Cursed Dreams
1 Capítulo 1
Notas iniciais
O amanhecer simboliza o começo de um novo dia e o anoitecer o seu fim, no entanto se tudo se repete, seria então um fim apenas um começo... – Hana
A vida é uma coisa, coisa que não podemos mudar por mais que tentemos, devemos nos acostumar às situações. Viver é a verdadeira arte da paciência. Nesse mundo não podemos dizer tudo o que queremos, é por isso que existe o pensamento, onde temos o livre arbítrio de pensar qualquer coisa de qualquer pessoa. Uma vez que as transformamos em palavras temos que arcar com as conseqüências do simples ato de falar. É por isso que eu quase não falo. Meus pensamentos são muitos, meus atos significam muitas coisas, mas minhas palavras são poucas. Talvez meus olhos falem por si mesmos. Mesmo que nem tudo que eu faça você encontre algum sentido, não quer dizer que ele não exista, e se quer mesmo sabe-lo não desista de procurar nas mínimas dicas que eu dou. Viver é a coisa mais difícil que uma pessoa possa fazer, enfrentar problemas seguidos de mais problemas e sofrimento. Ironicamente talvez seja por isso que nascemos chorando. Não ouso dizer que não há prazeres na vida, mas por muitas vezes esse tipo de felicidade não compensa a dor. É uma realidade trágica, mas apenas devemos aceitar, pois uma pessoa não pode mudar o mundo. No começo também não é tão difícil viver, pois não somos responsáveis por nós mesmos, à vida é uma brincadeira, um conto de fadas muito belo, ansiamos em crescer. Quando crescemos nossas responsabilidades aparecem e tudo se complica. Talvez alguns tenham pessoas para ajudá-los, mas devo lembrar nem todos têm essa sorte. Eu não tive...
Chega então um momento em que todo o sofrimento não vale a alegria, e a vida não parece ter um sentido. A morte seria o fim? Mas morrer seria desistir, e desistir é simplesmente inaceitável. Desistir não é uma opção, eu não á tenho. Não temos um destino definido, nós fazemos o nosso próprio caminho, e decidimos quando paramos, voltamos ou seguimos em frente sem olhar para trás. Todas as nossas ações são de nossa própria responsabilidade, se temos coragem de dizer algo uma vez, devemos ter a mesma coragem para repeti-la quantas vezes forem necessárias. O mundo é o mundo, sempre foi e sempre será igual até uma pessoa nascer e destacar-se dentre milhões. Talvez a vida resuma-se em ser reconhecido, ou morrer tentando, mesmo assim se simplesmente morrermos não teríamos valido nada. Seria apenas mais uma pessoa e o mundo seguiria em frente. É irônico que mesmo que minha ínfima opinião pareça ser tão ignorante e egocêntrica, vista que muitos vivem em seus próprios mundinhos coloridos, sem saber como é a vida fora de sua bolha de proteção. Enquanto outros descobrem a parte ruim da vida, ou seja, a maior parte dela. E essa é a grande diferença, que muitos não entendem o meu ponto de vista, é irônico e trágico, mas eles não vêem ao caso. Tudo isso é complicado demais... A vida é muito complicada.
No fim é tudo questão de sorte. Ou nascemos facilmente para viver, ou nascemos como a maioria dificilmente para lutar. E assim não é viver não vivemos dia após dia, sobrevivemos à vida. E como eu disse antes, nem todos têm essa sorte. Mas é melhor dar um pause em meus vagos pensamentos inúteis, já estou ficando com enxaqueca e só acordei há pouco mais de meia hora. Como exatamente todos os dias, estou sentada no mesmo banco do mesmo ônibus, praticamente com quase as mesmas pessoas, eu desci no meu ponto a poucos quilômetros da minha pacata escola, ou algo parecido, pois aquilo é tudo menos uma escola. Um hospício talvez, uma prisão, mas não uma escola, claro. Nem da pra acreditar que freqüento esse lugar a mais de quatro anos e sobrevivi, e todos os dias são exatamente iguais ao outro. Caminhei tranquilamente, sem pressa de chegar onde deveria, muitas outras pessoas assim como eu seguiam o mesmo caminho para a escola. Passei pelo portão principal e vi muitas pessoas das quais eu não dava a mínima, conhecia quase todas, mas éramos praticamente estranhos. Que nem eu disse, a maioria ignorantes que vivem em seus próprios mundos. No entanto, exatamente quem sou eu para dizer isso, com minha própria ignorância vivo apenas em meu próprio mundo particular. Pelo menos eu admito.
