Curse of the Flower
2 Capítulo 1
A manhã chegara trazendo consigo um ar frio, algo normal para aquela época do ano, o primeiro dia da primavera e mesmo com aquele vento gélido ainda era possível ver os fortes raios de sol iluminando aquele começo de dia. Todos na mansão haviam se levantado cedo e esperavam de pé logo a frente da porta principal da mansão Halpine. Não era algo natural de se ver pela manhã, mas aquele não era um dia que passaria despercebido. Depois de quatro longos anos a progênita mais velha da família regressaria ao seu lar.
Harriette Halpine, uma jovem que todos costumavam dizer ser uma criança da primavera, afinal, nascera em tal época. Completava seus dezessete naquela primavera, havia deixado a mansão aos treze quando se casará com um jovem empresário francês, desde então não tivera contato com sua família. Algumas vezes mandava cartas para seu pai, Joseph Halpine, mas não era suficiente para matar a saudade.
Conforme esperavam a chegada da garota, a caçula se mantinha um tanto quanto inquieta, não poderia dizer que as irmãs Halpine eram melhores amigas, tanto que a inquietação de Kathryn devia-se ao sono. Sua respiração estava um tanto quanto pesada e acabava se misturando com o vento gelado daquela manhã criando uma pequena nuvem de vapor. Seus olhos corriam para os lados com se estivesse à espera de um trem, mas apenas ansiava pela chegada daquela carruagem e assim poder voltar para seus quarto. Por se tratar de uma manhã de sábado e aniversário de sua irmã, todos os afazeres diários haviam sido cancelados, o que dava a Kathryn um dia inteiro de folga. Naquela pequena e rebelde cabeça a unica coisa que passava era o pensamento de que estava livre aquele dia, sem aulas ou tarefas para fazer, apenas um tempo para si.
Conforme o tempo passava só parecia que o frio aumentava e não havia nenhum sinal da chegada da carruagem. Kathryn ajeitava-se sonolentamente ao lado de seu pai, seu vestido azulado não era um dos mais elegantes, mas era um de seus favoritos devido sua praticidade e liberdade em sem mover. O manto que cobria seus ombros era da mesma tonalidade, porém com pequenos detalhes feitos com pelo de coelho. A impaciência tomava conta de cada centímetro de seu corpo que agora tinha uma de suas mechas castanhas envolta em seu dedo indicador e a puxava lentamente.
—Estão atrasados. –informou o mordomo da família. O homem já tinha uma idade avançada, porém sua aparência não era nenhum pouco decadente, na verdade tinha uma postura firme e perfeita, seu andar era ágil, o que fazia muitos se perguntar se tinha mesmo a idade que afirmava ter. Marcellus era o empregado mais velho da família, talvez um dos poucos que teve a sorte de conhecer a esposa de Joseph Halpine.
—Provavelmente tiveram algum problema no meio do caminho. –comentava Joseph que mantinha seu tom suave e arrastado. Mesmo tendo uma expressão severa estampada em sua face era um dos homens mais calmos e gentis que poderia conhecer. Desde a morte de sua esposa o homem havia ficado mais ''mole'' com suas filhas, assim cedia aos seus mimos com muita facilidade, era uma forma de suprir a falta de uma mãe. Obviamente foi contra sua escolha casar sua filha mais velha tão cedo, mas eram tempos difíceis aqueles. –Logo chegaram, esse foi o horário combinado. –ao terminar sua frase, Joseph abaixou sua cabeça assim se afundando em pensamentos um tanto quanto assustadores, não saberia como lidar se alguma coisa de ruim tivesse ocorrido do Harriette no dia de seu aniversário.
Joseph estava tão perdido em seus pensamentos que acabou não escutando o som do galope se aproximando, só se deu conta do que acontecia quando Kathryn soltou um suspiro de alívio junto com um contido ''finalmente''.
A carruagem da família Daphné adentrava os enormes portões metálicos da mansão Halpine e aos poucos ia se aproximando do grupo que estava a sua espera logo na entrada.
Um arrepio passou por todo corpo de Kathryn, tinha tanto tempo que não via sua irmã que apenas de pensar que daqui alguns segundos teria todo seu passado de volta. Kathryn ainda era uma criança, tinha apenas seus doze anos, por isso sua forma de ver o mundo era completamente diferente, mesmo tendo se passado quatro anos em sua cabecinha as coisas seriam exatamente as mesmas, quem sairia daquela carruagem seria a Harriette de treze anos com seu perfeito cabelo castanho preso com uma fita rosa. Na cabeça de Kathryn não se tinha nenhuma noção do quanto tudo havia mudado.
A carruagem parou a frente dos empregados da mansão, não demorou muito para o cocheiro sair de seu acento e abrir a porta do lado esquerdo, um doce perfume tomou conta do ambiente por uma breve fração de segundo, aquele perfume adocicado no qual Kathryn conhecia tão bem. Com a ajuda do cocheiro Harriette descia dos degraus da carruagem, segurando a saia de seu vestido. Foi uma surpresa para a mais jovem ao ver que sua irmã se encontrava com um vestido com tecidos esverdeados, quando morava na mansão só utilizava a cor branca. Seus longos cabelos estavam penteados para o lado, os perfeitos cachos continuavam lá, tudo que Harriette era nas lembranças de Kathryn continuava lá, mas sua face havia mudado mesmo tendo apenas seus dezesseis anos já tinha traços fortes e bem desenhados, o que davam a jovem uma aparência um tanto quanto mais velha.
