Curse and Love
5 Surpresas
Notas iniciais
A manhã estava tranquila, fria e com o céu nublado, aquele tempo perfeito para se aconchegar na sala, ver um filme e comer pipoca com muita manteiga. E Lyra havia pensado nisso assim que olhou para o lado de fora da janela.
Ela preparava algo para comer, afinal se fosse chamar o Eustass para comer fora seria mais bem mais caro, além de que o mesmo dormia em sono profundo.
Seguindo o estilo norte-americano, a morena cozinhou panquecas com calda de chocolate, torradas e preparou um café bem adocicado para começar o dia de bom humor.
Ao invés de se sentar a mesa para tomar o café da manhã, foi para o sofá e ligou a televisão. Neste momento, em vários canais, passavam-se noticiários sobre todos os tipos de desastres.
– Assistir mortes e famílias chorando pelas perdas, tem jeito melhor pra começar uma manhã?! – ironizou, não queria ficar presa a televisão o dia inteiro, mas também não queria ver tragédias tão cedo.
Kid se levanta e vai em direção ao banheiro, faz sua higiene pessoal e molha o rosto com água gelada.
Ainda era cedo, 6h:20 da manhã, contudo não poderia ficar na cama o dia inteiro enquanto Lyra fazia tudo o que podia para ajuda-lo, seria injusto. Eustass usava ainda uma calça de pijama, estava sem blusa nem sapatos.
Chegou na sala e viu a morena sentada com um cobertor envolto em si comendo algo que parecia estar delicioso. Seu estômago se revirava de fome, e aquele cheiro doce aumentava seu apetite.
– Você não dorme não? – indagou Kid, tentado provoca-la.
– Durmo, porém, ao contrário de você eu não passo o dia inteiro na cama. – retrucou
O ruivo rosna e vai para a cozinha. Lyra o segue, lava os pratos e copo que sujou, assim que termina pergunta:
– O que vai querer para o café da manhã?
POV’S Kid
Certo, vou confessar que quando ouvi aquela pergunta me assustei, contudo evitei demonstrar isso. Mesmo que não faça muito tempo que estou com ela, sei que prefere comprar a comida já pronta ou ir a um restaurante.
Ela não cozinhou pra mim, então, por quê agora?! Só por que estamos fora de sua casa?
Tá, esquecendo isso, penso em que vou comer, estava com muita fome, por mim comeria de tudo um pouco, se bem que... Ah, foda-se a gula, estou morrendo de fome.
– Não sei...
– Não sei acabou e não tem mais nos mercados. – brincou. Ironias só nas horas erradas, isso me irrita muito.
Uma coisa que me intriga, me irrita e me deixa confuso são suas ironias. Não elas em si, contudo... Ahrr, merda eu não sei explicar. Vamos passo a passo...
O que me irrita... Suas ironias do obvio, vem nas horas erradas e me deixam puto.
O que me intriga... É eu não ficar tão nervoso e começar a discutir com a garota por causa disso, eu sou nervoso, isso com certeza não é novidade, só que não furioso com isso. É aquela coisa, não sei se rio ou se choro, ao invés de chorar, na verdade, deveria me irritar.
O que me deixa confuso... Tudo isso! Sim, tudo isso... Simplesmente pelo fato de esse tipo de coisa me tirar do serio, mas com ela, muitas vezes, me dá até vontade de rir. Fico parecendo bipolar desse jeito.
– Ah, eu acho que vou comer ao estilo americano, ovos e bacon com suco de laranja. – afirmo. Ela logo pega os ovos para começar a fritar, porém, ao invés de fazer ovos fritos faz omeletes. Também é muito bom.
A vejo jogar queijo, salsa e cebolinhas por cima, põe em um prato e começa a fritar o bacon. Quando pronto me entrega e pega o suco já pronto da geladeira. Tudo me dava água na boca e mais fome.
– Não sabia que você cozinhava!
– Se eu ficasse dependendo apenas de restaurantes, não iria conseguir pagar minhas contas. Tive que aprender a cozinhar. – explicou calmamente.
