Culminância.
2 Os pedaços ainda cortam.
Notas iniciais
Esclarecendo algumas coisas, as partes em itálico são flashback ou pensamentos do Sasuke, já que toda narração é dele.
"A summer breeze makesAll of our winters freeze, autumn leaves
[...]we linger on but leave the past behind us."
Andavamos lado a lado, aproveitando mais uma vez do silêncio. Eu jamais demonstraria que estou um pouco curioso, mas admito no meu íntimo que sim. Fazia, no máximo, cinco minutos de caminhada e já estávamos em frente a barraca de ramen. Suspirei e prossegui.
Ela me olhava não da mesma maneira de antes...agora a receio era maior que qualquer coisa escondido naquele olhar. Aquilo já estava começando a se transformar em uma ansiosidade incomoda em vez de curiosidade, todavia, sustentei minha postura e a olhei mantendo meu olhar firme e impassivel. Meus passos eram longos e cautelosos, enquanto os dela eram curtos e apressados.
Minha mente vagou observando-a — e nem me importei de parecer tão vunerável à ela — que nem tinha visto o caminho que tomamos, era silencioso e logo estávamos em frente aquele lugar. Em frente a minha escuridão, onde evitei por anos pisar.
Distrito Uchiha...
Meu corpo voltou ao choque — como aquele após acordar do pesadelo — e novamente fora sua quentura que me trouxera de volta a realidade. Meu olhar se voltou feroz ao dela e meu cenho franziu me dando uma expressão raivosa, porém ela não temeu, como eu fiz a pouco ela manteve seu olhar impassível. Eu não sabia o que fazer por estar ali e vê-la me confrontar daquela maneira.
Me tomou pela mão da maneira gentil costumeira e me guiou para dentro e eu a segui, simples assim, a segui. Eu tentava a todo custo mandar informações para meu cerebro pará-la e meus pés tomarem o caminho oposto àquele lugar, mas ela pareceu ter o meu controle em suas mãos.
Eu estava odiando novamente, sentia todas aquelas sensações subirem sobre meu estômago, esmagando meu peito, sufocando meu coração, paralelos eram os sintomas, mas distintos eram os estados, antes da agonia e agora do ódio. Eu estava odiando a Sakura, me odiando.
Um, dois, três...a cada passo afundava mais no mar da perdição, uma mistura de vermelho e preto, os seus pesadelos juntos, completos. Presente e passado eram um só em minha mente.
Minhas pequenas pernas envolta da costela de Itachi, enquanto tranquilamente ele me carregava. Ele era tão forte, meu peso não parecia um estórvo.
- Nii-san, vou descer.
Por quê?
- Você demorou. Onde esteve?
Ainda sendo carregado por Itachi, desviei da direção de sua cabeça e olhei para frente, assutado pela repentina interrupção de nossa caminhada.
Segurei o pulso esquerdo de Sakura firmemente, parece que minutos se passaram ali, naquela posição, com ela centímetros a minha frente de cabeça baixa. Era outono e ventava bastante e com isso minha franja devido aos balanços caia em meu rosto.
- Por quê? — Minhas palavras saiam doídas, difíceis.
- Por que o quê? — balbuciou, sua voz estava vacilante.
Soltei seu pulso e agarrei seus ombros, virando-a para mim. Para que olhasse dentro de mim, pra que sentisse a minha dor. Minhas mãos vibravam enquanto tocava sua pele, era um turbilhão. Era angustia, era raiva, rancor, um pedido de socorro.
- Por que...me trouxe aqui?
Ela silenciou.
Maldita!
Ela hesitou.
Maldita!
Ela tremeu.
MALDITA!
- Por que você me trouxe aqui? — dureza, era tudo que tinha em minha voz. — POR QUE ME TROUXE AQUI, SAKURA?
Balancei freneticamente seus ombros, enquanto ela estava em estupor. Ela me trouxe aqui, me trouxe para os malditos fantasmas e ainda tinha medo.
Ela tinha medo.De mim.
- Você tem medo? Tem medo do que todos os fantasmas que cercam este lugar podem fazer comigo? ENTÃO ME DIZ O POR QUE, GAROTA ESTÚPIDA, POR QUÊ?
Mesmo que quisesse, ela não teria como responder. Meus lábios esmagaram os dela, enquanto minha mão afundava mais e mais em sua pele, em seu ombro, sem piedade. Eu daria motivos para ela me temer, então. Para ela ver o que era isso, pra sentir a tormenta desses fantasmas. Eu vasculhava sua boca grosseiramente, mastigava seus lábios e ela se manteve imóvel, permetindo tudo.
GAROTA ESTÚPIDA!
Ainda com o agarre firma, fui trazendo seu corpo ainda mais para perto, enquanto ainda devorava sua boca. Quando a soltei depois de um tempo, vi determinação, vi medo, vi turbilhão como eu estava, mas não pelas mesmas causas.
- Por que você precisa deixar o passado. — soou tão simplesmente aquelas palavras de seus lábios machucados, me largando ali.
E nem havia percebido que estava em frente a casa principal, a casa dos meus pais.
Notas finais
Então pessoas, esse capítulo já estava pronto há um bom tempo, mas enrolei por que o outro ainda não está, mas na próxima semana com certeza estará postado já!(se não antes, por que sou meio volúvel)
p.s: Adoro que comentem, então não se acanhem!Hahaha
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