Curioso fenômeno

1 Aquele da continuação da entrega das apólices de Catarina


Tudo era muito carregado de tradição, ele tinha que esperar Edmundo e Bianca se declararem um para o outro, tinha que esperar o brinde com a champanhe, tinha que esperar a entrega do anel de noivado, tinha que esperar a valsa dos noivos, tinha que conversar alegremente com os outros convidados, mas só pensava nela. Catarina não tirava os olhos de si, desde a hora que ele entrou na casa do seu Batista, desde o momento em que se declarou para ela na frente de todos, inclusive de Marcela.

“...Porque eu fingi o tempo todo… eu fingi o tempo todo… Catarina eu nunca que quis ir embora com Marcela, e nunca que quis ficar tanto tempo longe… tanto tempo longe d’ocê minha onça…”

Catarina conversava com Bianca, mas desde o momento que ouviu a declaração dele de como planejou ir atrás das apólices não conseguia desgrudar seus olhos dele, eram como imãs se atraindo pelo metal, ela não conseguia fugir, não conseguia fingir, não conseguia disfarçar. Se lembrou da fala dele, podia recitá-la perfeitamente em seus pensamentos: ele nunca quis ir embora com Marcela, não quis ficar tanto tempo longe dela e a chamou de minha onça. Nessa hora Catarina sentiu seu coração falhar uma batida, seus olhos se encheram de lágrimas e ela engoliu em seco, não queria demonstrar que tinha se abalado com sua fala, mesmo seu corpo lhe mostrando reações contrárias ao que ela queria demonstrar.

“...mas é que era tanta dificuldade na fazenda e eu pensei que agora memo que havia de nascer um filho meu…”

“Filho meu você quer dizer…

“Nosso, nosso filho, eu pensei que eu preciso memo é de dar o melhor pra ele… e esse dinheiro que foi roubado era dele por direito porque o que eu quero memo é dar pra ele tudo o que eu não tive… por isso eu fui atrais de Marcela…”

Mesmo longe fisicamente dele no momento, as palavras de seu discurso dito minutos antes ecoavam na cabeça de Catarina feito uma melodia. Ele pensou no filho deles, pensou em dar o melhor para ele, por isso fingiu. Ao contrário de Petruchio, Catarina não conseguia fingir, ela não mentia seus sentimentos, ela não mentia para si mesma. Como não olhá-lo ao longe se as últimas palavras entravam dentro de si lhe fazendo perder o ar?

“Porque tudo o que eu fiz, tudo, foi por amor…”

Amor? Seria essa uma prova de amor?

— Bianca me diz, por que deixou Petruchio entrar em sua festa de noivado para conseguir minhas apólices? O que ele te falou?

Catarina estava hipnotizada por ele, mas não era boba e ainda queria pensar com a razão e não com a emoção. Bianca sorriu de lado e negou com a cabeça.

— Petruchio me explicou seu plano, ele sabia que Marcela estava por trás de alguma forma desse roubo das apólices, descobriu inclusive que ela tentou te roubar no dia que elas sumiram, no dia em que ela se casou.

Catarina se lembrava bem daquele dia, foi o dia mais triste e mais feliz de sua vida ao mesmo tempo.

— Mas mesmo depois de semanas, não havia saído do lugar em relação a mais pistas e pensou que só reunindo todos que estavam no casamento poderia conseguir alguma coisa, então ele me pediu para ser na festa de noivado.

— E o que ele queria com ela? O que fez com ela nesse tempo todo?

— Catarina, será que ainda não entendeu? Ele queria lhe devolver seu dinheiro, ainda não percebeu?

Bianca é que não havia entendido sua pergunta.

— Converse com ele… — Bianca disse observando que a irmã não desgrudava os olhos dele um segundo da festa.

— Para que? Para as pessoas comentarem de nós pelas costas? De que estou voltando correndo para… para…

Na verdade ela queria que todos evaporassem, que sumissem com um estalar de dedos, para que ela pudesse correr até Petruchio sem empecilhos e lhe perguntar o que quisesse perguntar e lhe beijar se assim quisesse e lhe atirar um vaso em seguida se assim achasse que ele merecesse.

— Desde quando liga para o que os outros pensam a seu respeito?

Catarina passou a mão por sua barriga, que agora aparecia mais pontuda. Não conseguia explicar para Bianca, mas desde que engravidou se sentia diferente, mais poderosa, mas ao mesmo tempo mais fácil de ser atingida.