Assinto ainda comendo, quando ouço um grito que, felizmente, vinha da televisão. A olho torto, e agora eu posso ter certeza de que essa garota é uma caixinha de surpresas.
– Atividade paranormal 3?
– Qual o problema? Era o que tinha de melhor passando esse horário. – afirmou. Sei... Filme de terror logo cedo, é pior que noticiário.
Acabo de comer, agradeço pela comida e pergunto se vamos em busca do colar hoje. Ela afirma com a cabeça, todavia acrescenta que iríamos depois do almoço, afinal o museu abriria apenas de tarde hoje.
(...)
– Oe, você tem certeza de que o museu fica pra esse lado? – Lyra me perguntou. Cara, isso já estava me perturbando, ela perguntava isso a cada dois metros que andávamos.
– Sim, eu tenho certeza. – respondi tentando manter a calma.
– Soube que aqui contêm dois museus, pra qual deles você vendeu o colar? – interrogou.
– Para um que se chama “eu não faço ideia”. Quando vendi o colar não fui informado de New York possuía dois museus. – respondi brincando, o arrancou algumas risadas da morena.
É bem melhor vê-la sorrindo do que com a feição de tristeza de ontem. Sim, isso foi uma confição interna.
– Você é um besta mesmo, ao invés de pegar mais informações, sai vendendo o colar para o primeiro que lhe oferece uma oferta.
– Concordo que isso foi impensado e muito idiota de se fazer, mas acredito que iremos recuperar o colar! – exclamei com todas as letras naquilo em que acreditava.
Em situações como essas temos que pensar positivo.
Logo chegamos ao museu, entramos sem pressa. Pedimos informações sobre exposições egípcias e também sobre a pessoa que havia comprado o colar de mim. Assim que o achamos perguntamos sobre o colar.
– O colar? – indagou arqueando uma das sobrancelhas. Assentimos e ele volta a falar. – Bem, vocês chegaram tarde. Eu o revendi para outro museu em Portugal, o comprador parecia bem interessado.
Juro que senti meu coração parar de bater por um segundo. Minha boca se abriu e meus olhos se alargaram mais que o comum antes mesmo de o homem terminar de falar a frase.
Viro a cabeça para Lyra e observo que ela teve a mesma reação que a minha. Chagamos a esbranquissar, a morena virou pedra, estatizou-se no mesmo instante.
– O-O que v-você – tento pronunciar, contudo consigo mais gaguejar do que falar, ainda estou paralisado em saber que o colar foi revendido em tão pouco tempo.
A vontade que eu tinha era de gritar ‘O que você pensa que fez?’ e estapear o homem até minha raiva e surpresa passarem. Não acredito nisso.
– O que? – Lyra conseguiu perguntar indignada antes de mim. – E... Mais especificamente, para onde o senhor o vendeu?
– Para Lisboa. – respondeu o homem coçando o queixo. Em seguida, sem dar tempo para perguntarmos algo ele acrescenta. – Só há um museu por lá então vai ser fácil achar o colar, já que parece ser isso que vocês tanto querem.
– Algo mais que nós não saibamos? – perguntei irônico. E sinto que não deveria ter feito isso.
– Sim... O avião com o colar irá primeiro para Washington, depois de três dias é que seguirá para Lisboa.
– Quando que o senhor revendeu ele? – perguntei. Estava começando a ficar desesperado. Nunca iria imaginar que o colar seria revendido tão rápido e para tão longe.
– Hum... – Sério que esse velho gaga tem coçar o queixo e ficar pensando na morte da bezerra?! Estamos desesperados aqui e ele fazendo-se de desentendido. – Não sei...
– Tente se lembrar! – pede a garota quase gritando. Sabe aquelas horas em que o pânico geral toma conta de você? Então... Sou eu neste momento.
– Hum... Deixe-me pensar. – Eu vou chutar a bunda desse velho daqui a pouco, e isso não vai ser nada legal. Ele fica enrolando apenas dizendo que vai pensar, porquê pensar com certeza ela não pensa. – Acho que foi a uns três dias.
