Cupid's Kiss
2 Parte dois - Romance é para os tolos
Notas iniciais
Sanji ficou estático por algum tempo. Não sabia como reagir diante aquele ato. Seus olhos, ainda abertos, fitavam as pupilas negras do Roronoa. Era como se aquele olhar o estivesse desafiando a continuar...
Lentamente Zoro incentivava movimentos labiais para o outro. Quando Sanji começou a entender como era para prosseguir, acabou fechando os olhos, instintivamente, a procura de aproveitar melhor o momento. Seus lábios pareciam se amoldar perfeitamente. E isso, com certeza, era melhor do que o anjo poderia esperar ou sequer imaginar.
No entanto, quando Zoro estava começando a aumentar o ritmo percebeu que o seu parceiro já estava completamente sem ar por sua falta de experiência. Afastando-se lentamente, ele observou a face extremamente corada e os lábios levemente inchados por causa do beijo. Naquele instante Zoro o achou adorável.
Espera aí! Já estava começando a achar adorável a mesma pessoa que horas atrás julgara insuportável? Só podia estar ficando louco.
Sentindo-se momentaneamente confuso, Zoro levantou-se e foi em direção ao banheiro. Fechou a porta sem se preocupar em trancá-la e observou seu reflexo no espelho oval na parede oposta. Por pouco, por muito pouco mesmo, ele não perdeu o controle. Era a primeira vez que um simples beijo o deixava tão louco assim. Tomaria uma ducha para tentar pôr em ordem a sua mente avariada.
Minutos mais tardes, quando se sentiu recomposto o suficiente e se retirou do banheiro, não avistou Sanji em seu quarto. Tendo um estranho pressentimento, começou a vasculhar todo o apartamento, mas não o encontrou em lugar algum.
Para onde ele teria ido?
*
Zoro olhava para o professor em sala sem realmente enxergá-lo. Sua mente ainda estava tentando entender o que havia acontecido. Já fazia dois dias que Sanji havia desaparecido e até então não dera sinal de vida. Será que a culpa havia sido dele? Bem, que Sanji havia dito que não estava preparado... Talvez não tivesse sido uma boa ideia insistir no beijo.
Desviou o olhar para o livro sobre sua mesa. De que disciplina era aquela aula mesmo? Ele nem sequer sabia. Estava se sentindo estranhamente desmotivado. A princípio ele achara que quanto antes o cupido fosse embora, melhor seria. Mas agora que Sanji sumira, ele até que estava sentindo saudade daquele loiro barulhento que lhe perseguia pra todo lugar. Não que ele fosse admitir isso em voz alta, isso jamais. Seu orgulho não permitia isso.
E o pior era o beijo.
O beijo que não lhe saia da cabeça. A todo momento se pegava pensando no beijo que dera no anjinho. Será que algum dia isso teria fim? Ele estava começando a achar que não.
— Roronoa! – a voz alta do professor invadiu dolorosamente seus ouvidos. O garoto ficou surpreso ao perceber que o professor agora estava parado ao seu lado com uma expressão nada amigável no rosto. Provavelmente ele havia o chamado por diversas vezes antes de Zoro finalmente despertar de suas divagações. – Sr. Roronoa, sugiro que preste atenção na aula, caso não queira fazer uma visitinha a diretoria.
Zoro não deu muita importância para a clara ameaça do professor, não era como se tivesse medo do diretor Garp, por isso apenas voltou a olhar para o quadro repleto de cálculos que ele nem fazia ideia de onde tinham vindo.
O professor cerrou os lábios, irritado por ter uma reação tão desmotivada vinda por parte do aluno, mas não fez mais alvoroço já que todos os outros alunos os olhavam atentamente. Muito a contragosto ele voltou para frente da sala e prosseguiu com a aula como se nada tivesse acontecido.
*
Após verificar o seu armário de correio na entrada do prédio e retirar um familiar pacote alaranjado de lá, subiu alguns lances de escadas para enfim avistar a porta do apartamento 04. Destrancou a porta quase que hesitante. Há dois dias que voltava para casa com uma minúscula fagulha de esperança dentro de si. Inconscientemente torcia para que o cupido tivesse voltado. Infelizmente, tudo não passava de uma tola ilusão.
Bufou, irritado.
Por quanto tempo ainda estava parado diante da porta de seu próprio apartamento? Sentia-se como um grande idiota. Bufou mais uma vez meneando a cabeça de leve e adentrou o ambiente. Zoro correu o olhar pela sala e pela parte visível da cozinha através do balcão americano, que separava os dois ambientes.