Era a deixa, precisa conversar com ele.

Petruchio a olhava o tempo inteiro, parecia inquieto e ansioso. Edmundo continuava a falar tantas coisas, tantas coisas que ele não ouvia e nem se importava. Saía som de sua boca, mas ele não ouvia nada. Maldita tradição que lhe mantinha naquela conversa. Olhou para Catarina novamente, ela ergueu as sobrancelhas e entortou a cabeça para sua direita, indicando que iria sair. Pros ares tradição! Catarina tinha razão às vezes, a modernidade estava aí para perdurar. Oras, afinal as malditas tradições iam o impedir de ir atrás dela por uma resposta?

— …Eu…eu… — não soube nem o que dizer a Edmundo. Saiu em disparada atrás de Catarina que havia acabado de passar pela porta da cozinha em direção ao jardim.

Estava linda, parada, lhe encarando no escuro, a luz da lua iluminava seu rosto, parecia um holofote voltado a si, pronta para lhe destacar de tudo. Ela nem precisava da luz da lua, brilhava por si só, estava tão linda com a barriga proeminente, tão linda que ele automaticamente chegou perto de si tentando tocar em seu ventre. Catarina deu um passo para trás, fez não com a cabeça.

— Que ideia foi essa? Entrar na festa de minha irmã, supondo a solução para o roubo das apólices e dizendo na frente de todos que fez tudo por amor?!

A voz dela brava e imponente lhe fez sorrir, sua Catarina estava ali, em toda sua essência.

— Mas eu fiz foi tudo por amor memo, amor pelo ocê minha onça.

— Não sou onça e muito menos sua!

Petruchio negou com a cabeça sorrindo, era maravilhoso ela brigando consigo.

— Minha onça sim, minha e só minha. E eu recuperei seu dinheiro, não recuperei?

Ele sorriu dando uma piscadela a seguir, com aquela cara de safado que sempre teve, Catarina quis lhe atirar um vaso, mas não tinha nenhum a seu alcance.

— Está dizendo que fez tudo enquanto eu assisti parada? Fez tudo tal qual um príncipe num cavalo branco?

— Mas eu até vim de cavalo branco, quer ver?

Catarina lhe fuzilou com o olhar.

— Diga de uma vez e chegue de rodeios! O que fez com Marcela esse tempo todo?

Será que era possível ela ainda estar com ciúmes? Mesmo depois dele ter provado que só queria achar seu dinheiro?

— Uai eu tava atrais dela pra pegar suas apólices.

— Aí Petruchio. Sabe muito bem que sai de casa porque se envolveu de novo com ela. Justo com ela, com a mulher que sempre quis estragar nossa família.

Catarina cruzou os braços na frente do corpo, lhe doía pensar em Marcela com Petruchio durante esse tempo todo.

— Mas eu nem envolvi com ela não. Eu vou te explicar… Ocê tava doida atrais desse roubo e eu não aguentava mais, me doía e doía muito ocê quereno dá uma vida decente pro nosso filho…

— Meu filho…

— …E nois lá viveno a pão e água. Como se a nossa vida na fazenda não fosse suficiente, as vez não era memo. E eu pensei e pensei e um dia vi a Marcela na rua e pensei num plano. Eu ia lá jogar todo meu mel pra ela, pra descobrir tudo o que ela sabia das suas apólices pra então eu ir conversar com o delegado e ir passano pra ele os acontecido passo a passo. Entende? E eu descobri algumas coisa, mas não tudo, descobri que ela armou pra te roubar no dia do casamento dela com seu pai.

— Então eu estava certa o tempo todo, ela tentou me roubar, mas não conseguiu?

— Não, alguma coisa deu errado, não sei certinho o que aconteceu, ela nunca se abria direito pra mim, acho que eu me esquivava dela e inventava desculpa pra não ficar perto dela e ela não confiava tanto assim pra se abrir tanto…

— Se esquivava, sei… — Catarina gravou bem a última informação que ele falou. — Será que se esquivava mesmo?

— Era muito mais fácil se eu tivesse levado ela pra cama e arrancado as informação lá mas…

— Aí Petruchio chega vai! Me poupe! — não podia cogitar a imagem dele na cama com ela. Era impossível de imaginar, lhe doía.

