Cupcake
33 Meu CEO favorito
Notas iniciais

— Droga... — Jimin reclamou baixinho, irritado consigo mesmo por ter cedido tão facilmente ao charme de Jungkook.
— O que foi, amor? — Jungkook o puxou para mais perto.
— Amor? — Jimin se ajeitou, aconchegando-se nele debaixo das cobertas.
— Nós acabamos de fazer amor, estamos abraçadinhos e dividindo a mesma cama. Isso significa que voltamos, não significa?
— Não.
— Não? Como assim não, Chim?
— Nós apenas transamos, Jungkook. E só.
— Mas, Jimin, eu...
— Nem começa. Já falei que não quero nada sério. Você é meu rival nos negócios. Principalmente agora que assumiu a frente do projeto do seu pai. Então não venha me chamar de "amor". Somos inimigos mortais. — Jimin declarou com toda a seriedade do mundo enquanto se aninhava ainda mais em seus braços e distribuía vários beijinhos em seu pescoço.
Jungkook sorriu feito um bobo, mas tentou manter uma expressão ameaçadora.
— Então você sabe que está enfrentando o terrível CEO Jeon, não sabe?
— Sei, claro que sei. — Jimin assentiu. — Eu sou o herói da história e vou derrotar o CEO maligno.
— E pretende fazer isso como? Porque eu não vou cair no seu charme, Senhor Park.
— Já caiu. — Jimin sorriu com os olhos fechados, satisfeito consigo mesmo.
Jungkook levou a mão ao peito e fingiu ter recebido um golpe fatal.
— Droga. Você me venceu. Admito minha derrota.
— Nunca foi tão fácil. — Jimin riu.
— Estou completamente nas suas mãos.
— Sem graça. Era pra você ser aquele CEO arrogante que passa metade da história implicando com o protagonista e só depois percebe que tá apaixonado.
— Não consigo. Eu me apaixonei por você no primeiro dia.
— É exatamente esse o problema. Você não serve pra ser protagonista de dorama. Cadê o desenvolvimento? Cadê a tensão? Cadê o clichê do enemies to lovers? Você já começou no love.
— Dane-se o roteiro. Eu amo você e pronto. Aqui o casal principal fica junto desde o primeiro episódio. — Jungkook riu.
— Pensando bem, você tem razão. Afinal, fui eu quem terminou com você.
— Terminou... mas recomeçou, né? — Jungkook perguntou, esperançoso.
— Já falei que não estamos namorando. Estamos apenas... ficando.
— Jimin!
— Estou sendo sincero. — Ele deu de ombros. — Já falei que só quero sexo.
— Certo... — Jungkook concordou, claramente segurando o riso. — Então é só algo sem compromisso. Mas dormir de conchinha, passar o fim de semana juntos e assistir um filminho na Netflix também entram nesse acordo?
Jimin estreitou os olhos, desconfiado.
— Vou analisar a sua proposta.
— E qual o prazo pra resposta?
— Depende.
— Depende de quê?
— Do quanto você pretende me mimar.
— Considere a proposta aceita — Jungkook pulou nele e começou uma sequência de vários beijinhos, fazendo Jimin rir sem parar.
…
Na semana seguinte, o tão aguardado dia da reunião finalmente chegou. Jimin e Taehyung vestiam roupas formais, com ternos bem ajustados e gravatas impecáveis, enquanto aguardavam na sala de reuniões do imponente prédio da Corporação Kim. O ambiente era amplo e sofisticado. As janelas de vidro ocupavam praticamente toda uma parede, oferecendo uma vista privilegiada de Seul. No centro da sala havia uma enorme mesa retangular, feita de madeira com tampo de vidro, cercada por cadeiras elegantes. A decoração moderna, composta por esculturas e detalhes em vidro e metal, deixava claro o poder e a influência daquela empresa.
Jimin e Taehyung observavam tudo ao redor com curiosidade e admiração.
A porta se abriu e uma jovem entrou carregando uma bandeja com café, chá e biscoitos finos. Ela os cumprimentou com um sorriso profissional e perguntou se precisavam de mais alguma coisa. Em seguida, informou que Jungkook chegaria em breve, pois estava finalizando uma reunião.
— Jungkook é CEO agora... — Jimin suspirou, parecendo um pouco abatido assim que a moça saiu da sala.
