Cupcake

24 Esconde esconde



As semanas passaram sem que Jimin percebesse, e já fazia cerca de um mês desde aquela reunião desagradável com o CEO da Kim’s Corporation. Ainda conseguia se lembrar com nitidez da sensação incômoda que aquele homem lhe causava. Sabia que parte disso vinha da insistência irritante em comprar a Magic Shop, mas havia algo além disso, algo mais profundo e inquietante, que ele não conseguia nomear. Era como um desconforto silencioso, persistente, que não desaparecia mesmo com o tempo.

Enquanto isso, Jungkook se desdobrava em mil para encontrar uma solução. Corria de um lado para o outro, pesquisando, analisando possibilidades, entrando em contato com pessoas, tentando qualquer coisa que pudesse salvar a loja. Havia feito uma promessa para si mesmo: não deixaria a Magic Shop acabar. Não importava o quanto fosse difícil, ele encontraria um jeito. Por isso, quase não descansava, vivendo em função daquela busca incansável por uma saída, por uma brecha, por qualquer fio de esperança ao qual pudesse se agarrar.

Mesmo assim, tentava manter a leveza diante de Jimin. Fazia brincadeiras, preparava pequenos momentos para distraí-lo, buscava arrancar ao menos um sorriso daquele rosto que ele tanto amava. Mas havia um cuidado constante em suas ações, um medo de alimentar expectativas que talvez não pudesse cumprir. O que mais doía em Jungkook não era o cansaço, nem a pressão e nem a dificuldade da situação, era ver Jimin triste. Ver aquele sorriso desaparecer aos poucos era como assistir algo precioso se desfazendo diante de seus olhos. Ele queria devolver a luz ao olhar dele, queria fazê-lo rir como antes, queria aliviar aquele peso que parecia crescer a cada dia.

Em um momento de impulso, chegou a cogitar marcar uma reunião com o CEO da corporação, tentar negociar, talvez encontrar uma brecha que Jimin não havia visto. Mas desistiu quase no mesmo instante. Jimin havia sido claro ao pedir que ele não se envolvesse com aquele homem.

…

Taehyung e Yoongi também faziam o possível para ajudar. Amavam a Magic Shop como se fosse deles e não queriam, de forma alguma, ver aquele lugar desaparecer. Estavam dispostos a apoiar Jimin no que fosse preciso. Mas, naquela manhã tranquila de domingo, decidiram deixar as preocupações de lado e apenas aproveitar a companhia um do outro.

— Amor… — Yoongi murmurou, ainda ofegante.

Ele estava sentado no colo de Taehyung, com as pernas encaixadas ao redor do corpo dele e os joelhos apoiados no sofá. Seu corpo ainda reagia em pequenos espasmos, resquícios do momento íntimo que haviam acabado de compartilhar.

— Diga, vidinha — Taehyung respondeu com um sorriso suave, deslizando as mãos pelas coxas de Yoongi com carinho.

— Confesso que… tentar engravidar é a coisa mais deliciosa do mundo — Yoongi sussurrou, distribuindo vários selinhos nos lábios dele.

Já fazia quase um mês que estavam tentando, e Yoongi parecia determinado a não “perder nenhuma oportunidade”.

Taehyung soltou uma risadinha baixa.

— Tenho que concordar — respondeu, segurando firme a cintura dele, aproximando ainda mais seus corpos, o que fez Yoongi soltar um suspiro leve. — Mas, falando sério… — Taehyung continuou, agora com a voz mais suave — a gente não precisa se pressionar. Vai acontecer no tempo certo.

Yoongi apoiou a testa na dele, respirando fundo.

— Eu sei… — murmurou. — Mas eu quero muito isso com você.

Taehyung sorriu e acariciou seu rosto com delicadeza.

— E eu quero você. Sempre. O resto… a gente constrói juntos, com calma.

— Você tem razão, amor. O importante é estarmos juntos.

— Quer sair pra algum lugar hoje, meu amor? — Taehyung sussurrou, espalhando beijos pelo pescoço de Yoongi.