Todos me olharam de canto de olho me ignorando talvez eu não me importo. Fico pensando o que francamente pensam sobre mim, mas com pensamentos tão vulgares, comuns e simplesmente padrões uma pessoa não pensa por ela mesma. Foi alguém que pensou algo que todo mundo achou “maneiro” e começou a pensar como ela, um pensamento alheio seja o termo melhor de descrever isso. Não é difícil adivinhar, se perguntam quem eu sou de onde venho, e porque sou tão indescritivelmente estranha e esquisita e fora do normal. O mais incrível que eles não se deram conta é que eu não sou diferente, eles é que são todos iguais. Continuei meu caminho para meu armário, e sem pressa alguma organizei os livros de acordo com as matérias que teriam hoje. Não tinha muitas coisas desarrumadas, e de decoração substituindo adesivos fofos em formatos de coração e fotos de garotos populares e cantores famosos, tudo que tinha era alguns colantes de estrelas azuis, um calendário rabiscado e uma bela folha com pensamentos e desenhos abstratos. A minha cara. E seguindo meu estilo próprio de viver, ao invés de salgadinhos e bolachas eu tinha tudo que uma pessoa necessita para sobreviver, um estoque de energéticos com três sabores diferentes, água, jujubas, uma caixa de cookeis e rosquinha de chocolate.
Encontrei um remédio de dor de cabeça jogado entre os livros mais ou menos organizados e engoli dois comprimidos secos mesmo, peguei a mochila e fechei o armário com certa força, trancando-o enquanto apreciando um delicioso energético sabor maça mel e limão que tinha o mesmo gosto que todos os outros mudando apenas a cor e o cheiro, mas tendo um formato distorcido parecendo uma garrafa de champanhe que me agradava por achá-lo engraçado. Recostei minhas costas curvadas ao armário, enquanto voltava para dentro de mim meditando. Meu celular vibrou de uma hora pra outra, e eu desanimada o peguei no bolso da blusa da escola que usava. Ao ver o visor marcar, Papai Uma mensagem não lida, tive certeza de que iria saber de algo que eu não precisava, e que no final apenas iria frustrar-me mais do que já estava. "Os Planos mudaram atraso na volta". “E quando é que você teve pontualidade uma vez em sua vida?” – pensei irônica guardando o celular no mesmo lugar que estava não sem antes conferir as horas que teimavam em demorar a passar. Como é sempre bom ter certeza de que seu pai se preocupada com você, não é mesmo? Finalmente alguns minutos depois, o sinal tocou dando inicio as aulas e marcando exatos três minutos para uma multidão de pessoas irem para suas salas de aula, ou para a do diretor. E lá ia eu, para mais uma tediosa coisa que eu não queria fazer, mas que era obrigada.
Andei vagarosamente sem pressa para minha sala, à aula era de ciências e eu não tinha a mínima vontade de chegar rapidamente ao meu lugar. Como sempre o professor se atrasou o que gerou uma aglomeração de pessoas conversando em grupinhos com os assuntos mais banais possíveis. O último capitulo da novela, o término do namoro do garoto mais popular do colégio, e coisa e tal que os meus ouvidos não precisavam ouvir. Acho interessante olhar a minha volta e ver como as pessoas fazem algo e depois reclamam colocando suas próprias culpas em outras pessoas. Reclamam de dor na coluna, mas sentam curvados como se fossem velhos. Reclamam de dor de ouvido, mas colocam o rock mais barulhento no fone do celular no volume máximo. Reclamam de dor de cabeça, dor nos olhos e sono excessivo, e passam à madrugada inteira sem desgrudar a cara da tela do computador. Reclamam de baixas notas, mas nem sequer tentam prestar atenção no que o professor fala. Reclamam de dietas milagrosas não terem efeito, mas comem e comem sem praticar exercício algum. Francamente se tudo é tão lógico assim, como eles não percebem coisas tão óbvias?
Peguei meu caderno de desenho e comecei a simplesmente rabiscar alguma coisa, não tive vontade ou criatividade de pensar em nada, apenas deixei meus dedos moverem o lápis em movimentos aleatórios fazendo linhas retas algumas turvas, girando. Depois de um tempo parei e tentei adivinhar o que eu tinha desenhado, ou se ao menos se parecia com alguma coisa, e até que ficou bem parecido por incrível que pareça um oceano com um barco no centro. Duas retas se encontravam descendo triangularmente e contornando outra, o que dava a entender uma vela. Rabiscos aleatórios pareciam pingos de chuvas e outros indicando o movimento das águas. No fim até que perdi quinze minutos da minha vida desenhando algo, ao menos interessante. Bem quando eu estava pensando em um nome para minha obra-prima o professor finalmente chegou. Hatake Kakashi era sem dúvidas um dos professores mais estranhos no colégio. Na lista negra dos alunos, ele estava em 3º lugar, perdendo consideravelmente para outros dois com certeza muito mais pirados que ele. O fato é que ele usa uma mascara que cobre parcialmente quase seu rosto todo, usa seu cabelo de um jeito próprio e sempre se atrasa com as desculpas mais esfarrapadas do mundo. A de hoje foi “Desculpe classe, me perdi nos caminhos da vida”. E mesmo assim, metade da população feminina da escola baba por ele sem nunca ter visto o seu rosto. Acho que essa é a parte mais estranha disso tudo.
