Crônicas Noxianas

2 O Passado de Thaos


Notas iniciais
Aqui está para vocês, caros leitores o segundo capítulo da história. Nesse vamos saber o que aconteceu com Thaos antes de retornar à cidade de Moss. Espero que gostem. Comentem o que acharam. Sua opinião é muito importante para mim.

Thaos demorou algum tempo para acordar. Apesar de sentir-se melhor, ainda estava com náuseas e um pouco tonto. Alguns olhavam-no apreensivos —Levados pelo momento—, outros pareciam um pouco decepcionados com o resultado do antídoto— Talvez esperassem que o antídoto desse errado—, nem todos gostavam de um guerreiro traidor em meio ao seu templo tão estimado. Thaos se sentou e respirou fundo, como para garantir que estivesse mesmo vivo. Lembrou-se do porquê de tantas pessoas o odiarem. Os Mossianos achavam a traição o crime mais podre que um homem poderia cometer, para eles era inaceitável.

Ele havia sido um proeminente guerreiro da cidade de Moss, forte e imponente, bastante musculoso e de face um pouco ríspida, mas que exibia uma beleza rústica: com rosto quadrado e barba por fazer. Ele usava uma blusa de linho por baixo de uma armadura de aço. Sempre foi amado por todos devido sua colaboração para abastecer os açougues com carne de qualidade, pois era um exímio caçador, e por ajudar nas construções da cidade. Apesar de ser muito atarefado, ele ainda treinava na floresta —após a caçada— e espantava certos bandidos que rondavam a muralha da cidade, por mais que nunca tenham conseguido chegar nem próximo de saqueá-la. Ele fazia mais funções de um ajudante do que de um guerreiro—Caminho que havia escolhido para viver —. Mas a rotina estava deixando-lhe entediado e, por um estalar de dedos, decidiu que devia deixar Moss para buscar terras que pudessem suportar meu espírito guerreiro.

Entretanto, no dia de sua partida todos, apesar de entristecidos por perderem um homem muito útil à cidade, fizeram-lhe uma festa de despedida com o auxílio do governador Mir —Um homem excêntrico e muito rico, dono de um atelier. Sempre usava um manto de uma cor vibrante sobre um fraque de pele de lobo e calças negras. Além disso, usava um chapéu com uma pena de pavão enorme. Ele havia chegado à cidade fazia 6 anos e ninguém conhecia seu passado—. A festa estava elegante, mas simples. Quando faltava meia hora para sua partida triunfal, ele havia saído para buscar suas moedas que ficaram em casa e, ao retornar, encontraram o corpo de Mir jogado atrás de uma mesa com uma flecha cravada em seu pescoço. Injustamente, culparam o pobre Thaos, que não teve tempo nem de se explicar e logo foi expulso pelos Mossianos com insultos e pedras. O Guerreiro partiu indignado. Frustrado pela completa ingratidão do povo de sua terra natal, ele vagueou pelo vale até não conseguir mais ver as muralhas que ele tanto ajudou a proteger.

Após sua saída de Moss, o guerreiro chegou à cidade de Protec, um lugar muito desenvolvido tecnologicamente e comercialmente. Lá moravam os homens mais ricos de todo Nox. Ao chegar àquele local tão cheio de edifícios e onde tudo se movimentava tão rapidamente, percebeu que não havia onde se abrigar, pois não possuía moedas suficientes para o preço altíssimo das estalagens e teve de acomodar-se pela rua, ao lado de outros homens surrados. Antes de dormir, refletiu e percebeu que ali não se valorizava a moral, a contribuição dos indivíduos para o bem coletivo e nem a intelectualidade —a menos que fosse gerar mais moedas—, mas sim a capacidade de um ser de produzir renda a baixos custos. Tudo aquilo lhe parecia muito diferente da sua cultura original. Os protequianos pareciam céticos e muito carrancudos, não pareciam se importar com nenhuma forma de vida, apenas com seu reluzente dinheiro. Dormiu, naquela noite, duramente e não sonhou devido ao desconforto.

Acordou um pouco dolorido e determinado a buscar uma tarefa que pudesse lhe dar dinheiro suficiente para passar a noite em uma estalagem e conseguir comida para lhe saciar a fome. Um homem de tapa olho e roupa um tanto acabada, chegou-lhe e disse com uma voz rouca e cansada:

—O que faz em meio aos velhos mendigos um jovem com extraordinário porte físico? Você seria muito útil aos galeiros, posso ser seu atravessador? Tenho conhecidos que poderiam lhe por lá assim que queira. —Falou o homem estranho, ao mesmo tempo que olhava para Thaos penetrantemente, como se quisesse decidir se ele valia algum trocado—

—Não sou daqui. Me desculpe cortar seu entusiasmo, mas nem sei o que são galeiros. O senhor poderia me explicar? —Disse Thaos, confuso—

—Ah meu caro, os galeiros são homens que ganham dinheiro organizando lutas entre guerreiros que estejam dispostos a lutar por eles até a morte, é claro, em troca de uma recompensa. Esses guerreiros que se dedicam a esse tipo de luta ilegal são chamados de galos. Normalmente, esse tipo de evento atrai muitos mercenários à cidade, apesar de ser contra a lei. Quando lhe vi pensei até que estivesse aqui por isso.