— E por que essa cara triste? — Taehyung perguntou. — Seu namorado é milionário. Isso não deveria ser uma coisa boa?
— É... é bom... mas...
— Mas o quê?
— Eu não me sinto bom o suficiente pra ele.
— Ah, para com isso. Você é bom pra caramba no que faz. — Taehyung cruzou os braços. — Você criou um negócio praticamente sozinho. Tem visão, determinação e coragem. É tão bom nos negócios quanto ele. E olha que você é confeiteiro, nem é do ramo, imagine se fosse?
— Eu tive a sua ajuda e a do Yoon.
— Mesmo assim, foi você quem assumiu a responsabilidade, tomou as decisões difíceis e correu atrás quando tudo parecia dar errado. Você é incrível, Chim. E quer saber de uma coisa? O próprio Jungkook, que nasceu cercado desse mundo corporativo, me disse que o que mais chamou a atenção dele foi justamente isso, o seu espírito empreendedor, sua determinação e sua capacidade de enxergar oportunidades onde ninguém mais via. Então para de se diminuir só porque ele descobriu que é filho de um CEO. Ele continua sendo o mesmo cara que se apaixonou por você. Continua sendo o seu Jungkook.
Jimin suspirou novamente, mas dessa vez um pouco menos pesado.
— Tá, mas... a gente nem tá mais namorando. Nós terminamos, esqueceu?
Taehyung caiu na gargalhada.
— Tá bom, Jimin.
Nesse momento, Jungkook entrou na sala. Havia algo diferente nele. Talvez fosse o terno escuro perfeitamente ajustado ao corpo. Talvez os cabelos penteados para trás ou a postura firme e confiante. Ou talvez fosse simplesmente o fato de que agora ele realmente ocupava aquele lugar. Jungkook parecia um homem completamente diferente do rapaz sorridente que passava os dias na cozinha da Magic Shop.
— Boa tarde, senhores. — cumprimentou de forma profissional.
Taehyung precisou segurar a risada.
— Boa tarde, Senhor Jeon. — respondeu com a maior seriedade possível.
— B-boa tarde... K-kookie... Jeon... S-senhor Jeon. — Jimin gaguejou, sentindo-se estranhamente intimidado.
Jungkook se sentou na cabeceira da mesa. Jimin ocupava a cadeira à sua direita, enquanto Taehyung estava à esquerda. Com movimentos tranquilos, ele abriu uma pasta e distribuiu cópias para os dois.
— Chamei vocês aqui para discutirmos um projeto. Tenho uma proposta que acredito ser interessante para todos os envolvidos.
— Já falei que n...
— Que não vai vender a loja. — Jungkook o interrompeu antes que terminasse a frase. — Eu sei disso. E não é essa a proposta.
Jimin imediatamente ergueu os olhos, curioso.
— Então qual é?
— Os detalhes completos estão na pasta que entreguei a vocês. O estudo financeiro, o planejamento estrutural e a proposta formal estão todos aí. Mas, resumindo... — Jungkook apoiou os braços sobre a mesa. — O que buscamos é uma solução que preserve a Magic Shop. É uma loja valiosa, tem identidade própria e importância para a comunidade. Gostaria de mantê-la exatamente onde está e exatamente como é.
— Sério? — Jimin perguntou, incapaz de esconder o brilho nos olhos.
— Sim, Senhor Park. — Jungkook sorriu discretamente. — Minha proposta para dar continuidade ao projeto iniciado pelo meu pai e, ao mesmo tempo, preservar a sua loja, é construir um shopping ao redor da Magic Shop.
Jimin e Taehyung ficaram completamente imóveis. Os dois o encaravam de boca aberta. Por alguns segundos, foram incapazes de processar o que tinham acabado de ouvir.
— Vejam. — Jungkook ligou a enorme televisão da sala, que mais parecia uma obra de arte pendurada na parede. Em seguida, abriu alguns arquivos e projetou uma série de imagens na tela. — Esta é a proposta.
