Cupcake
18 Namorado

— Jungkook? — Jimin o chamou, enquanto ele digitava algumas notas no computador do caixa.
Jungkook se virou para ele com um sorriso apaixonado.
— Oi, Jimin.
— Preciso da sua ajuda com alguns relatórios, com urgência! — Jimin enfatizou a palavra “urgência” com um olhar sugestivo.
Jungkook entendeu na hora o verdadeiro significado daquele pedido, finalizou rapidamente o que fazia e o acompanhou até o escritório, até desaparecer no corredor.
— Não sabia que administrar uma loja dava tanto trabalho — comentou Taehyung, arqueando as sobrancelhas enquanto reabastecia a bandeja de macarons.
— Por que está dizendo isso? — Yoongi perguntou, lançando-lhe um olhar por cima dos óculos.
— Jimin e Jungkook vivem fazendo relatórios. Todos os dias. O tempo todo. — Taehyung levou a mão ao queixo, pensativo. — O estranho é que esses relatórios sempre precisam ser feitos com a porta trancada...
Yoongi riu e apertou de leve as nádegas de Taehyung por trás do balcão.
— Ei! Yoonie! — protestou Taehyung, corando.
— Já falei que tudo o que você tem de gostoso e lindo, tem de inocente?
— E o que isso tem a ver agora? — perguntou, emburrado.
— Ai, Taehy… meu Taehy. Meu grande amor, minha vida… maridinho perfeito. Esquece isso. São só... “relatórios”, tudo bem?
— Humpf… tá bom — Taehyung fez bico.
Yoongi se aproximou disfarçadamente, se inclinando até o ouvido do marido. Mesmo com clientes na loja, não resistia.
— Hoje à noite… eu te quero. — sussurrou, com a voz baixa e carregada de intenção.
Taehyung sorriu animado.
— E quando foi que você não me quis?
— Hum… deixa eu pensar… — Yoongi fingiu refletir — Desde que te conheci? Nunca. Nem quando a gente briga. Aliás, nosso sexo de reconciliação é o melhor.
— Podemos fingir uma briguinha então — murmurou Taehyung, deslizando a mão pelas costas de Yoongi e apalpando discretamente mais abaixo.
Yoongi arfou baixinho e olhou ao redor, tentando se recompor.
— Se continuar assim, vou te sequestrar agora e te levar direto pra casa. Precisamos fazer nossos relatórios também.
Taehyung arqueou as sobrancelhas.
— Pelo visto, Jimin e Jungkook não estão dando conta do volume de trabalho. Vamos ter que fazer hora extra em casa também.
— Idiota — Yoongi resmungou e lhe deu uma leve cotovelada no estômago.
— Ai! Pra que isso? — Taehyung colocou a mão no local, rindo.
— Nada não, meu doce e inocente amor. Só termina logo esse seu serviço, porque eu tô contando os minutos pra ir embora com você.
…
Jungkook beijava os pequenos dedinhos de Jimin com carinho. Amava aquelas mãos macias e gordinhas.
Jimin estava deitado sobre seu peito, ambos nus, ofegantes, ainda se recuperando do calor que compartilhavam minutos antes, no sofá apertado do escritório. Seus corpos suavam e tremiam em sintonia, como se ainda ecoassem o prazer que um havia dado ao outro.
— Tô viciado em você — murmurou Jungkook, roçando os lábios nos dedos de Jimin.
— E eu em você — Jimin sorriu — Acho que foi seu bom gosto por guarda-chuvas que me atraiu.
— Apaga isso da sua memória! — Jungkook riu — Aquilo foi culpa do meu pai.
— Mas é um guarda-chuva lindo — Jimin riu junto, apertando o peito dele com o queixo.
— Você nunca vai esquecer, né?
— Me faça esquecer então — Jimin deslizou ainda mais para baixo, deitando-se sobre seu abdômen, colando seus corpos suados.
Jungkook respirou fundo quando sentiu o toque, sua mão indo até os cabelos macios de Jimin, acariciando-os com lentidão.
— Você tá me deixando excitado de novo — ele murmurou, a voz rouca.
— Essa é a ideia — Jimin respondeu, mordendo o lábio antes de distribuir beijos pela clavícula dele — Eu sempre quero mais de você.
— Ah é? — Jungkook deslizou os dedos pela cintura de Jimin, provocando um leve arrepio — Então acho que esse é o momento ideal pra te perguntar uma coisa.
