Crônicas Dos Sete Mares
1 Prólogo - A fuga da princesa.
Embora o clima fosse gélido e mórbido o sol brilhava a pico no céu, como num tipo de zombaria interna, fazendo com que Igneel se perguntasse se isso era um tipo de mau agouro.
Suspirou.
Os oito deuses se encaravam. Suas expressões eram duras e frigidas como um bloco de gelo e, embora estivessem sentados confortavelmente em seus tronos, era como se a qualquer momento pudessem guerrear entre si.
- A desgraça iminente chegou, o dia proferido a tanto tempo pelos oráculos está chegando – A voz grave de Igneel era enfatizada pelo silêncio e eco – A história se repetira.
- Ora, Igneel, não seja tão melodramático – Grandine balançou as pernas despreocupadamente – Você precisa aprender a confiar mais nos humanos, sabia?
- Embora concorde com o que Grandine nem tão sabiamente falou – Metallicana se pronunciou, a voz calma e límpida – Acho que devemos fazer alguma coisa.
- Fazer alguma coisa? Você sabe muito bem o que acontece quando fazemos alguma coisa Metallicana, isso está fora de questão – Meridith tinha o tom de voz exaltado – Não devemos nos meter nos assuntos dos humanos!
- Não seja tão severa, Meridith – Macarov expos um sorrido bondoso – Somos deuses, nossa função é proteger os humanos. Não podemos interferir diretamente, mas indiretamente podemos dar uma ajuda.
- Concordo com você, Macarov – Igneel suspirou – Mas, por enquanto, deixaremos que o destino siga o seu curço, todos sabem o que acontece quando tentamos interferir. Alguem discorda?
Ninguém se opôs. Os quatro deuses encapuzados que até o momento tinham se mantido calados apenas manearam a cabeça.
- Então que assim seja – Grandine sorriu – Que o final da historia não se repita.
Silêncio.
...
Parecia que ela estava presa em um daqueles pesadelos onde você precisa correr, correr até o pulmão se comprimir o máximo possível, mas não consegue fazer com que o corpo se mova com a velocidade necessária.
Bom, o único problema era que não era um pesadelo.
Era real.
A sua volta espadas eram empunhadas, gritos de resistência eram ditos, pessoas caiam desfalecidas no chão, crianças choravam, pessoas, assim como ela, corriam para salvar suas vidas.
Agradeceu mentalmente quando se viu dentro da floresta proibida. Antigamente, se entrasse lá morreria de medo e voltaria para seu castelo o mais rápido que suas pernas permitissem, mas na situação em que se encontrava, com seu reino sendo atacado por sua malvada tia, o alivio era meio instantâneo.
Por mais que seu corpo estivesse ali, exausto e correndo pela misteriosa floresta, sua mente estava longe. A ficha ainda não havia caído, parecia que nada daquilo estava acontecendo. Ela não conseguia acreditar. Não queria. Seu reino atacado por Utear? Seus pais mortos? Impossível. Inacreditável.
Nuvens grandes e densas escondiam a lua, como se estivessem segredando algo entre si, e as enormes e fechadas arvores não ajudavam para clarear a visão da princesa.
Ignorava ora ou outra arranhões e batidas provocados por galhos de arvora e tentava, em vão, reprimir gritos de sustos a qualquer ruído de animais noturnos.
Seus pés estavam ficando pesados e era a muito custo que ela continuava correndo. Não podia parar, principalmente porque tinha quase certeza de que algum capanga qualquer de Ultear a estava seguindo.
“Força, Juvia, força. Corra, corra. Não deixem que a capturem”.
- Você não pode correr para sempre, princesinha – Uma voz rouca e cheia de desprezo fez-se ouvir.
“ Droga”.
Forçou ainda mais as pernas. Estava chegando ao penhasco do mar da perdição, um beco sem saída, mas que escolha tinha? Não tinha mais nem um lugar para fugir.
Quando deu por si estava no penhasco. O desespero tomou conta dela, o que faria agora? Respirou fundo. Estava sem saída.
- Não tem mais para onde se esconder, princesa – Um homem grande, robusto, de cabelos oleosos e ralos, com os dentes amarelos, falou – Vou te matar e dar seu coração para a rainha.
- Seu verme – Disse, sua voz coberta de raiva – Você não vai me matar.
Deu um passo para trás, mais um e cairia no mar.
O homem medonho se aproximava mais e mais. Um sorriso de escarnio dançava nos lábios do homem fétido.
- Mais um passo e eu pulo! – Ameaçou, seu corpo tremendo.
- Duvido – Gargalhou – Uma garotinha mimada como você pulando pra morte?
- Não duvide de uma princesa, verme!
Por uma pequena fração de tempo ela olhou para trás. O mar estava agitado e o céu ameaçava chover.
Com um sorriso arrogante no rosto ela pulou.
Dor. Agua. Tudo ficou escuro.
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