Crônicas Do Olimpo - O Mar De Monstros

3 Lagrimas de Despedida! Invasão das Vacas Malvadas!


Notas iniciais
Voltei povo! Talvez o proximo cap demore a sair... TALVEZ! Mas enfim vamos a esse.

Uma vez no verão passado, quando eu cheguei na colina meio-sangue eu e meus amigos Hansel e Silena... Bom, eu não queria estragar momentos falando sobre ela. Silena Beauregard é uma filha de Afrodite que costumava ser minha melhor amiga, mas ela agora eu não faço ideia de onde ela esta, mas eu vou encontra-la pois ainda estou com raiva e magoada por causa daquela traidora (Longa História) Voltando, um dia eu e meus amigos fomos perseguidos por um minotauro e ele se tornou o segundo monstro que transformei em pó!

Aquilo lá em cima, eu disse que eram primos de um velho amigo meu. Não eram Minotauros, mas chegavam a ser piores e sim, estou falando no plural. Dois touros. E não touros comuns, mas touros de bronze, do tamanho de elefantes. E mesmo aquilo não era ruim o bastante. É claro que eles também tinham de soltar fogo. Por que a surpresa hein? Todo mundo cospe fogo! Até os seguranças do Museum Of Art soltam fogo... (Outra Longa História.)

Assim que saímos do táxi, as Irmãs Cinzentas se safaram a toda rumo à Nova York, onde a vida era mais segura. Nem sequer esperaram pelo pagamento extra de três dracmas. Sobramos eu, Tyler e Jake. Este com seu sabre Celestial na mão e seu casaco que o deixava invisível e mais sua mochila.

- Isso realmente... É Ruim, muito ruim... — murmurou ele.

- Não diga? — ironizei.

- Não é hora disso...

O que mais me preocupou não foram os touros em si. Ou os dez heróis de armadura de batalha completa, cujos traseiros de bronze estavam levando uma surra. O que me preocupava era que os touros estavam se movimentando por toda a colina, inclusive atrás do pinheiro.

- Isso esta errado... — falei. — As fronteiras mágicas do acampamento não permitem que monstros passassem além da árvore de Thalia!

– Patrulha de fronteira! Aqui! – Uma voz de menina... rouca e familiar.

Patrulha de fronteira?, pensei. O acampamento não tinha patrulha de fronteira.

- É Clarisse! — exclamou Jake. — Temos que ajuda-la!

Clarisse La Rue é a Irmã de Jake do chalé 5, Ares. E eu havia tido um desentendimento muito sério com o pai dela no último verão; portanto, agora o Deus da Guerra e todos os seus filhos basicamente não iam com a minha cara.

Mas Jake e eu sempre brigávamos as vezes e ele não eram tão infantil. Aliás ele viu tudo o que aconteceu e entendeu na boa.

A grama estava em chamas em grandes faixas em volta do pinheiro. Um herói gritava e agitava os braços enquanto corria em círculos, o enfeite de crina de cavalo em seu capacete ardendo como um cocar flamejante. A armadura da própria Clarisse estava chamuscada. Ela lutava com um cabo de lança quebrada, a outra extremidade estava cravada inutilmente na junta metálica do ombro um dos touros.

A Caneta esferográfica, Anaklusmos, estava em minhas mãos pois eu havia pegado ela antes de sair com Tyler do ginásio em chamas. Apertei a Caneta em minha mão.

- Tyler, fique aqui. — falei. — Não quero que se arrisque mais.

- O que esta dizendo? — perguntou Jake. — Precisamos dele.

– Ele é mortal. Teve sorte com as bolas de queimado, mas ele não pode...

- Megan! Você vê aquilo lá em cima? — apontou ele. — Os touros de Colchis, feitos pelo próprio Hefesto. Não podemos combatê-los sem o Filtro Solar de Medeia, Vamos virar churrasco de semideus em menos de um segundo!

- Touros de que? — perguntei. – Olhe, eu não sei do que você está falando, mas não vou deixar que Tyler seja frito.

- Megan...

- Vou entrar. — falei determinada.

Eu corria colina acima na direção de Clarisse, que berrava com sua patrulha, tentando organizá-la em formação. Era uma boa estratégia. Os poucos que davam bola para ela formaram uma fileira ombro a ombro, encaixando seus escudos para forjar uma parede de couro e bronze, as lanças surgindo acima como cerdas de porco-espinho. Mas, Clarisse só conseguiu reunir seis campistas. Os outros quatro ainda corriam em círculos em pânico com o capacete em chamas.

