Crônicas de um Marido Bruxo

2 Capítulo Um - O Mendigo e a Bela Princesa


Notas iniciais
Espero que aprecie o capítulo! Boa leitura!

Aos seus sete anos, Rickard começou a conseguir levitar pedras inexplicavelmente no fundo do seu quintal.

Aos seus sete anos, Cristhine começou a comer meleca do nariz.

Aos onze, Rickard entrava para a Casa Comunal da Lufa Lufa.

Aos onze, Cristhine entrava para o Clube do Beijo.

Aos dezessete, Rickard se formava em Hogwarts e disputava um cargo de excelência no Ministério da Magia.

Aos dezessete, Cristhine estudava para entrar numa faculdade.

Em um pequeno café, nas ruas quase tranquilas de Londres, Cristhine estudava, junto de seu bloco de desenho, livros e cadernos. Estudava para ser arquiteta, era seu sonho. Uma incrível chata que tagarelava sobre todas as formas dos prédios e toda a distribuição urbana, sobre tudo que o homem fizera e que era belo. Gostava de História, especialmente de História da Arte, embora nutrisse um desejo secreto pelas guerras mais nefastas já ocorridas.

Em casa, Rickard dormia tranquilamente. Deveria estar estudando para sua prova. Era, no entanto, um misto de gênio presunçoso e preguiçoso, que tirava notas baixas apenas por não precisar estudar.

– Acorda, Ricky! Acorda! – gritava sua mãe, enquanto lhe batia com uma colher de pau. – Vai te arrumar, menino, vai estudar! Já não me basta ser lufano, ainda quer ser vagabundo?!

Após os xingamentos proferidos pela mãe, Rickard levantou-se. Coçou suas partes, tirou sua cueca samba-canção usada por dois dias, tomou um banho rápido e vestiu seu terno surrado. Era outono, o vento era frio, mas não lhe gelava o peito. Pôs meias sociais, um sapato condizente, pôs sua mochila sobre um ombro e foi estudar. Quando estudava, algo bastante raro, Rickard ia a um café. Sempre pedia o mesmo número, dando algumas gorjetas louváveis à garçonete loira, de olhos claros e cheia de sardas. Costumava sempre chamá-la para sair, embora ela negasse todas as vezes.

Cristhine, após os estudos, ia para sua aula de música. Tocava de tudo um pouco, especialmente os instrumentos com corda. Era um prodígio na música, uma sofredora tão bela e adorável, que se entregava às cordas e aos sons, divagando e bailando com a beleza do que ouvia.

Rickard, após os estudos, comprava algumas revistas adultas e ia para casa.

Naquele dia, Cristhine trajava vestido, um pequeno casaco e um sapato fechado e delicado. Gostava de um garoto da sua aula de música, um aluno exemplar que dedilhava tão bem seu violino que a garota tinha inveja do instrumento. Pusera um perfume de sua mãe, algo de grife e bem cheiroso, bastante agradável ao seu nariz.

Quando Rick entrou no café, percebera que havia alguém diferente ali. O café era freqüentado sempre pelas mesmas pessoas, uma clientela sem graça e estática. Mas definitivamente havia algo novo. Pediu o seu café, o sempre mesmo número 13.

– Quer sair comigo hoje, Janete? Tem um novo filme bom passando no cinema – disse, após depositar quatro libras de gorjeta sobre o balcão.

– Não, Richard, desista! – respondera a garçonete, numa meio risada tímida mas graciosa. Era fácil notar o motivo de tanta fascinação do garoto pela atendente.

– Ei, meu nome é Rickard! E você sabe disso!

Pegou seu café com cobertura de chantily e sentou-se em uma mesa junto à janela, mesmo que ela fosse de pouca serventia embaçada. Começou a retirar seus livros e cadernos da velha mochila, pondo-os sobre a mesa. Enquanto bebericava seu café, entendeu enfim o que lhe chamara atenção quando entrara no recinto. Havia uma nova alma por ali, uma nova tentativa de testar seus encantos de adolescente. Juntou seus livros, pô-los sob seu braço e rumou para perto de uma encantadora menina de vestido púrpura.

– Com licença... eu posso me sentar aqui? – entoou sorridente. Tão distraída estava, a garota não lhe deu atenção enquanto exercitava sua mente com seus livros. – Hãn, hãn. Com licença.

– O que foi? – respondeu a menina sem tirar os olhos de seu livro.

– Posso me sentar aqui? – perguntou novamente Rickard, cada vez menos confiante.

A garota retirou os olhos dos livros e analisou o garoto, de cima abaixo. Ao ver o terno surrado do rapaz, enviesou a boca e lançou um olhar de aflição. Quando encarou-o nos olhos, olhava-o com pena.

– Eu já estava me retirando, na verdade. Fique a vontade. – Guardou os livros, cadernos e desenhos e se retirou para o caixa, e então para a rua.

Notas finais
Obrigado por ler! Se gostou, comente! E aguarde pelos novos capítulos!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.