— Até queria… — Yoongi respondeu baixinho, se aconchegando mais contra ele — mas tá tão gostoso ficar assim com você. A gente pode ficar em casa o dia todo? Só… juntinhos, vendo série e comendo porcaria?

Taehyung riu baixo, satisfeito.

— Melhor programa impossível — disse, apertando Yoongi em um abraço gostoso.

Yoongi soltou um suspiro, mas logo fez uma careta leve.

— Tae… acho melhor a gente tomar um banho. E eu tô morrendo de fome.

— Ai meu Deus, meu bebê tá com fome! — Taehyung arregalou os olhos, dramático. — Que tipo de marido eu sou, esquecendo de te alimentar?

Ele se levantou com Yoongi ainda agarrado ao seu colo.

— Vamos tomar um banho e pedir alguma coisa bem gostosa pra comer.

Os olhos de Yoongi brilharam na mesma hora.

— Pizza!

— Claro, pizza — Taehyung concordou, rindo.

— E bem grande! Eu tô com muita fome!

— Então vai ser gigante.

— E com muito bacon.

Taehyung aproximou o rosto e deu um selinho demorado nele.

— Do jeitinho que você gosta.

E, ainda grudados um no outro, seguiram para o banheiro, com a promessa de um domingo preguiçoso, cheio de carinho, exatamente como queriam.

…

No dia seguinte, Yoongi não acordou muito bem. O estômago ainda estava sensível, consequência clara do exagero com a pizza na noite anterior. Mesmo assim, não queria preocupar Taehyung. Preferia acreditar que, ficando em casa e descansando, o desconforto logo passaria.

Inventou uma desculpa simples para justificar sua ausência na loja, dizendo que precisava colocar algumas matérias em dia, já que em breve voltaria a dar aulas. Falou com naturalidade, tentando não deixar transparecer o incômodo que ainda sentia.

Taehyung não desconfiou de nada. Apenas se aproximou e o puxou para um beijo demorado, daqueles que fazem o tempo parecer mais lento.

Nenhum dos dois queria se soltar.

— Eu já tô morrendo de saudade — Taehyung murmurou entre um beijo e outro, ainda com os lábios próximos.

Yoongi sorriu, mesmo se sentindo um pouco fraco, e o abraçou com força.

— Eu também, amor… não consigo ficar muito tempo longe de você — disse, afundando o rosto no peito dele. — Como eu te amo, meu Taehy.

Taehyung abriu um sorriso largo, completamente derretido.

— Também te amo um montão, meu gatinho manhoso.

E ele não estava exagerando. Nos últimos dias, Yoongi estava ainda mais carente do que o normal, sempre buscando colo, carinho e algum contato físico. E, obviamente, Taehyung estava adorando aquilo. Para ele, cada abraço era um presente, cada momento juntos, um pequeno paraíso.

Taehyung saiu para o trabalho e Yoongi ficou em casa. Assim que a porta se fechou, o silêncio tomou conta do ambiente. Ele voltou devagar para o quarto e se deixou cair na cama, abraçando o próprio corpo enquanto tentava ignorar a dor insistente no estômago.

A sensação de queimação aumentava aos poucos, espalhando um desconforto pesado que o impedia até de relaxar. Fechou os olhos, tentando dormir, mas o corpo não colaborava. Seu estômago parecia revirar, como se tudo o que havia comido na noite anterior estivesse em guerra dentro dele.

De repente, a náusea subiu.

Yoongi se levantou num pulo, levando a mão à boca, e correu para o banheiro. Mal teve tempo de se ajoelhar antes de vomitar tudo o que ainda restava em seu estômago. O corpo tremia, fraco, enquanto ele tentava recuperar o fôlego.

Quando terminou, ficou ali por alguns segundos, apoiado na pia, respirando fundo.

Lavou o rosto com água fria, tentando despertar, e escovou os dentes com movimentos lentos. Ao se encarar no espelho, percebeu o quanto estava abatido. A pele pálida, os olhos cansados, o corpo sem energia. Suas pernas ainda estavam bambas, como se não sustentassem totalmente seu peso.

