Csótány
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Elisabeta era conhecida entre todos os países por ser durona. Sua infância como “maria-rapaz” e suas atitudes firmes durantes tempos complicados, como guerras, garantiam essa fama.
Isso porque ninguém –nem mesmo seu ex-marido Roderich- havia visto-lhe em uma situação como a que se encontrava, no presente momento.
A húngara apertava o tecido de sua saia jeans, em um ato de nervosismo, e ela mesma pressionava suas costas contra a parede, talvez esperando que o gesto fizesse um grande buraco se abrir para salvá-la.
Seus olhos estavam fixos no inimigo e seus lábios firmemente apertados um contra o outro, talvez impedindo a si mesma de gritar –ainda tinha seu orgulho.
Gemeu baixinho e tentou estudar possíveis rotas de fuga. Eram inexistentes. Pensava em alternativas quando seu oponente moveu-se alguns passos, para seu desespero.
A moça arregalou os olhos e praticamente jogou-se para o lado, recuando em passos largos até bater em outra parede, os ombros encolhidos e o lábio inferior sendo mordido a ponto de sangrar, para que nenhum grito fosse solto.
Elisabeta quase chorava quando estancou por um momento. Se estava assim enquanto a situação era “suportável” , que faria se ele decidisse decolar?
Entretanto, antes que pudesse pensar em soluções, a porta da sala se abriu com um grande barulho, assustando-a.
E para seu horror, seu inimigo também se assustou.
E decolou.
Sem conseguir conter-se mais, a moça gritou como poucas vezes havia gritado antes, saindo correndo sem se importar muito bem para onde. Acabou em um corredor, com a porta que dava para a sala trancada à sua frente.
No cômodo que havia abandonado, houve o som de passos contra o assoalho de madeira e então um grande estalo, antes do silêncio reinar novamente.
A húngara se encolhia contra a parede quando percebeu a maçaneta girar e a porta abrir-se. Estava envergonhada de si mesma e olhava para o chão, sem querer encarar aqueles olhos.
-Confesso que foi cômico –a voz masculina era risonha e Elisabeta sabia que se levantasse os olhos, veria um sorriso igualmente irônico- Uma garota que pára balas com os dentes, tendo medo de baratas.
-Cale a boca! Não é medo –protestou a moça, finalmente olhando para o prussiano, que sorria como ela imaginara- É pavor! Baratas são os bichos mais asquerosos da face da terra e só possuem como objetivo de vida... Ser nojentas e espalhar o caos!
Gilbert riu, fazendo a garota se envergonhar ainda mais, a face alva assumindo uma coloração rubra.
-Oras, deixe-me em paz! Não é como se eu não pudesse mais te enfrentar em uma briga, como antigamente! E que infernos você está fazendo na minha casa? E entrando sem bater?
A morena passou pelo prussiano, adentrando novamente a sala, com o cuidado de passar longe de onde o cadáver do inseto jazia esmagado. O rapaz a seguiu.
-Hey! O grandioso eu salvou sua vida! Se não fosse por mim, você teria ficado encarando aquele bicho por muito tempo e você sabe disso!
-E o que veio fazer aqui, afinal?
Uma sobrancelha prateada fora arqueada.
-Perturbar, é lógico. Por que mais viria?
Elisabeta quis esconder seu rosto em uma de suas mãos enquanto suspirava. Devia ter imaginado.
Porém, por mais que continuasse reclamando e brigando com o arrogante prussiano, no fundo escondia um sorriso. Ela sabia que sempre poderia contar com Gilbert para lhe ajudar ou até mesmo salvar.
-Por que você tem um piano, se não mora mais com aquele almofadinha e nem sabe tocar? Aliás, você sabe fazer alguma coisa que garotas deveriam saber, além de se mijar de medo de um inseto à toa?
...E para lhe torrar a paciência, também.
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