Cura

2 Insônia


Entrei na sala do diretor, onde o ministro da saúde nos aguardava. O ministro Wagner, era um homem alto, com calvície avançada, beirava os 60 anos, tinha olhos escuros e firmes, e demonstrava firmeza em sua postura. Ele estava segurando uma pasta com alguns documentos do Ministério da Saúde, em um deles estava escrito "CURA", fingi não perceber o nome no documento, ele cumprimentou o diretor, e logo em seguida dirigiu-se à mim.

—Boa noite, doutor. — Ele disse.

—Boa noite, ministro.

—Então você é o médico do nosso novo paciente? Estou certo de que fará um bom trabalho.

— farei o melhor possível, senhor. — Demonstrei segurança.

Ele então se virou para o diretor e perguntou:

— Humberto, já sabe o que pode ter acontecido? Já sabe as possíveis causas?

—Ainda não, senhor. Mas minha equipe fará o possível. Estarei sempre buscando as repostas. E lamentamos o ocorrido.

— E você, doutor? Acha que pode cuidar desse caso? Já viu teve casos assim?

—Já tive pacientes que têm fichas de assassinatos. Creio que esse pode ter sido resultado de um surto, Fui vê-lo o mais rápido, conversei um pouco com o paciente, é cedo demais para apontar uma causa, sem um diagnóstico bem detalhado.

Ele olhou para mim, como se estivesse memorizando cada palavra que eu falava, então refletiu e disse:

—Excelente, faça isso o quanto rápido. O diretor Humberto ficará responsável por me atualizar dos resultados. Eu gostaria de conversar à sós com o diretor, se não se importar.

—De maneira alguma, ministro. Eu os deixarei agora.

— Foi um prazer conhecê-lo, doutor.

—O meu também, senhor.

Cumprimentei o diretor e deixei a sala. Me pergunto o que estariam conversando, e o motivo de chamarem. Passei apenas alguns minutos e respondi algumas perguntas. Só? Bom, mas agora poderei ir para casa. O dia foi cansativo, e teve esse último caso. Um caso de assassinato num complexo de alta segurança, quem poderia imaginar? E o documento nas mãos do ministro? Achei que ele seria usado para discutir sobre dados e informações do complexo, mas não. O ministro nem sequer abriu. Perguntas demais. No meu trabalho, perguntas são essenciais, porém, cansativas. Cheguei em casa, tomei um banho morno com o costume. Assistia um filme enquanto jantava. Logo ao deitar, meus pensamentos voltam ao documento nas mão do ministro. CURA. O que seria? Cura do que? Tentei afastar essas perguntas outra vez, sem sucesso, perco horas de sono. O dia me cansou, e o dia que virá, também.

Notas finais
Mais um capítulo para não perder o ritmo.