Notas iniciais
Meu primeiro trabalho que coloco aqui. Desejo uma boa leitura!

Prólogo

A jovem encara sua face no espelho de seu quarto, vendo seu vestido novo, todos os detalhes da seda azul. Fica por muito tempo se auto analisando, com um olhar triste e duvidoso.

Fazia muito tempo que não saia do lugar silencioso em que morava. Tão grande e ao mesmo tempo tão vazia. Já estava para enlouquecer, já havia duas semanas que não via seus amigos Gutto, Vinka e Lakee. Recentemente, não conseguia mais brechas para fugir e encontrar-se em segredo com seus colegas menos nobres.

– Hmmmm... – Suspirou a jovem, e decidiu se aproximar do espelho para pegar mais detalhes de seu rosto.

Observou seus cabelos ondulados negros, sua face que a faz parecer à primeira vista uma pessoa delicada, e focou nos seus olhos castanhos, principalmente nos olhos e no circulo azul brilhante que circulava sua íris. Ficou lá por vários e vários minutos, pensando na sua vida, sua longa vida que ainda tinha e como deveria vive-la.

Com um balançar rápido e três tapinhas na cara ela voltou a si, olhou pela janela do seu grande quarto e viu a lua e as estrelas, brilhantes como nunca tinha visto. O sono, junto com o tédio acumulado nas duas últimas semanas fez com que ela desejasse desabar em sua cama, assim retirou seu vestido novo, colocou algo mais confortável e se dirigiu mais uma vez para janela, viu o céu noturno com um belo sorriso no rosto. E com esse mesmo sorriso foi dormir.

E dormiu como raramente, um sono pesado e profundo.

– Senhorita, Senhorita! Levante, minha jovem, seu pai exige sua presença... – dizia a voz que estava a escutar.

A garota abriu os olhos lentamente, viu os raios vindos do Sol penetrarem em seu quarto, pela janela que a fez sorrir na noite anterior. E se virou, coçando, limpando os olhos para enxergar senhora que a acordara.

– Olga! – resmungou – É cedo ainda, muito cedo, o que meu pai quer comigo que não pode esperar!? – deu um bocejo.

– Não sei, mas ele está muito sério essa manhã, senhorita! Ande rápido. – respondeu com um claro olhar de preocupação no rosto.

A garota balançou a cabeça positivamente, enquanto retirava uma casca da noite dos seus cílios.

Enquanto Olga deixava o quarto, a sonolenta jovem foi até a janela para desfrutar da luz, com o objetivo de retirar o sono de seu corpo. O amanhecer estava lindo, nenhuma nuvem, fazia-a desejar estar voado por ali. Mas deixou os seus desejos de lado para se lembrar do pedido de Olga.

– Vamos ver o que o pai quer... – Disse para si mesma enquanto bocejava –

Trocou de roupa rapidamente, saindo do quarto. Percorreu os largos corredores até chegar à sala de refeições onde seus pais desfrutavam do café da manhã.

– Bom dia. – Disse ao entrar no cômodo.

Depois de notá-la, ambos os pais tiveram olhares incomuns. A mãe tinha um olhar aflito para com a filha, enquanto o pai tinha um olhar sério e fixo nela.

– Bom dia filha, sente-se. – indicou a cadeira — Teremos uma conversa. – Disse o pai, sério, sem mudar nenhum pouco o olhar.

– O que houve? Vocês estão esquisitos hoje. – Disse ela em um tom tranquilo para quebrar a tensão.

– Como eu disse, sente-se. – Respondeu, o homem sério que estava ali, os olhos do mesmo, pretos com o azul brilhante circulando a íris, praticamente engoliu toda a “quebra de clima” que a garota tentou fazer.

A jovem obedeceu e sentou-se à mesa, e ficou esperando o que estava a ser dito.

– Estarei mandando você para o castelo de Timb, e lá você deverá ficar pelos próximos vinte anos. Você partirá logo, prepare suas coisas, a senhora Olga irá ajuda-la.

– O que está dizendo?! – Disse tentando absorver o que havia acabado de ouvir.

– Isso que você ouviu, você ficará em Timb pelos próximos vinte anos. Lá ficará na fortaleza da família Tamarius, que lhe fornecerá abrigo e proteção, devido a boa relação que tem conosco.

– Não pode estar falando sério! O que eu fiz para você querer fazer isso?! – Estava nervosa, sua voz estremecia.

– Nada, é isso que planejamos à tempos para você, filha. Só que uma estranha movimentação vem ocorrendo, e tomamos para deixa-la segura. – disse a mãe tentando acalmar de alguma forma a situação.

– Qual movimentação?! Vocês apenas querem me prender em outro lugar! – não estava calma, estava gritando.

