Cuatro Espada
1 Cuatro Espada
Notas iniciais
Cuatro Espada. O posto de Ulquiorra. Seu nome era uma possível referencia a El que Llora; aquele que chora. Mas, apesar do nome e dos traços que se assemelhavam à lágrimas sob os olhos esmeraldas, Ulquiorra não sentia.
O único Arrankar que possuía duas Ressurecíons. Ulquiorra. Aquilo não parecia importar em nada para o moreno. A única coisa que lhe importava era se seria útil para Aizen-sama ou não. Ele existia para servir aos desejos de Aizen-sama, e para nada mais. Emoções não lhe seriam úteis para esse propósito. Logo, não as tinha.
Ulquiorra era fiel ao seu mestre, até demais. Não era um ser, apenas uma estátua que se movia, falava, atacava e defendia para servir quem a fez. Uma marionete perfeita, totalmente controlada pelos fios guiados pelas mãos do titeriteiro¹. Era apenas um corpo sem motivação própria, sem desejos. O único valor que punha em sua existência era para servir Aizen-sama. Se não pudesse mais lhe servir, então não tinha razão em sua existência.
Apesar disso, o Espada talvez tivesse sentimentos. Escondidos, quase mortos no fundo de sua alma. Fora Hollow uma vez, praticamente a personificação do sofrimento e da dor. Fora uma alma um dia, fora um ser humano. Apesar de longínquos, o tempo em que fora cada uma dessas criaturas existiu. E todas haviam de ter emoções. Sentimentos que lhes dessem alguma direção.
Irrelevante, naquele momento. Agora era o Cuatro Espada, parte da elite dos Arrankars, servo de Aizen. O que um dia fora não importava. Sentimentos eram descartáveis, inúteis e só o atrapalhariam em suas missões. Logo, deveria fazer com que eles não existissem.
Mas alguém achara uma brecha por entre a frieza. Invadira a pedra que era o coração de Ulquiorra. Fizera-o sentir. Fizera-o viver. E agora, Ulquiorra não conseguia mais ignorar as sensações. Era difícil experimentar e simplesmente deixar para trás. Era viciante, como uma droga, que o consumia mais e mais. E ele ia atrás daquela sensação. Aquela sensação que só aquela pessoa lhe proporcionava.
Ao contrário de tudo que um dia acreditara, Ulquiorra sentia. Mas não podia deixar isso transparecer. No falso dia de Aizen, fingiria ser como sempre foi. Frio, calculista, impenetrável. À noite, voltaria para o lado da pessoa que o fizera sentir. Mas apesar de tudo, aquele era ele.
Aquele era o Cuatro Espada.
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