– T-três dias? – gaguejei de novo, caraca será que dava pra ficar pior?
– Pelo que sei o homem que comprou o colar pretende revende-lo logo, acho que ira esperar apenas uma semana para as noticias correrem e o mundo souber que ele é quem está com o objeto em mãos.
É, deu para piorar. E eu nunca mais abro minha boca para perguntar irônicas em situações como essas. Eu também preciso descobrir um jeito de socar a mente...
Saímos de lá quase que arrastados. Não conseguíamos acreditar que aquilo tudo estava acontecendo...
Vou virar vidente, assim as coisas ficam mais fáceis. A única coisa que não farei é conversar com os mortos, igual muitos fazem... Hehe, sou mesmo muito retardado para pensar em coisas assim...
Eu admiro também a minha incrível capacidade de fazer graça em momentos como esse.
– Bem... E o que faremos agora? – curioso perguntei, queria saber o que ela achava que devíamos fazer.
– Eu não sei... Tudo desandou muito rápido e em pouco tempo, parece até que usaram magia para bagunçar tudo.
– O que acha que mais falta acontecer?
– Hum... Só falta aparecer um titã na minha frente e vir me cumprimentar. – fez graça para tentar animar a situação. E funcionou.
– Não saia falando o que não deve, pode ser que daqui a pouco passe um caminhando aqui, hahaha.
Fomos andando devagar, um fazendo o outro rir. Creio que aquele momento seria o mais propicio para fazer graça, assim nenhum de nós ficaria pensando no que acabara de acontecer.
Passamos em uma pequena praça bem iluminada, muitas crianças brincavam por ali. Havia também algumas barraquinhas de comida, como hot dog, maçã do amor, pipoca, sorvetes de todos os sabores e gostos.
Compramos um sorvete para cada e voltamos a andar.
O saguão era grande e bem arrumado, do lado oposto da recepção havia uma sala de espera. Os sofás eram vermelhos aveludados e bem macios, algumas vezes ia até aquele sofá apenas para não ficar sentado dentro do quarto do hotel.
Em uma pequena plataforma, em cima de um tapete vermelho caro e aveludado havia um piano negro e bem brilhante. Ele tinha um som muito bonito, algumas vezes alguém se atrevia a toca-lo.
E não era apenas nesse hotel, na maioria havia pelo menos um instrumento que na maior parte do tempo ficava jogado, até que algum corajoso ou fascinado decidisse toca-lo.
Ficamos andando sem rumo até anoitecer, mas quando chegamos ao hotel Lyra foi em direção a sala de espera onde o velho piano ficava.
– Quer saber... Quando estou desanimada e preciso de um up na vida eu toco piano. É um jeito meio besta de me animar, porém funciona sempre. – afirmou sorrindo e passando os dedos de leve nas teclas do piano empoeirado.
– Besta nada, parece ser bonito. Por quê não toca? – induzi ela a tocar e ver se realmente sabia, ou se pelo menos tocava bem.
Ela assentiu e sentou-se ao pequeno banco. Esticou bem os braços e estralou os dedos, já iria começar a tocar.
http://www.youtube.com/watch?v=vbHiJgKixxs – música
Ela realmente toca muito bem. E aquela música me animava a cada segundo que se passava. Por mim nunca mais pararia de ouvi-la. Era gratificante ouvir o toque de um piano, e uma música linda e tranquilizante como esta.
– Já falei que você é uma caixinha de surpresas?! – perguntei sarcástico. Sorri para ela, que sem parar de tocar sorriu de volta.
Varias pessoas foram se aproximando para ouvir Lyra tocar o piano. Assim que a música acabou, as pessoas bateram palmas e pediram para tocar mais melodias.
Fazer o que neh? Ela parece realmente gostar de tocar o piano, não vou impedi-la, até por quê eu também queria ouvir mais uma, hehe.
POV’S off
As horas seguiram, mas parecia que elas passavam mais lentamente, apenas para ouvir o doce tocar de uma linda melodia de piano. O dia não fora muito reconfortante pela noticia ruim, porém a noite seria melhor...
Fale com o autor