No fim não consigo meramente nem sequer cogitar uma razão para ele ter se formado como professor de Ciências. Era quase impossível imaginar um motivo, uma questão ou uma mínima suposição que desse um detalhe, uma pista ou uma desculpa plausível para tal feito. É até mais fácil pensar que ele escolheu essa profissão aleatoriamente, ou perdendo em uma grande aposta, mas ele não é de apostar, e embora brincalhão é sério para ser tão irresponsável a tal ponto. Ou seja, voltamos à estaca zero. Depois de todos enfim ficarem em silêncio ele fez a chamada de presença obrigatória. Eu até não achava tão ruim meu nome ser quase o último. Não era um nome muito normal, Sakura, mas eu não sou uma pessoa normal, ou seja, ele combinou perfeitamente comigo. Em seguida ele deu alguns sermões em questão das conversas, faltas excessivas, irresponsabilidade e tantas outras coisas que os adultos insistem em repetir, mas sinceramente no final não adianta de nada porque adolescentes como os da minha sala, imaturos não mudam até algo verdadeiramente sério acontecer. Com casos até mais sérios de viverem assim até a fase adulta, eternos idiotas. Quanto mais falam menos eles entendem, ou simplesmente nem prestam atenção. Como nada daquilo se aplicava a minha pessoa, limitei-me a guardar o meu caderno de rabiscos, ainda pensando em um nome para o novo desenho, e encarar meu novo esmalte nas minhas unhas, um preto que vinha acompanhado de um brilho prata e com as pontas rosa. Até aquilo parecia mais interessante do que prestar atenção no professor. Era tudo muito tedioso demais. E estranhamente a voz de Kakashi me dava sono.
Até que ele falou algo que até que era interessante. As notas das provas. Achei engraçado muitos literalmente irem pro brejo com a nota, afinal se fosse por questão de merecimento eles nem tinham chegado ao 2º colegial. Tinham uns que colavam, uns estudavam, mas existia uma espécie que eu mesma não consigo entender. Conversam, conversam, e não calam há boca um minuto sequer, mesmo assim tiram à melhor nota na prova. Vai saber como conseguem tal proeza. Como sempre tirei a nota máxima. Para mim não era tão difícil. Eu não tinha nada melhor pra fazer na escola, então presto atenção no que o professor explica. Sendo algo tão fácil eu entendo e na prova simplesmente coloco exatamente o que ele falou. Nem sequer chego a estudar em casa. Tão simples assim. Em seguida Kakashi citou outra coisa também interessante e chata ao mesmo tempo, pois sabia que necessitaria da minha atenção por alguns dias. Um trabalho. Todos reagiram de formas diferentes, uns frustrados reclamaram, outros ficaram estranhamente animados, mas para o meu desprazer tive a pior noticia do mundo.
- Pessoal, como estamos terminando o Bimestre, vamos comemorar com um trabalho. –Bela comemoração — Será um trabalho em duplas.
Neste momento todos começaram a conversar com as famosas panelinhas indicando as duplas de cada um como se mandassem na sala. Era possível distinguir os famosos excluídos, por algum motivo em questão que não me interessa nem um pouco. Estes ficavam em silencio, frustrados consigo mesmos, e no final seriam o estorvo colocado pelo professor em um grupo que faltassem integrantes. Chegava ao ponto de ser cruel tal atitude. Não era culpa deles, não era justo. Mas as coisas eram bem simples. A vida não é justa. Francamente falando não é que eu fosse excluída, as pessoas já tinham me feito vários convites, mas tava mais que óbvio que só queriam ganhar nota em cima dos meus trabalhos que eu levo a sério. Então já tinham aprendido que eu não sou idiota a tal ponto. Sayumi por exemplo, eu sabia por que ela era assim, com trabalhos em dupla por muitas vezes cheguei a fazer com ela. Uma ótima parceira de trabalhos tinha idéias construtivas e fazia sua parte nos projetos. Achava-me estranha de mais, fria de mais e estranha demais sem contar o meu gênio ruim. Verdadeiramente só nos falávamos nos trabalhos. Quando o entregávamos éramos estranhas novamente. Não me sentia ofendida nem magoava, até aceitava perfeitamente sua opinião semelhante a minha. O fato é que ela chegou à escola há dois anos, com sede de popularidade, queria se destacar. Não me pergunte por que, eu mesma não sei por que tantos querem isso. Acho tão simplesmente patético, mas, história à frente. A paty* mais renomada, invejada e odiada por muitos, Karin (que por pura coincidência já citei ela hoje, é a ex-namorada do garoto mais popular do colégio que levou pé na bunda) foi logo ditando as regras para ela.
