Olá, hoje eu estou com um excelente humor e, no momento, rindo pra caralho! Meu papai malvado tá no trabalho então eu estou com o meu papai desastrado e nós dois estamos brincando. Aliás, eu estou brincando, porque ele tá quase desmaiando de tanto chorar.

– VOLTA AQUI, LAW!!

– Dá, dá!

Como eu disse no capítulo anterior, bebês são demoníacos por natureza e eu, certamente, não sou diferente. Já que eu possuo habilidades de locomoção altamente superiores, eu estou correndo pela casa e ele está me seguindo, do jeito desengonçado dele.

Vocês não imaginam o quanto essa casa é grande e o quanto eu sou pequeno! Enquanto eu corria por aí como um desgovernado, ele ia atrás de mim. Só que tipo, por ele estar de meias, quando ele vinha na minha direção, ele ia tão rápido que acabava escorregando, rolando no chão e batendo na parede mais próxima. Eu só ria e continuava a andar por aí.

– POR FAVOR, TENHA PIEDADE, LAW!

Aí agora eu estou aumentando um nível de dificuldade. Chegou a hora definitiva e, com certeza, a mais assustadora: A HORA DE DESCER ESCADAS.

Assim como bebês, as escadas tem um gravíssimo poder demoníaco e são responsáveis por muitos acidentes. Mas eu tava pouco me fudendo! Desci mesmo assim, correndo o mais rápido possível, e só ouvi o barulho de um homem adulto tropeçando, caindo de costas e rolando escadaria abaixo, para terminar de bunda no chão. Um bebê que consegue descer escadas com mais destreza que seu pai, quem nunca?

– Dá, dá, dá!

Fiquei correndo igual um maníaco descontrolado e ele me seguia, cheio de arranhões e com a camisa semi-rasgada. Detalhe, por algum motivo desconhecido, seu ombro estava pegando fogo. E quem disse que eu me importo? Aliás, quem disse que bebê tem empatia? Queremos simplesmente é que os adultos se fodam!

Até que eu tive uma visão e meus olhos brilharam. Uma mesa, que deveria ter o dobro do meu tamanho, chamou a minha atenção pois lá em cima havia um vaso de flores muito bonito e dourado. Puxei o pano que cobria a mesa com intuito de tirar o vaso lá de cima e deu certo, já que o vaso agora tava quebrado no chão.

– NÃO!! ESSE ERA O VASO PREFERIDO DO DOFFY, MEU DEUS, ELE VAI ME MATAR!

Comecei a rir igual um retardado mesmo sem saber o que o meu pai tava dizendo, mas a expressão no rosto dele era hilária por si só. Puis minha mão na boca sem motivos, já que mãos de bebês são deliciosas, e continuei a minha aventura pela Mansão.

Eu e papai continuamos a brincar de pega-pega quando eu, novamente, tive uma visão inovadora. Era muito comum graças a beleza da casa, porque tudo era muito grande e brilhante. Ter pais ricos é muito bom, vocês deveriam tentar! De qualquer maneira, eu me deparei com uma pequena caixinha.

Ela era muito pequena e bonitinha e, como todos os outros objetos, brilhava. Peguei-a e comecei a explorá-la, sentindo seu gosto com minha boca e lambendo como se fosse um pirulito. Meu pai estava ocupado demais tentando apagar o fogo de seu ombro direito, então tive tempo suficiente para divertir-me com ela.

Eis que eu, como sou um bebê intelectualmente superior, resolvo abrir a caixa de uma vez por todas. Meus olhos brilharam mais ainda quando eu percebi que era uma caixinha musical que tocava uma canção suave.

London Bridge is falling down, falling down, falling down...

Uma pequena bailarina havia surgido também, dançando conforme o ritmo. Fiquei olhando para a caixinha e ouvindo a voz suave dela, até que decidi que odiava aquela música infernal e simplesmente taquei a porra da caixa no chão, quebrando-a em minúsculos pedaços.

– NÃO!! MINHA CAIXINHA DE MÚSICA!

– Dá?

Vi meu pai sorridente aos prantos de desespero, segurando seus cabelos loiros com afinco e olhando para os restos da pobre caixa. Sua boca balbuciava como se estivesse realmente triste e então pensei que iria levar minha bronca. Sabendo disso, ativei meus super poderes de bebê e comecei a olhá-lo como se fosse um cachorrinho que caiu da mudança. Fiquei o mais fofo possível e meus grandes olhos infantis brilhavam, cheguei até a forçar um pouco de choro.

– Awn, Law! – E parece que minha encenação deu certo, já que ele me perdoou e não me repreendeu. Bebês e seus dons naturais para arte.

Abri meus pequenos braços e ele retribuiu, me pegando no colo e me abraçando. Adorava ele, já que era muito quentinho e confortável, diferente do demônio do meu outro pai. E assim ficamos, abraçados, em uma altura imensa para um bebê, já que ele era muito alto. Até que a campainha foi tocada.

– Boa tarde, cheg... ROSINANTE, QUE PORRA É ESSA?

– Doffy! Você chegou!

– Você tá com o Law no colo? SEM A MINHA PRESENÇA? LARGA ELE, AGORA!

– Ain, calma, não precisa ser tão cruel. Olha só, nós estamos muito bem juntos e eu não estou tropeçando!

– Olha aqui, se você matar esse bebê eu vou tacar os dois pela janela. Não tô afim de ir preso só porque o meu marido é desastrado!

– Credo, você é muito malvado!

