Crônicas para ler, entender e pensar.
2 Louca Loucura.
Notas iniciais
Eu já não suportava branco.
Talvez a presença constante daquela cor tenha feito eu criar uma aversão imediata (sempre odiei coisas em excesso) ou talvez minha preferência por cores escuras iniciou um completo desprezo pela claridade sufocante que o branco possuía, como se ostentasse arrogantemente toda sua magnitude de pureza.
Ali naquele quartinho branco, com roupas brancas e camisa de força (adivinha? Branca!) limitando meus movimentos, me sentia esquecida, desmoralizada, insignificante. Sendo apenas visitada pela enfermeira que, por pura necessidade de seu salário mensal, tinha a obrigação de lembra da minha existência para dar meus remédios em horários programados.
Era sempre o mesmo naquele maldito hospício: Ficava naquele cantinho do quarto (me recusado por orgulho e birra a me deitar naquela cama dura), sendo atormentada por vozes sem rosto que comandavam autoritárias meus gestos, obrigada a comer três refeições por dia e tomando comprimidos inúteis que diziam ingenuamente que iam me impedir de sucumbir a loucura. Não tinha culpa de estar ali. Não tinha!
As vezes, as vozes falavam mais alto que eu mesma.
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