Suspirou, coçando a nuca. O que exatamente estava procurando?
— Tsc.
Abriu o pacote alaranjado endereçado em seu nome e averiguou rapidamente o seu conteúdo. No interior do envelope estava um cheque no valor de uma quantia além do suficiente para ele sobreviver, juntamente com um cartão postal da imagem da Torre Eiffel. Virou o verso e leu em voz alta a mensagem ali escrita.
— “Como você está, filho? Espero que esteja bem e se alimentando direito! Ah, você deve ter percebido que agora estamos na França. A viagem continua sendo ótima! Logo mais estarei ligando para você para saber das novidades, ok? Beijos!” – os traços delicados e curvados era característicos das letras de sua mãe. E ao final das anotações ainda havia um desenho misterioso, que depois de muito analisar, Zoro identificou como uma tentativa de auto-retrato de seus pais.
Desde que seus pais decidiram do nada fazer uma viagem ao redor do mundo que ele passara a morar em um apartamento nos arredores da escola por escolha própria. Seus pais, logicamente, foram contra isso, mas nada o fez mudar de ideia. Ele não queria ser arrastado nos impulsos loucos dos pais. Só queria seguir na sua vida do modo mais normal possível. E só depois de explicar isso para seus pais, é que eles aceitaram, mesmo que meio a contragosto. E embora Zoro também tenha dito que iria arranjar um emprego de meio período e que eles não precisavam se preocupar quanto aos custos, seus pais continuavam mandando dinheiro uma vez por mês.
— Tsc.
Deixou o cheque e o cartão postal sobre a mesa da cozinha e foi em direção ao corredor que levava a duas portas. A mais próxima da cozinha era o seu quarto — que, aliás, era uma suíte — enquanto que a outra porta era um segundo quarto sem uso. Há algum tempo dividira o apartamento com um colega de classe, mas este precisou se mudar ao saber que a mãe estava doente. A pressa do menino fora tamanha que nem se importou em levar os próprios móveis assim deixando o segundo quarto todo mobiliado.
Empurrou a porta do seu quarto com o pé e assim que adentrou o aposento, jogou a mochila aos pés da escrivaninha. Retirou os sapatos sem muita atenção, deixando-os no mesmo canto que os tirou, e já puxava a barra da camisa quando se deu conta que não estava sozinho.
Em cima da sua cama, de pernas cruzadas, estava o cupido loiro que lhe causara tanta inquietação em seus pensamentos. O rosto de Sanji estava levemente ruborizado e parecia até meio surpreso. Seus olhos arregalados e sua boca entreaberta somente enfatizavam isso. Em suas mãos estava uma revista de curiosidades que Zoro até esquecera que a tinha comprado.
Mas... Tinha algo errado naquela cena. Como se estivesse faltando algo.
— Onde estão suas asas? – perguntou assim que um “clique” em sua mente fez todo o sentido.
O loiro piscou, voltando a realidade, e pigarreou baixinho desviando o olhar.
— Eu não lhe disse? Posso mudar o tamanho das minhas asas... – e como que para provar que estava dizendo a verdade ele inclinou um pouco o corpo e mostrou asas brancas do tamanho de uma palma. Depois ele voltou a sentar ereto, mas ainda fitando algum ponto muito interessante no chão.
Zoro arqueou a sobrancelha, achando estranho o comportamento do outro, mas decidiu ignorar isso. Afinal, tinha assuntos mais importantes no momento.
— Onde você esteve? – perguntou direto.
— Eu... Eu estava vendo a situação de outras pessoas que também precisavam de ajuda na vida amorosa. – coçou a bochecha, sem jeito. – Não estou responsável só por você. Na verdade, estou responsável por toda a cidade.
Zoro continuou fitando o cupido em silêncio por alguns minutos. Como suas bochechas ainda estavam meio rosadas, supôs rapidamente que ele estava envergonhado. Seria pelo beijo?
— Deve ter ajudado muita gente nesses dois dias. – sentou-se na cadeira da escrivaninha, ainda sem deixar de fitar o anjo. Sentia como se caso tirasse os olhos dele, ele sumiria como da última vez. E Zoro não o deixaria desaparecer assim tão fácil.
— B-bem... Na verdade, só duas pessoas precisavam realmente de ajuda... Eu só demorei um pouquinho mais pra voltar como um favor pra você... – murmurou enquanto mexia distraidamente na revista em mãos.
— Favor?
