A entrevista durou quase uma hora, mas poderia facilmente ter se estendido por mais, e não apenas por causa das perguntas. Jimin estava genuinamente impressionado com o currículo de Jungkook. Era impecável. Com aquela formação sólida, vindo das melhores universidades do Ocidente, ele poderia conseguir um emprego em qualquer empresa renomada, com um salário generoso e estabilidade garantida. E ainda havia o charme extra: Jungkook havia nascido em Londres, e seu inglês fluente com um leve sotaque britânico soava adorável aos ouvidos de Jimin. Era difícil não sorrir ao ouvi-lo falar.

Entre uma pergunta e outra, os dois se pegavam trocando olhares e sorrisinhos tímidos, como se conversassem em um idioma só deles. Ainda tentavam encontrar pretextos para prolongar aquele momento, mas o assunto aos poucos se desviava da entrevista, e a chegada de Taehyung batendo à porta com um relatório trouxe Jimin de volta à realidade.

— Bem, então… entrarei em contato, Jungkook — disse Jimin, levantando-se e estendendo a mão.

— Ficarei no aguardo, Chef Park — respondeu Jungkook, apertando sua mão com um sorriso gentil, que fez o coração de Jimin bater mais rápido.

Taehyung o acompanhou até a saída, desejando-lhe sorte. Jungkook se despediu, mas saiu dali como quem deixa um sonho para trás. Voltou para casa com uma expressão que misturava encantamento e euforia, como se estivesse levemente embriagado. Caminhava com leveza, sorrindo sozinho cada vez que lembrava do sorriso de Jimin, dos olhinhos que se fechavam ao rir, da maneira delicada como conduziu a entrevista.

Mais do que nunca, estava ansioso para saber o resultado. Mas, acima de tudo, queria vê-lo novamente.

Naquela semana, todas as manhãs, Jungkook aparecia na confeitaria como um ritual. Jimin, pontual e sorridente, fazia questão de recebê-lo pessoalmente, reservando um tempinho para sentarem juntos à mesma mesa e tomarem café. Aqueles pequenos encontros diários foram o que salvaram Jungkook da ansiedade crescente enquanto aguardava o resultado da entrevista.

Na sexta-feira, o telefone finalmente tocou. O número na tela fez o coração de Jungkook acelerar como se fosse a primeira vez. E, como já era esperado por todos, menos por ele, que ainda duvidava da própria sorte, Jimin anunciou que ele havia sido selecionado para a vaga. Pediu que estivesse na Magic Shop na segunda-feira bem cedo para seu primeiro dia.

O fim de semana, porém, arrastou-se com uma lentidão quase cruel. A expectativa era tanta que Jungkook sequer conseguia dormir direito. Mas, enfim, chegou a tão esperada segunda-feira. E lá estava ele, a caminho do trabalho com um sorriso no rosto e o coração leve, curioso com o que o aguardava naquela nova rotina ao lado de Jimin.

Entrar na Magic Shop antes da abertura era como ver os bastidores de um espetáculo. O ambiente, sempre tão vivo e acolhedor, agora estava mais silencioso, com algumas luzes ainda apagadas. O aroma doce da confeitaria ainda se espalhava devagar, como se despertasse junto com a cidade.

Yoongi estava passando pano no chão da entrada com sua habitual cara de poucos amigos, mas acenou discretamente ao vê-lo. Já Taehyung cantarolava alguma música animada enquanto preparava brigadeiros na cozinha.

Jungkook respirou fundo, sentindo-se feliz por estar ali. Era o início de uma nova fase, e talvez, quem sabe, de um novo sentimento.

— Bom dia, Jungkook — Jimin se aproximou com um sorriso doce. — Chegou cedo!

— Bom dia, Jimin — Jungkook retribuiu o sorriso. — Quero que tenha uma boa primeira impressão do seu novo funcionário.

“Já tenho, meu querido” — Jimin o observou de cima a baixo, disfarçando com um pigarro.

— Creio que terei. Venha, antes de começarmos, vamos tomar um café e comer algo. Preparei panquecas.

Sentaram-se juntos e, mesmo que pouco fosse dito, os olhares e sorrisos trocados diziam tudo. Yoongi, que limpava o balcão por perto, percebeu a troca intensa de energia entre os dois. Balançou a cabeça, resignado. “Esses dois estão tão fudidos” pensou ele. Decidiu dar o fora para não atrapalhar o possível futuro casal, e claro, para ver seu marido.

Na cozinha, Taehyung cantarolava enquanto organizava os ingredientes.

