Cuidado, "Objetos" Frágeis e Cortantes.
2 O Baile dos Sonhos
Notas iniciais
Por enquanto é isso. E peço desculpa pela demora. Beijos.
11 de novembro de 2012
– Aqui está o calendário das avaliações, espero que vocês estejam estudando, porque a primeira prova é segunda feira. — diz uma mulher baixa e magra, Srt. Andréia, minha professora de história. Enquanto ela fala fico lhe observando, ela tem uma aparência tão cansada, como se lutasse mais do que todos nós para acordar todas as manhãs e vir dar aula. De todos os professores que já tive, ela parece ser a que menos tem prazer em dar aula, me parece que esse não era bem o seu sonho, mas por falta de oportunidade ou de coragem, não seguiu aquilo que queria e para a infelicidade dela e minha, começou a dar aulas de história.
– Você escuto isso Hanna? Esses professores só podem estar malucos! Prova na segunda feira, e eles só avisam hoje? Tipo … O que eles querem? Que a gente compre um cartão de memória, grave nele todas as matérias e instale no nosso cérebro? Pra que um calendário de prova, se ele só vai ser entregue dois dias antes da prova, melhor dizer que é avaliação surpresa, dá na mesma! — as palavras iam jorrando da boca de Jhenny e ela parecia nem perceber que eu não estava prestando nem um pouco de atenção. Afinal desde que tudo aconteceu com a Triz, eu não tenho prestado mais atenção em nada, fico apenas observando as pessoas e vendo como elas são de verdade, tenho tentado ir no mais profundo de cada um, porque a verdade é que quando achamos que já sabemos tudo sobre alguém somos surpreendidos e muitas vezes decepcionados.
– Professora, quais são os conteúdos da sua prova? — um garoto "nerd" do fundo da sala pergunta, acho que a esse altura nem é algo tão importante, não pra mim que não vou estudar, alias tenho certeza de que esse ano vou reprovar, mas nem me desespero tanto, mas sei que no final do ano vou chorar por causa disso. Não escuto a resposta da professora, estou perdida novamente olhando pro nada e fingindo escutar Jhenny.
O sinal toca e a aula finalmente termina. No corredor, encontro Mike e ele me abraça tão forte que sinto todo o ar escoar de meus pulmões, eu precisava daquilo, precisava de um abraço desses que faz todos os seus problemas sumirem com um sopro, e ele sabia disso, sabia perfeitamente reconhecer que eu ainda estava mal. Infelizmente ele me solta, nos encaramos por um momento e sem dizer nada ele vai embora, fico imóvel por mais uns segundos. Mike Morgam, moreno, alto, cabelos enrolados, olhos castanhos, músculos, jogador de futebol, engraçado, inteligente, irritante, idiota, apaixonante... totalmente apaixonante..! Me fazia tão bem, olhar pra ele me fazia sorrir, mesmo que tudo de pécimo estivesse acontecendo. Ele parecia ser a única pessoa que me fazia por pelo menos alguns segundos esquecer Triz, e por essa razão eu não podia perdê-lo, não podia perder esse sentimento que na verdade eu nem sei o que é. Não nos conhecemos, somos amigos a menos de dois meses, não sei sobre seus gostos e ele não sabe dos meus, mas ao mesmo tempo conseguimos descrever claramente a personalidade um do outro, e acho que isso é bem mais importante.
Meu celular toca com um som de mensagem, é algo do Mike " Hey garota feia, dê um sorriso! Vamos sorria, seu sorriso é tão lindo, vamos sorria pra mim! Nooossa que sorriso liindo *--* " , isso me surpreende, mas logo em seguida chega outra " Nossa que merda, que coisa mais melosa kkk Vc realmente sorriu? ", sim depois dessa eu realmente ri, e foi tão reconfortante quanto o abraço dele, não respondo, apenas guardo o telefone e encontro o carro da minha mãe.
Não almoço, estou sem fome de novo, apenas entro pro quarto.
– A mãe de Triz ligou. Disse que ela quer te ver. — minha mãe diz entrando em meu quarto, odeio isso, odeio quando ela entra sem bater, mas como reclamar nunca adianta não falo nada. Na verdade estou mais preocupa com o fato da mãe de Tris ter ligado. — Filha, você não precisa ir se não quiser, tem sido dias difíceis, sei que você tem sido ótima com a Triz, ela também sabe disso, fique em casa e outra hora você a visita. — sua sugestão se parece mais com uma ordem, mas como eu realmente não me sinto a vontade para ir até Triz agora, apenas aceno que sim com a cabeça e me viro para o outro lado, dormindo num relance.