— É, sabe. Você me mostrou como é um... – ele engoliu em seco, desviando os olhos azuis para as próprias mãos. – Um beijo. E como você parecia chateado com a minha presença, achei melhor deixar você em paz por uns dias como recompensa.
O outro franziu as sobrancelhas por um momento e depois revirou os olhos. Aquela recompensa era a mais sem sentido que poderia ter recebido. Só um anjo idiota para pensar em algo como aquilo...
Levantou-se da cadeira e iria entrar no banheiro quando outra questão atravessou sua mente.
— Vai sair de novo?
Sanji levantou o olhar, aparentemente se esquecendo da própria vergonha, e fitou pela segunda vez o Roronoa naquele dia.
— Hã? Ah, não. Não sinto muitos problemas nessa cidade... Você deve ser o mais grave. – respondeu, inclinando o rosto. Não entendia o motivo dele perguntar isso. – Mas irei embora assim que seu problema for resolvido.
Satisfeito com a resposta, ele adentrou o banheiro. Embora não admitisse, ele se sentia um pouco mais tranquilo. E quando olhou seu reflexo no espelho, percebeu que estava sorrindo inconscientemente.
*
— Não me venha com essa, cabeça de alga! – bufou o anjo, indignado. – Não há uma pessoa na terra que realmente deseje ficar só!
Zoro o ignorou, pois estava andando em um corredor repleto de alunos e se o vissem conversando com o “ar” com certeza ligariam para notificar seus responsáveis. E ele não queria uma visita inesperada de seus pais.
Sanji flutuava acima dos estudantes para não correr o risco de esbarrar neles sem querer.
— Pare de agir como uma criança birrenta e leve o assunto a sério, Roronoa! – exigiu o loiro, voltando a berrar nos ouvidos do outro.
Uma veia precipitou-se no alto de sua têmpora. Aquele anjo parecia gostar de gritar em seus ouvidos. E, aproveitando que à medida que se afastava do fuzuê perto da diretoria e os corredores se tornavam mais vazios, Zoro o puxou pelo braço para dentro de uma das salas vazias, fechando a porta logo em seguida.
— O que pensa que está fazendo, marimo idiota?! – reclamou Sanji, livrando-se da mão que o puxara. Encarou furiosamente o moreno, enquanto pousava sutil no chão e reduzia o tamanho de suas asas. – Você tem que crescer e parar de fugir dos seus sentimentos! Até quando pretende ser um covar—
Zoro o puxou pelo braço com força, o fazendo bater as costas contra a parede. Em seguida o imobilizou com seu corpo, encostando os braços na parede ao lado da cabeça do cupido.
— Você realmente me acha com cara de covarde? – indagou com um meio sorriso nos lábios. Já havia se passado uma semana desde a volta do anjo ao seu apartamento e até agora a memória do único beijo que trocaram lhe invadia os pensamentos. Uma estranha vontade de tocar em Sanji surgira e parecia crescer mais e mais à medida que o tempo passava. Seus olhos fitaram distraidamente a boca do loiro. – Eu não estou fugindo de nada. É você que está querendo me forçar a me apaixonar por alguém.
— Do que está falando? – respondeu quando se recuperou do choque momentâneo. Um leve rubor tomou suas bochechas ao perceber que o Roronoa estava perto até demais. Mas logo jogou qualquer outro pensamento confuso fora e agitou a cabeça de um lado para o outro. Precisava se concentrar no seu trabalho. – Eu apenas estou tentando lhe ajudar! Eu já pressenti que você vai se apaixonar, então nem adianta tentar resistir!
Sanji só não sabia que para Zoro aquela frase poderia ser interpretada de outra forma. Se Zoro realmente parasse de tentar resistir, acabaria violando o inocente anjo que não sabia dos efeitos que causava ao outro. O moreno respirou fundo uma, duas, três vezes para retomar a ordem de seus pensamentos.
E como nenhuma reposta veio do outro, Sanji continuou.
— Eu já disse que só lhe deixarei em paz quando tiver meu trabalho cumprido. E acredite, eu também tenho métodos nada ortodoxos!
Zoro riu se afastando um pouco do loiro.
— Métodos nada ortodoxos? Não consigo imaginar algo assim vindo de um anjo...
Sanji estreitou os orbes azulados.
— Está duvidando de mim?
O outro apenas riu mais uma vez, deixando o anjo extremamente irritado.
Uma bola de luz branca surgiu na palma esquerda de Sanji e antes que Zoro pudesse questionar o que era aquilo, a luz se dissipou e em seu lugar um arco prateado apareceu. O jovem de cabelos esverdeados piscou confuso.