– Eu só me preocupo com vocês dois, principalmente com o Law no seu colo.

Caso a curiosidade de vocês esteja apitando, é o Doflamingo quem faz tudo. É ele quem trabalha, já que o outro prefere ficar em casa; é ele quem cozinha, já que o outro não pode encostar em um fogão e também é ele quem limpa, porque o Rosinante não pode pisar em chão molhado.

E caso vocês queiram saber também, a culpa pelo vaso preferido do Doflamingo ser quebrado caiu toda em cima do meu papai gentil. Eu até me senti mal de por a culpa nele, já que eu usei o meu poder sedutor de bebê para incriminá-lo, mas entendam o meu lado. Eu tenho medo desse demônio que eu chamo de pai. Ele é muito feio!

Mesmo assim, eu fui tirado das mãos acolhedoras do meu papai antes que algum acidente acontecesse e fui transferido para cama, onde poderia ficar mais seguro. Os dois ficaram me encarando com sorrisos e ficaram brincando comigo, colocando os dedinhos perto de mim e imitando voz de bebê.

– Ain, Law, olha aqui, meu bebêzinho lindo!!

– Dá buu! – Adorava esse loiro. Sério. Poderia sorrir para ele toda hora que nunca me cansaria!

– Awn, ele é muito bonitinho mesmo. Parece que ele tá começando a gostar de mim, né?

– ... – Por que essa coisa tem que estragar a minha felicidade? Por que insiste em mostrar esse sorriso ridículo pra mim? Por quê?!

– Tsc, bebê insolente. Morra. – Acho que ele leu meus pensamentos.

– D-Doffy, não fala assim do Law!

– Foda-se ele, Rosinante, eu já me cansei dessa ingratidão!

– N-Não fica assim...

– Ah não, cansei, foda-se. Trabalho todo dia pra comprar essa gosma que ele chama de comida!

– Não é gosma, é que é mais fácil dele mastigar...

– Foda-se, isso é mimação demais, ele precisa comer carne de verdade e aprender a mastigar feito adulto! Se continuar comendo gosma vai virar uma lesma humana.

– Doffy, não se mima um bebê fazendo ele comer papinha...

– Foda-se! O Luffy come carne e ele é mais novo que o Law, não é desculpa.

– Mas é diferente... cada um tem sua mandíbula.

– Rosinante, foda-se tudo isso, a mandíbula desse traste é fraca demais. Nem falar ele fala! Só fica aí, rindo que nem um retardado.

– M-Mas... ele é um bebê...

– Foda-se!

– Bebês são criaturas felizes que não conhecem o lado cruel do mundo.

– Foda-se, tem é que conhecer desde cedo mesmo! Com dois anos eu já tinha matado várias formigas e insetos inúteis. Nem pra isso ele serve.

– M-Mas Doffy, não devemos ensinar nosso filho a matar...

– Foda-se, ele vai ficar fresco pro resto da vida.

– N-Não é questão de ficar fresco...

– Foda-se!

– Para de falar palavrão na frente da criança!

– Fo-da-se!

– Foda-se você, para de incentivar nosso filho a fazer coisas ruins!

– Foda-se você, para de derrubar o pirralho por aí!

– Foda-se você, seu malvado!

– Foda-se você, seu mimador!

– Foda-se você, não é mimar! É dar amor, carinho e muit–

– Fooodaaa-seee!

– Para de falar foda-se! Que coisa, eu só quero deixar o Law ser uma criança feliz e sorridente.

– Foda-se, sorridente é o caralho, sou eu quem compro as gosmas dele! Ele deveria sorrir pro meu dinheiro e não pra você.

E, enquanto esses dois brigavam, eu só fiquei observando. Meus olhos eram direcionados para o Rosinante e depois para o Doflamingo, assistindo àquela briga sem sentido e tentando entender alguma coisa. Mesmo sem saber o significado daquelas palavras, o tom de voz deles me chamava atenção.

– Fo...

Eu tentei copiá-los, mas eles gritavam tão alto e falavam tão rápido que nem perceberam a minha presença insignificante. Sei lá, parecia ser uma palavra muito engraçada e, como era repetida com facilidade, deveria ser algo muito bonito para se dizer.

– Foba...

– Huh? – Rosinante interrompeu a briga quando percebeu a minha manifestação por atenção. – Ei, Doffy, acho que ele quer dizer alguma coisa...

– Foda-se esse bebê ridículo, quem é que liga pra o que um bebê fala?

– E-E-Eu ligo! Como você pode falar palavras tão cruéis?!

– Mas qual a diferença? Mesmo se ele falar, ele não vai saber o significado.

– Talvez não, mas vai ser o momento mais importante da nossa vida como pais! Você não percebe isso?

– Tsc, tem razão, eu acho. Foi mal.

– E além disso, ele é muito bonitinho! Eu quero ouvir a voz dele! Vai, Law, tenta falar conosco.

Meu papai gentil acabou acalmando o meu papai demoníaco, então eu fui pego no colo por ele e novamente senti o calor de seu abraço. Ele me levou até o alto, onde seu rosto se encontrava, e eu consegui ver bem de perto seus olhos azuis como céu e seu sorriso lindo e gentil.

– Papá!

Fim.

Próximo capítulo: Não sei, não sou vidente.

Notas finais
CÊS VIRO A SURRA QUE O PAPAI MALVADO LEVO HOJE NO MANGO???? O ÓCULOS QUEBROU!!!! *o*