– O Adriano, um amigo meu e dela, a ajudou e ela fugiu, fugiu hoje de manhã. — disse ela.

– Temos que procurá-la. — disse me levantando.

– Eu vou com vocês. — disse o Eduardo.

– Obrigada, Eduardo, vamos precisar de toda a ajuda possível. — disse a Rosa.

– Eu acho que devemos procurar primeiro na casa dela e depois na casa desse tal de Adriano! — disse o Eduardo.

– Como eu fui burro, eu deveria ter visto que ela queria fugir. Eu pensei que já que nós não estávamos brigando, ela estivesse mais calma, mas não, aquela patricinha mimada tinha que fugir e acabar com tudo! Que ódio, o pior de tudo é que eu acreditei que ela estivesse mudando, eu acreditei e agora eu sei que ela não é digna de confiança. Ah, mas quando eu a encontrar, ela vai se arrepender de ter fugido! — disse irado.

– Calma, João Miguel, precisamos agir de cabeça fria! A ira não nos ajudará em nada. — disse o Eduardo.

– É verdade, meu amigo. – disse.

– Eu vou ligar pra Ofélia, aproveitamos e falamos com a Balbina, pois foi ela que estava na casa na hora que a Malú fugiu. — disse Rosa.

Ela ligou pra casa e conversamos com a Balbina e com alguns empregados que viram o Adriano sair de casa com uma mala. Era comprovado que ela fugiu com ele.

Por que ela fez isso? Nós até já tínhamos parado de brigar, eu pensei que ela estava gostando de ficar lá em casa, eu pensei que ela estava mudando , mas posso perceber que foi um equivoco muito grande.

Fomos procurar a Malú na casa dela.

[Narração da Malú]

Tinha acabado de tomar café e estava na sala assistindo televisão, quando a Dora entra correndo em casa.

– Malú, rápido... Se esconde! O Doutor João Miguel chegou aqui com a Rosa e outro rapaz, eles estão estacionando o carro, rápido se esconde! – disse.

– Eu vou pro meu quarto! – disse.

– Não, não. Vá pro meu quarto e fica lá, ninguém vai te procurar no quarto da empregada. — disse ela.

Saí correndo para o quarto da Dora e me escondi embaixo da cama. Droga! O Médico de Loucos já quer que eu volte pra casa dele! Pelo amor de Deus, ele não vê que eu não quero voltar? Eu não quero voltar pra lá, apesar que eu amo muito a Tininha, a Rosa e estou me dando bem com a Ofélia, eu não posso voltar pra lá. Ele vai querer saber do meu segredo e isso eu não posso dizer, ele atiçou os meus pesadelos, ele me fez mal, eu não posso voltar pra lá!

[Narração do João Miguel]

Bati na porta da casa e a Candelária veio abrir.

– Bom dia, Candelária. – disse.

– Bom dia, doutorzinho. — disse ela.

– Nós viemos saber se a Malu está aqui. — disse Eduardo.

– Não, ela não está aqui! — disse Candelária.

– Candinha, por favor, se ela estiver aqui, nos fale. Ela está sobre a guarda do meu irmão, e a Tininha está arrasada... Coitadinha! Por favor, se ela estiver nos fale, eu prometo que o meu irmão não fará nada de mal à ela. — disse Rosa.

– Por favor, Candelária, se ela estiver aqui, me fale! Nós iremos levá-la para casa, eu prometo que você poderá visitá-la, ligar pra ela, mas por favor, nos ajude, me fale se ela estiver aqui. – disse.

Ela ficou pensando. Ela me olhava como se estivesse procurando sinceridade no meu olhar, mas depois, é como se ela tivesse se lembrado de algo, e então, disse:

– Não, desculpem, mas ela não está. — disse Candelária.

– Candelária, não minta! Eu sei que ela deve estar aí, eu não sou idiota! — disse irado.

– João Miguel, controle-se! — alertou o Eduardo.

– Eu não estou mentindo pra vocês, a Malú não está aqui! Fiquei até surpresa ao saber que ela havia fugido de sua casa. — disse Candelária.

– Tudo bem, Candinha. Qualquer coisa, me avise. — disse a Rosa abraçando-a.

– Diga a Malú que ela vai se arrepender de ter feito isso! – disse.

– Vamos, João Miguel, vamos! – disse Eduardo.

Eu tenho certeza que a Malú está lá, mas tenho certeza que a Candelária não vai querer falar a verdade.