Acordo com o telefone tocando, ainda sonolenta percebo que é minha mãe. Não quero atender, quero apenas virar para o lado e dormir, mas sei que se fizer isso provavelmente vou ouvir poucas e boas quando ela chegar em casa, alias, onde ela está ?!
– Oi filha, ainda estava dormindo?
– Ahan — digo muito sonolenta e ainda deitada.
– Liguei pra perguntar se você quer que eu compre seu vestido agora enquanto estou no shopping, ou se você prefere vir aqui amanhã para escolher? — vestido? Que vestido? — Você se lembra que amanhã é o baile de formatura do seu pai não se lembra? Hanna Morley você não marcou nada para amanhã a noite não é mesmo?! Olha
– NÃO mãe, eu não marquei nada, e sim eu me lembro do baile do papai. — sem querer a interrompo e pior ainda, grito com ela. Me estresso facilmente quando estou com sono e o fato de minha mãe falar demais não ajuda em nada. Mas eu não me lembrava do baile, meu pai esta se formando em engenharia civil, deu o sangue para passar no curso e finalmente conseguiu, era mais que uma obrigação minha de filha ir ao baile. — Desculpa mãe, pode escolher você, amanhã a tarde eu vou visitar a Triz, não vou ter como comprar.
– Porque você não pede pra ela ir com você escolher? Talvez faça bem pra ela, andar um pouco no meio de outras pessoas! Mas só se quiser, se preferir eu compro. — ainda estou com sono e não entendo muito bem o que ela diz.
– Não mãe, pode escolher você mesmo. — pra mim isso é mais fácil e prático.
– Okay filha, levanta agora, se não você não dorme a noite, e percebi que não tem dormido direito. Alias, dá pra trocar a lista de músicas? Aquelas que você tem escutado toda noite já me enjoou. — como assim? Ela sabe que eu não tenho dormido? E pior, ela consegue ouvir as músicas que tenho escutado? Ei, tenho bom gosto musical, mas não posso negar que ouvir durante 2 semanas as mesmas músicas é chato. Dou uma risada e respondo.
– Tudo bem mãe, já vou levantar. E se quiser me sugerir algumas músicas vai ser ótimo, também já enjoei daquelas. — não é verdade que enjoei das músicas, pois são as minhas preferidas, mas se ela também tem escutado parece legal da minha parte juntar algumas músicas do gosto dela.
– Claro, beijo filha, até mais tarde. — percebo que ela gosta da ideia.
– Beijo mãe. — ela desliga e eu me levanto. Só agora noto que o quarto está completamente escuro, que horas são? Meu Deus, são 21:00, como fui capaz de dormir tanto? Mais uma noite em claro vem por ai...
O resto da noite foi um completo tédio, filmes, livros, músicas( algumas escolhidas por minha mãe, que me surpreendeu com suas músicas agitadas e modernas, okay minha mãe não é nenhuma chata), mais filmes, internet, mensagens com o Mike, que deve ser a única coisa que deixa a noite mais agradável. Não sei o que sinto por ele, mas é algo estranho, não é novo, já senti antes e lembro que me arrependi, mas é fora de meu controle, e suas indiretas fazem com que eu me perca mais ainda. Homens, por que tão complicados? Ou melhor, mulheres, por que tão iludidas?
Sem perceber durmo.
Minha intenção era passar a tarde com Triz, mas ligo e sua mãe diz que não seria uma boa ideia, então acabo por ficar em casa, sem nada para fazer. Minha casa é tipo uma mansão, que na verdade acho bem desnecessário. Não gosto de morar em casas grandes, é cansativo, ainda mas para mim que detesto andar. Tem dois andares, em baixo: cozinha, sala de jantar, sala de visitas, sala disso, sala daquilo, piscina, em cima: meu quarto, quarto dos meus pais, quarto do meu irmão, Jonas que não mora mais conosco, então fica vazio a maior parte do tempo, quarto de visitas e sala de televisão, que não costuma ser usada, porque em todos os quartos também tem televisão. Sim, meus pais são bem consumistas, outra coisa que acho horrível, é um "qualifeito" que não puxei deles. E o pior, eles não tem dinheiro suficiente para pagar suas imensas dívidas, talvez esse seja um dos motivos deles discutirem tanto.
