Crônicas de uma velha louca

8 O que temos hoje barman?


Notas iniciais
A data original desta crônica é de 19/07/2015, esta para fazer um ano que esta no papel e só agora resolvi passar pra cá.

O telefone insistiu, era cerca de 3:15 da manhã, — "Lá vem desgraça"— pensei atordoada enquanto tomava o celular a mão. 'Aplicativos', a palavra do século 21, juntamente com "wifi" somavam as alegrias e dores de mais de 90% da população.

— Esta ai?

— Agora estou. São quase 4:00 horas, alguém morreu? — a luz do aparelho ainda me cegava.

— Queria conversar.

— Conversar?! — nesse momento já estava sentada.

— Sim, você poderia?

— Quando?

— Hoje a noite, te encontro no lugar de sempre! Por volta das 19:00 horas, tudo bem?

Minha respiração se esvaiu enquanto encarava aquelas letrinhas. Deveria ter dito "não" mas não foi o que disse.

A tarde se arrastou numa preguiça incomum e, por vezes, cogitei simplesmente não ir, sem explicação, sem me preocupar e novamente não foi o que eu fiz.

E lá estava eu em frente ao mesmo lugar aguardando.

— Você veio! — A voz atrás de mim parecia levemente entusiasmada.

Virei-me com cuidado e ensaiando um sorriso— Pois é!

— Consegui pegar o carro, topa ir em algum lugar?

Fiz uma careta desconfiada e inclinei o rosto, desta vez, verdadeiramente, disposta a dizer não.

— Pensei em irmos próximo a lagoa, não precisa se preocupar.

Aceitei, então, e fomos todo o percurso em silêncio. Eu não tinha vontade de falar e não sabia dizer se tinha vontade de ouvir. Descemos e passamos a caminhar naquela longa calçada. A lagoa, estranhamente, estava coberta por uma fina camada de neblina. Respirei fundo a maresia e recostei-me a mureta.

— Eu te trouxe aqui pra dizer que sou um babaca.

— Você é?!

— Sim e tenho a tendência a fazer as melhores pessoas se sentirem mal.

— Olha, você não precisa me dizer nada disso...

— Preciso sim! Você riu comigo, contou piadas, guardou meus segredos, contou os seus... Ouviu minhas lamentações, brindou meus orgulhos, sofreu minhas derrotas e jogou sinuca comigo. — Rimos por um momento.

Pensei que ele haveria de estar drogado, não conseguia enxergar a possibilidade de algo assim estar acontecendo. Falou do quanto tinha errado e de sua vontade de concertar tudo, de acertar onde havia falhado.

Segurou-me a mão e na altura de tudo tinha esquecido de mencionar o casaco que enfim eu havia trazido. Abraçou-me e eu não pude fazer nada, suspirei e recostei a cabeça sobre seu ombro.

(....)

— Era tudo o que eu queria ter ouvido. — Disse matando outra dose de qualquer coisa que o barman me servia.

— E isso aconteceu realmente? — Ele me respondeu completando meu copo

— É claro que não.

— In crônicas de uma velha louca