Cuidado com o Anjo
11 Capítulo 10
– Nada, só fiz isso pra te irritar mesmo... — disse ele.
– Ah, você é tão Infantil! — disse, soltando meu braço e indo pra sala de jantar.
Ele veio junto. Aff, como ele consegue ser tão irritante? Todas já estavam lá, a Ofélia e a Rosa conversavam sobre algo e quando nos viram pararam (isso é muito estranho, a Rosa nunca me esconde nada), me sentei ao lado da Rosa e ele ao lado da Tininha, o jantar foi bastante engraçado, o Médico de Loucos ficava fazendo palhaçadas pra Tininha rir, e era muito divertido (pelo menos com a filha ele é legal).
Quando o jantar acabou, o Médico de Loucos mandou a Tininha dormir, ela se despediu de todos e saiu me puxando.
– Pra onde você está levando ela, Tininha? — perguntou a Ofélia.
– Eu quero que ela me conte uma história pra dormir... — disse a Tininha.
– Meu amor, temos que deixar a Malú descansar. — disse o Médico de Loucos.
– Por mim tudo bem, eu conto uma história pra ela. — disse, olhando pra Tininha.
– Obrigada, Malú! — disse ela, estendendo os braços.
A peguei no colo e dei um beijo em seu rosto.
– Boa Noite a TODAS! — disse.
– Todas?! — perguntou o Médico de Loucos, sarcasticamente.
– Quem disse que eu quero que você tenha uma boa noite? — perguntei, sarcasticamente.
– Hum... Podia dormir sem essa, hein João Miguel?! — disse a Rosa, batendo no braço dele.
Subi com a Tininha e o Quilate, ela foi trocar de roupa e eu fiquei olhando o quarto dela, até que encontro um ursinho segurando um papelzinho. Decidi abrir (já disse que sou curiosa?). Estava escrito, com uma letra muito bonita:
"Meu Lindo Anjinho
Nunca se esqueça que eu amo você, apesar de sempre estar trabalhando muito eu faço tudo isso só pra dar uma vida melhor pra você, pra sua tia Rosa, e pra sua vovó Ofélia. Sempre que sentir minha falta, abrace esse ursinho, e você se lembrará que eu sempre estou com você, posso estar longe, mas meu coração e meus pensamentos serão sempre seus, minha princesinha, nunca se esqueça que pode contar comigo pra sempre!
Te amo, meu Anjinho de Luz!
Ass: Seu Pai, que te amo muito, muito, muito!!!"
Involuntárias lágrimas saíram de meus olhos, coloquei o papel de novo no ursinho e fiquei me lembrando dos momentos bons que tive com meus pais (antes de passarmos a conviver como 3 estranhos!). Apesar do Médico de Loucos ser um completo idiota, pelo menos ele é legal com a filha, ele dá atenção à ela, ele demonstra que a ama não só com presentes, mas também com atitudes, eu sempre invejei a Rosa porque por mais que o Médico de Loucos trabalhasse muito, ele sempre tinha um tempo para ela, já meus pais... Ah, eles nunca tinham nenhum tempo pra mim, toda vez que eu queria conversar com eles, sempre estavam cansados, ou não tinham tempo.
Meus pensamentos foram interrompidos por uma linda vozinha me chamando:
– Malú, você está chorando? — perguntou a Tininha, atrás de mim.
– Não foi nada, meu amor... — disse, limpando as lágrimas.
– Foi sim, você nunca chora! — disse ela.
– Esquece isso, tá bom... — disse, me sentando.
– Quer um abraço? — perguntou ela, sorrindo.
– Quero sim, linda! — disse, abrindo os braços.
Ela veio e me abraçou.
– Eu te amo, Malú, te amo muito! — disse ela.
– Eu também, meu amor! — disse.
Lágrimas voltaram a escorrer nos meus olhos, odeio demonstrar fraqueza pras pessoas, maldita hora em que fui ler o que não devia, maldita hora!
– Quer que eu leia qual história pra você? — disse, enxugando as lágrimas.
– A da "Bela e a Fera"! — disse ela, me entregando o livro.
Ela se deitou e eu me deitei ao seu lado, o Quilate se deitou em cima dos meus pés. Comecei a contar a história pra ela e antes mesmo que terminasse, eu e ela já estávamos dormindo.
[Narração da Rosa]
Depois que a Malú saiu com a Tininha, a Ofélia também foi dormir, então ficamos eu e o João Miguel assistindo televisão, eu coloquei minha cabeça em seu colo, ele ficou me fazendo cafuné, não sei por que mas isso me fez lembrar da Malú e do Príncipe Zorro. Ah, se eu pudesse... Meus pensamentos foram interrompidos pelo João Miguel:
– Rosa, me diz uma coisa... — disse ela.
– O que quiser, maninho. — disse.
– Por que a Malú tem tanto ódio de mim? — perguntou ele.
– Nem eu sei, acho que isso você terá que perguntar pra ela! — disse, apertando o nariz dele.
– Por enquanto vou esperar um pouco, porque do jeito que ela está, é bem capaz dela me acertar com alguma coisa! — disse ele, rindo.
– Não duvide disso! — disse, rindo.
– Bom, maninha, vou dormir porque amanhã tenho que acordar cedo! — disse ele, me dando um beijo na testa
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