— Taehy — disse Yoongi com a voz manhosa, abraçando-o por trás.

— Yoonie? — Taehyung se virou, estranhando o tom. Não que não gostasse, apenas sabia o que aquilo significava. Yoongi só ficava assim em três situações: com sono, bêbado ou excitado.

— Me dá um beijo? — Yoongi pediu, fazendo biquinho.

Taehyung sorriu e o beijou lentamente.

— Hum… deixa eu ver — se afastou minimamente, examinando o marido. — Você dormiu cedo ontem, então não tá com sono, também não tá bêbado. — ele sorriu malicioso. — Ou seja, você tá manhoso porque...

Nem precisou terminar.

— Odeio que você me conheça tão bem — Yoongi fez mais um bico fofo.

— Cinco anos de casados, dois de namoro e mais dois de enrolação, já deu tempo de decorar até o significado do seu biquinho.

Taehyung passou os braços ao redor da cintura de Yoongi e o ergueu com facilidade.

— Mas, sobre o motivo dessa manha toda… vamos resolver isso?

— Taehy… aqui não!

— Mas você tá com vontade, né?

— Tô… mas aqui, não. Seu doido.

— Já sei! — Taehyung tirou o avental e lavou as mãos. — Ainda temos tempo antes de abrir a loja. Que tal dar uma fugidinha rápida até em casa?

Ele ajeitou Yoongi no colo e começou a beijar seu pescoço. A resposta de Yoongi veio arfada, no ouvido dele:

— Acho uma ótima ideia.

E assim os dois saíram de fininho. Mas mesmo que tivessem saído como dois elefantes desajeitados numa loja de taças, Jimin e Jungkook nem teriam notado. Os dois estavam ocupados demais mergulhados um nos olhos do outro, como se o mundo inteiro tivesse sumido.

— Está gostoso? — Jimin perguntou com um tom provocante.

— Delicioso — Jungkook respondeu com um sorrisinho no canto dos lábios. — Tem mel na sua boca.

Jungkook ergueu a mão e passou o polegar no canto dos lábios de Jimin, recolhendo a gota dourada que escorria ali. Sem desviar o olhar, levou o dedo à boca e o chupou com lentidão. Jimin sentiu um arrepio e um frio na barriga.

— B-bem… — Jimin limpou a garganta, tentando retomar o controle — Hoje é mais pra você conhecer a equipe e se familiarizar com tudo por aqui. Vou te explicar direitinho o que vai fazer, mas… com a sua experiência, acho que não será difícil.

Tudo que Jimin dizia soava como duplo sentido aos ouvidos de Jungkook. Talvez fosse o desejo o deixando criativo demais.

— Modéstia à parte, tenho um bom conhecimento na área — Jungkook sorriu com malícia. Estava falando da vaga, mas não só dela.

— Então vamos pro meu escritório comprovar isso? — Jimin mordeu os lábios com ousadia.

— Com todo prazer — Jungkook respondeu, dando o último gole em seu café.

Jimin se levantou e o conduziu até o escritório, caminhando na frente com passos mais lentos e sensuais do que o necessário. Conferia por cima do ombro de tempos em tempos, e cada vez que o fazia, pegava Jungkook o olhando. Tudo conforme o planejado.

Já no escritório, Jimin esperou Jungkook entrar, fechou a porta com calma e foi até sua mesa. Sentou-se e ligou o notebook, enquanto Jungkook ficou parado em pé, apenas observando.

— Vem cá. Aqui do meu lado — chamou, a voz doce e carregada de segundas intenções.

Jungkook se aproximou e inclinou-se por trás dele, apoiando uma das mãos na mesa enquanto olhava a tela do notebook por cima do ombro de Jimin.

— Ah, esse é o programa que vou usar?

— Sim. É bem simples e, se tiver dúvidas, eu ajudo.

Jimin começou a explicar as funções e o fluxo do sistema, mas Jungkook mal escutava. Seu foco estava nos fios dourados e sedosos do cabelo de Jimin, no perfume suave que parecia envolver todo o espaço e no jeitinho concentrado que ele tinha de explicar franzindo o nariz de leve e mordendo o lábio inferior quando pensava. Era adorável.

“Deuses, Jimin… o que você está fazendo comigo? Estou ficando louco.” — pensou Jungkook, sentindo seu autocontrole se esvair a cada segundo.

Notas finais
Yoon ficando com vontade pq viu Jikook flertando, dai ele faz o que? Corre pro maridinho 😍