aquela mesma pessoa pela qual você já riu e fez planos juntos. Mas eu não ia deixar isso me abalar.
Eu me lembrava muito bem das duas palavras que saíram da sua boca meses atrás e cortaram nossa amizade ao meio.
– Obrigada. – falei fria, quando ele entregou meus livros.
– Lily... Eu gostaria de... – começou ele e eu não pude encará-lo.
– Não. Severus, não faça isso.
– Lily, eu realmente... – ele insistiu e eu fitei seus olhos negros dessa vez, deixando que duas lágrimas caíssem. Por que eu tinha que ser tão fraca?
– Por quê? – perguntei retirando as lágrimas com o antebraço.
– Lily, me desculpe... – ele continuou. Não disse mais nada. Por algum motivo, mais lágrimas vieram.
– Tudo bem, Severus... – tentei falar. – Eu... Eu te perdoo. – respirei fundo. – Mas nunca... Nunca espere que um dia possamos voltar ao normal, porque jamais poderei esquecer aquelas palavras. – despejei tudo para ele e eu não sabia o que me mantinha de pé ali ainda. Doía tanto.
Longos dois segundos se passaram e quando ele resolveu dizer algo, saí em disparada dali. Nunca duvide da habilidade de Lily Evans em correr.
O problema é, eu nunca sabia para onde. Mas certamente, alguma coisa sempre me fazia ir aos lugares errados para me machucar ainda mais. Quando passei praticamente voando pelo corredor para ir ao Salão Comunal vi o moreno de olhos castanhos esverdeados que eu tanto amava. Eu vi James, e junto a ele uma garota de cabelos cor de mel caindo como cascatas pelas suas costas. Eu parei, e ele me viu. Em um mundo só nosso, ele sabia quem havia me feito chorar, ele olhava para mim. Mas a garota de repente se inclinou e selou os lábios de ambos e algo de mim se destroçou em mil pedaços. Eu estava paralisada. A boca entre aberta e lágrimas vindas com força total aos meus olhos. A única coisa que fiz foi voltar a correr. Eu pensei em ir ao Salão Comunal, mas lá estaria cheio demais. Eu não queria ver ninguém. O jardim foi a minha segunda escolha. Uma parte dele estava vazia, e eu me encostei-me à árvore fechando os olhos e tentando respirar devagar.
Eu não me importava mais com Severus. James.
James.
Será que ele estaria com aquela garota, por que eu não quis assumir o que tínhamos? Mas nem namorar nós estávamos! Como eu pude achar que eu era exclusiva? Mas ele disse que me amava... Isso deve significar algo, não deveria?
– Lily!
– Suma daqui, James. Eu vi, não sou idiota.
– Lílian Evans, você vai me ouvir agora. – ele disse se agachando. Juro que eu queria bater nele, mas eu realmente não conseguia.
– Você vai me bater dessa vez? – ele perguntou e eu realmente quis lhe dar um tapa.
– Por mais que eu queira muito, não... – sussurrei e ele tirou as lágrimas que caíam.
– Mas não garanto que eu vá lhe dar um tapa ou um soco bem merecido quando recuperar os movimentos dos meus músculos. – falei tentando soar ameaçadora.
– Você entendeu errado...
– Eu entendi errado? RAIOS QUE EU ENTENDI ERRADO, JAMES! Eu... Vi quando ela te beijou.
– Lily – ele suspirou. Fez uma cara preocupada, como se estivesse falando com uma criança teimosa. O choro cessou, que fique registrado que isso era em razão a minha vontade louca de batê-lo.
– Só porque eu não quis contar?
– Lily, eu estava te procurando...
– Aham, sei.
– Nada de dar um de Sirius, mocinha. Eu estava te procurando e Kalinda...
– O nome da vaca, bom saber.
Ele riu. Não achei graça não, hunpf.
– Kalinda veio falar do fato de eu estar solteiro, e eu disse que não estava. O problema é no pensamento de todos eu estou...
– Essa é sua defesa?
– E quando te vi com aquela cara de choro, parei de escutá-la completamente... E de repente ela me beija! Eu não tive culpa, Lily! Eu a empurrei depois e disse que realmente estava com alguém, mas você tinha sumido.
– E a culpa que aquela vaca te beijou é minha?
– Sim.
– Você não tem a mínima cara de pau, não é James?
Ele sorriu e eu juro que minha mão quase voou no seu ombro. Ele pegou e me abraçou a força, e logo eu me acomodei em seus braços.
– Eu ainda estou com raiva. Muita mesmo.
– Eu sei... – ele sussurrou. — Ranhoso?
– James!
– Ok, Snape?