Quando Sayumi se encaixou na panelinha delas, tinha uma coisa que todos deveriam fazer. Transar aleatoriamente com que eles escolhessem. Eu sei, eu sei. Sem comentários para o que essa nova geração pensa em respeito a sexo. Foi pressionada por muito tempo, e depois disse que não faria isso que não se sentia pronta e quando chegasse à hora seria com quem ela realmente gostasse. Foi uma boa atitude, mas infelizmente para o seu sonho na popularidade ela foi expulsa do grupinho, e voltou a ser mais uma estudante normal de sempre. Por mais incrível que pareça ela que me contou isso na primeira vez que fizemos um trabalho juntas. Estávamos andando pela escola discutindo sobre um projeto, e eu avistei uma moeda caída no chão. A peguei e disse “Uma moeda por seus pensamentos” e então ela de livre espontânea vontade me contou. Com tudo isso, aprendi que algumas pessoas merecem sim o que elas recebem de ruim da vida. Karin perdeu o namorado e acho que ela merecia muito mais. Pelo que eu ouvi no rádio corredor da escola alguns dias atrás, o começo do namoro não foi o mais romântico do mundo. Karin o drogou batizando seu café matinal na cantina, e quando ele desmaiou, ela tirou uma foto beijando ele. E aproveitando de sua ausência por alguns dias, provavelmente sua estadia no hospital depois dessa brincadeira, espalhou para todo mundo que Sasuke Uchiha era seu namorado. Hoje após chegar à escola, ele desmentiu a história toda mandando Karin catar coquinho. O amor não é lindo? Acho que nem deveriam considerar isso o término de um namoro, porque francamente nunca ouve um.
Voltando ao trabalho, com a conversa excessiva o professor adiantou-se em parar o barulho e dar-me a segunda pior noticia do dia junto da terceira e da quarta que eram muito piores que a primeira.
- A conversa é desnecessária, além de ser em dupla não são vocês que vão escolher seu parceiro. Eu já me encarreguei disso pessoalmente para evitar tumultos.
Se antes a sala já havia virado do avesso com tanta gritaria e tumulto, depois disso os alunos simplesmente piraram. Revoltados levantaram de suas cadeiras e foram explicar mais de 1.001 motivos para o professor não fazer isso. É por isso que eu digo que viver é uma arte, a arte da paciência. Ser professor é pior ainda, porque pacientemente o professor teve garra de mandar todos sentarem que nem um disco riscado, num tom irônico e sarcástico. Dava até pra acreditar que ele estava se divertindo com a situação. Muito tempo depois todos sentaram e ficaram em silêncio. Ele se levantou e limitou-se a dizer que não mudaria de idéia por nada nesse mundo então que era melhor todos se conformarem, pois ele já havia escolhido todas as duplas. E que a lista estava colada perto do bebedouro principal do primeiro piso de frente para a saída que dava para o pátio. Antes que todos saíssem pela porta para olhar a lista ele disse que só no final da aula eles saberiam, e que tudo era questão de sorte. Então foi explicando que o trabalho tratava-se do corpo humano. Cada grupo recebeu um número, que correspondia a um órgão, ou parte do corpo, e que deveríamos usar a criatividade para impressionarmos o professor. O resultado valia metade da sua nota sem contar a prova trimestral. Ou seja, péssima nota no trabalho, recuperação na certa. Ironicamente ele até disponibilizou-se a dizer a data da recuperação e dizer que esperava ansiosamente por todos os preguiçosos sem criatividade.