Jake correu para ajudar. Provocou um dos touros para que o perseguisse e depois ficou invisível, deixando o touro de bronze perdidinho. O outro touro investiu contra a linha de Clarisse. Eu estava a meio caminho colina acima – não era perto o bastante para ajudar. Clarisse nem me notara.

O touro se movimentava depressa demais para uma coisa tão grande. A carcaça metálica brilhava ao sol. Tinha rubis do tamanho de punhos no lugar dos olhos e chifres de prata polida. Quando abria a boca articulada, uma coluna de chamas incandescentes era expelida.

Tive que me jogar no chão uma vez para desviar de uma dessas colunas.

– Mantenham a linha! – ordenou Clarisse a seus guerreiros.

Você podia falar qualquer coisa sobre Clarisse, mas ela era corajosa. Era uma menina grande com olhos cruéis como os do pai. Parecia ter nascido para usar uma armadura de batalha grega, mas até mesmo ela não me parecia capaz de resistir à investida daquele touro.

Por azar, o outro touro perdeu o interesse em encontrar Jake e investiu em mim que ainda estava com a caneta em forma de caneta... É...

Esperei, um... Dois...

- Três! — e pulei para o lado caindo de cara no gramado, mas isso não impediu o touro de me esquecer...

Um dos irmãos de Clarisse caiu e Clarisse correu para ajudar, o que não foi boa ideia, pois o touro que estava com ela tentou ataca-la em seu lado desprotegido.

- Atrás de você! — gritei. — Cuidado!

Eu não devia ter dito nada, porque tudo o que consegui foi assustá-la. O Touro Número 1 colidiu contra o escudo dela e a falange se rompeu. Clarisse voou para trás e aterrissou em um pedaço de gramado em chamas. O touro passou direto por ela, mas não sem antes atingir os outros heróis com seu hálito de fogo. Os escudos derreteram instantaneamente em seus braços.

- Megan! Cuidado! — ouvi a voz de Jake.

Senti algo quente me fazer tremer, rolei no instante em que o imenso casco do Touro de Colchão-sei-lá-o-que quase esmagou minha cabeça.

Mas o outro casco me jogou para longe atingindo bem na barriga. Senti vontade de vomitar todo o meu almoço. Mas não era hora para isso. Fiquei de quatro.

O Touro que estava comigo perdeu o interesse e foi atrás de Clarisse enquanto o outro, Jake tentava cuidar dele.

Eu me adiantei e agarrei Clarisse pelos cordões da armadura. Arrastei-a para fora do caminho bem no momento em que o Touro Número 2 passava como um trem de carga. Larguei os Cordões da Armadura e gritei.

- Abaixe-se! — e como ela não fez eu tive que empurra-la (Com muita força.)

O Touro ainda vinha em nossa direção com a bocarra aberta. Nem percebi que ainda estava com Anaklusmos em modo Caneta na mão. Lerdeza... Bom, eu tirei a tampa e mirei a caneta no touro.

Anaklusmos se transformava no ar. Ficando maior. Parecia que estava indo lento demais. Até que ela atingiu bem na boca aberta do Touro e BOOOM!

Anaklusmos foi caindo colina abaixo.

Odeio quando isso acontece...

Jake foi chutado pelo outro Touro e o capuz caiu de sua cabeça. Ele gemia no chão. O Outro touro fez uma curva bem aberta e começou a voltar na minha direção. Ao passar pelo meio da colina, onde a linha invisível da fronteira deveria tê-lo detido, ele reduziu um pouco a velocidade, como se lutasse contra um vento forte.

Todos olhávamos esperando que a força da fronteira o detivesse. Mas então ele rompeu a barreira que explodiu como uma parede de vidro e dissolveu no chão. O Touro Avançou.

Seus olhos de rubi pareciam fixos em mim como se eu tivesse acabado de levar as coisas para o lado pessoal por eu ter explodido seu irmão.

Rolei para o lado enquanto o ar se transformava em puro calor. Todo o oxigênio foi sugado de meus pulmões. Meu pé se prendeu em alguma coisa – uma raiz de árvore, talvez – e a dor subiu por meu tornozelo. Agora eu estava perdida mesmo...