—Isso não parece certo, é ilegal, além de ser perigoso. Guerreiros deveriam lutar por seus ideais e não por mafiosos que os utilizam como um investimento rentável. Essas pessoas não parecem ser confiáveis e não tenho certeza se quero fazer negócios com eles ou com você —Atirou Thaos contra o homem—

— Você é quem sabe. Pode continuar com seus valores morais e morrer de fome ou pode vir comigo e arrecadar dinheiro para se manter nessa cidade selvagem. Aqui quem não consegue dinheiro vira lixo para a sociedade! O que me diz? —Revidou o homem, sabendo a resposta que o jovem lhe daria—

—Bem, não tenho escolha. Estou morrendo de fome e não consigo nem pensar em dormir naquele chão duro novamente. Aceito sua proposta, mas preciso de um desjejum para poder lutar com todo meu potencial.

—Tudo bem garoto, vamos até uma padaria e depois vamos ao Beco dos Galos, lá poderemos te botar nesse jogo.

Após 2 horas chegaram no Beco dos Galos, Thaos se sentiu realmente um estrangeiro no meio de tantos guerreiros carrancudos e com os corpos dilacerados pelas lutas. Os mais conservados não possuíam uma das orelhas e várias cicatrizes no rosto e nos braços. Já os mais dilacerados haviam perdido olhos, dedos, narizes e até a mão inteira. O velho conversou com um senhor gordo com uma túnica branca e dourada e aparentava estar levemente bêbado, além de segurar uma taça de vinho. Ouviu o bêbado dirigir-se ao homem estranho como Ruistinki. O velho sinalizou com a mão para um capanga se aproximar. De um canto escuro surgiu um brutamontes gigantesco carregando um martelo do tamanho do próprio Thaos, porém vestia apenas uma tanga de algodão. O velho bêbado disse ao nosso herói:

—Vamos número 263, prove seu valor para seu novo mestre! —Falou para Thaos—

—Isso não parece justo, seu guerreiro é duas vezes maior que eu. —Protestou Thaos—

—Se quer justiça, não deveria nem passar perto deste local! Agora lute logo, paguei bem caro àquele atravessador, ele me disse que você tinha potencial. Ataque-o Escrucy —Ordenou o bêbado ao gigante—

—Sim mestre —Obedeceu Escrucy e correu com o martelo de guerra erguido em direção a Thaos—

—Ah cara, parece que não tenho escolha. Então, vamos lá! Arhhh! —Correu para o gigante gritando—

Como o gigante era pesado, apesar de não ter armadura, o nosso guerreiro contava com a vantagem de ser mais ágil que o seu adversário. Escrucy golpeou com toda sua força o chão e Thaos rolou para o lado para desviar do trajeto. Percebeu que o lugar onde ele estava ficou completamente destruído. Porém, não hesitou e tentou golpear a perna do gigante enquanto ele erguia novamente o martelo. Como já estava acostumado a ser lento, tinha suas táticas para espantar espertinhos que tentassem se aproveitar disso, por isso, ao invés de erguer o martelo, ele o girou ao redor do corpo como forma de proteção. Thaos foi lançado para trás e tombou no chão, pois acertou o martelo do gigante. Escrucy aproveitou a queda do guerreiro para tentar esmaga-lo. Novamente falhou, pois se mostrou mais ágil do que esperava o gigante. Ele se levantou em um salto e deslizou por baixo do golpe de Escrucy, cortando sua perna direita. A ferida profunda em sua coxa fez o gigante urrar de dor e cair de joelhos. Apesar debilitado pelo inesperado ataque de Thaos, Escrucy ainda tinha uma carta na manga. Calmamente, Nosso guerreiro se aproxima do gigante que se contorce de dor no chão —Apenas uma simulação para atrair seu adversário— e parece não querer matá-lo, porém o velho grita:

—Se você não matá-lo, eu mandarei matar você! Faça logo! E se demorar muito não lhe pagarei! —Berrou o bêbado, à distância—

—Seu maldito! —Revidou Thaos, mas mesmo assim seguiu em direção ao gigante para executá-lo—

Quando já estava quase chegando em Escrucy, o gigante retirou da tanga uma adaga um pouco maior que o normal, e a lançou em direção à Thaos. Apesar de não ser triunfal, se esquivou rapidamente para o lado esquerdo, mesmo que a adaga tenha arranhado sua armadura. O gigante não esperava que o guerreiro tivesse proeza suficiente para desviar daquela maneira da adaga. Ficou pasmo. Nesse momento Thaos se sentiu enganado e milhões de sentimentos passaram na cabeça de Thaos: piedade; raiva; indignação; compreensão e culpa. Todas essas emoções se misturaram e formaram um nó psicológico em sua mente. Algo de muito estranho estava acontecendo em sua mente. Algo que mudaria o seu ser e a sua maneira de pensar. O que ele vai fazer agora?

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Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.