Cumplicidade Amorosa
9 Batalha Interna (EMMA HALEY + DOVAHKIIN)
Notas iniciais
POV´s Joaquim
Sinto Isabela tremer de frio em meus braços, tento aconchega-la mais a mim.
– Qual o destino? – o segurança pergunta com sorriso de canto
– Rua dos cajueiros
[...]
Já estamos dentro desse carro há dez minutos e ainda não chegamos. Aquela dor no peito volta a se repetir, estou com mau pressentimento sobre a Isabela.
Sinceramente não me entendo
Tenho a estranha necessidade de garantir que essa garota arrogante esteja bem, quando a vejo triste ou ferida meu coração dói e acelera.
Me pergunto como ela sobreviveu após tantos anos trancada em um porão.
Em seu corpo existem machucados já cicatrizados. Como é possível que alguém se machuque tanto dentro de um porão?
Tê-la em meus braços me faz sentir tão... Bem...
Acaricio seu rosto ferido, passando delicadamente meu polegar em suas bochechas cheias de arranhões e contornando seu rosto delicado.
Isabela parece uma boneca de porcelana de tamanha sua fragilidade
“Joaquim você está ficando maluco” – Jura consciência?
– Chegamos – o segurança avisa
Salto do carro com Isabela nos braços e recebo uma pancada na cabeça.
A última coisa que ouvi foram algumas falas nem nexo
– Me divertirei muito com essa beleza
– Isabela...
Tudo ficou escuro
Na mansão Junqueira
POV´s Manuela
Que droga
O João não atende o celular. Já liguei mil vezes e ele não atende. Tenho pouco tempo para usar o celular, apenas quando a Marina autoriza.
Tenho que aproveitar que a Regina está inconsciente.
Parece que a pancada na cabeça foi pior que todos imaginavam
“Coitadinha” – sinto meu coração se contrair
“Ela merece, espero que morra” – uma parte de mim deseja.
Duas partes
Em uma pessoa
Não sei qual Manuela ouvir. Duas metades, lutando uma contra si dentro de mim. Não aguento mais!
A antiga Manuela
A Manuela amargurada
A quem dar ouvidos?
Quem ignorar?
Não sei quem está certa, nem quem está errada.
Não sei quem sou
Quando menos percebo estou em cima da cama abraçada com uma almofada, chorando de joelhos.
Coloco as mãos nos ouvidos e grito
– AH
Marina entra apressadamente com o molho de chaves na mão
– O que foi isso? – pergunta acariciando meu cabelo – você está bem, o que aqueles imundos te fizeram? – fala referindo-se aos seguranças
– Nada – respondo abraçando-a
– Como nada? Foi o Navarro que veio te assustar? Não dê ouvidos a ele, enquanto eu estiver aqui nada vai acontecer.
Coloco minha cabeça em seu colo e choro baixinho.
– Não sei quem sou – digo baixo
– Você é Manuela Agnes. A menina mais amorosa do mundo – Marina levanta meu queixo com a ponta do dedo e me olha docemente.
– Nem tanto... – levanto de seu colo e sento na cama – eu mudei tanto Marina, não me reconheço mais.
– Eu sei Manu – ela fala com seu típico sorrisinho de sabe tudo – você deixou seu coraçãozinho ficar tão dolorido que ele se escureceu.
– Eu guardo muito ódio da Isabela
– Para com isso Manuela – me repreende levantando da cama bruscamente
– Eu tenho meus motivos, ela estragou minha vida, e tudo de bom nela.
Marina me encara, desta vez triste e balança a cabeça em sinal de reprovação.
– Por que pensa assim?
– Graças a ela minha avozinha morreu – falo com a voz carregada de amargura
– Quem mandou os capangas para o vilarejo foi a Regina – argumenta
– Por culpa da Isabela
– Nada disso dona Manuela! A Regina mandou os capangas para o vilarejo porque você concordou em fugir com a Isa, mas ela foi egoísta e te deixou, porém você tinha concordado em ir com ela, e só não foi por conta do egoísmo da sua irmã. As duas erraram, não tente colocar a culpa somente na Isabela.
Nunca senti tanto ódio quanto neste momento.
Então a Marina acha que a culpa da morte da minha avó também é minha?
É claro que não! Eu e a Isabela somos completamente opostas, aquela garota pensa somente nela é uma grossa que nunca soube o que é a verdadeira felicidade além de bens materiais.
– Marina você está me comprando aquela mimada?
– Vocês são exatamente iguais, não só na aparência...
– Some daqui Marina – falo fria como gelo
– Você não tem o direito de falar assim comigo Manuela. A verdade nem sempre é o caminho mais fácil, o primeiro passo é aceita-la.
– Você tem exatos trinta segundos para sumir antes que eu grite por um dos seguranças e você fique presa naquele quarto novamente.
– Não seria capaz – ela cruza os braços
– 1, 2 – começo – 3, 4, 5...
– Manuela...
– 6, 7, 8, 9, 10... Quer saber? Cansei desse joguinho. Navarro
Grito pelo segurança e vejo seu semblante entrar em desespero... Riu disso, às vezes é bom saber que não é só você que sofre.
Em poucos instantes Navarro entrar e levar Marina de uma maneira nada delicada. Ela grita e se debate, mas ele usa mais força para arrasta-la.
– Prenda essa empregada no quarto. O bom senso dela está em outra dimensão, vamos concertar isto – falo rígida.
– E desde quando você da às ordens por aqui? – Navarro pergunta debochando
Olho para ele e faço uma expressão irritada.
– Desde que a Regina está inconsciente
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