Cartas de Amor

Eu estava chegando na casa dela, era bonita, nem tão enfeitada, mas tão simples quanto outras, e bem decorada em certos pontos. Conhecia sua mãe, e pai, talvez até irmão, não sabia ao certo. Não, não era irmão, não tinha como saber. Ocorria tudo bem, e a noite eu começava á trocar mensagens em forma de cartas de papel na qual eu escrevia para Ela. Era a primeira vez que tínhamos um bom contato, até mesmo por forma de cartas escritas, e era bom. Perguntei-a em meio às cartas, o porquê de não estarmos falando oralmente, ela disse que tinha mais conforto por cartas, e eu aceitei, sem problemas. Eu havia tentado beijá-la logo depois, mas, ela não retribuiu o tal ato.

Era estranho, eu sabia que estava ciente e lúcido, e que ela deveria ser minha, como sempre foi, era outra dimensão, alternativa, mas não deveria deixar de seguir as formulas do destino. E tudo continuava andando como deveria andar, eu a ajudava escolher um bom colégio para o próximo ano, sem tanto sucesso, mas ajudava, e começávamos á se conhecer melhor, e nos divertir juntos, era mágico.

Os dias se passaram, ou pularam, não sei. Sei que tinha algo mais avançado no tempo, como uma parte da memória tivesse sido divida em fragmentos espalhados em uma praia de conchas. E lá estava eu, ao lado dela, ambos sorrindo ao lado do outro, e com olhares apaixonantes direcionados para os próprios parceiros, estávamos namorando. Mas, eu queria saber, como isso aconteceu? Os dias tinham pulado, era estranho, e até onde eu sabia, não tínhamos se beijado ainda, e logo hoje, agora, estávamos namorando? Eu perdi algo? Eis que eu pergunto á ela, quando começamos a namorar, tentando enfatizar e ao menos esconder o que eu já sabia. E de uma forma encantadora e deslumbrante, sua voz mesclou-se em palavras tão lindas que ecoaram por meus ouvidos fazendo-me delirar em emoção.

— Desde a primeira vez, eu acho. —era uma voz serena, calma, sem prepotências, ela se referia ao dia em que havíamos trocado cartas manuscritas, e para ela,e talvez pra mim, seria o dia em que começamos a gostar um do outro, e criar uma boa relação.

E aquela dose de felicidade acabara de tornarem-se poções e panelas cheias de emoção que começaria á cair no caldeirão da vida; Tudo apenas melhorava a partir dali, minhas noites com ela, os risos agradáveis, os sonhos de sua risada, e as suas madeixas que levitavam em seus movimentos a partir do coque de seu cabelo. E também tinha a irmã dela ali, mas, eu percebi naquele momento que vi a irmã dela, e ela brincando comigo de “quem gosta mais dele?” notei que seria um prelúdio, um aviso do dia que um uma vez iria chegar e que iria acabar com todo aquele mar de violetas e rosas que estava se formando, e de repente as rosas e violetas morreriam envenenadas. Era apenas um aviso, e como sempre, em todos os outros universos, eu ignorava esse aviso... É talvez seja isso, a solução.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.