Bem, eu já conhecia a Kyuubi, apesar de provavelmente ela ainda me odiar, mas fazia parte, afinal, aquele era um ser de ódio puro que provavelmente passou horrores em todas as suas eras de existência. Naquele exato momento, em determinado dia, eu estava deitado em minha cama e olhando para o teto, pensando em como me tornaria mais forte. Eu mal sabia ler, então talvez eu devesse aprender o básico mesmo, intelectualmente. Pisquei os meus dois olhos e me levantei da cama rapidamente, ficando primeiramente sentado e depois de pé. Desci da cama e fui até o meu armário procurar um material que quase não consultava.

Era um livro para quem estava aprendendo a ler. Peguei o livro, que era bem infantil, mas grosso, e comecei a praticar os exercícios, dados por imagens bastante didáticas. Eu precisava ser paciente, mesmo não gostando de estudar, então decidi que praticaria muita leitura todos os dias. Eu já havia decorado todo o alfabeto Hiragana, agora tinha que praticar o Katakana, com todos os sons do alfabeto anterior, porém com símbolos diferentes. Depois, teria que aprender os principais kanjis para quem quer começar a ler.

Bem, passei seis meses nisso: três para gravar de cor os dois primeiros alfabetos e três para aprender duzentos kanjis. Eu ainda era um pirralho de cinco anos, mas creio que aprendi a ler rápido demais. Não, nunca fui mais inteligente que a maioria das pessoas, mas em contrapartida, era esforçado, mal estava saindo do apartamento, exceto para comprar rámen, a minha comida favorita. Todo o mês, um anbu me entregava o dinheiro necessário para a minha sobrevivência, então estava tudo bem.

Não pensem que aprendi a ler tão rapidamente apenas para meu orgulho! A verdade é que eu pretendia estudar cada vez mais, para saber por onde começar em meu treinamento ninja. Aos sete anos, eu entraria na Academia Shinobi, então pretendia estar preparado antes disso. Nunca mais falei com a Kurama, digo, Kyuubi, naquela época, ela não me ajudava e nem me atrapalhava. Enfim, eu estava caminhando pela a vila de Konoha até chegar na biblioteca, que era bem grande e cheia de livros e pergaminhos, em várias estantes. Fiquei deslumbrado!

Eu, tão pequeno e frágil, em um lugar tão enorme. Lembro-me de que a mulher da biblioteca me olhou feio, mas eu ignorei. Fui caminhando entre as fileiras, até chegar naquela que falava sobre "Arte Shinobi". Dei um sorriso e fui procurar os livros específicos para mega iniciantes, depois de alguns vários minutos de procura, encontrei um interessante: "Arte Ninja sem Lágrimas — Parte I". Peguei o livro e fui me sentar numa cadeira para ler, aquele livro me atraíra por demais. Decidi que não pularia uma única frase e que o leria do começo ao final.

Li a introdução e comecei o primeiro capítulo: Controle Mental.

Segundo o autor, um ninja deveria, para ser bem sucedido, dominar três características suas: sua mente, sua energia e seu corpo. A mente deveria ser treinada antes de todos e a energia vital e vitalidade do corpo treinados juntos. O autor dizia que toda a vez que a energia se movimentava, ela ficava com um desequilíbrio, até mesmo quando pensamos ou nos movimentamos. A chave para controlar a energia, ou chakra, era manter a energia parada através do silenciamento da mente, pois esse esforço me faria ter mais facilidade para movimentá-la.

Isso se faz através da meditação, que envolve o silenciamento absoluto da mente, a inexistência de pensamentos. A nível mental, isso aumentava a concentração e disciplina.

Já no sentido energético e físico, o autor descrevia exercícios para controlar o chakra conscientemente, fazendo-o subir e descer no organismo e concentrá-lo em partes do corpo. No sentido físico, descrevia exercícios para aumento da força e vitalidade física. Passaram algumas horas e eu já havia terminado de ler o livro, era realmente muito interessante e didático. Já estava de tardinha quando terminei, eu notei isso olhando para a janela da biblioteca. Me levantei, me preparando para ir embora.

Não sentia mais tanta vontade de sair de casa, mas decidi ir até o Ichiraku comer algumas tigelas de ramen, mas aí lembrei de que precisava de uma dieta mais saudável, pra ter mais força no sentido físico. Decidi ir no mercado comprar algumas carnes e legumes, percebi que também teria que aprender culinária. Bem, feito tudo isso, fui pra casa com algumas sacolas, todos me olhando feio, como sempre. Ignorei. Entrei em meu apartamento e guardei as compras na cozinha, indo para o meu quarto.

Olhei vagamente para a cama, me preparando para praticar meditação. No livro que li, era dito que meditação era melhor sentado, visto que assim a energia se estagnava melhor, pois deitado, normalmente, temos muitos pensamentos. Me sentei na cama, me encostando na parede e cruzando as pernas, fazendo um mudra. Fechei os olhos e comecei a me concentrar na respiração, contando números várias e várias vezes, toda a vez que algum pensamento invadia a minha mente, eu voltava a me concentrar na respiração e nos números.

Todos os dias eu passava uns quinze minutos meditando dessa forma, fui notando que cada vez mais menos pensamentos invadiam a minha mente, isso era ótimo! Comecei a naturalmente ficar mais tempo meditando, cheguei a ficar várias e várias horas nessa luta pela a vacuidade mental, que estava ficando cada vez mais fácil. Em quatro meses, eu conseguia ficar horas em vazio mental absoluto, a consequência disso é que eu já estava mais centrado mentalmente e conseguia sentir muita energia ao meu redor, energia espiritual. Eu mal saía de casa, entretanto.

Era hora de mudar esse último fato.

Tinha que começar a treinar resistência física e controle de chakra. No livro que li, era dito que existia um grande usuário de Taijutsu em Konoha que era notável pelas as suas sobrancelhas enormes. Eu tinha que procurá-lo, então continuei andando e andando, indo por vários locais e nada de encontrar o sobrancelhudo. Como era de tardinha, decidi andar por campos de treinamento na floresta, já estava um pouco cansado de tanto andar, estava arfando um pouco.

– Ei, jovem, você anda um pouco desanimado! — ouvi uma voz dizer. Me virei para trás e lá vi um homem com roupas verdes gritantes e um colete jounin também verde. Arqueei minhas sobrancelhas, aí notei as sobrancelhas ENORMES dele.

– Me desculpe, mas você é por acaso o maior lutador de Taijutsu de Konoha? — questionei. Ele arregalou os olhos e deu-me um enorme e branco sorriso, que chegava a brilhar.

– Vejo que está bem informado! — ele me mostrou o polegar, em sentido de aprovação. — Sim, eu sou Maito Gai, o maior usuário de Taijutsu daqui! — ele se vangloriava.

– Ah, certo, Gai, posso te pedir uma coisa? — perguntei.

– Não há motivo para tanto desânimo, eu sinto muito do Fogo da Juventude em você. Mas o que deseja? — ele perguntou.

Depois de alguns segundos, eu respondi:

– Me treine.

Notas finais
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