Mesmo assim, havia um pequeno alívio. Depois de vomitar, a dor parecia ter diminuído um pouco. Mas ainda não estava bem. E sabia que não podia passar o dia inteiro daquele jeito. Não queria que Taehyung voltasse para casa e o encontrasse naquele estado.

“Preciso ir ao médico… isso deve ser aquela infecção de novo.”

Suspirou, desanimado, apoiando a testa por um instante no espelho frio. Sem pensar muito mais, pegou o celular e ligou para seu médico. Explicou, com a voz ainda fraca, que não estava se sentindo bem e perguntou se poderia ser atendido. Por sorte, o médico estava de plantão.

— Venha agora — orientou do outro lado da linha.

Yoongi desligou o telefone e respirou fundo. Não queria sair de casa. Mas, daquela vez não tinha escolha.

Não se sentia em condições de dirigir, então chamou um táxi. O trajeto até o hospital pareceu mais longo do que o normal, cada minuto sendo sentido no corpo fraco e ainda sensível. Quando chegou, foi atendido rapidamente. Seu médico de confiança já o aguardava no consultório.

— Então… passando mal de novo? — o médico perguntou, ajustando os óculos e olhando para ele por cima das lentes. — O que você andou aprontando dessa vez, Senhor Yoongi?

Yoongi deu um sorriso sem graça, coçando a nuca.

— Eu meio que… exagerei na pizza ontem.

O médico suspirou, cruzando os braços.

— Quer ficar doente de novo? Já não aprendeu da última vez?

— Mas eu estava com fome… muita fome — Yoongi murmurou, fazendo um leve bico.

— Então coma algo que te sustente de verdade. E, de preferência, algo saudável — respondeu o médico, com um tom firme.

Yoongi soltou um pequeno suspiro.

— Você fala igualzinho ao Taehyung…

— Ele está certíssimo — retrucou o médico, sério. — Você não pode simplesmente sair fazendo todas as suas vontades. Já teve uma infecção antes, precisa se cuidar melhor. — Fez uma pausa, pegando a prancheta. — Vamos fazer alguns exames para entender melhor o que está acontecendo.

Yoongi assentiu, ainda um pouco envergonhado, e o acompanhou.

O tempo passou arrastado. Quase duas horas depois, Yoongi estava deitado em uma das camas do hospital, olhando para o teto, perdido nos próprios pensamentos enquanto aguardava os resultados. O silêncio do quarto só aumentava sua ansiedade.

A porta se abriu e o médico entrou sorrindo, e não era um sorriso comum. Yoongi franziu levemente a testa.

— Doutor… está muito grave? — perguntou, já se preparando para o pior.

O médico se aproximou com calma, mantendo aquele sorriso que parecia guardar algo importante.

— Yoon… tenho uma ótima notícia pra você.

Yoongi piscou, confuso.

— Eu não tô mais com infecção?

— Não — respondeu o médico, com suavidade. — Não é infecção. Você está saudável.

— Então, por que eu passei tão mal?

O médico se sentou na beira da cama, mais próximo agora, com um olhar cuidadoso. Ele conhecia Yoongi, sabia de tudo o que ele vinha sentindo nas últimas semanas, do quanto aquele assunto era delicado.

— Yoon… — disse com gentileza. Colocou a mão sobre o abdômen dele. — Tem um pequeno ser humaninho aqui.

O coração de Yoongi simplesmente esqueceu como batia.

— Espera… doutor — Yoongi o encarou, completamente desacreditado. — O senhor tem certeza disso? Eu… eu estou mesmo grávido?

O médico sorriu com calma, compreensivo diante da reação.

— Tenho, sim. Pode ver por você mesmo.

Ele estendeu os exames, apontando os resultados positivos. Yoongi pegou os papéis com as mãos levemente trêmulas, os olhos correndo pelas linhas como se precisasse confirmar várias vezes para acreditar.

— Tem certeza que não é infecção de estômago? — perguntou de novo, quase em um sussurro. — Eu só… não quero me enganar outra vez.

