Crônicas de uma galáxia
43 A Senhorinha
Eu não conseguia parar de chorar.
Em poucos minutos meus olhos já estavam inchados e minhas mãos molhadas demais para continuar secando as lágrimas que caíam sem parar. Eu me arrastava rumo ao portão de embarque, todas as células e estrelas do meu corpo me puxando para o chão. Elas tinham desistido de girar, e a gravidade era a força mais poderosa do universo naquele momento.
Entreguei ao funcionário minha passagem e o RG e, quando coloquei os pés naquela espécie de túnel/corredor que leva ao avião, senti uma onda mais forte chegar, e me afoguei nela. Não conseguia mais controlar os soluços, e parecia uma criança. Desesperada por um abraço.
Sentada na minha poltrona, eu tentava ao máximo me acalmar. Não precisava que todos os passageiros da aeronave me ouvissem. Tentava fechar os olhos e respirar fundo mas, cada vez que eu fazia isso, imagens de todo o tempo que passamos juntos voltavam para mim através do negrume das pálpebras, e as lágrimas recomeçavam.
— Está tudo bem? – Ouvi, enquanto percebia que havia uma mão sobre meu ombro.
Quando olhei para o lado, notei que havia uma senhorinha sentada na poltrona. Ela usava um lenço branco pérola, e acompanhava uma criança que devia ser sua neta. Suas feições eram bondosas e maternais, apesar de sérias.
Fiz que não com a cabeça, tentando não falar. Era impossível entender qualquer coisa que eu dissesse, se estivesse chorando ao mesmo tempo.
— Alguma coisa dói? – Ela perguntou, a mão ainda no meu ombro. Respirei fundo, esperando uma pausa entre meus soluços.
— O coração. – Murmurei, antes de voltar a chorar. Coloquei as mãos no rosto, tentando respirar, tentando manter o controle, tentando não desabar.
Ela ficou em silêncio por um tempo.
— Vai ficar tudo bem.
E foi tão doce e inesperado, e ela parecia ter tanta certeza do que falava, que eu só pude acreditar que estava certa.
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