Decido passar um tempo na piscina, visto meu biquini amarelo e desço. Não gosto de biquinis, sou daquelas meninas que sempre acha que está gorda, mas eu realmente sempre estou, mas não posso reclamar, já que as coisas que mais amo fazer são comer e dormir, sou um Panda.
A água está perfeita, tranquilizante, fico boiando por um longo tempo, as vezes mergulho, mas logo volto a boiar, quando percebo já está escurecendo. Preciso me arrumar para o baile. Não, eu não estou nem um pouco animada para uma festa hoje.
PERFEITO, essa é a palavra para descrever o vestido que minha mãe escolheu. Longo, de uma cor azul bebê, e alguns brilhos na parte de baixo, em alguns locais um tom de verde água aparecia. Tomara-que-caia, sem chamar muita atenção na frente. Tomei um bom banho e me vesti e como já imaginava achei que o vestido em mim ficou horrível, como não podia fazer nada para mudar meu corpo e rosto, apenas passei uma leve maquiagem para tentar ajudar, minha mãe me obrigou a usar um batom um pouco mais vermelho e arrumou meu cabelo em um belo coque deixando a franja solta. Tudo bem eu tenho que assumir que fiquei um pouco bonita. Coloquei um salto branco, que por sinal era bem confortável e combinava com o vestido, uma bolsinha, com batom e carteira e pronto.
Ao chegar no baile me impressionei com a perfeição de tudo, as mesas, a decoração, tudo tão jovial, tão bem planejado, bem mais bonito que o baile que tive na minha formatura de ensino fundamental. A pista de dança toda iluminada, uma escada com algumas flores. A maioria das mesas já estavam ocupadas, chegamos um pouco atrasados, mas meu pai era especial, então sua mesa era reservada. Meu irmão não pode ir, então quando minha parte de filha acabasse e meu pai fosse dançar e se divertir com minha mãe, eu ficaria sozinha.
Como já suspeitava, tive que dançar uma valsa, meu pai me guiou lindamente, mas eu como pécima dançarina pisei em seu pé umas três vezes. Depois disso passei a hora seguida sentada bebendo algo de morango com leite condensado, algum tipo de drink com poupa de fruta. Tentei beber vinho, mas não aguentei mais que uma taça. Até que levantei para dar uma volta na área ao redor do salão e fiquei perplexa ao encontrar Mike sentado na grama embaixo de uma árvore com seus fiéis fones de ouvido.
Será que o vinho começara a fazer efeito e eu estava ficando bêbada e vendo coisas?! Só podia. O que Mike estaria fazendo ali, justamente agora?! Chego um pouco mais perto, tento me equilibrar no salto, mais a grama não ajuda muito, não quero ser notada, por isso dou a volta e vou chegando perto por outro lado. Sim, é o Mike, isso significa que preciso sair rápido dali, o meu erro é esquecer o tamanho do vestido, e o fato de que ainda não sei correr de salto, então caio como uma jaca podre.
– AAAI !!! — sem perceber solto um grito meio gemido. É, meu plano de passar despercebida acabou de falhar, Mike já me viu caida e está vindo correndo em minha direção.
– Calma, você precisa de ajuda? Se machucou? — Mike me ajuda a levantar, parece mesmo preocupado. — Perai, Hanna? É você? — Ele fica tão surpreso que me solta e caio novamente no chão.
– AAAI !!!! SIM MIKE, SOU EU ! — grito, dessa vez caí por cima de meu pé e uma dor incontrolável toma conta de mim.
– Nossa, me desculpa, não acredito que seja você, vem cá, eu te ajudo. Nossa me desculpa mesmo Hanna. — ele diz desesperadamente, e vai me puxando para cima, até que me pega no colo e me leva até um banco próximo.
– Ei, me larga. Mike, que larga agora! Eu consigo andar, me larga !! — começo a me debater, mas ele não solta.
– Eu te derrubei, eu vou te carregar.
– Não precisa disso, me solta. — digo, mas não adianta muito. Ele me senta no banco e se ajoelha, tirando meu sapato. — Machucou muito? Onde dói?
– Já passou, foi momentâneo, mas obrigada! Estou sentindo apenas uma dor leve.
– Tem certeza? Eu posso conseguir gelo. — ele parece realmente estar muito preocupado, isso o deixa mais lindo ainda. Na verdade nem tinha notado como ele fica perfeito de terno.
– Não precisa, realmente já passou. Mas obrigada.
– Quer que eu te leve para dentro? — ele diz enquanto coloca meu sapato em meu pé novamente.