O médico negou com a cabeça, firme, mas gentil.

— Tenho absoluta certeza. Dessa vez você conseguiu. Está grávido.

— Doutor, eu… — a voz falhou antes mesmo de terminar a frase.

Os olhos começaram a arder, e, quando percebeu, as lágrimas já escorriam livremente pelo seu rosto.

— Eu tô grávido… — repetiu, quase sem som, como se dissesse aquilo tornasse tudo mais real. — Eu vou ter um bebê? Tem… tem uma vidinha crescendo dentro de mim?

Ele levou a mão até a própria barriga, ainda incrédulo, como se pudesse sentir ali, naquele instante, a resposta.

O médico precisou conter a própria emoção ao vê-lo daquele jeito.

— Tem, sim — respondeu com suavidade. — E agora eu tenho dois pacientes.

Yoongi deixou escapar uma pequena risada entre lágrimas.

— Vou cuidar de vocês dois com muito carinho, pode deixar — continuou o médico. — Mas, pra começar, vamos precisar de algumas vitaminas e alguns cuidados a mais, tudo bem?

Yoongi assentiu várias vezes, ainda chorando, mas agora com um sorriso que não cabia no rosto.

…

A primeira coisa que Yoongi fez ao sair do hospital foi ir direto para a casa de Hoseok. Mal conseguiu esperar o elevador, parecia que a alegria transbordava pelos poros, como se o corpo inteiro não conseguisse conter aquilo.

Assim que a porta da casa de Hoseok se abriu, ele entrou praticamente pulando.

— Ei, seu doido, para de pular e fala! — Hoseok disse, tentando acompanhar aquela energia caótica.

— Ahhhhh, Hobi! É o melhor dia da minha vida! — Yoongi batia palmas, dava pequenos pulos, sorria e chorava, tudo ao mesmo tempo.

Hoseok segurou os ombros dele com firmeza, tentando estabilizá-lo.

— Tá! Respira! Se acalme e me fale o que aconteceu!

Yoongi puxou o ar, mas o sorriso não saía do rosto.

— Hobi… — fez uma pausa dramática com os olhos brilhando — EU TÔ GRÁVIDO!

Hoseok piscou, completamente em choque.

— Sério?

— É SÉRIO! OLHA AQUI! — Yoongi praticamente enfiou o exame na cara dele, tremendo de felicidade.

Hoseok leu rapidamente e, no segundo seguinte, soltou um grito.

— AHHHHH!

Os dois começaram a pular juntos no meio da sala, rindo, chorando, se abraçando como duas crianças que acabaram de receber a melhor notícia do mundo.

— Yoon! Parabéns! — Hoseok apertou ele com força. — Eu disse que você ia conseguir, não disse? Eu disse!

— Eu tô explodindo de alegria! — Yoongi levou a mão ao peito, como se o coração fosse sair dali a qualquer momento.

Hoseok então parou por um segundo, olhando ao redor.

— E o Tae? Qual foi a reação dele?

Yoongi congelou.

— Eu… ainda não contei.

— O QUÊ?! — Hoseok arregalou os olhos.

— Calma! — Yoongi riu, meio sem graça — Eu vou contar quando ele chegar do trabalho, mas eu quero fazer uma surpresa bem linda. Por isso eu vim aqui, preciso da sua ajuda.

Hoseok soltou um suspiro, balançando a cabeça com um sorriso inevitável.

— Você é completamente doido, mas isso não é novidade nenhuma. — Hoseok disse, já puxando ele pelo braço. — Vem, vamos planejar isso direito.

Os dois foram para o quarto, abriram o notebook e começaram a jogar ideias na mesa, enquanto a felicidade ainda preenchia cada canto do ambiente.

…

Taehyung chegou em casa ansioso. Passou o dia inteiro ligando para Yoongi, preocupado, mesmo ouvindo repetidas vezes que ele já estava melhor. Ainda assim, não conseguia evitar. Precisava vê-lo com os próprios olhos, precisava ter certeza.

Assim que parou diante da porta, algo chamou sua atenção.

