Cupido

2 Capítulo 2 — Pequenas Coisas


C U P I D O

Quando Leo finalmente tomara coragem o suficiente para ir ao local que desenhara já estava anoitecendo, o céu já se encontrava escuro e o sol parecia estar em seus últimos momentos iluminando o dia. Fora desanimado o caminho inteiro, milhões de pensamentos correndo por sua mente, muitos deles negativos, não achava que o que tinha feito era o bastante. Nem sabia se o que estava fazendo era considerado algo romântico – que dirá algo bom o bastante para uma declaração de amor.

Mas ao finalmente se ver próximo da árvore que havia levado ao papel se surpreendeu ao achar algo fixado no tronco da árvore. Uma foto instantânea, daquelas maquinas fotográficas que quando batida a foto já saia revelada. A paisagem? Uma que Leo vira várias vezes ao escalar aquela árvore.

Sorriu um sorriso largo e levemente travesso, com aquele jeito de criança. Aquela era a resposta que esperava, talvez fosse mais do que esperava, nunca havia visto Calipso com uma máquina fotográfica – sem contar com seu inseparável telefone celular – e nem mesmo sabia que a mesma gostasse de fotografia, a não ser a que envolvesse seu curso de moda e design.

Calipso se mostrava cada vez mais surpreendente.

xx

Nico chegara a seu dormitório exausto. Depois de sua pequena aventura pelas ruas, antes desconhecidas por si, da cidade ele ainda teve que ir visitar sua meia irmã na casa de sua avó materna. Hazel ficara extremamente feliz em vê-lo, o que de longe não agradou a mulher de idade que era forçada a cuidar da criança.

E era por isso que Nico ficou feliz por ter conseguido um apartamento, assim como também era o motivo para ele ter deixado sua vida na Itália para trás, tudo por sua meia irmã que até quase um ano atrás ele nem mesmo sabia da existência. Tudo por culpa de seu ausente e inconsequente pai, que Nico torcia para não ver em um bom tempo, nada de bom vinha de suas visitas, bom com exceção de Hazel, mas a pequena mulata ainda era um peso a mais nos ombros do jovem italiano, já que a pequena mesmo sendo uma bola de energia passava pelo fardo de ser muda.

Nico gostava de Hazel, ela era como um feixe de esperança e calor – carinho – em seus dias monótonos e repletos de dificuldades com a comunicação e o que vinha no pacote sendo um universitário. Nico havia se mudado para a América com somente esperança de finalmente ter uma família novamente e com seu pouco conhecimento da língua estrangeira.

Era difícil sobreviver com seu inglês quebrado cercado por jovens que eram cruéis ao ponto de zombarem dos erros que Nico cometia em falar o idioma ou no modo grosso que seu sotaque italiano atrapalhava em sua dicção. Era difícil ter que arcar com tudo sozinho, mas ele ainda conseguia apreciar poucas coisas, como a pequena cafeteria italiana em que trabalhava e que existia a duas esquinas da faculdade – o que o fazia se lembrar com um que de saudade de sua velha terra natal – e dos momentos que passava com Hazel, ou nas pequenas conversas que tinha com a velha senhora que sempre aparecia na cafeteria logo cedo de manhã, como era gostoso de escutar histórias da idosa com aquele seu sotaque russo que era quase impossível de se perceber, mas que ainda se encontrava ali.

E Nico pode ter considerado ou não acrescentar o curioso desenho e seu dono como uma dessas pequenas coisas que ele veio a apreciar ao se mudar para aquele país.