Felicidade. Era o que eu podia dizer do momento. Exalava de mim. Tenho a suspeita que, qualquer um que passasse, sentiria parte daquilo que eu estava sinceramente e desesperadamente buscando a anos e em várias pessoas. E achei ali. Bem ali. Na minha frente. Embaixo do meu nariz. Olhando dos meus olhos. Nos meus braços. E próximo, bem próximo da minha boca... E eu já desejava aquilo com todas minhas forças. Não conseguia mais ficar longe.

"Era como um relógio. Não, não um relógio qualquer! Grande e imponente. Um relógio de catedral, que ficava no alto, pra todos verem. Batidas fortes, algarismos romanos e gigantesco. Porém, apesar de toda imponência, era um relógio de corda. Quando o relógio perdia as forças, quando o relógio não tinha mais o que fazer, quando o relógio não cumpria mais sua real função, vinha você e dava corda. E ele reanimava. Passava a trabalhar com uma certeza e dedicação de um relógio recém comprado. Era impressionante. E sabe qual é o mais curioso? O relógio sabia que iria enferrujar. Que iria deteriorar. Que iria, um dia no futuro, ser substituído por uma versão mais nova. Mas ele não queria nem saber. Só trabalhava e trabalhava pois sabia que, quando acabasse suas forças, iria ter alguém pra incentivar e cuidar dele com amor e carinho. Irônico o pensamento do relógio. Ele queria que fosse assim pra sempre... Ele queria que o tempo parasse!"