- TYLER! AJUDE-A! — berrou Jake.

Em algum lugar por perto, na direção do topo da colina. Tyler gemia.

- Não posso... Atravessar...

Jake ergueu o sabre no ar e gritou teatralmente.

– Eu, Jake Turner, lhe dou permissão para entrar no acampamento!

Uma trovoada sacudiu a encosta. De repente, Tyler estava lá, disparando em minha direção e gritando:

- Megan precisa de ajuda!

Antes que eu pudesse dizer que não, Tyler se jogou entre mim e touro bem quando ele soltou uma erupção de fogo nuclear.

- TYLER! — berrei.

A explosão rodopiou em volta dele como um tornado vermelho. Só consegui ver a silhueta negra de seu corpo. Soube com uma terrível certeza que meu amigo acabara de se transformar em uma coluna de cinzas.

Mas, quando o fogo diminuiu, Tyler ainda estava lá, de pé, praticamente ileso. Nem mesmo suas roupas surradas foram chamuscadas. O touro deve ter ficado tão surpreso quanto eu, porque antes que pudesse exalar uma segunda erupção.

O Gradão cerrou os punhos e golpeou a cara dele.

- SALVAR MEGAN! — Gritou ele socando o touro. — DA VACA MALVADA!

Seus punhos abriram uma cratera no lugar onde estaria o focinho do touro. Duas pequenas colunas de fogo irromperam dos ouvidos. Tyler acertou-o de novo e amassou o bronze sob suas mãos como papel-alumínio. A cabeça do touro agora parecia um boneco de meia virado do avesso.

– No chão! – berrou Tyler.

A Vaca Malvada cambaleou e caiu no chão com pequenas colunas de fumaça saindo pelos ouvidos. Narinas e... Outros lugares que eu prefiro não falar.

- Você esta bem? — perguntou uma voz em algum lugar ao meu lado.

Estava Benjamin Chase. O Filho de Atena.

- Wow! — disse ele quando Tyler se virou para nos enquanto olhava para as próprias mãos.

- Até você Benjamin? — perguntei.

- O que? Isso é um... — começou ele.

- Finalmente ignorou a névoa. Megan? — Jake surgiu ao lado de Tyler.

- O que você quer dizer? — perguntei.

- Aonde você o encontrou? — perguntou Benjamin.

- Só eu que ainda não entendi nada? — perguntei irritada.

Jake suspira.

- Megan, já olhou bem para Tyler? Ignorar a Névoa e realmente olhar para ele? — perguntou ele.

A Névoa faz os seres humanos verem apenas o que seu cérebro pode processar... Eu sabia que ela podia passar a perna em semideuses também, mas...

Forcei-me a focalizar seu nariz grande e sem jeito, depois, um pouco mais acima, seus olhos. Não, não olhos. Um olho. Um grande olho, castanho-bezerro, bem no meio da testa, com cílios grossos e grandes lágrimas escorrendo pelas bochechas dos dois lados.

- Tyler... Você é um... — hesitei.

- Um Ciclope! — exclamou Benjamin como alguém que tinha feito uma grande descoberta. — Provavelmente foi por isso que ele não conseguiu atravessar a fronteira como os touros.

- A Julgar pela aparência... É um Bebê Ciclope e... — disse Jake contrariado — Pelo visto ele gosta muito de você... São Filhos de espíritos da natureza e deuses... Bem, normalmente, um deus em particular... e nem sempre são perfeitos. Ninguém os quer. Eles são jogados de lado. Crescem nas ruas, sozinhos. Não sei como esse o encontrou, mas ele obviamente gosta de você.

- Devemos levá-lo a Quíron e deixar que ele decida o que fazer. — sugeriu Benjamin.

– Mas o fogo. Como...

- Ele é um ciclope. — disse Jake. – Eles operam as forjas dos deuses. Precisam ser imunes ao fogo. É o que eu vinha tentando lhe dizer.

Eu não tinha muito tempo para pensar nisso naquele momento. Toda a encosta da colina estava em chamas. Heróis feridos precisavam de atenção. E ainda havia dois touros derrubados para descartar, e eu não fazia ideia de como eles iriam caber nas nossas caçambas normais de lixo reciclável.

