Cupcake

7 Quer um beijinho?



Taehyung e Jin trocavam olhares surpresos, tentando compreender a cena diante deles. Jimin, por sua vez, esqueceu até mesmo de respirar no momento em que sentiu a mão quente e gentil daquele desconhecido tocar sua bochecha. Seu corpo congelou, e por um instante, tudo que conseguia sentir era o leve roçar dos dedos de Jungkook em sua pele.

— Estava sujo de farinha aqui, — disse Jungkook com um sorriso suave, a voz baixa, quase como se falasse apenas para ele.

— O-obrigado… — murmurou Jimin, finalmente lembrando de respirar, soltando o ar preso nos pulmões enquanto seu coração martelava em um ritmo descompassado.

Taehyung os observava com a testa levemente franzida, sem entender exatamente o que estava acontecendo, mas preferiu não comentar. Já Jin segurava um sorrisinho discreto nos lábios, claramente divertindo-se com a situação e planejando mentalmente as provocações que faria mais tarde ao filho.

— Jimin, esse é nosso cliente VIP, Jungkook, e o pai dele, Jin, — repetiu Taehyung, voltando ao tom profissional. — Trouxe eles para conhecerem a loja.

— Ah… olá, — disse Jimin, ainda um pouco sem jeito, desviando o olhar dos olhos intensos de Jungkook. Respirou fundo e, tentando manter a compostura, curvou-se em uma reverência educada. — É um prazer conhecê-los. Espero que estejam gostando do nosso cantinho doce.

— Estou adorando, — respondeu Jungkook, olhando fixamente para Jimin.

E, naquele instante, embora recém apresentados, ambos sentiam, mesmo que não soubessem dizer como ou por quê, que aquilo não era apenas o início de uma amizade. Era algo mais.

— É claro que está adorando. Temos os melhores bolos e os confeiteiros mais gatos e mais sexy — Taehyung sorriu orgulhoso.

— Não vou negar — Jin olhou Taehyung de cima a baixo, conferindo o material.

Jungkook olhou pro pai e balançou a cabeça negativamente.

— Não liguem pro meu pai — sorriu sem graça e disfarçou — Bem… a sua loja tem um ambiente muito agradável e confortável. É gostoso passar a tarde aqui lendo um livro e tomando café com um pedaço de bolo — Jungkook falou com um sorriso no rosto, ainda olhando para Jimin.

— É um sonho desde criança — Jimin olhou para Jungkook e sentiu seu rosto corar. Então desviou o olhar.

— Que bom que está se realizando. Pode ter certeza que serei um cliente fiel.

— Fico feliz por ter um cliente fiel tão… — Jimin fez uma pausa.

“Gostoso” — pensou Jimin.

— Tão? — perguntou Jungkook.

— Tão… simpático — Jimin sorriu timidamente.

— Jimin, você tá bem? — Taehyung se aproximou e colocou a mão em sua testa — Está vermelho, deve ser febre. Tá trabalhando demais, precisa descansar.

— Tae… eu to bem — Jimin tirou a mão de Taehyung de sua testa e olhou brevemente para Jungkook.

— Ele tem razão, precisa descansar — Jungkook sorriu para ele.

— Então… — Jin entrou na conversa com um sorriso casual, até então apenas observando tudo com atenção. — Taehyung, me mostre o jardim. Não tive oportunidade de ver ainda.

— Ah, claro! É muito lindo nessa hora do dia, — respondeu Taehyung, animado. — Vamos lá, Jungkook, venha com a gente…

— Ah, não, não, — Jin interrompeu, colocando a mão no ombro do filho com naturalidade. — Meu filho não gosta muito de flores.

Taehyung franziu o cenho.

— Não consigo imaginar alguém que não goste de flores, — murmurou com um sorriso confuso, mas deu de ombros e saiu do cômodo.

