Notas iniciais
a tortura da iniciação.

O ar entrava em lufadas quentes, em algum lugar acima da cabeça. O suor escoria por suas têmporas e faziam com que a blusa grudasse desconfortavelmente nas costas. Ela podia sentir a morte perto. As velas acessas em volta de seu corpo tremeluziam e davam um ar grotesco no quarto escuro, que já era bastante assustador. Mal sentia seu corpo, era como se estivesse flutuando um pouco acima de seu corpo. As dores haviam passado, ou ela não percebia mais, a respiração era um gemido entre cortado e sussurrado. Suas mãos e pés haviam sido amarados. Ela lembrava de ter gritado muito e tentado se mexer, mas por causa das cordas não conseguira fazer o segundo. Os gritos haviam sido um erro, ela sabia. Agora sua garganta estava seca e dolorida, mas a hora que ela sentira a lâmina da faca correndo por seu braço ela não tivera tempo de pensar só de gritar desesperadamente, ela só queria que aquilo parasse. E gritara mais enquanto a faca fazia vários cortes por seu corpo, era cortes compridos, não profundos, mas o suficiente para fazer seu sangue escorrer alarmantemente pela pele e pingasse no chão. O som era surdo, dos pingos caindo no chão, puxando sua mente para algum lugar escuro. Não sabia mais quanto tempo estava daquele jeito. O tempo havia passo a significar muito pouco, para ela se dar ao luxo de notar. Sabia que era milagre ela ainda estar viva, ela sabia disso pois escutava seu coração bater calmamente, ou uma maldição, ela não sabia ainda. Seus olhos apenas fitavam o escuro do teto, ela perguntava o que havia feito de errado em sua vida para estar ali. Horas, dias, semanas, meses atrás, ela não tinha noção, ela era feliz, sua vida era perfeita, não havia nada fora do lugar. Ela sentiu os olhos arderem ao pensar no amado, mas sabia que não tinha mais água para sair de seu corpo. Suas necessidades haviam passado á muito tempo. De repente um estalido mínimo vindo de algum lugar, parecia o girar de uma maçaneta. Logo depois o ar gelado imunda o quarto fazendo com que as velas se apagassem e a escuridão reinasse. Todos os seus sentidos voltaram abruptamente, suas dores desde as mais fortes até as mais banais, a respiração acelerou, assim como seus batimentos cardíacos ao ouvir passos se aproximando. O coração parecia que estava tentando abrir caminho entre suas costelas, sabendo que logo seria seu fim. Uma mão pousou em seu ombro e ela gritou.

Notas finais
próximo cap: "-como assim morreram?"