Ele abriu uma pasta contendo simulações em 3D do projeto. Na imagem principal, a Magic Shop permanecia exatamente onde estava, mas agora ocupava o centro de uma ampla praça arborizada. À esquerda e à direita erguiam-se dois edifícios modernos, com arquitetura sofisticada e fachadas de vidro que pareciam convergir visualmente para a confeitaria. Em vez de esconder a loja, todo o projeto havia sido pensado para destacá-la. Nos planos de Jungkook, a Magic Shop seria ampliada e transformada em um dos principais pontos de encontro da região, recebendo o fluxo constante de pessoas que circulariam pelos dois centros comerciais construídos ao seu redor.
Jimin observava as imagens sem conseguir esconder o espanto enquanto Jungkook explicava cada detalhe do projeto.
— Mas... como eu vou pagar por tudo isso? — perguntou, ainda tentando absorver a proposta. — Eu não tenho condições financeiras pra algo desse tamanho. Minha loja está afundada em dívidas.
— Sua dívida já foi quitada, Senhor Park. — Jungkook respondeu calmamente. — Não sei se se lembra, mas eu era o gerente da Magic Shop. Ainda tenho acesso à administração da empresa e acompanhei toda a situação financeira.
— V-você quitou a minha dívida? — Jimin arregalou os olhos, completamente confuso. — Por quê?
— Porque você é o meu bebê. — A resposta saiu automática. Jungkook fechou os olhos por um segundo, percebendo o deslize. — Quer dizer... — ele limpou a garganta e recuperou imediatamente a postura séria de executivo. — Porque você é meu sócio.
Taehyung virou o rosto para a janela. Os ombros dele tremiam. Estava fazendo um esforço sobre-humano para não gargalhar.
Jimin, por sua vez, apenas cruzou os braços e arqueou uma sobrancelha.
— Tá, mas... e o seu pai? Ele sabe disso? — Jimin perguntou. — Aliás, onde ele tá? Não era pra participar dessa reunião?
Jungkook soltou uma risada, mas logo recuperou a postura séria de CEO.
— Meu pai, Namjoon, está viajando com o meu outro pai, Jin, a negócios...
"Em Paris, numa lua de mel descarada", pensou Jungkook. "E eles acham que me enganam."
— E ele não vai questionar essa sua decisão, Senhor Jeon?
— Senhor Park, posso garantir que não. — Jungkook entrelaçou os dedos sobre a mesa. — Meu pai está extremamente ocupado com... outros assuntos. Honestamente, ele nem está mais pensando neste projeto. Além disso, me deu total autonomia para administrá-lo. Pode confiar em mim. Leia a proposta com calma, tudo está detalhado nesta pasta. Avalie se é algo que deseja seguir adiante. Eu serei seu sócio. Na verdade, tecnicamente já sou, mas agora isso seria oficial.
— Vou analisar tudo com atenção. E sobre a dívida que você quitou, pretendo devolver cada centavo. De qualquer forma... obrigado, Senhor Jeon.
— Não precisa devolver. Sou seu sócio e seu futuro marido.
— O quê?
— Eu falei essa última parte em voz alta? — Jungkook perguntou com uma risadinha sem vergonha alguma. — Enfim... se me dão licença, preciso me reunir com alguns acionistas. Estarei esperando vocês amanhã para finalizarmos o contrato. Os documentos já estão preparados.
— Nós vamos ler tudo com atenção antes de assinar qualquer coisa. — Taehyung respondeu, tentando manter a expressão séria. — Obrigado pela reunião, Senhor Jeon.
— Eu que agradeço a presença dos senhores.
Jungkook então se aproximou de Jimin e, antes que ele pudesse reagir, inclinou-se discretamente para perto de seu ouvido.
— Estou com saudade, amor. Mais tarde passo na sua casa. Te amo.
O sussurro foi tão rápido quanto devastador. Então Jungkook simplesmente se afastou e saiu da sala.
Jimin permaneceu imóvel, com o rosto completamente vermelho.
— Tudo bem aí? — Taehyung perguntou, lutando heroicamente contra a vontade de rir.
— Sim. Eu só... bem... vamos para casa. Precisamos analisar esse documento.
— Vamos pra a minha casa. Meu gravidinho manhoso tá me esperando. Antes precisamos passar no mercado porque ele quer brigadeiro, então vou comprar chocolate.
— Hum... brigadeiro parece uma ótima ideia. Eu também quero.
— Se você gostar de brigadeiro acompanhado de peixe e molho de fígado, está oficialmente convidado.
Fale com o autor