Culpa
1 Culpa
Notas iniciais
Uma anotação, nada além disso.
Compreendo com tamanha certeza o que não queria ter visto. Se eu pudesse voltar no tempo e reverter apenas um processo, tudo seria diferente, porém pela graça divina não posso voltar atrás e devo conviver com isso pelo resto dos meus dias, posto em cheque, que nunca terá fim.
Está esclarecido, poderia ter sido o meu maior triunfo, a minha maior virtude... Mas jamais isso poderá ter esse aspecto, estou reservado a maior decepção, a maior falha, sei que continuar com este comportamento, levara-me ao mesmo fim nuclear, os mesmo dias de febre intermináveis.
Fotos e mais fotos passando pelos meus olhos, o mesmo sentimento tristonho invade minha morada como em outrora, permito lacrimejar, mas tudo aumenta minha angústia.
Um pássaro tenta voar, voltar aos momentos mais felizes de sua vida, sua casa de barro são apenas escombros, e quanto maior voa, quando mais tenta fugir, maior a altitude, capta por um triz que a queda será fatal.
Nomes antigos, palavras aleatórias, estou cabisbaixo, cansei de ficar assim, exaurido pela coincidente situação. Nada me faz transparecer.
Um homem no microfone, cultuando a alegria, um garoto calado, sentado num banco, no canto, com a boca entreaberta, um sorriso escondido, não esperando muito de dias corriqueiros e atípicos.
Quando fita o olhar em uma escritora, em uma leitora perpétua, tem sua base estremecida, e percebe que da guerra, nenhum soldado sai ileso, se balas não o atingirem, pelo menos os gritos o ensurdecerão.
As fotografias não findam, ficarão em modo rolagem para sempre, as marcas vão além de qualquer material.
Corro, forço um perdão, forjo-o, minto. Crio um verbo, hipocriso!
Uma anotação, nada além disso.
FIM
04/11/2014
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