— Diga… — Jimin sussurrou contra sua pele — Faço tudo que você quiser… — E começou a subir com os beijos, do peito ao pescoço, deixando rastros de calor por onde passava.
— Jimin… — Jungkook segurou delicadamente o queixo dele, guiando seu olhar para si — quer namorar comigo?
Por um instante, Jimin ficou imóvel. Depois, seu rosto se abriu em um sorriso tão grande que iluminou todo o ambiente.
— Namorar? — Ele mordeu o lábio, rindo baixinho. — Mas é claro que eu quero! Eu já estou completamente apaixonado por você, Jungkook.
O sorriso de Jungkook quase não cabia no rosto. Ele o puxou para um abraço apertado, escondendo o rosto no pescoço de Jimin.
— Então posso assumir com orgulho que sou o homem mais feliz do mundo… Eu te amo, meu Jimin.
— Também te amo, meu Kookie — Jimin respondeu, roçando os lábios nos dele antes de mordiscá-los de leve. — E… já que somos oficialmente namorados… o que acha de comemorarmos com um sexo quente e selvagem?
— Hm… eu topo comemorar a cada cinco minutos, se depender de mim — Jungkook riu, ainda ofegante.
— Ótimo — Jimin deslizou as mãos pelo peito dele e se posicionou no sofá de um jeito claramente provocante, olhando-o por cima do ombro com um sorriso cheio de desejo. — Então vem, namorado.
…
A notícia do namoro entre Jimin e Jungkook não surpreendeu quase ninguém, exceto Taehyung, que ficou completamente chocado.
— Por que você não me contou?! — ele foi tirar satisfação com Jimin, em particular.
— E precisava? — Jimin arqueou a sobrancelha — Estava meio óbvio, Tae.
— Não pra mim! — Taehyung fez um biquinho indignado — Achei que éramos amigos…
— Sem drama — Jimin riu — Todo mundo via como eu e o Kookie vivíamos flertando. Era só questão de tempo até acontecer. Você que é lerdo e não percebeu.
— Mesmo assim… — Taehyung cruzou os braços, emburrado — Eu sempre te protegi desses caras idiotas. Não quero que você se machuque. Eu te amo, Jimin… e se o Kook te fizer chorar, juro que dou na cara dele.
Jimin sorriu e se aproximou para abraçá-lo.
— Ah, Tae… eu também te amo. Você é minha família. Mas confia em mim, tá? O Jungkook é diferente. Ele me ama, eu sinto isso. Ele não vai me magoar.
Taehyung soltou um suspiro resignado.
— Tá… mas vou ficar de olho. Se eu soubesse que vocês tavam de coisinha, já tinha começado a vigiar esse safado faz tempo.
Jimin riu e balançou a cabeça.
— Prometo que, se ele for ruim pra mim, deixo você socar ele.
— E mesmo que não deixasse, eu socaria — Taehyung respondeu, dramático. — Espero que o Jungkook saiba que você tem um esquadrão de proteção. Yoongi pode ser baixinho, mas quando tá bravo dá medo. Ninguém mexe com o nosso Jimin!
— Por isso que eu amo tanto vocês — disse Jimin, abraçando Taehyung bem apertado, com o rosto afundado no peito do amigo.
— Tamo junto pro que der e vier, Jiminie. Nossa amizade é o laço mais forte que existe. E olha que a gente já brigou muito… — Taehyung riu.
— E por coisas tão bobas — completou Jimin.
— Ah! Então você acha que foi bobo aquele dia em que manchou meu moletom branco favorito lavando junto com a calça vermelha?! — Taehyung cruzou os braços indignado. — Aquele moletom era um presente do Yoongi!
— Eu te comprei outro, desgraça!
— Mas não era o mesmo! Era simbólico, foi o primeiro presente do meu Yoonie, caralho!
— Ah, me poupe, você dorme com ele todo dia! Vive grudado vinte e quatro horas por dia. Ele vive te dando presente, e ainda quer fazer drama por um moletom?
— Sim! Porque você é um insensível que estragou o moletom mais lindo do mundo, dado pelo homem mais lindo do universo.
— Meu cu com farinha, Taehyung! Já pedi desculpas, seu cão!
— E eu já aceitei, seu anão de jardim!
— Foda-se. Nem sei como ainda te amo tanto, mesmo você sendo um idiota.
— Nem eu entendo como te amo tanto, mesmo com você sendo um mini insensível.