Antes de seguir, Jin lançou um olhar rápido para Jungkook e piscou discretamente, disfarçando com perfeição. Então, girou nos calcanhares e acompanhou Taehyung pelo corredor, deixando os dois jovens sozinhos na cozinha.

Jungkook soltou um suspiro leve ao ver a porta se fechar e, então, voltou seus olhos para Jimin.

O clima havia mudado.

Jimin ajeitou o avental, claramente sem saber o que dizer, enquanto Jungkook o observava com um sorriso calmo no rosto, como se admirasse uma obra de arte que finalmente encontrara pessoalmente.

— Você… sempre faz bolos assim? — Jungkook quebrou o silêncio, apontando com o queixo para a massa que Jimin mexia. — Quero dizer… são realmente incríveis. Acho que nunca comi algo tão bom.

Jimin riu baixinho, um pouco tímido, mas lisonjeado.

— Obrigada… fico feliz que tenha gostado. Eu coloco muito de mim neles. Sempre achei que doces podem carregar sentimentos, sabe?

— Eu senti isso, — disse Jungkook, com sinceridade. — Foi como… um abraço. Um daqueles que a gente nem sabia que precisava.

Jimin ergueu os olhos, surpreso pela delicadeza da resposta.

— Então a Magic Shop está cumprindo com seu propósito — Jimin sorriu.

— Isso é incrível! — disse Jungkook, ainda admirado. — Como se sente sendo dono do próprio negócio mesmo sendo tão novo?

— Não vou mentir, passamos por muitos perrengues até conseguir abrir a confeitaria, — respondeu Jimin, rindo com leveza. — Mas não desistimos. Cada obstáculo que surgia, a gente dava um jeito de contornar. E... bom, também não sou tão novo assim, — completou, rindo. — Tenho vinte e cinco anos já.

— Uau! — Jungkook o olhou com genuína surpresa. — Carinha de bebê.

Jimin riu, baixando os olhos para esconder o sorriso tímido. Suas bochechas ardiam, e ele não sabia exatamente o motivo de estar tão envergonhado, afinal, nem fazia tanto tempo que estavam conversando. Mas havia algo na forma como Jungkook falava, na intensidade calma do seu olhar que o deixava vulnerável.

— Ah... obrigado, — disse, tentando parecer natural. — Tudo isso aqui é uma nova experiência pra mim. Confesso que tive medo de falhar, muitas vezes. Mas eu tive apoio. Meus amigos foram incríveis.

— Taehyung e o marido dele, Yoongi?

— Eles mesmos, — Jimin assentiu com carinho no olhar. — Sem eles, nada disso teria sido possível. Eles são a minha família.

Jungkook hesitou por um segundo, e então, com delicadeza, perguntou:

— Seus pais…?

Mas antes que completasse a frase, parou, temendo tocar em uma ferida.

Jimin, porém, sorriu de forma gentil.

— Você não precisa ficar com receio. — Seus olhos, embora calmos, carregavam uma maturidade serena. — Meus pais morreram em um acidente quando eu era muito jovem, então eu nem cheguei a conhecê-los. Fui criado pelos meus tios. Mas eu nunca me senti incluído naquela família. Minha única companhia era o Tae, meu vizinho e amigo de infância. Na faculdade conhecemos Yoongi, eles se casaram e eu fui junto. De alguma forma, eu encontrei neles a minha família. — Jimin sorriu.

Jungkook o observou por alguns segundos, como se aquele sorriso sincero tivesse lhe atingido de uma forma inesperada.

— Que bom que tem pessoas assim ao seu lado, — ele disse com suavidade, retribuindo o sorriso. — Família nem sempre é do mesmo sangue, né?

Jimin assentiu, os olhos brilhando um pouco mais do que antes.

— E você? — Jimin perguntou com delicadeza. — É só você e o seu pai, o Jin?

— Sim, — assentiu Jungkook. — Meu outro pai faleceu quando eu era bebê. Ele era bombeiro… morreu salvando algumas pessoas em um incêndio.

