Curativo mortal

1 ««ele pode colocá-lo em uma enrascada»»


Yogi desviou seus olhos da revista em quadrinhos ao estranhar o silêncio que, repentinamente, dominara o local. Geralmente Nai era ativo e falante, mas fazia um tempinho que o outro estava quieto, e isso causou preocupação no mais velho. Os olhos lilases vasculharam o sofá, onde dividiam o espaço, até encontrar o corpo pequeno.

Abraçando as pernas, Nai dormia com a cabeça sobre o joelho, ressonando levemente.

Riu. Só Nai podia ser adorável mesmo naquela posição.

Fechou a revista e colocou-a de lado, levantando-se do sofá. Era hora de ir para a cama. Aproximou-se do outro e, gentilmente, envolveu-o em seus braços, rumando ao quarto que Nai dividia com Gareki. Os robozinhos em forma de carneiro olhavam-no confusos.

— Podem abrir a porta do quarto de Nai para mim? — pediu gentilmente, sorrindo quando a máquina correu a atender a seu pedido.

O rapaz em seus braços era leve como uma pluma, mas Yogi não queria acordá-lo. Nai passava por poucas e boas enquanto procurava Karoku, seu antigo amigo. Um agradável e longo descanso era mais do que bem-vindo. Ao chegar ao quarto, deitou Nai gentilmente na parte de baixo da beliche e cobriu-o, saindo de fininho do quarto para não acordar nenhum dos dois rapazes — mal sabia ele que Gareki o havia ouvido e acordara, mas não se pronunciara.

Riu para si mesmo, esticando os braços enquanto bocejava, depois os apoiou atrás da cabeça. Assoviava em seu estado de felicidade, pensando o quão divertido era ter aqueles dois ali com eles, na base aérea da Circus.

— Você está bem longe.

Yogi deu um pulo e um gritinho de susto, caindo sentado no chão e com a mão no coração. Parecia dramático demais. Não era.

— Você me assustou, Akari-sensei! — gemeu, suspirando ruidosamente.

— Você quem estava distraído — Deu de ombros. — No que você pensava?

— Em como a presença de Nai e de Gareki-kun mudou nossa rotina — respondeu, sorrindo docemente.

— De fato — concordou lacônico. — principalmente a sua.

— Eu? — indagou Yogi confuso.

— Sim, desde que os dois estão conosco você está mais feliz e mais corajoso — murmurou Akari, como se fosse natural dizer aquilo.

Yogi corou das bochechas às orelhas, seus olhos se arregalando e sua boca se escancarando. Akari havia dito aquilo mesmo?! Quanto mais ele pensava nisso, mais parecia absurdo.

Uma mão grande segurou-o pelo braço, puxando-o para cima como se ele pesasse quase nada. O pesquisador colocou-o sobre seus próprios pés, de frente para si.

Yogi engoliu em seco, desviando os olhos. Por que ele tinha que se encontrar logo com Akari-sensei? Não podia ser qualquer outra pessoa? Mordeu o lábio, girando lentamente no lugar, pronto para sair correndo. Estava quase conseguindo quando Akari o segurou pelo braço.

Desesperado, Yogi tentou fugir. Debateu-se até ser solto, e saiu correndo. Mas não deu cinco passos antes de ser agarrado e jogado contra a parede.

Akari prendeu-o entre seu corpo e a parede. Os olhos rosados fitaram-no intensamente, estudando-o, enquanto Yogi rezava para não morrer. Por favor, kami-sama, me salve, eu sou muito jovem para morrer.

Um sorriso de lado formou-se nos lábios de Akari. Abaixando-se, ficou na altura da orelha de Yogi e sussurrou:

— Quando foi a última vez que você trocou seu curativo, Yogi?

O rapaz loiro deu um pulo, assustado, fitando o mais velho com os olhos arregalados. Akari ostentava um sorriso triunfante. Adorava assustar o outro, ele era tão inocente e divertido, com suas reações exageradas. Akari tinha vontade de comê-lo inteirinho.

— A-Akari-sensei...

Yogi ia dizer algo, mas foi impedido pelos lábios de Akari sobre os seus. Sem perca de tempo, Akari invadiu a boca de Yogi com sua língua, provando o sabor doce do outro. As línguas se tocaram, acariciando-se e deslizando uma sobre a outra.

As pernas de Yogi perderam as forças enquanto ele gemia. Como ele havia entrado naquela situação? Os braços do pesquisador impediram-no de cair ao rodearem sua cintura, sustentando-o. Yogi só conseguia corresponder ao beijo, suspirando contra os lábios macios e mornos de Akari.

Quando os lábios se afastaram ante o pedido dos pulmões por ar, Akari encarou Yogi intensamente.

— Por favor, não seja tão descuidado. Vá até a minha sala depois para trocarmos o seu curativo.

E, como se não tivesse acontecido nada, Akari virou-se, caminhando em direção ao laboratório. As pernas de Yogi falharam em mantê-lo em pé, por isso ele deixou que seu corpo fosse ao chão enquanto suas bochechas ficavam vermelhas.

— O que foi isso? — indagou a si mesmo, tocando seus lábios com os dedos.

Trocaria seu curativo, sem dúvida, com a devida frequência. Akari-sensei era assustador quando preocupado.

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