Clarisse voltou e limpou a fuligem da testa.

- Você! — ela apontou. — Nunca mais tente me salvar de novo!

- De nada... — falei.

- Eu tinha tudo sobre controle...

- Clarisse... Você tem alguns campistas feridos... — alertou Jake.

Olhei aonde haviam alguns campistas no chão. Argos. O Encarregado da segurança no acampamento ajudava alguns deles.

Clarisse fez uma cara amarga.

- Eu volto... — disse ela.

- Espere! — exclamei e ela voltou. — O que aconteceu? Aqueles monstros não deviam estar aqui! As barreiras deveriam...

- Você não sabe de nada mesmo. — bufou ela. — Odeio explicar a mesma coisa várias vezes... Mas aquilo aconteceu.

Ela apontou para o pinheiro de Thalia. Todos os campistas conheciam a história da árvore. Seis anos antes, três meio-sangues chamados Luke, Thalia, Benjamin haviam chegado a colina meio-sangue com um sátiro chamado Grover chegaram ao Acampamento Meio-Sangue perseguidos por um exército de monstros.

Quando se viram acuados no topo da colina, Thalia, filha de Zeus, montou resistência ali, para dar tempo aos amigos de alcançar a segurança. Quando ela estava morrendo Zeus se apiedou e a transformou em um pinheiro. Seu espírito reforçou as fronteiras mágicas do acampamento, protegendo-o de monstros.

O pinheiro estava lá desde então, forte e saudável. Mas agora suas folhas estavam amarelas. Uma enorme pilha de folhas mortas se acumulava na base da árvore. No centro do tronco, a um metro do chão, havia uma perfuração do tamanho de um buraco de bala, gotejando seiva verde.

Alguém a envenenara.

O gelo cortou meu peito. Agora eu entendia por que o acampamento estava em perigo. As fronteiras mágicas estavam falhando porque a árvore de Thalia estava morrendo.

Dez minutos depois, nos quatro estávamos em direção ao acampamento novamente. Mas o meu lugar favorito em todo o mundo estava morrendo junto com a árvore de Thalia.

Na superfície, nada parecia assim tão diferente. A Casa Grande ainda estava lá com seu telhado azul e sua varanda em toda a volta. Os campos de morangos ainda se aqueciam ao Sol. Os mesmos prédios com colunas gregas brancas se espalhavam pelo vale – o anfiteatro, a arena de combates, o pavilhão-refeitório que dá para o estreito de Long Island. E, aninhados entre os bosques e o riacho, os mesmos chalés – um sortimento maluco de doze prédios, cada qual representando um deus olimpiano diferente.

Mas Agora, uma atmosfera de perigo tomava o ar.

Em vez de jogar vôlei na quadra de areia, conselheiros e sátiros armazenavam armas no galpão de ferramentas. Dríades armadas de arcos e flechas conversavam, nervosas, no limite dos bosques. A floresta parecia doente; a grama na campina tinha um tom pálido de amarelo, e as marcas do fogo na Colina Meio-Sangue se destacavam como feias cicatrizes.

Enquanto caminhávamos para a Casa Grande, reconheci uma porção de campistas do último verão. Tais como os Stoll's, Kim do chalé 9 e outros... Ninguém parou para conversar. Ninguém disse: "Sejam bem-vindos de volta." Alguns olharam duas vezes quando viram Tyler, mas a maior parte simplesmente passou de cara fechada e seguiu em frente, cumprindo seus deveres – levando mensagens, carregando espadas para afiar nas pedras de amolar.

Mas nem isso desanimava Tyler que parecia encantado com tudo o que via.

- O que é aquilo?

– Estábulos para pégasos – disse eu. – Os cavalos alados.

– O que é aquilo?

- A Arena de esgrima. Onde agente duela normalmente...

- O que é aquilo?

- Hum... Aquilo são os banheiros.

– O que é aquilo?

– Os chalés dos campistas. Se não sabem quem é seu pai olimpiano, você é deixado no chalé de Hermes... aquele marrom logo ali... até que se descubra. Então, quando já sabem, juntam-no ao grupo de seu pai, ou de sua mãe.

Ele olhou para mim abismado.

– Você... tem um chalé?

– O número 3.

Apontei para uma construção cinzenta e baixa feita de pedras do mar.

– Você mora com amigos no chalé?

