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6 Capítulo 6


*Lise POV*

Depois que a Becs –sem a minha permissão- voltou para a pousada, eu aproveitei para dar as instruções ao pessoal de como interagir com ela, já que ali ela era a mais “estranha”.

Estávamos todos sentados em uma roda na areia, bebendo e conversando.

—Aquela sua amiga é idiota ou o que? Por que aquele auê todo para ficar de biquíni? –Brunna reclamou

—Cara, ela só é tímida, com o tempo ela se solta, vocês precisam de paciência.

—Ela é bonita –Harry concluiu

—E gostosa –Clarke deu um sorriso malicioso que me deu nojo

—Ela é incrível, só não sabe disso, ou não consegue aceitar, não sei. Quando vocês se aproximarem dela vão ver que não tem como se afastar mais, ela é demais, ela te faz rir quando você está triste, te ajuda quando você nem diz que precisa, ela é pura e sempre tenta ver o lado bom das pessoas. Sinceramente, eu acho que todos nós devíamos ser como ela.

Notei que toda a atenção ali se voltava para mim, provavelmente havia expressado mais do que devia sobre os meus pensamentos em relação a Becs, mas era bom eles saberem o por que não podiam zombar dela. Brunna teve que quebrar aquele silêncio bom, por que sabia que com a Becs ela não tinha chance.

—Deus me livre! –exclamou- ser igual a Rebecca? HÁ! Prefiro ser gorda.

—A Lise está certa, não podemos julgar ela só por ela ser tímida –Linda interrompeu- ela pode, e parece ser uma pessoa legal.

—Vamos enturmar ela, até o fim do verão ela não vai mais se sentir deslocada. Ouviu Brunna? –Harry perguntou

Ela deu de ombros como se aquilo não fizesse diferença para ela, e realmente não devia fazer.

*Becs POV*

Acordei as duas da manhã com uma enorme dor de cabeça, olhei para a cama da Lise e vi que ela já estava lá. Ainda bem né, se as duas da madrugada ela ainda estivesse na praia eu iria ficar louca de preocupação, e ela provavelmente em coma alcoólico.

Ao pé da cama dela estava uma garrafa de whiskey, o que me provou que na manhã que viria ela estaria em uma ressaca daquelas. A observei dormir e pensei em tudo que já passamos pelas nossas diferenças, eu tão reclusa e ela tão cheia de vida para dar. Realmente era uma amizade de verdade.

Tomei um remédio para dor que estava na minha mala, e sai para tomar um ar, a madrugada estava fria então precisei de um casaco. Fiquei observando o vento balançar as árvores até ouvir o som de algumas vozes sussurrando, andei para tentar achar de onde vinha.

—Segura as pernas que eu seguro os braços –Harry disse baixo-

Só então pude ver Harry, Clarke e Linda tentando carregar a Brunna, que emitia algum tipo de som irreconhecível. Bêbada.

—Querem ajuda? –disse me aproximando

—Fala baixo –Linda pediu- espero que aqui não tenha câmeras, que vexame, bem no primeiro dia.

—Calma Linda –Clarke disse

Olhei para Brunna e vê-la naquele estado era estranho, a garota nem conseguia ficar de pé, falar ou se quer abrir os olhos.

Peguei-a pelo braço direito e Harry pelo esquerdo, Clarke ajudou a ergue-la e Linda apoiou pelas costas, tirando o fato de ela estar se debatendo e gritando coisas sem sentido, estava tudo sob controle. A levamos para seu quarto, e então soube que seu par era o Clarke, tentamos deitá-la com jeito na cama mas ela mesma se jogou, começou a engoiar e Harry foi logo atrás de um balde, mas o melhor que conseguiu foi uma sacola média, onde ela vomitou provavelmente tudo que comeu nos últimos 5 anos.

