Cura
1 O paciente do quarto 101
Notas iniciais
3:40 a.m, sala de consultas do complexo A, localização secreta
— Está me ouvindo? Sabe o motivo de estar aqui?- Perguntei ao paciente.
— Sei que estão em perigo.
— Perigo? Que tipo de perigo? Pode me dizer?
— Você logo saberá.
— Sim, eu saberei. Mas, está por outro motivo. Você foi violento com alguém, e devo ajudar você para que isso não se repita.
— Isso se repetirá, vez após vez. Você pode não saber o que é. Eu disse à ele e não acreditou em mim. Agora isso é culpa dele também.
Após alguns segundos refletindo sobre o que ouvi, falei:
— Tem razão. Eu sinto muito. Mas, não deixarei que aconteça de novo.
— Não prometa o que não pode cumprir. Doutor. — Seu tom parecia agressivo e misterioso quando me chamou assim. — Pior são falsas promessas à si mesmo.
Enquanto o novo paciente do Complexo de Pesquisas Neuro Psiche, o diretor Humberto estava do lado do vidro espelhado observando o médico e paciente. Com os arquivos do paciente em mãos, ele parecia abalado com o novo caso que aconteceu dentro do próprio complexo. Ele sabia que era uma questão de tempo, para que o próprio ministro da saúde chegasse ao complexo exigindo explicações para o havia ocorrido. "Bem debaixo do meu nariz" ele lamentou, atrás dele a porta se abriu e Cristina, uma morena alta com cabelos curtos, tinha a pele negra e um porte físico levemente definido, que atraia o interesse dos colegas de trabalho, o que lhe sobrava em beleza, não lhe faltava em competência, tanto que tem sido a mulher ligada diretamente à diversos contratos feitos pela Neuro Psiche. Cristina, tomou fôlego deu a notícia:
— Diretor. O ministro da saúde chegou, e está indo para a sua sala.
— Obrigado, Cristina. Chamarei o doutor também.
O diretor saiu da sala discando o número do telefone do doutor que agora entrevista o paciente na sala, estava ligando para que o mesmo o acompanhasse até a sua sala.
— Houve um assassinato aqui, senhor. O senhor se lembra do que houve? — Perguntei.
— Não lembro de nenhum assassinato, não lembro de nada.
— Lembra do que costumava fazer antes de estar nesta sala?
— Acho que já estive aqui muitas vezes.
— Quantas vezes?
— Quantos pacientes o senhor já teve, doutor?
— Alguns, e você é mais um. Que eu espero ajudar. Mas o senhor não se lembra de nada, e isso dificulta muito. Consegue lembrar o próprio nome senhor?
— Lembro que as pessoas costumavam me chamar de... -
O som do meu telefone rompe a tensão no ar, e com o toque mal posso ouvir o restante da frase do paciente, retiro do bolso o meu telefone e noto que o próprio diretor estava me ligando, e eu sabia o motivo. O ministro havia chegado. Atendo o telefone e então falo:
— Sim, diretor.
— O ministro da saúde está na minha sala, e quer conversar com você também.
— Estou a caminho. — Desligo o telefone.
— Tenho que ir, infelizmente... — Iria dizer o nome do paciente, mas não tinha ouvido, pois o telefone não me deixou.
— Que pena doutor, vejo o senhor em breve.
Me levanto da cadeira, me dirijo à porta, mas antes de sair, olho para trás e decido dar uma última olhada no meu novo paciente. Ele me olha fixamente, parece estar calmo, e sem sinais de agressividade. Seja o que for o que o deixou assim, devo imaginar que foi algo bem sério. Mas, à julgar pelo detalhe que chamou minha atenção, a violência já o havia atingido, não naquele dia, mas tempos atrás. Pois afinal, havia cicatrizes em suas mãos, cicatrizes antigas, mas o que chamou a minha atenção foi uma cicatriz em especial. Aquela cicatriz.
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