E assim seguiam eles, como sempre, entre xingamentos carinhosos, memórias catastróficas e juras de amor eterno. Porque, no fim, nada era mais forte que o laço entre eles. Uma amizade real, imperfeita, barulhenta e inquebrável.
…
— Precisa trazê-lo aqui em casa — disse Jin, observando Jungkook se arrumar.
— Pai, calma... a gente tá namorando há menos de um mês.
— E daí? O Jimin já era um querido antes, agora é meu genro! Quero preparar um jantar especial pra ele.
— Tá bom, tá bom... vou chamar ele pra vir no próximo fim de semana, pode ser?
— Perfeito! Mas tem um pequeno problema.
— Qual?
— Como eu, o homem mais lindo do mundo, porém o pior cozinheiro, vou cozinhar pra um chef?!
Jungkook riu.
— Pai, o Chim é super simples, ele não liga pra nada refinado. A gente prepara algo fácil e gostoso juntos.
— Eu tenho o filho perfeito! — Jin deu um beijinho no próprio ombro. — Mas dessa vez quero tentar fazer algo sozinho. Vou procurar uma receita fácil durante a semana.
— De qualquer forma, vou pedir folga pro meu chefe lindo e te ajudo nos preparativos. Pelo menos pra garantir que não vai colocar fogo na casa.
— Ah, pedir folga pro namorado... essas são as vantagens de namorar o chefe! — Jin deu risada.
Jungkook terminou de se arrumar e saiu para encontrar Jimin. Estavam juntos há quase um mês e, a cada final de semana, inventavam um encontro diferente.
No primeiro, foram a um restaurante sofisticado no centro da cidade. No segundo, fizeram um piquenique em um parque de Seul. E naquele dia, decidiram pelo básico: um cineminha, seguido da tradicional, e cada vez mais especial, noite na casa de Jimin.
…
Naquela noite, depois de horas passeando pelo shopping, Jungkook e Jimin voltaram para casa. Após um banho relaxante e alguns momentos intensos de amor, seguiram para a cozinha, com fome e sorrisos preguiçosos nos rostos.
— É sério, Kookie? — Jimin mal conseguia conter a felicidade quando ouviu sobre o convite de Jin.
— Sim. Ele faz questão que eu te leve lá, quer oficializar tudo entre nós — Jungkook respondeu, cortando tomates com cuidado. — Você se importa de ir?
— Se eu me importo? — Jimin riu, com as bochechas levemente coradas. — Eu adoro seu pai! Ele é divertido, simpático e… — ele parou por um segundo, o sorriso ficando ainda mais doce — ...só de pensar que agora eu sou seu namorado, fico todo bobo.
Jungkook sorriu de volta e lhe deu um selinho.
— Então quer dizer que você me ama?
— É claro que eu te amo, seu bobo! — Jimin respondeu, rindo. — Você é meu namorado… meu namorado… — repetiu baixinho, saboreando cada sílaba. — Gosto de dizer isso. Soa tão bem.
— Soa bem porque a gente foi feito um pro outro — Jungkook disse, indo até a pia para lavar as folhas de alface.
— Somos tão perfeitinhos juntos — Jimin comentou, ficando nas pontas dos pés para roubar um beijo.
— Agora está até me roubando beijos, seu pequeno safadinho.
— Ei! Não sou pequeno, nem safado!
— Ah, claro que não — Jungkook provocou, rindo.
Depois de prepararem sanduíches caprichados, foram para a sala. Escolheram um filme qualquer, mas o que importava mesmo era estarem juntinhos. Jimin se aninhou no peito de Jungkook, adorava aquela sensação quentinha e acolhedora, e principalmente o carinho na cintura que o namorado fazia durante o filme. Jimin suspirou, relaxado, com um sorriso bobo no rosto. Nunca imaginou que namorar poderia ser algo tão gostoso.
…
O tão esperado dia do jantar chegou, e Jin estava uma pilha de nervos.
— Pai, está tudo ótimo, calma! — Jungkook tentava tranquilizá-lo enquanto o observava ajeitar a mesa pela décima vez.
— Mas será que ele vai gostar? — Jin andava de um lado pro outro, inquieto.
— Claro que vai. O Jimin estava ansioso por esse jantar, falou sobre isso a semana toda. Ele te adora.
— Ahhhh, eu vou surtar! — Jin deu um pulinho animado, e Jungkook riu alto com o jeito empolgado do pai.
