Crônicas de uma galáxia
8 Achismo
— Vem cá. Agora. – Isabella me puxou pelo casaco para os fundos da escola. Eu, triste por saber que minha constelação preferida não viria trabalhar, me deixei ser arrastada por ela.
A menina parou na minha frente, e cruzou os braços.
— O que aconteceu, tá tudo bem? – Questionei, preocupada.
— Eu estava conversando com o Marco, ontem. – Ela começou. Só o nome já fazia meu coração bater mais rápido. Senti que alguma coisa importante ia acontecer, mas não sabia se era bom ou ruim.
— Hum. – A incentivei a continuar.
— E falamos de ti. – Ela continuou, os braços cruzados, expressão séria.
— Falaram foi? – Perguntei. Ela concordou com a cabeça.
— Ele pediu pra eu não te contar. Mas somos melhores amigas, eu não consigo não te contar. – A menina continuou, o rosto impassível. Os olhos castanhos misteriosos sob os cílios.
— Que foi Isa?
De um segundo para o outro, ela descruzou os braços e começou a pular.
— Ele disse que gosta de ti! Ai meu Deus vocês são tão lindos juntos! Tu tem que dar uma chance para ele, ele é tão legal, vocês têm que ficar juntos! – E continuou, as mãos balançando de um jeito que só ela sabia fazer e era absurdamente fofo. Eu via as estrelas em seus olhos.
Ao mesmo tempo, eu sentia meu estômago despencar cheio de borboletas, e minha cabeça girar e todas as minhas estrelas saírem de suas órbitas e de repente a minha constelação estava uma confusão. Mas uma confusão muito, muito feliz.
Eu não conseguia ouvir o que eu mesma dizia, mas era algo sobre ele ter certeza, e sermos melhores amigos, mas não importava muito. Eu só sabia sentir. Sentir o turbilhão de sentimentos bons correndo dentro de mim.
Sou uma pessoa muito imediatista. Decido as coisas muito rápido. Sinto as coisas muito rápido. Sou tomada por sentimentos muito rápido.
Naquele momento eu já comecei a achar que o amava.
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