— O que é isso?
— Nunca ouviu falar das famosas flechas do amor? – o loiro deu um sorriso que Zoro jurou ser sádico. Logo depois de fazer essa pergunta retórica, uma esfera luz, semelhante a que apareceu na mão direita, surgiu na mão esquerda, sendo esta última ligeiramente menor. E no lugar dessa esfera de luz apareceu uma flecha, também prateada, bem pontiaguda por sinal.
— Peraí! Você vai atirar uma flecha em mim?! – arregalou os olhos vendo o loiro mirar em si com uma expressão séria.
Sanji nada respondeu, fazendo o Roronoa retroceder um passo instintivamente.
— Oe... As flechas do amor não deveriam ter pontas, deveriam? – sentiu uma gota de suor deslizar em suas costas. Ele não estava levando aquilo a sério, estava?
Mal a ideia de desviar surgiu em sua mente, a flecha lhe atingiu em cheio sobre o peito. O loiro nem sequer hesitara ao realizar o movimento de soltar o cordão, assim lançando a flecha. Porém o mais estranho não foi não ter visto a flecha se aproximar, mas sim a ligeira coceira que surgiu onde a flecha lhe perfurou.
Franziu o cenho, abaixando o olhar para a flecha prateada. Por que estava coçando e não doendo?
No entanto, algo mais peculiar aconteceu em seguida. Como se fosse de areia, a flecha se desfez em um pó reluzente que quando tocava o chão desaparecia.
— Mas... O que foi isso? – a voz de Sanji espalhou-se pelo aposento.
Zoro levantou o olhar.
— Não seria eu que deveria estar perguntando nisso?! Você mata as pessoas que não conseguem encontrar sua suposta alma gêmea?! – esbravejou, irritado.
Sanji levou a mão ao queixo, adotando uma expressão pensativa.
— Não precisa ficar preocupado. Flechas de cupido não matam, mas também não deveriam se desintegrar dessa forma... – o loiro puxou uma cadeira para se sentar. – Geralmente elas são absorvidas pelo alvo acertado, se tornando uma espécie de “estimulante” para o amor...
Zoro resmungou algumas palavras ininteligíveis, indo em direção a saída da sala. O sinal para o início do quarto período soara, indicando que todos os alunos deveriam retornar para suas respectivas salas. O anjo estava tão concentrado em tentar achar uma explicação para o acontecido que nem notou quando o outro saíra do ambiente.
*
Era estranho e ao mesmo tempo tranquilo quando o anjo não estava por perto. Estranho porque, de alguma forma, Zoro se habituara a falação interminável do loiro ao pé do seu ouvido; e tranquilo porque seus recentes desejos nada íntegros suavizavam-se quando estava longe do loiro. Mas apenas se suavizavam.
Zoro guardou seu caderno na mochila e a pendurou em seu ombro. O toque estridente que era sinal da liberação das aulas ecoava por toda a escola. Os alunos a muito tempo que haviam saído feito uma manada de búfalos enlouquecidos em direção a saída. Zoro ainda passou em um supermercado antes de ir para casa, pois precisava comprar algo para almoçar. Fez tranquilamente seu trajeto para casa, sem pressa alguma. Sabia que o anjo estava a sua espera e isso já o deixava relaxado.
Já fazia dois dias desde que Sanji havia atirado uma flecha nele e desde então o anjo permanecia em seu apartamento, pensativo. Às vezes pegava ele lançando olhares suspeitos para cima de si, e isso só intrigava a Zoro. Algo lhe dizia que Sanji estava tramando alguma coisa, mas não sabia ao certo o que.
Destrancou a porta quase em movimentos automáticos e após passar por ela, fechou-a. Jogou a bolsa sem qualquer cuidado sobre o sofá e levou a sacola com os itens comprados para a cozinha. Somente depois de guardar o sorvete e a garrafa de refrigerante na geladeira, é que ele se dirigiu para o quarto.
Logo avistou Sanji jogado em sua cama – aparentemente era lá seu local preferido – rabiscando algo na mesma prancheta branca do primeiro dia. O loiro estava tão concentrado no que estava fazendo que nem percebeu quando o Roronoa retirou algumas peças de roupa do guarda-roupa mogno e passou reto para o banheiro. Quando o mesmo concluiu seu banho, Sanji já havia terminado seja lá o que ele estivesse rabiscando na prancheta.
— E então, como foi seu dia? – Sanji perguntou após sentar-se na cama.
Zoro arqueou de leve a sobrancelha.
— Bem.