Quando a campainha tocou, Jin quase teve um treco. Mesmo já conhecendo Jimin, aquele era o jantar oficial com o namorado do seu filho, e isso significava muito. Jin nunca tinha visto Jungkook tão feliz como estava naquele último mês.
Jimin foi recebido com o carinho de sempre. Jin, como era de se esperar, foi pura simpatia e bom humor. O jantar só deu certo porque Jungkook, discretamente, salvou a noite várias vezes, principalmente quando Jin esquecia o fogo aceso. O prato da noite era uma lasanha simples, mas feita com tanto amor (e com um pouco de ajuda) que ficou deliciosa. Jimin até repetiu.
Depois do jantar, foram todos para a sala, onde se acomodaram em frente à lareira, conversando e tomando um bom vinho. Na segunda taça, Jin já estava visivelmente sonolento.
— Amores, vou subir e descansar. Estou caindo de sono — anunciou, bocejando. — Jimin, meu querido, quero te ver aqui amanhã de manhã pro café, hein? E não se preocupem com barulhos durante a noite… meu sono é pesado — piscou maliciosamente.
— PAI! — Jungkook arregalou os olhos, completamente envergonhado.
— Ué, Jungkook, vai dizer que você não transa com seu namorado?
— Meu Deus… que vergonha!
Jimin gargalhava, enquanto Jungkook queria desaparecer dentro do sofá.
— Enfim — disse Jin, se levantando com um estalo nos joelhos — vou deitar. Aproveitem a noite, meus amores. Até amanhã, beijinhos!
Ele mandou um beijo no ar e subiu as escadas deixando um rastro de risadas e um Jungkook ainda vermelho de constrangimento.
— Me desculpa, Jimin. Meu pai é assim mesmo — disse Jungkook, coçando a nuca com um sorriso envergonhado.
— Tudo bem, amor. Eu adoro ele justamente por isso — Jimin respondeu com um sorriso terno.
— Ele me faz passar cada vergonha — Jungkook balançou a cabeça, rindo — Mas, mesmo sendo um doido, eu o amo demais.
Jimin ainda sorria, mas, por um instante, seu olhar se perdeu em um ponto distante, como se algo pesasse em seus pensamentos. Jungkook percebeu o silêncio repentino.
— Kookie… — Jimin quebrou suavemente o momento.
— Hum?
— Posso te perguntar uma coisa? É sobre o seu outro pai. Você nunca falou muito sobre ele. Se for desconfortável, tudo bem...
— Não, claro que não, amor — Jungkook segurou o queixo de Jimin com delicadeza, fazendo-o olhar em seus olhos. — Quero dividir tudo com você. Nada sobre mim é desconfortável quando estou com você.
— Obrigado, Kookie — Jimin lhe deu um beijo carinhoso. — Então… o que ele fazia? Como ele era?
— Ele era bombeiro — Jungkook começou, com um tom mais sereno — Morreu salvando pessoas em um incêndio. Ele era corajoso, determinado, altruísta… pelo menos, é o que meu pai Jin me contou.
— “Pelo menos”? — Jimin franziu levemente a testa.
— É que… eu não sei muito sobre ele, pra ser honesto. O Jin sempre foi meio vago quando falava do meu outro pai. Às vezes sinto que ele guarda alguma mágoa… ou talvez algo que prefira esquecer.
— Talvez seja difícil pra ele, Kookie. Pode ser algo que ainda dói.
— Eu sei, e tento respeitar isso. Mas ele é meu pai também, sabe? Mesmo que eu nunca tenha o conhecido. Eu só queria… qualquer coisa. Uma história, uma lembrança, uma foto. Algo que me fizesse sentir que ele foi real.
Jungkook suspirou, olhando para a janela, como se procurasse respostas na noite do lado de fora.
— Às vezes eu sinto… que ele não morreu. Sei que parece loucura, mas é uma sensação que me visita de vez em quando. Talvez eu só queira acreditar nisso. Talvez seja só saudade de algo que nunca tive.
— Não é loucura — Jimin respondeu baixinho. — É amor. Amor por alguém que você carrega no coração, mesmo sem lembranças.
Ele o abraçou, com ternura.
— Aposto que ele tinha covinhas como as suas — Jimin sorriu. — Já que o Jin não tem, alguém tinha que ter passado isso pra você. Seja como for, tenho certeza que ele foi um homem lindo e incrível. Assim como o filho que deixou. Aliás… como era o nome dele?
— Namjoon. Kim Namjoon.
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