– Não, acho que vou ficar aqui por um tempo.
– Aceita companhia? — sei que estou ficando vermelha e que um sorriso começa a dominar meu rosto, mas me sinto simplesmente radiante por escutar aquilo.
– Claro! — respondo dando um sorriso. — O que você tá fazendo aqui? — pergunto sem querer, o que mais ele poderia estar fazendo aqui sua lerda? Ele está para o baile. Nossa que lerdeza a minha, então complemento. — Quero dizer, sei que você está para o baile, mas quem de sua família está se formando?
– É, estou mesmo para o baile. É minha irmã, Anne, a mais velha. E da sua?
– Ah sim, não sabia que você tinha uma irmã mais velha, pensei que era apenas a pequena Débora. Meu pai. — eu já tinha conhecido a pequena Débora, uma menininha linda, de cabelos ruivos e pele num moreno bem claro. Super animada e sapeca, com apenas 4 anos. Acho que ela gostou de mim, no dia estava trabalhando de babá e brincamos de boneca, foi quando conheci Mike.
– É que ela não mora mais comigo. Depois dê parabéns a ele por mim.
– Pode deixar.
Conversamos bastante por mais ou menos uma hora, conseguíamos ouvir a música de onde estávamos, e então ele me puxou para dançar e eu não conseguia acreditar naquilo, não sabia o que fazer, minhas pernas estavam bambas, meu coração batia tão rápido que eu já estava pronta para ter um infarto. Ele sabia conduzir, mas eu não sabia acompanhar, não queria pisar no pé dele, como fiz com meu pai, mas não sabia o que fazer. Então comecei a rir, e inesperadamente ele também.
– Eu tinha falado que não sei dançar. — sem perceber fico parada, com o corpo ainda tão colado no dele que consigo sentir o cheiro de sua respiração, um hálito fresco, o que me fez pensar que ele não deve ter comido nada durante a festa.
– Eu também não sei. — ele diz e começa a dançar outra vez.
– Que grande mentiroso, você dança muito bem. — disse sorrindo.
– É horrível de sua parte me iludir dessa maneira sabia Senhorita Hanna banana ?! — disse enquanto me girava e e seguida me segura tão forte e tão perto que nossos olhos ficam frente a frente, podíamos sentir a respiração um do outro, e com certeza ele já tinha notado o quanto a minha estava ofegante, o quanto meu coração pulsava forte, e certamente um sorriso sem bobo e sem graça já estava implantado em minha face. Apenas três centímetros separava nossos lábios, e eu sentia uma vontade tão grande de beijá-lo que tinha medo de sem perceber avançar e atacá-lo que nem doida, mas se estávamos assim, tão perto, tão unidos, era porque ele também queria, será que esse meu sentimento era correspondido ?! Certamente ! Então percebo que tenho que responder algo, mas o que eu poderia falar agora? Se não tiver cuidado posso estragar o momento, como eu sempre faço. Ai Meu Deus, me ajude!
– Eu? Te iludir? Aah claro que não, isso não é de meu feitio Senhorito. Tento ser o mais franca possível sobre meus sentimentos e opiniões. — QUE DESASTRE, nem mandar uma indireta decente eu sei. Feitio? De onde tirei essa palavra? E por que eu estava de repente falando de forma tão culta?
– Sentimentos? Então se a Senhorita diz ser tão franca, me responda, o que sente nesse exato momento? — COMO ELE PÔDE FAZER ISSO?! Me deixar assim, sem saída, completamente perdida, não iria me declarar assim, na verdade eu não ia me declarar em momento algum, não sou do tipo que tem atitude, sempre espero que eles façam o trabalho pesado. Palavras, por que vocês sempre somem nessas horas, não sei o que dizer, o que eu faço? Tenho vontade de sair correndo, mas não posso, eu quero estar onde estou, quero estar perto dele, e é isso que digo.
– Sinto que estou onde eu deveria estar, exatamente no lugar em que eu preciso e quero estar. — quando percebo nossos lábios já estão colados, não nos beijamos de imediato, ficamos apenas sentindo os lábios um do outro e sem perceber um beijo calmo e ardente se inicia.
Até que acordo com o telefone tocando, ainda sonolenta percebo que é minha mãe.
– Oi filha, ainda estava dormindo? Liguei para saber se você quer que eu compre seu vestido para o baile.
– Não mãe, eu não quero que você compre. — desligo e volto a dormir.
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