Cursed Love

6 Poor woman


Os barulhos pequenos e moldados pela mais pura maldade quebrava aquela solidão de cinco em cinco segundos.

Pela primeira vez algo estava mexendo comigo....

Olhava o pêndulo e o relógio, os lobos avançavam cada vez mais fundo na escuridão, onde eu me encontrava...

Pensava onde estava a garota....

Inerte sem qualquer movimento brusco, permanecia ali parada observando as cenas a seguir...

Os lobos avançavam cada vez mais fundo...ouvi um estalo...

O facho de luz vindo das velas do gigantesco lustre acima se apagou, deixando de iluminar o palco...

Fiquei mergulhada na mais pura solidão...

Ouvi novamente o grito que havia me guiado com a garota... pisei numa outra poça...um soco surdo se seguiu...

Silêncio... não havia barulho de pêndulos, nem rosnado de lobos....

A porta da sala se abriu não mais que de repente num rangido baixo e tímido. Pessoas iam entrando... provavelmente atores...

Eles olharam na minha direção aterrorizados...

Entraram devagar na sala, silenciosos e sorrateiros...mantendo os olhares demonstrando náusea...

Não era para mim que estavam dirigindo os olhares...

Virei-me e deparei com uma cena estonteante...

Um cheiro de aroma fétido e podre rondou minhas narinas...

Uma mulher a qual me lembrava ter visto atuando na noite em que apareci no teatro,estava jogada em cima do palco... o sangue de seu corpo estava pintando cada metro cúbico do piso de madeira...

Sua alma ainda estava presa no corpo...

Todos a rondiaram, observando atentamente a cabeça golpeada... e a garganta arrancada....

Tentei soltar sua alma... não consegui... desesperei...

Ouvi passadas na direção da porta, o homem de olhos glaucos chegava... todos o olharam, murmuravam...

Seu rosto permanecia intacto... dos seus olhos nenhuma surpresa...porém os tais não permaneciam na mulher morta mas no relógio....

Acompanhei sua visão, meu estômago deu uma reviravolta e senti como se estivesse virando de cabeça para baixo...

O pêndulo do relógio balançava majestosamente... estava sujo de sangue...

Um gritinho ecoou de repente... ergui os olhos... a menina estava no patamar da escada, assustada...

O homem de olhos glaucos a olhou... não gostei do seu olhar...

Era como se a garota havia chegado lá agora...

Olhei em volta... a cena me dava calafrios...

Nunca confie em seus sentidos...