—Papai! –exclamou a jovem que não hesitou em agarrar Joseph em um forte e apertado abraço. –Estou tão feliz de revê-lo!- um sotaque francês era percebido no meio da fala da jovem, mas ainda era tão fraco que não se fazia irritante.
—Também fico feliz em revê-la. –dizia o homem que retribuía o gesto da mesma, apertava a filha mais nova como se estivesse com medo de perdê-la, porém melhor do que ninguém, Joseph, sabia manter uma postura e acabou por desfazer o abraço e observou sua filha para ver o quão diferente estava –Está cada dia mais bela. Sua mãe ficaria tão feliz em vê-la assim.
Uma risada delicada deixou os lábios da garota que deu um passo para trás, assim exibindo mais seu vestido. Harriette sabia o quão bela era, todos sempre deixaram isso bem claro.
—Posso estar linda, mas é Kathryn que está cada dia mais parecida com a mamãe, isso a torna bem mais bonita. –comentou Harriette que por sua vez fazia um pequeno bico em seus lábios avermelhados, fingindo estar braba, mas logo deixou essa pose e foi ao encontro da caçula. –Tem sorte de ter herdado esses olhos de tempestade. Quando era menor queria arranca-los.
—Também estava com saudade de você, Harriette. – dizia a menor que ria um pouco, estava um tanto quanto confusa, não era do comportamento de sua irmã fazer brincadeiras em publico.
—Nem acredito que disse essas palavras. –rebatia a mais velha. –Jurei que estaria vivendo em um paraíso sem minha presença.
—Sabe que estou. –continuava Kathryn que mantinha um sorriso amigável. –Mas o que aconteceu com você, está falando de uma forma tão estranha.
—Oh! Creio que esses quatro anos na França ajudaram a me deixar com um sotaque, terá de se acostumar com ele.
As duas irmãs se mantiveram rindo de coisas um tanto quanto bobas para os outros, por outro lado Joseph se encontrava satisfeito com tal cena, no passado era tão raro vê-las juntas e agora estavam a mais de cinco minutos no mesmo espaço sem nenhuma briga.
—Onde está seu marido? –questionou Kathryn que se inclinou um pouco para o lado assim lançando um olhar para dentro da carruagem.
—Ele precisava resolver algumas coisas com urgência na cidade. Não sei como ele aguenta essa rotina.
—Creio que a senhorita deseje descansar um pouco. –comentava o mordomo Marcellus que estendia sua mão na direção da mesma para assim poder guia-la ao seu devido quarto.
—Marcellus, acha mesmo que esqueci o caminho de meu próprio quarto? –brincava a mesma que colocava suas mãos na cintura.
—Sabe que não, apenas queria ter certeza de que desejaria aquele quarto.
—Sabe que amo aquele quarto. Espero que não tenham o dado para minha irmãzinha.
Conforme Harriette subia o pequeno lance de degraus em direção da porta principal Joseph e Marcellus a acompanhavam.
—Depois que descansar tenho um faço a te pedir. –comentava Joseph que mantinha suas mãos para trás.
—Qual seria? –questionou Harriette, a curiosidade sempre fora um traço forte da mais velha, mas quando mais nova sempre aprendeu a ser manter em seu lugar.
—Depois vá à cidade com sua irmã, confio em você para escolher um vestido adequando para sua festa. –dizia o homem em um tom calmo.
Não foi nem preciso a frase ter seu fim para os olhos de Harriette já terem um brilho diferente, uma empolgação, claro que não foi nenhum pouco discreta, lançou um olhar em direção da caçula que seguia atrás sendo o suficiente para Kathryn entender o que se passava naquele momento. Balançou sua cabeça negativamente.
—Pai, eu não preciso de vestidos novos.
—Precisa sim. –respondia a mais velha no lugar do pai. –Por favor, não me fale que vai usar os vestidos da mamãe. Kathryn você pode ser parecida com ela, mas aqueles vestidos devem estar mofando no armário, não creio que seja uma boa ideia.
Tentar debater com sua irmã seria uma perda de tempo, a caçula sabia muito bem disso, aquela situação ocorria com certa frequência em sua infância. Todas as discursões acabavam na vitória de Harriette, que por ser a dama perfeita tinha todos do seu lado.
Um suspiro de derrota deixou os lábios de Kathryn que se resumiu em abaixar sua cabeça, quando ficava chateada, irritada ou com medo, a jovem tinha o péssimo habito de agarrar uma mecha qualquer de seu cabelo e assim começar a mordisca-la. Todos sempre repudiaram tal ato, mas era um vicio tão forte.
—Senhorita. –chamou uma das empregadas, a mulher mantinha um tom baixo para que ninguém mais escutasse. Em um gesto delicado puxou a mecha de cabelo para fora da boca da jovem e abriu um pequeno sorriso. –Não vamos repetir aquele episodio. – era uma mulher de meia idade e que sempre cuidara das garotas como se fossem suas próprias filhas. Ela era uma das uma das poucas da mansão que soubesse o quanto aquele vicio afetava a jovem, que não parava em apenas mordiscar uma mecha de cabelo.
—Sinto muito. –falou a jovem em um tom baixo, suas mechas castanhas caíram sobre seus olhos, escondendo aqueles ''olhos de tempestade''. –Apenas fiquei um pouco nervosa.
—Sei que sim, mas não precisa ficar dessa forma, minha dama. Vá descansar um pouco, sei que sua irmã vai respeitar tudo que escolher.
Um sorriso surgiu nos lábios da jovem que fez um gesto positivo com sua cabeça e assim seguiu correndo até a escadaria ao centro do hall.
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