Crônicas de uma galáxia
23 Dor
Tentei ir para a escola no outro dia, mas só conseguia chorar. A sensação de que eu iria perdê-lo sem talvez nunca mais olhar pra ele era horrível, e eu não conseguia respirar, nem pensar.
Chorei até dormir quando desligamos, e quando acordei, voltei a chorar. Eu nem sabia que era possível que uma pessoa só pudesse verter tantas lágrimas. Me sentia desidratada e cansada.
Não existe nenhum exemplo que eu posso dar para que entender o que eu sentia seja mais fácil. Eu estava perdendo o amor da minha vida, e nunca mais o veria.
Escrevi mais uma carta. Uma carta longa, de quatro ou cinco páginas, mas não cheguei a colocá-la no correio. Eu queria ser forte, queria ter esperanças. Queria poder dizer pra ele que ficaria tudo bem, que iríamos superar isso e, no futuro, esse episódio seria só uma lembrança ruim. Mas eu não consegui.
Tivemos a enfadonha conversa sobre “terminarmos pra você não ter que passar por isso junto comigo”, e tive que relembrá-lo de que tinha prometido estar com ele pra sempre, em qualquer situação.
Eu lia sobre as coisas que ele tinha, e ficava assustada. Lia sobre as chances de morte, e as coisas que ele passava, e queria estar junto com ele. Mas não podia.
Aquilo estava me matando por dentro.
E eu chorava.
Essa conversa marcou o início do período na minha vida em que eu choraria todas as noites até dormir, exausta. Meu travesseiro tinha adquirido um leve cheiro de sal.
Eu não tinha mais forças, mas precisava ter. Tudo doía. Não só emocionalmente. Parecia que a dor tinha decidido que não era forte o bastante, e se estendeu até meu físico. Me mexer doía. E era uma dor que eu sabia que nenhum remédio poderia combater. Então, eu chorava e dormia.
O sono me poupava da realidade.
Sentia-me uma péssima namorada por isso, mas achava que se eu não tivesse meus períodos de paz inconsciente, não conseguiria aguentar. Eu tentava lhe dizer todos os dias que tudo ia ficar bem, e que íamos dar um jeito.
Mesmo que eu não acreditasse, eu precisava que ele acreditasse. Eu esperava que tivesse um efeito placebo. Que nossa crença de que tudo daria certo o salvasse.
A ideia de perdê-lo doía tanto que me incapacitava. Eu não conseguia me mexer, nem pensar. Nada mais importava, se não fosse com ele. Só deixava que as lágrimas caíssem, incessantes e quentes.
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