Um post-it.

Ele franziu levemente a testa, curioso, e o retirou com cuidado, já abrindo um sorriso antes mesmo de ler. Ele reconheceria aquela letra em qualquer lugar.

“Oi, amor. É o seu Yoon. Tenho um presente pra você. Vai ser tipo uma caça ao tesouro e você precisa encontrar o prêmio.

Obs: pra começar, olha na porta da geladeira.”

Taehyung soltou uma risada baixa, balançando a cabeça. Conseguia praticamente ouvir a risadinha do Yoongi enquanto escrevia aquilo.

— Você não presta… — murmurou, já completamente rendido.

A curiosidade acendeu imediatamente. Que tipo de presente seria aquele? Conhecendo Yoongi, podia ser qualquer coisa. Talvez um moletom novo e, se fosse, ele já decidiu ali mesmo que não emprestaria para Jimin nem sob ameaça.

Abriu a porta e entrou. A casa estava completamente escura. Taehyung acendeu as luzes, fechou a porta atrás de si e deixou as chaves sobre o móvel, olhando ao redor com expectativa.

— Yoon? Amor? Cheguei!

Nenhuma resposta. Taehyung estreitou os olhos com um sorriso surgindo de canto.

Aquilo só podia ser mais uma das “brincadeiras” do marido. Como das outras vezes em que Yoongi se escondia — no guarda-roupa, atrás das cortinas, até dentro de caixas — só para esperar o momento perfeito de ser encontrado.

— Ah… então é assim que vai ser? — murmurou com um sorrisinho.

Taehyung seguiu até a cozinha, já envolvido no jogo, e encontrou o segundo bilhete preso na porta da geladeira. Descolou com cuidado e começou a ler.

“Lembra quando a gente começou a namorar? Qual foi sua desculpa ao me pedir em namoro?”

No final, Yoongi havia desenhado uma carinha brava, como se já estivesse cobrando a resposta certa. Taehyung soltou uma risadinha.

— Você é impossível…

Sem pensar muito, virou o olhar para o fogão e caminhou até lá. Como suspeitava, o terceiro bilhete estava grudado na tampa do forno. Antes mesmo de ler, a memória veio.

Naquele dia, Yoongi tinha decidido preparar um jantar especial. Não eram apenas amigos naquela época, já existia algo ali, algo que crescia silencioso entre os dois. Mas, no meio da tentativa romântica, o plano virou um pequeno desastre. O jantar queimou, a cozinha quase virou um campo de guerra e, por um segundo, Taehyung realmente achou que iam precisar de um extintor de incêndio.

E, mesmo assim, foi perfeito.

Com o coração acelerado e segurando o riso, ele tinha olhado para Yoongi e dito, meio no impulso, meio na certeza:

“Yoon, namora comigo. Quando a gente se casar, eu prometo cozinhar coisas gostosas pra você todos os dias. Você nunca mais vai precisar se preocupar com o fogão… nem com o extintor de incêndio.”

A lembrança fez Taehyung sorrir sozinho.

Logo depois daquilo, Yoongi tinha dado um soco no estômago dele, não forte, mas o suficiente para fazer Taehyung quase vomitar e, com aquele jeitinho dele, respondeu com um “sim” meio emburrado, meio envergonhado e completamente apaixonado.

Taehyung passou a mão pelo bilhete, ainda sorrindo, sentindo o peito aquecer.

— E você diz que eu sou o dramático…

No fundo ele sabia que aquela caça ao tesouro não era só uma brincadeira. Era Yoong guiando ele por todas as memórias que construíram juntos. E isso só podia significar que o final daquela jornada seria especial.

O terceiro bilhete, preso no fogão, dizia:

“O dia mais feliz das nossas vidas…”

Taehyung nem precisou pensar. Seu coração já sabia a resposta antes mesmo da mente acompanhar. Ele correu até a sala e pegou o álbum de fotos do casamento, abrindo com certa pressa. Logo na primeira página havia outro bilhete. Mas, por um instante, ele nem o leu. Seus olhos ficaram presos na fotografia.

