Voltamos pra casa. Quando Tininha me viu, veio correndo até mim.

– Papai, papai, onde está a Malú ? — perguntou ela.

– Ela está na casa dela, ela foi visitar a Candinha. Só fez essa brincadeira para nos dar um susto! — disse sorrindo.

– Então ela vai voltar? — perguntou ela.

– Vai sim, meu amor, hoje ou amanhã ela chega! – disse.

– Obrigada, papai, eu te amo! — disse ela me abraçando.

– Eu também te amo, meu amor. – disse.

Ela saiu correndo com o Quilate.

– Você não pode ficar enganando minha neta. — disse Ofélia.

– A Malú está na casa dela, eu só preciso conseguir que ela saia de casa pra que eu a traga de volta. – disse.

– Mas a Candelária negou! — disse Eduardo.

– Dava pra ver nos olhos da Candelária que ela estava acobertando a Malú. – disse.

– Me lembrei de algo muito importante, o Adriano me convidou pra ir a uma festa, e queria que a Malú fosse também, mas eu disse que ela não podia sair de casa, então ele deve levá-la à essa festa. — disse ela.

– Então hoje nós encontramos a Malú! — disse convicto.

[Narração da Malú]

Fiquei um tempo lá embaixo da cama, até que a Candinha aparece no quarto.

– Malú, cadê você? — perguntou a Candinha.

– Estou aqui, Candinha. – disse.

– Eles já foram. — disse ela.

– Graças a Deus. — disse.

– O doutorzinho disse que ele não te faria mal e que liberaria para que eu fosse te ver e ligar pra você. — disse Candinha.

– Eu duvido, ele não faria isso, Candinha, pode confiar em mim. – disse.

– Ele ficou muito irado quando eu disse que você não estava aqui, ele tem certeza que você está. – disse.

– Ele não deve ter certeza, só acha! Fique tranquila, Candinha, quando formos pra vila onde você morou, estaremos livre dele! – disse.

– A Tininha está arrasada por você tê-la deixado. — disse Candinha.

– Me parte o coração saber disso, mas eu não posso voltar. – disse.

– Malú, eu acho melhor você voltar! — disse Candinha.

– O que? Candinha, você bateu com cabeça em algum lugar? – perguntei.

– Não, mas eu acho que você deve voltar, você acha mesmo que viver comigo naquela vila é vida pra você? Você nasceu em berço de ouro, minha menina, trabalhar não é fácil, passar privações pior ainda, você não está acostumada com isso, me entende? — disse ela.

– Entendo sim, Candinha e prometo pensar. – disse.

– Obrigada, menina. — disse ela.

– Vamos logo me ajudar a escolher uma roupa, eu preciso estar muito bonita pra festa de hoje! — disse a puxando.

Horas depois...

Acabei de me arrumar e fui pra porta da sala ficar esperando o Adriano vir me buscar, não demorou muito pra baterem na porta.

– Malú, o Adriano chegou! — disse a Dora.

– Obrigada, Dora. Onde está a Candinha? – perguntei.

– Ela está no quarto descansando. — disse ela.

– Quando ela acordar, diga à ela que eu não chegarei tarde, e que mandei um beijo. – disse.

– Pode deixar, Malú, direi à ela. — disse ela.

– Obrigada, Dora. — disse a abraçando.

Fui até a porta e ele já estava me esperando. Eu adoro o Adriano, desde pequeno nós somos amigos, ele mora perto da vila onde a Candinha morava, então ele não é rico, mas trabalha e consegue se manter. Nós nos conhecemos na vila onde a Candinha morava e de lá pra cá, ficamos amigos inseparáveis! Já me falaram que ele gosta de mim como algo a mais, mas eu não acredito, sempre deixei muito claro os meus sentimentos por ele, eu o considero como um irmão, um amigo pra todas as horas.

– Nossa, Malú, você está linda!

– Obrigada, Adriano. Vamos? – perguntei.

– Vamos! — disse ele abrindo a porta do carro pra mim.

Quando chegamos na festa, fiquei impressionada com o número de pessoas que tinha naquela boate.

O Adriano abriu a porta pra mim e entramos na boate. Tinha muita gente, mas o bom é que se alguém viesse me procurar, as chances de me encontrar eram mínimas.

Começamos a dançar e a conversar, o Adriano me fazia rir horrores, me deu uma sede, então pedi:

– Adriano, pega uma bebida pra mim? – perguntei.

– É pra já, Malúzinha, espera aqui! — disse ele.

– Tudo bem! – disse.

Ele saiu e eu fiquei dançando, até que sinto alguém agarrar a minha cintura, quando me viro, era o Amador.

– Me solta, Amador! — disse furiosa.

– O que foi? A boneca não quer dançar comigo? — perguntou ele me agarrando.

–Não, eu não quero! — disse tentando me soltar.

– Não tem ninguém pra te salvar bonequinha! Agora você vai fazer o que eu quiser. — disse ele.

– Me solta, Amador, me solta! — disse pisando no pé dele.

– Voce vai precisar de mais do que um pisão no meu pé pra me fazer te soltar. — disse ele.

Ele tentou me beijar e eu me esquivando, eu estava pedindo a Deus pra o Adriano voltar logo, quando o Amador ia me beijar, eu sinto alguém o puxando pra longe de mim!

– Solta ela, seu marginal! — disse o Médico de Loucos dando um soco nele.

Eles começaram a brigar, eu fiquei sem saber o que fazer, o Adriano chegou e ajudou a separá-los.

– Chegue perto dela novamente que eu não respondo por mim! — disse o Médico de Loucos.

– Você não me dá medo! — disse Amador.

– Isso é o que veremos! — disse João Miguel.

– Vamos embora daqui. — disse segurando o braço dele.