— O que eu quero dizer é que eu não fiz nada com ela, nada memo, joguei meu mel, mas num fiz nada além disso. Nem beijei ela, juro! Acredita em mim?

Queria acreditar, talvez ela acreditasse, parecia que ele lhe dizia a verdade, mas ainda lhe doía, tanto, tanto que a única opção que conseguia pensar em fazer era brigar com ele.

— Ótima ideia jogar todo seu mel para ela. — a voz de Catarina saiu sarcástica. — Ela acreditou e eu também!

Ainda se lembrava da última conversa que teve com ele, da declaração de amor que havia lhe feito, do último beijo trocado, ainda lhe doía tanto pensar que ela havia mudado tanto, que seu conceito sobre o que era melhor para a sua vida, que felicidade era sinônimo de fazenda e queijo e comida no fogão a lenha e um campo para olhar no final da tarde e tudo tinha se perdido por causa da Marcela. A casinha desmoronou.

— Mas é por isso que eu fui mais duro com ocê na nossa casa, quando discutia com ocê na cama, dizendo que o que eu tava fazeno podia custar caro, porque eu sabia Catarina que se contasse pro’cê o que tava fazeno ocê não ia deixa.

— Pois não ia mesmo, onde já se viu, eu casada e grávida e meu marido correndo atrás de outra? Não sou mulher que abaixa a cabeça. A casinha toda se rachou, tudo o que a gente construiu nesses meses desmoronou.

— As fundação tão intera. — Petruchio se agachou na frente dela e pegou sua mão. — Catarina, eu amo ocê, tanto… tanto ao ponto de eu…

— Levante-se, ficará com calo nos joelhos. — tentou o ignorar rejeitando as mãos dele.

— …não dormir direto, não comer direito, não viver direito.

— Nada disso me comove, nem suas explicações, nem sua palavra e muito menos a “prova de amor” que me deu ao achar meu dinheiro. — ela enfim conseguiu se livrar das mãos dele.

— …Eu sofri tanto esse tempo todo só sentindo seu cheiro naquela camisola que deixou pra trás. Era como ter um quarto enorme e frio.

— E eu? E eu vendo minha barriga crescer dia após dia sem ter você por perto? Eu indo a consultas com médico para saber da criança e você correndo atrás da Marcela!

— Pra recuperar seu dinheiro, quantas veiz eu preciso dizer isso? Ocê com aquela ideia fixa de dá uma vida melhor pra ele e eu tentando te ajudar. Mas é acabei prejudicando nosso casamento.

— Que casamento? Nunca estivemos num casamento de verdade. Nunca. Sempre foi por interesse. Interesse no meu dote, interesse nas minhas apólices…

Petruchio bufou nervoso. Se levantou do chão chateado e não hesitou em despejar suas frustrações nela.

— Nois nunca tivemo um casamento de verdade, porque ocê nunca me deixou te amar por inteira. Eram sempre condição. Porque a casa tinha que tá a sua altura na limpeza e nos móveis, que a comida tinha que ser as mais finas, que a felicidade era na aparência e sempre comprada. A gente que nunca trocou mais que uma semana de carinho, nunca tivemos em paz por mais de uma semana. Sabe por que? Porque ocê tem medo. Medo de amar e se entregar e tá fazeno a mema coisa aqui agora. Me afastando d’ocê, me fazeno ficá com raiva d’ocê, frustrado e chateado, que memo depois de tudo, ocê não é capaz de me ouvir ou me perdoar ou acreditar no meu amor.

Catarina engoliu em seco depois de ouvi-lo desabafar.

— Você também não acreditou em mim, não acreditou no meu amor. Preferiu acreditar na Marcela. Se esqueceu da lua de mel? Pois eu não! E sabe o que eu descobri? Dinorá estava por trás de tudo, foi ela que mentiu a mim, mentiu sobre a doença da Bianca, mentiu que era minha amiga, mentiu que a condição do meu pai para me dar as apólices de minha mãe, que já eram minhas por direito, era eu me entregar a você, consumar nosso casamento. E tudo isso desencadeou nossa briga e desconfiança. E você não acreditando em mim. Me ignorando, ignorando meus carinhos, ignorando meu amor por você… — ela sentiu sua voz falhar ao terminar de falar, pareciam feridas que nunca se fechavam, nunca cicatrizavam, estavam sempre ali latejando.