Yoongi estava ali, vestindo um terno branco impecável, ao lado dele, que usava um smoking preto. As mãos entrelaçadas, os olhares cheios de amor, diante do padre, diante de todos mas, principalmente, diante um do outro.

Um sorriso nostálgico surgiu no rosto de Taehyung. Sem dúvida alguma aquele tinha sido o dia mais feliz da sua vida. Ele passou o polegar pela imagem, como se pudesse tocar aquele momento outra vez, antes de finalmente pegar o próximo bilhete.

“O primeiro presente que eu te dei… você emprestou pro Jimin E ELE MANCHOU!”

Taehyung arregalou os olhos e, no segundo seguinte, soltou uma risada alta.

— Ah, não… você não superou isso até hoje?

O famoso moletom. O motivo de inúmeras discussões dramáticas, acusações injustas e olhares assassinos direcionados ao pobre Jimin.

Sem perder tempo, Taehyung fechou o álbum e correu para o andar de cima, já sabendo exatamente onde procurar. O quarto. Mas, ao entrar, algo fez ele desacelerar.

O quarto estava arrumado, tranquilo e vazio. Yoongi não estava ali. Taehyung franziu levemente a testa, olhando ao redor, com um sorriso curioso começando a surgir.

— Onde você tá escondido dessa vez?

Taehyung foi direto até o guarda-roupa e puxou o moletom pendurado no cabide. Mesmo com a mancha rosada que nunca saiu completamente, ele ainda tinha um carinho enorme por aquela peça. Era mais do que um moletom, era memória.

Levou a mão ao bolso, já esperando encontrar algo, e encontrou, era outro bilhete.

“Parabéns, pirata. Você encontrou seu tesouro!

Seu presente está em uma caixa na parte de cima do guarda-roupa.”

Taehyung olhou para cima e, ao lado, viu um pequeno banquinho. Um sorriso automático surgiu ao imaginar Yoongi subindo ali, todo concentrado, preparando aquela surpresa.

Sem precisar subir no banquinho, tateou a prateleira até encontrar uma caixinha, pegou-a e sentou-se na beira da cama. Era delicada. De um amarelo bem clarinho, com um laço dourado perfeitamente amarrado.

Com as mãos levemente trêmulas, ele desfez o laço e abriu a caixa. Dentro havia apenas um papel dobrado. Taehyung franziu a testa, confuso, pensando que seria mais uma pista. Pegou o papel, abriu devagar e então leu.

Era um teste de gravidez e o resultado era positivo.

Por um instante, seu ar sumiu e os olhos arderam. Antes mesmo de perceber, as lágrimas já escorriam.

— Eu… vou ser pai? — sussurrou, com a voz falhando. — Eu… eu realmente vou ser pai?

A porta do banheiro se abriu nesse momento e Yoongi finalmente apareceu. Taehyung levantou tão rápido que quase derrubou a caixa no chão.

— YOON! Amor, nós… nós…

— Sim… — Yoongi respondeu, com um sorriso doce e os olhos marejados. — Nós vamos ter um bebê.

Ele levou a mão até a própria barriga, ainda pequena.

— Tem um mini Taehy aqui dentro.

Taehyung não conseguiu responder. As palavras simplesmente não vinham. Então ele fez o que o coração mandou. Aproximou-se rápido, pegou Yoongi no colo como se ele não pesasse nada, e o abraçou com força, como se quisesse guardar aquele momento para sempre. Entre risadas tremidas e lágrimas que não paravam de cair, ele distribuiu beijos pelo rosto, pelos cabelos, pela testa de Yoongi, completamente tomado pela emoção.

— Eu te amo… — conseguiu dizer, quase sem voz. — Eu amo vocês dois…

Yoongi riu baixinho, também chorando, e se agarrou a ele.

Naquele instante, tudo fazia sentido. Toda dor, toda espera e todo medo valeram a pena. Porque agora eles tinham o maior presente de todos.

Notas finais
Ahhhh os TaeGi sendo a coisa mais fofa do mundo (づ ̄ 3 ̄)づ