Faltavam exatos cinco minutos para a aula acabar, Kakashi arrumou todas as suas coisas e ficou no mais absoluto silêncio lendo seu livrinho pornô tendo a sua frente alunos desesperados rezando para Deus ter piedade de suas almas. As meninas, especialmente a Karin estavam confiantes de que cairiam com algum garoto bonito, e eu... Eu estava na minha, mandando tudo se danar como sempre. Teoria simples vale nota, eu vou fazer. Não importa como, não importa com quem. Como não tinha tirado absolutamente nada da bolsa, fora um caderno que eu já havia guardado, não tinha nada pra fazer nesses cinco minutos. Fiquei divagando sobre como o senso de moda das pessoas estava pra baixo. Ombreiras, calças caindo, joelheiras, colete jeans rasgado, saias muito curtas, e brincos florescentes. Não que e fosse uma fanática que assiste programas de estilistas famosos, buscando sempre estar ligada nas novidades. Pelo contrário, não me importava nem um pouco com isso. A questão é que se tem o uniforme da escola, porque as garotas insistem em usar um número menor do que o que ela deveria estar usando e personalizá-lo para chamar a atenção? E francamente o uniforme não era tão ridículo assim, era até melhor do que muitos por ai. Para as mulheres uma saia preta, camiseta pólo branca, gravata vinho e blusa azul escuro com o emblema da escola. E a versão masculina praticamente a mesma coisa, calça preta, camiseta pólo branca, gravata vinho e terno azul escuro com emblema da escola. Incrível como vivemos em um mundo onde para um o ridículo é a moda do próximo. Como aqueles cinco minutos estavam parecendo mais séculos fiquei brincando com o meu relógio, entretida em ver os pontos indo de um lado para o outro, e imaginando como seria um relógio que girasse sentido anti-horário.
Por fim quando eu mesma já tinha desistido de esperar, o sinal tocou marcando o término da primeira aula. Eu já estava morrendo e aquela era só a primeira aula! Pude ouvir dois segundos depois do sinal soar, a maioria dos alunos literalmente voarem em direção a porta. Os rápidos conseguiram passar, agora os outros ficaram amontoados e entalados tentando todos saírem ao mesmo tempo, enquanto eu ficava atrás junto com outras poucas pessoas normais e com o professor, esperando eles pararem com aquela criancice e saíssem um de cada vez liberando a passagem. Tinha cinco minutos para ir ao meu armário guardar minhas coisas e ir para a próxima aula e considerava isso tempo o suficiente, por isso não fui correndo e sim andando normalmente com minha mochila pendurada em apenas um ombro só. O corredor estava particularmente vazio por que todos estavam vendo a sorte com seus novos parceiros de equipe. Abri meu armário para conferir meu horário e vi marcado de vermelho com uma caveira a aula de educação física. A segunda pior aula, com o professor mais sinistro da escola. Agora tinha quatro minutos e meio para me acostumar mentalmente com aquilo. Como era educação física eu trocaria de roupa no vestiário e não precisava guardar minha bolsa. E aproveitando que quase todos da sala já tinham vistos seus parceiros de ciências eu não me arriscaria em entrar em uma aglomeração de desesperados. Como eu sabia isso? Simplesmente porque a maioria estava gritando, se descabelando, batendo na parede, chorando e implorando a Deus por um milagre, e coisa e tal...
Quando eu estava a menos de um metro da lista eu já senti uma energia negativa, mas diferentemente do que a maioria das vezes não era no ambiente e sim destinada a mim. E o engraçado é que eu ainda nem sabia o porquê. Mas estava óbvio que o motivo deveria ser sério porque todas as garotas me encaravam flamejantes do tipo “Sorte sua que eu não tenho visão de raio lazer, se não você já tinha virado poeira cósmica”. Minha expressão era passiva demonstrando que não ligava para opiniões alheias. Passei normalmente por todas as pessoas e vi a lista. Procurei por meu nome em ordem alfabética e o encontrei ao lado de outro e de um número. E aquele nome explicava tudo.
Sasuke Uchiha – Sakura Haruno – Cérebro humano
Minha primeira reação foi de surpresa. Fiquei calculando quantas garotas gostavam dele, e imaginando quais seriam prejudiciais a minha saúde, quando a pessoa mais inusitada, a última pessoa do universo inteiro a quem esperaria uma palavra veio até mim. Olhou-me de cima a baixo com uma expressão de desgosto, ou vai saber, era só a cara feia dela mesmo. Para depois dizer as primeiras palavras referentes a minha pessoa em quatro anos.
- É Sakura Haruno não é?
“Não, sou o batmam em hora de almoço. Dããã!”
- Posso listar as outras milhões de pessoas no qual gostaria de estar conversando agora nesse momento. Seja lá o que alguém como você queira falar comigo, fale rápido. Está desperdiçando meu tempo.
- Não vai fazer trabalho algum com o meu namorado, fique longe dele ou acabo com você.
É, acho que foi nesse momento, que todos os meus problemas começaram.
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