Ele negou com a cabeça, não queria a fazer chorar, não seria mais simples se ela simplesmente tivesse lhe perdoado e ido consigo para a fazenda? Mas era tudo sempre difícil com ela, ele estava cansado.

— Eu já até sei o que vem agora. Ocê jogando na minha cara que não acreditei n’ocê, que eu caí na armadilha de Dinorá. Mas eu cansei Catarina, cansei. — Catarina negou com a cabeça chateada, estava também cansada, não queria mais brigar com ele. — Ocê nem me agradeceu, eu não esperava gratidão não, mas um reconhecimento… sei lá… eu devia já era tá esperano isso, num sei porque me surpreendo ainda… — ela negou com a cabeça incapaz de falar alguma coisa. — Ocê não me deixo nem relar na sua barriga, o tempo todo falando que o filho é seu…

— Mas o filho é meu…

— Não vou brigar mais não. Eu esperava que ocê pelo menos fosse comigo pra fazenda, pra gente tentar se acertá. Mas… ocê faz o que quiser…

— Eu sempre fiz… — era mais fácil retrucar com ele.

— …se quiser ir comigo vai, se quiser ficar fica. Mas saiba que eu não vou deixar esse filho da sua barriga ser só seu. Num vou memo.

Ajeitou seu chapéu em sua cabeça e começou a sair pelo jardim. Catarina ficou observando ele andar, suas palavras foram decisivas, mas sua postura dizia o contrário, estava com os ombros caídos, andando tão devagar, parecia esperar ela o chamar para voltar para trás, dizer que o amava também, que ia voltar com ele para a fazenda, que iam construir a família de ambos juntos, mas ela podia fazer isso? Ela que sempre foi tão fechada, brava e que não demonstrava seus sentimentos, podia ser impulsiva e passional? Tinha esse direito.

Era mais fácil ignorar, deixar que os dias passassem, ir conversando com ele aos poucos…

Ele subiu no cavalo branco, conforme havia lhe dito anteriormente que havia ido a sua casa com ele, passou as mãos por sua bochecha, fungou decidido, não olhou para trás, começou a sair da casa dela galopando.

— Melhor assim… — Catarina sussurrou ao mesmo tempo em que passava a mão por sua barriga. De repente sentiu um chute.

Arregalou os olhos, era a primeira vez que sentia o bebê se mexer. Ficou pensando durante dias se era normal estar com aquela barriga já tão pontuada e não sentir o bebê mexer, ficou imaginando o dia que aconteceria, Petruchio sentindo a presença do filho pela primeira vez. Para a mulher a gravidez era concreta, pois sentia dores, tinha enjôos, mas para o homem, como que se concretizava? Talvez com um chute. Então passou a imaginar a reação de Petruchio quando o bebê chutasse. Será que se emocionaria? E agora, acontecendo o chute pensou: ela sentiu o bebê se mexer, mas Petruchio não. Ela não saberia sua reação.

Saiu correndo e não deveria correr, estava de sapato alto pelas ruas de paralelepípedo de São Paulo, com cinco meses de gestação. Era perigoso, sim. Mas mesmo assim ela correu e gritou muito por seu nome.

— Petruchio espere!

Estava sem fôlego, seu pulmão parecia queimar em busca de ar, mas o marido parou o cavalo e olhou para a esposa atrás de si desesperada.

— Ocê esqueceu de atirar um vaso pra finalizar? É isso?

Ela negou com a cabeça.

— O bebê chutou.

Ele tirou a feição brava e desceu num pulo do cavalo.

— Ele nunca chutou antes, acabei de sentir e achei que você… achei que você…

Ele se encaminhou para perto dela esticando sua mão, estava quase a tocando quando a encarou preocupado se poderia fazer aquilo, se tinha autorização. Catarina não respondeu, pegou a mão dele e posicionou no lugar que tinha sentido o chute anteriormente.

— É seu pai meu bebê, chute para ele te sentir…

Como se o bebê tivesse entendido, a barriga de Catarina deu um pequeno tremor que fez Petruchio sorrir e chorar ao mesmo tempo. Ele se agachou e abraçou sua barriga, sem pestanejar e sem medo algum, começou a beijar sem parar.

Catarina não consegue impedir que várias lágrimas caíssem de seus olhos ao viver essa cena.