—Tinha que ser a Brunna para fazer uma coisa dessas logo no primeiro dia –Linda disse

—Deixa a menina, logo ela fica boa –Clarke costumava defender quem ele comia

—Por favor gente, tentem não dar pt. Beber é bom, quase morrer de beber não. –Linda com certeza era a mãe de nós todos

—Boa sorte para cuidar dela até ela dormir Clarke –brinquei

A única certeza que tínhamos de que ela não estava morta era que dava para ouvir sua respiração.

Eu, Linda e Harry saímos e deixamos os dois lá dentro.

—Mais alguém ficou bêbado assim? –perguntei

—Não, só ela. A Lise ficou ruinzinha mas nem tanto. –Harry respondeu

—Eu reparei.

Me lembrei da garrafa de whiskey.

—Ai.. –disse colocando a mão na cabeça

—O que foi? –Linda veio até mim- mais uma passando mal não meu Deus.

—É só dor de cabeça, acordei assim.

—Eu sei por que –Harry parecia orgulhoso do fato- ninguém comeu depois que chegamos, talvez por isso a Brunna ficou tão ruim também.

—Faz sentido –Linda concordou-

—Não trouxe nada de comida e eu duvido que o restaurante esteja aberto agora né.

—Eu trouxe umas coisas, vamos pro meu quarto.

E então fomos os três para o quarto do Harry que por ventura era o da Linda também.

A organização da Linda chegava a ser engraçada, suas blusas estavam todas empilhadas perfeitamente dobradas em cima da sua cama, suas calças em uma pilha no lado, e em outra os shorts. Blusas de frio estavam na cabeceira da cama, e em sua mala, aberta no chão, estavam coisas pessoais. Já a mala do Harry nem tinha sido aberta. Até aquele momento.

Ele pegou alguns pacotes de bolacha e uns refrigerantes quentes que naquela situação estavam maravilhosos. Sentamos e cada um pegou uma lata, comemos achando graça do ocorrido.

—Quem diria, eu tomando coca-cola quente e comendo bolacha com vocês duas.

—Cala a boca Harry, você me ama –Linda disse

—Amo mesmo.

Eu fiquei calada, apesar de eles estarem sendo legais não tínhamos intimidade o suficiente para esse tipo de coisa.

—Posso amar você também Becszinha.

—Becszinha, sério Harry? Prefiro Rebecca –disse brincando

Nós rimos e eu apreciei aquele momento, não queria que acabasse. Eu podia realmente fazer amigos ali.

—Ainda tem umas cervejas geladas na caixa de isopor, querem acabar com elas? –Harry sugeriu

—Por mim tudo bem, que tipo de adolescente não gosta de beber na madrugada. –Linda brincou

—Ainda mais com dor de cabeça -ironizei

Confirmei a ideia então ele pegou a caixa, onde não devia haver mais que 10 cervejas, cada um pegou uma e a abriu.

(...)

Papo vai, papo vem, cervejas também, quando nos demos conta era quase quatro da manhã. Nossa sanidade já não era a mesma de duas horas atrás.

—Vocês são lindas mano –Harry disse com a língua embolada, enquanto ria de nada

—Você também é bobinho –Linda o abraçou

Eu não teria ficado desconfortável naquele momento se eles não houvessem se beijado bem ali, na minha frente, me fazendo de tocha olímpica.

Observei aquela cena com a certeza de que o álcool estava fazendo muito efeito, então me levantei cambaleando e fui em direção a porta. Queria deixar os dois a sós. Mas alguém me puxou pelo braço, quando me virei Harry veio em direção a minha boca. Seu beijo tinha gosto de cerveja com bolacha mas não deixava de ser bom, quente e calmo. Ele entrelaçou seus dedos no meu cabelo, me deixando arrepiada, sua mão em minha cintura me deixava nervosa, mas eu estava amando. Antes mesmo de conseguir tirar mais conclusões daquele fato, Linda nos separou para apenas nos juntar novamente, mas dessa vez com ela no meio, fechando assim um beijo triplo. Sim, eu estava as quatro da manhã, bêbada, dando um beijo triplo com Harry e Linda. Aquilo era inimaginável.

Notas finais
PROXIMO CAPITULO TEM HOT AAAAAAA
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.