— Ah… — Jimin baixou os olhos. — Sinto muito.

— Tudo bem. — Jungkook deu um pequeno sorriso. — Assim como você com sua mãe, eu não cheguei a conhecê-lo. Claro que tenho respeito, ele foi um herói, mas… não tenho lembranças. É uma tristeza estranha, sabe? A de algo que você sente falta mesmo sem ter vivido.

Jimin o olhou com atenção. E entendeu. Completamente.

— Tenho algo que pode te animar, — disse com um brilho travesso nos olhos.

— O quê? — Jungkook se inclinou um pouco para frente, curioso.

— Um beijinho. — Jimin sorriu malicioso.

— Um beijinho? — Jungkook mordeu levemente o lábio inferior, se divertindo. — Isso realmente vai me fazer bem.

— Então fecha os olhos... — Jimin disse, já pegando algo na bancada.

Jungkook respirou fundo, fechou os olhos devagar e, com um sorrisinho nos lábios, fez um biquinho.

— Abre a boca um pouco, — pediu Jimin.

Jungkook obedeceu, ansioso... e então sentiu algo doce encostar em sua língua. Abriu os olhos surpreso, mastigando.

— Ah… era esse o beijinho… — murmurou, mastigando o doce, mas claramente indignado.

— Está ruim? — Jimin perguntou com um olhar dramático, fingindo tristeza.

— Não, tá uma delícia… mas eu fui tapeado!

— Tapeado por quê?

— Achei que fosse outro tipo de beijinho… — respondeu Jungkook com um olhar cheio de intenção.

— Não sei do que está falando, — Jimin se fez de desentendido, mas o sorriso travesso no rosto o entregava.

— Ah, não sabe, né? Esqueceu que sou cliente VIP?

Jimin deu uma risadinha e, como quem não quer nada, se aproximou.

— Já que é assim… — se ergueu na ponta dos pés e deu um beijo rápido na bochecha de Jungkook.

Ele congelou por um segundo.

— Isso foi… — levou a mão à bochecha, onde os lábios quentes de Jimin haviam tocado.

— Foi o quê? — perguntou Jimin, fingindo inocência.

— Interessante…

— Sempre que vier me ver, te dou um beijinho, — sussurrou Jimin com um sorriso sugestivo.

— Pode apostar que estarei aqui todos os dias. Vou acabar com seu estoque de beijinhos.

— E provavelmente vai morrer de diabetes.

— O que posso fazer? — Jungkook riu. — Adoro comer doces.

Jimin se aproximou mais, e sua mão pousou com suavidade sobre o peito de Jungkook.

— Então você gosta de coisas doces? — sussurrou, os olhos brilhando. — Ficarei honrado em te proporcionar esse prazer.

— Mal posso esperar, — disse Jungkook, levando a mão até a cintura de Jimin, os dois mergulhados em uma tensão doce e elétrica… até que a porta se abriu com força e Taehyung entrou como um furacão, berrando.

— Jimin!

— Que é, cão?! — resmungou Jimin, visivelmente irritado pela interrupção.

— Uma moça deixou currículo com o meu Yoonie. Amanhã podemos entrevistar os candidatos pra vaga de balconista, né?

— Perfeito. Amanhã tá tranquilo, sem encomendas.

— Vocês estão contratando? — perguntou Jungkook, a curiosidade transbordando.

— Sim. Duas vagas pra balconista, uma pro caixa e uma pra gerente da loja. O Yoonie não dá conta de tudo, ele estuda e ainda tem outro trabalho, — explicou Taehyung.

Jungkook sorriu, vendo ali a oportunidade perfeita de estar mais perto daquele rapaz de sorriso tímido, pele de porcelana e um inexplicável cheiro de baunilha que o deixava levemente tonto.

— Posso me candidatar? — perguntou Jungkook com os olhos fixos em Jimin.

Notas finais
Ta contratado, JK! Já passou no teste, precisa nem mandar o currículo!