— Meu filho… — ele esfregou o nariz no ventre dela, parecia querer entrar la dentro, lhe fazia tantos carinhos que ela nem conseguiu replicar dizendo que o filho era dela. — …diga a sua mãe para ela me perdoar, eu só queria dar o melhor pr’ocês.

Catarina engoliu em seco. Mas respondeu.

— Meu filho… diga a seu pai para ele me perdoar primeiro… há tantas coisas que disse e me arrependo, me perdoe Petruchio?

Ele não acreditou no que ouviu, levantou do chão e a encarou transtornado.

— Me perdoe por ter desconfiado de você, por ter complicado tanto as coisas entre a gente, por ter retardado nosso amor.

— Ocê me perdoa então? Confia em mim? — ambos não respondiam a pergunta um do outro.

Catarina esticou os ombros decidida, tinha uma ideia.

— Vamos começar de novo? Mas para isso, tenho algumas condições…

Ele ergueu as sobrancelhas, parecia ter sido transportado para meses atrás.

— Diga tudo que eu aceito meu favo de mel…

— Não me chame de favo de mel.

— Sim, sim meu favo de mel. — ele sorriu triunfante, era maravilhoso ouvir ela entrando no jogo.

— Um dia eu ainda corto a sua língua, mas vamos ao que importa. Vou dizer as condições que eu exijo para voltar com esse casamento. — ela sorriu, nem parecia que estavam brigando segundos atrás.

— Pois eu sou todos os ouvidos.

— Primeira condição: eu quero viver com todo o conforto, quero comer do bom e do melhor. De preferência a comida da Neca, bem gordurosa com direito a osso na sopa.

— Pois terá comida a sua altura.

— Quero roupas bem lavadas e engomadas.

— Jamais se verá uma roupa tão bem lavada quanto a sua.

— A casa limpa como um espelho, com direito a titica de galinha no nosso quarto.

— Ocê vai pode se pentear, olhando pro chão, e vai poder dormir com aquela galinha na cama, nem vou implicar.

— Pois muito bem, agora a última e mais importante das condições.

— Pois diga favo de mel, diga que pode ser qualquer condição que eu acei… — ele ia terminar a frase, lembrando de todo momento que viveram no passado, mas de repente lembrou a condição que ela falou anteriormente. — Não, não Catarina, quarto separado não… já sei, vai falar que quer quarto junto…

Ela lhe calou com um dedo em seus lábios.

— Quero que sejamos sinceros um com o outro e que acima de tudo dialoguemos todas as vezes que surgir algum empecilho no nosso casamento. — ele concordou com a cabeça aliviado pelo quarto separado não ter sido mencionado. — Eu quero tudo com você Petruchio, tudo o que tenho direito com você. Quero ter filhos com você, quero te ver como pai, quero que nossa fazenda cresça, quero ter uma lua de mel com você, quero viver com você o resto da minha vida.

Ele chegou perto dela e a abraçou pela cintura… encostou sua testa com a dela e já podia sentir ambas respirações misturando.

— A principal condição é essa, se aceitar volto hoje com você na fazenda. Agora. Tô com saudades de tudo lá, tudo…

Ela o beijou, sem esperar sua resposta, parecia ansiosa pro momento, como se fosse a primeira vez que estivesse fazendo aquilo. Talvez fosse, era a primeira vez que saia correndo de sua casa e fazia uma declaração de amor no meio da rua, era a primeira vez que deixava seus medos e receios de lado e parava de se questionar se devia fazer isso mesmo: confiar nele. Pois ela confiava e sabia que ele também queria viver tudo o que tinha direito com ela. Ela o beijou profundamente e com vontade, e sentiu ele retribuir com a mesma intensidade. Quem enxergasse de fora iam dizer que eram loucos, iam a julgar de romântica, iam dizer que ele só estava interessado em seu dinheiro, não iam jamais entender que o amor era um contentamento descontente, nem que as linhas tortas em que começaram a viver seu relacionamento o levaram até aquele momento. O momento em que ela corria atrás dele, ela começava um beijo, ela lhe pedia desculpas, ela decidia que o melhor caminho era seguir seu coração.

— Obrigada, por não ter desistido da nossa família.

— Obrigado Catarina. Obrigado.

Ele voltou a lhe beijar, sem receios e porque queria, nada mais importava, pois estavam juntos e finalmente iriam viver seu casamento por completo.