Eu apenas balancei a cabeça e me permiti sentir seu perfume doce.
Ele afrouxou o aperto. Me ajudou a levantar.
– Admita que ficou com ciúmes... – ele cantarolou. Ah, ele pediu! Dei um tapa sem dó em seus ombros e pareceu que não foi nada pra ele. Eu bufei e ele sorriu.
– Só um pouquinho... – ele continuou.
– James Potter, você não dá valor na sua vida, não é mesmo?
Eu então dei mais um tapa nele, e ele me olhou surpreso.
- Isso foi por quebrar meu coração, mesmo que por alguns minutos! Da próxima vez, você não sai vivo, Potter.
Ele riu quando eu usei seu sobrenome.
- Vem cá, pequena... — sussurrou e eu olhei feio para ele.
Meu rosto ainda devia estar vermelho, e ele foi tirando qualquer resquício do choro que estivera no meu rosto há um tempinho atrás.
Ele me fitou por um momento e pareceu ponderar algo. James se ajoelhou, e eu apenas o encarei.
– Lílian Evans – ele falou e eu corei. MERLIM! – Você quer namorar comigo?
Ok, eu fui pega de surpresa. Até um minuto atrás eu estava estapeando a criatura e agora ele... Simplesmente me oferecia aquele sorriso maravilhoso e eu estava derretida por suas palavras. Há anos atrás ele havia feito uma aposta, nós brigavámos pelo menos uma vez por dia e depois ele virou meu comparça cupido... Nós haviamos passado por bastante coisas juntos, desde gritos a beijos. Eu realmente o amava, então, por que não?
Ele seria só meu. É, talvez eu fosse um pouco possessiva.
– Sim... – sussurrei nervosa e feliz.
Por que eu estava com tanto medo? Foi tão incrível! James levantou e me beijou no jardim, fazendo questão de chamar atenção dos que estavam longe. Fazendo questão de anunciar que estávamos juntos.
– Namorados... – ele falou baixo, arfando, separando nossos lábios.
– Não – corrigi ele. – Casados. Assim nenhum protótipo de Kalinda vem beijar o que é meu. – falei bem possessiva. E daí? James Potter me pertencia, e eu estava tão feliz com isso que não sabia como havia ficado todo esse tempo sem ele. Eu não conseguia me ver sem estar ao seu lado.
Pensamento de pessoa apaixonada é tão meloso, mas eu estava tão feliz que nem me importava.
Eu o beijei com vontade, necessidade, paixão e carinho. James conseguia ser meu amigo e meu namorado, e acho que isso que valia. A nossa amizade, eu sabia que poderia contar sempre com ele, e tinha consciência que sua promessa era real.
– Só para deixar claro, eu morreria por você. – falei baixinho.
Ele sorriu. Por que seus olhos tinham que ser tão perfeitos? Me perdi neles por um instante, e continuei sorrindo boba, até ser tirada do meu mundo pelas três palavras mais incríveis que exitesm nesse mundo. As três palavras que quando ditas verdadeiramente fazem tudo estremecer, e ele apertou seu abraço em volta de mim, como se eu fosse seu mundo. Como se eu fosse frágil e fosse quebrar a qualquer momento.
– Eu te amo, Lily.
Eu sorri e senti-o me levantando do chão. Nós deveríamos parecer aquele casal pateta e apaixonado.
– James Potter, seu inútil e idiota lindo, eu te amo.
Ele beijou minha testa, meu nariz, minha bochecha e eu ri, sentindo sua boca vindo de encontro com a minha mais uma vez.
– Ops... – eu falei interrompendo o beijo.
Nossos amigos vinham com uma cara não muito amigável para o nosso lado. Má ideia Lily, não contar para eles. Muita má ideia.
– Eu vou culpar você, só avisando. – James falou descaradamente.
– Eu nego! Falo que foi você! – ele riu e nós nos preparamos para o banho de morte, rindo juntos.
– Acha que eles vão nos torturar? – James perguntou fingindo medo.
– No mínimo... – murmurei fingindo.
E sorrindo com a maior cara de pau possível, esperamos pelos nossos amigos virem arrancar nossas cabeças e fazer picadinho da gente. Na verdade, eu sabia que eles ficariam felizes e fariam um drama básico, e partir de agora, assim como eu era de James, ele me pertencia.
Não como um objeto, mas nós dois nos amávamos. Ele sempre estaria ao meu lado, e eu estaria ao dele. Era isso que importava. Afinal, eu sempre brigaria com aquela anta de cabelos irremediavelmente bagunçados e ele sempre me provocaria de volta. Porque era assim, ele era James Potter e eu Lily Evans.
E ele sempre seria o amor da minha vida.
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