O loiro o fitou como se procurasse algum sinal de mentira.
— Não se apaixonou hoje?
O moreno agora tinha o cenho franzido.
— Não.
— Tem certeza? – insistiu o outro, sentindo-se levemente irritado pelas respostas monossilábicas.
— Sim. – disse enquanto procurava seu iPhone no meio da bagunça do quarto e enxugava os cabelos com uma toalha azul-marinho de modo despreocupado.
Sanji revirou os olhos, passando a retirar a embalagem de um pirulito abandonado sobre o criado-mudo ao lado da cama. Aquela ação acabou chamando a atenção de Zoro, que passou a observar atentamente o loiro saborear a guloseima.
— Anjos comem? – perguntou sem desviar os olhos dos movimentos que o anjo fazia com o pirulito, jogando a toalha em um canto qualquer.
— Hã? – o cupido franziu o cenho confuso, somente se dando conta do que ele estava falando segundos depois. – Bem, precisar não precisamos. Mas podemos comer se quisermos... Por quê?
— Hm, nada não. – respondeu se aproximando da cama, ainda sem parar de fitá-lo. E antes que pudesse pensar em suas palavras, ele perguntou:
— Você conhece outros tipos de beijo?
Ao ouvir aquela pergunta do nada, Sanji engasgou de leve, quase engolindo o pirulito com palito e tudo. Aquela pergunta era definitivamente estranha e com certeza inesperada. Antes de se dar ao trabalho de respondê-lo, Sanji manteve o pirulito longe de sua boca por precaução. Não deveria ser nada agradável caso acabasse engolindo-o por causa de algum susto.
— Você sabe que não! – exclamou o loiro exaltado para logo depois desviar o olhar para o chão.
Zoro deu um meio sorriso e subiu na cama, ficando de joelhos e de frente para o cupido.
— O que pensa que está fazendo?! – Sanji perguntou já sentindo as bochechas ficarem vermelhas por causa da aproximação nada discreta do moreno.
Zoro apenas manteve o meio sorriso e segurou de leve o queixo do outro entre seu dedo indicador e polegar.
— Achei que você gostaria de descobrir outras formas de beijar...
O anjo corou de orelha a orelha, mas nada respondeu em contrariedade. Na verdade, ultimamente sentia-se meio “enfeitiçado” pelo Roronoa. A cada gesto, a cada palavra pronunciada pelo moreno uma agitação explodia em seu peito. Ele, logicamente, não sabia o que era aquilo, mas percebeu que essa agitação crescia ainda mais quando Zoro se aproximava dele.
Seria coincidência?
Ele achava que não.
E como o loiro somente conseguiu engolir em seco, o moreno decidiu prosseguir. Aproximando-se com o olhar predatório, Zoro inclinou-se sobre Sanji e tomou seus lábios por uma segunda vez. O anjo, desta vez, correspondeu de imediato, fechando os olhos para aproveitar melhor o momento.
Uma sensação de plenitude preencheu a ambos, embora eles nem desconfiassem disso. As mãos tímidas e sem jeito de Sanji deram a volta no pescoço dele com certo receio, e se aproveitando disso, Zoro puxou-o para mais perto e após segurar-lhe a nuca firmemente, forçou-lhe a aprofundar o beijo.
Sanji arfou surpreso quando sentiu a língua quente e ávida lhe invadir a boca, mas não só não o interrompeu como tentou responder-lhe a altura. E até certo ponto estava realmente conseguindo, pois aos poucos os movimentos incertos e imprecisos se tornavam mais determinados e ousados. Zoro o parabenizou mentalmente e quando sentiu necessidade de romper o contato para recuperar o ar, sugou-lhe sensualmente o lábio e não pôde evitar o sorriso em seus lábios quando viu o estado de seu parceiro.
Sanji respirava entre grandes ofegos. Suas bochechas estavam totalmente rubras e ele permanecia de olhos fechados, como que querendo prolongar as sensações que havia partilhado segundos antes.
— Sabe, acho que terei que virar seu instrutor particular. – comentou enquanto continuava a avaliar a expressão envergonhada do outro.
O anjo abriu os olhos azulados e fitou-o sem compreender.
— Como assim? Instrutor de que?
Zoro sorriu malicioso, se levantando da cama e indo em direção a porta do quarto que levava ao corredor.
— De beijos, oras. O que mais você queria? – riu quando ao lançar um olhar de relance para o loiro o flagrou com uma expressão dividida entre o espanto e incredulidade.
Zoro sentia que muita diversão estava a caminho.
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