– Trata-se de reduzir o tom! – interrompeu o pai – Apenas mudará de castelo, sua vida continuará a mesma. Logo estará perigoso por aqui, não quero que fique nessa região.

O senhor seu pai encarou o rosto vermelho de nervoso da filha, deu uma risada para si mesmo e completou:

– O Lorde Tamarius é um bom senhor, provirá de forma exemplar todas as suas necessidades. Além do mais Timb é um lugar muito bom, gostará de lá.

– Aquele velho enrugado?! Eu gosto daqui, não quero ir. – replicou à sua mãe.

– Mas está sempre reclamando do castelo, seria uma boa mudança de ares não? – a mãe novamente tentou colocar sua posição.

– Mas... – A garota parou antes de começar a sentença e se calou. – “não posso falar de Gutto e os outros”.

– Olhe, sei o que anda fazendo. – o pai se manifestou — Sei bem que anda saindo nas espreitas do castelo, para ir até as ruas. Sei das lentes que comprou para não ser notada, e te parabenizo por ter feito isso sem ter usado qualquer outro método além da inteligência e da descrição. – Fez uma pequena pausa para um suspiro – Mas não é por causa disso, é o que planejamos para você desde a realmente muito tempo. É por apenas vinte anos não é tanto tempo assim para você, ou para nós.

A garota já estava às lagrimas, nervosa, vermelha. Cada palavra do pai só a enfurecia ainda mais.

– O que você sabe?! –estava gritando, em pé.- Apenas me tranca aqui, esperando para os anos passarem, faz-se fingir que tem uma família feliz! Não sou nada além de uma boneca para você!

A mãe estava horrorizada com que a filha acabou de dizer, o pai estava no mínimo desconfortável e tentou responder.

– Filha, eu sou seu pai e vai fazer o que eu mandar. Sem mais discussões.

– Chega! Chega! – gritou a garota, que jogou uma xicara no chão e correu para seu quarto. Sem olhar para traz.

Chegou ao cômodo batendo e trancando a porta. E ali mesmo chorou nervosa por vários minutos ou até horas. Ela não sabia dizer o tempo exatamente.

“Não vou trocar uma gaiola por outra” – pensava sem parar.

Ao levantar quebrou o quarto todo, precisava liberar a raiva de alguma forma, jogou maquiagens, roupas, derrubou o guarda roupa, para em seguida chutá-lo e pisar em cima do já danificado móvel.

Após ficar exausta, sentou-se a frente do espelho. Uma das únicas coisas que sobraram no quarto.

Enquanto lá ficava, ouviu alguém bater a porta.

– Filha, deixe-me entrar, por favor. Só quero conversar um pouco, esclarecer as coisas para você. Será que posso? – Disse a mãe, com uma voz adocicada.

Mas a senhora, que tentava alcançar os ouvidos da filha, não obteve nenhum tipo de resposta. Então continuou a falar mesmo com a porta fechada.

– Sabe, não queremos que sofra minha filha. Coisas irão acontecer, e sabemos que poderá se machucar. Mas apenas agora obtemos uma confirmação definitiva, e apenas vinte anos, não é muito para nós. Sei que sentirá falta dos seus amigos, mas é inevitável.

– O que vai acontecer?! — Gritou de trás da porta

– É complicado, o jeito que seu pai disse pode ter sido rude, porém ele não mentiu...

E um silêncio predominou durante alguns minutos, até que a mãe resolveu se manifestar.

– Sinto muito, filha. – Disse antes de se afastar da porta.

Depois da conversa a garota ficou lá por muito tempo, encarando o seu reflexo como fez na noite anterior. Quando se deu conta, o Sol estava se pondo, parou de se observar o vidro refletivo e foi até a janela.

Olhando o para o céu em todo seu esplendor laranja, de alguma forma deixou-a mais calma. Entre seus vários suspiros, pensava.

“Isso não é justo, minha vida não pode ser comandado por eles, o meu destino é feito para eu escrever”. – refletiu.

– Não sou um pássaro em uma gaiola. – cochichou para si mesma.

Em meio a sua reflexão ouviu um ruído, ao virar-se viu que era um pardal que pousou em sua janela.

A garota encarou a pomba, o animal balançava a cabeça de um lado a outro.

– O que faz aqui? – falou enquanto se aproximava do animal

Analisando as penas vermelhas do pássaro, e se deu conta que havia acabado de conceber um bom objetivo.

“Talvez, não, com certeza vai dar certo” – pensou.

E por fim a jovem, outra hora aos prantos, olhou mais uma vez para o céu e sorriu, com seus pés subindo aos poucos do chão e flutuando no ar.