Crônicas de luz e sombras
4 Parte 4: Chegada ao templo
Permaneciam ocultos e em silêncio naquela noite. Tanaka tentava ouvir de alguma forma a atividade do lado de fora do templo, estava chovendo, coisa que de raramente acontecia naquele lugar. -Faz muito tempo desde a última vez que choveu. Disse Mizei, sentado ao lado de uma cama em que Aiko estava. tenso e ao mesmo tempo ansioso para saber o que ela teria passado, Mizei esperou durante horas numa tentativa de que Aiko voltasse a si. Tanaka nunca tinha visto seu mestre daquela forma, suas mãos soavam, seu corpo tremia, ele sabia que algo de ruim estava acontecendo e seu mestre tinha noção da gravidade. Ficaram ali horas em suas posições, Tanaka adormeceu escorado nos portões enquanto Mizei sequer fechava os olhos. E assim permaneceu até o amanhecer. Um grito foi ouvido, Aiko tinha recobrado sua consciência e pulou da cama, dirigiu se até a porta para escapar do homem que nunca tinha visto em sua vida, -Calma garota eu não irei te fazer mal, meu nome é Mizei, eu sou o monge que cuida desse templo.
Aiko ficou paralisada, lágrimas de alívio escorriam do seu rosto, ela então olha pro monge. -Me desculpe, pensei que fosse alguém mal. Mizei se comove com aquele pequeno rosto sofrido, nunca em sua vida ele tinha visto uma criança dessa forma, todas as crianças daquela região eram alegres e sorridentes, para ver ela assim, algo terrível tinha acontecido. Tanaka então é acordado por Mizei e se levanta e corre até o quarto em que Aiko esta, -Não precisa ir com pressa Tanaka, assim você só vai assustar a garota; disse Mizei. Tanaka chega até a porta e olha para Aiko com um rosto de preocupação como se quisesse dizer algo, ele então respira fundo e pergunta.
—Você é de uma aldeia chamada virulia, certo?.
Aiko olha para Tanaka e logo baixa a cabeça sem o responder.
—Me fale o que eu quero ouvir, virulia foi atacada?
Ela então balança a cabeça para cima e para baixo confirmando, Tanaka então fecha os olhos e respira fundo mais uma vez, pela expressão em sua face ele estava realmente preocupado e novamente pergunta a Aiko.
—Eu tenho família e amigos nessa aldeia, quem os atacou e quantos sobreviveram?
—Fui a única que sobreviveu e mesmo que eu te contasse quem fez isso você nunca acreditaria, todos os adultos são assim.
Tanaka então se senta no chão ao lado da porta, olhou para o peito e dele puxou um colar, ele tentava falar algo, mas sabia que se dissesse a primeira palavra não seguraria suas lágrimas. Mizei então chega na porta e passa sua mão sobre a cabeça de Tanaka, -Eles estão em um bom lugar agora, não se preocupe. disse ele antes que o silencio tomasse conta do local.
Em um templo distante...
—Corta essa, o que aconteceu com o ataque eu havia ordenado?
—Sinto muito senhor mas não conseguimos encontrar o templo.
—Como assim não encontraram? ouvi dizer que o templo onde aquele velho idiota mora fica ao leste da província, os cerberus e os kanjis rapidamente o encontrariam.
—No momento os alvos parecem usar um selo de ocultação, ficara difícil encontrar o templo já que o mesmo se torna intangível.
Bate na mesa com força. -Malditos, em algum momento eles terão que aparecer, aquela magia dura no Máximo uns dois dias, logo já não terá força suficiente para fazer com que o templo permaneça invisível.
—Está perto do anoitecer, devemos recolher os kanjis e deixar que os cerberus continuem a patrulha sozinho.
—Ótimo, faça isso, Zen não sabe o que acontecerá com sua pobre e amada filha, ele ainda fala o nome dela enquanto dorme?
—Quase todos os dias, maldito traidor, um homem da classe dele nunca deveria ter pensado em nos trair, talvez teria-mos poupado a vida de sua esposa, afinal, ela pertence a um dos clãs que criaram o medalhão.
—Pouco me importa, o que quero apenas é o renascimento do meu deus, até lá, estaremos longe do nosso objetivo. Enquanto isso no templo onde Aiko está, Mizei explica a ela sobre o medalhão e também outras coisas que ela devia saber.
De volta ao templo de Mizei.
—Aiko, esse medalhão que carrega em seu pescoço é chamado de ponte. segundo a profecia, em algum lugar desse reino se encontra o pilar de nimbus, esse pilar é a chave junto do medalhão para que todos os seres humanos tenham acesso ao mundo perdido chamado nimbus, é de lá que se acredita que vem o criador do nosso mundo e todos os seres vivos, ele nos fez a imagem dá luz para que possamos semear a paz.
—Esse lugar chamado "nembuis" senhor, ela pra lá que minha mãe queria que eu fosse ?
—Nimbus. Me diga, como se chamava sua mãe Aiko ?
—O nome dela era Hasu. Aiko então olha para o chão com uma cara triste
—Desculpe se a fiz lembrar de momentos ruins, (Hasu, eu já ouvi esse nome), dizia Mizei em seus pensamentos.
—Não precisa se preocupar comigo, posso ser uma criança mas entendo muitas coisas da vida, eu lia livros, eu aprendia com minha mãe e eu também conheci o sofrimento, não irei mais me abalar, ela então sorri para o monge.
—Percebi desde cedo que você não parece com as outras crianças, sua mãe fez bem em lhe ensinar, Aiko na mesma hora faz uma cara de surpresa e pergunta.
—Monge, mas se o medalhão é uma ferramenta para se alcançar o mundo perdido por que eu consegui matar monstros com ele?
—Tem certeza que foi o medalhão?, Exclamou Mizei.
—Eu não sei, saiu luzes de minha mão no momento em que me atacaram, Mizei então começa a entender o que realmente tinha acontecido.
—Existe mais uma coisa que você precisa aprender. O medalhão pode agir de duas formas, como ele suga a energia espiritual de quem a usa ele também pode repelir essa energia como se fosse uma arma, se você disse que foram feixes de luz, então essa energia é chamada de brilo, se ele suga e repele sombras se chama escubro, você é uma boa menina por isso o medalhão brilha em seu peito.
—Estou com fome, fala Aiko com o rosto contorcido e os lábios puxados dentro da boca.
—Você não pode comer agora, ainda tem muita coisa para lhe explicar.
—Eu não quero saber de histórias enquanto tiver fome.
—Quanta insolência vinda de você, o que aconteceu com a jovem menina inteligente de alguns minutos atrás?
—Ela está com fome e quer comer seu velho fedido, Aiko então cruza os braços e vira de costas para Mizei enquanto Tanaka ria dá situação
—Vamos mestre, não seja tão dura com ela, apesar de tudo ela ainda é só uma criança, venha Aiko, fiz sopa de legumes.
—Odeio sopa. Alí representava o fim de mais uma tarde, os Cerberus continuavam a caçada enquanto esperavam que o selo de ocultação ficasse fraco.
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