– Não. Não, fico sozinha. — falei sem graça.

A verdade embaraçosa: eu era o único naquele chalé porque supostamente não deveria estar vivo. Os "Três Grandes" deuses – Zeus, Poseidon e Hades – tinham feito um pacto depois da Segunda Guerra Mundial para não ter mais filhos com mortais. Nós éramos mais poderosos que os meios-sangues normais. E imprevisíveis demais. Quando ficávamos zangados, tendíamos a causar problemas...

Assim que chegamos a Casa grande encontramos Quiron e um outro Sátiro que reconheci como Grover. Ele olhou para mim e acenou com a cabeça e Quiron se virou para nos.

- Pônei! — exclamou Tyler.

Quíron se voltou, parecendo ofendido.

- Como?

Corri e abracei Quiron.

- Olá Megan, vejamos... Você cresceu desde o último verão.

Ele estava ouvindo suas músicas favoritas da década de 1960 enquanto arrumava seus alforjes. Acho que devo mencionar – Quíron é um centauro. Da cintura para cima parece um sujeito comum, de meia-idade, com cabelo castanho encaracolado e barba desarrumada. Da cintura para baixo, é um corcel branco. Consegue passar por ser humano apertando sua metade inferior em uma cadeira de rodas mágica.

- Você... Esta indo embora? — perguntei. — O que esta acontecendo?... Oi Grover.

- Oi... Bom ver vocês... Ah, Ben podemos conversar um instante estamos com problemas. — disse ele.

- Como sempre... — bufou Benjamin. — Nos vemos depois.

Então eles se foram.

- O Senhor Zeus ficou muito aborrecido. A árvore que ele criou do espírito de sua filha foi envenenada! O Sr. D precisava punir alguém. — disse Quiron.

- Que não fosse ele... — murmurou Jake. — Quíron, você não poderia ter nada a ver com o envenenamento da árvore de Thalia!

– Apesar disso – suspirou Quíron – alguns no Olimpo não confiam em mim agora, dadas as circunstâncias.

– Que circunstâncias? – perguntei.

O rosto de Quíron se anuviou. Ele enfiou um dicionário latim-inglês no alforje enquanto a música de Frank Sinatra soava no micro system. Tyler ainda olhava para Quíron, encantado. Choramingou como se quisesse acariciar Quíron, mas tivesse medo de chegar mais perto.

– Pônei?

Quíron respirou fundo

– Meu caro jovem ciclope! Eu sou um centauro.

– Quíron – falei. – E a árvore? O que aconteceu?

Ele sacudiu a cabeça com tristeza.

– O veneno usado no pinheiro de Thalia é algo do Mundo Inferior. Alguma peçonha que eu nunca tinha visto. Deve ter vindo de um monstro da profundeza dos abismos de Tártaro.

- Peçonha? — perguntei não reconhecendo a palavra.

- Tártaro? — perguntou Jake. — Então sabemos quem é o responsável. Cro...

– Não invoque o nome do titã. Jake. — alertou Quiron.

– Mas no último verão ele tentou causar uma guerra civil no Olimpo! Isso tem de ser ideia dele. Ele convenceu Luke a fazer aquilo e também tem Silena... — começou Jake.

Estremeci ao pensar na minha velha amiga... Olhei para meus próprios pés, eu ainda não conseguia acreditar no que ela disse a mim no verão passado.

– Talvez – disse Quíron. – Mas infelizmente estou sendo responsabilizado porque não evitei que acontecesse e não consigo curá-la. A árvore tem apenas algumas semanas de vida, a não ser...

- O que? — incentivei.

- Não – disse Quíron. – Um pensamento tolo. O vale inteiro está sentindo o choque do veneno. As fronteiras mágicas estão se deteriorando. O próprio acampamento está morrendo. Só uma fonte de mágica seria forte o bastante para anular o veneno, e ela foi perdida séculos atrás.

- O que é? — perguntei. — Diga! Vamos encontrar!

Quíron fechou seu alforje. Apertou o botão stop do seu som. Então se virou e pousou a mão em meu ombro, olhando-me bem nos olhos.

- Megan... você tem de me prometer que não vai agir precipitadamente.Treine muito. Aprenda a lutar. Mas não vá embora. Aceite que não há nada que possa fazer.

- Por que? Quero fazer alguma coisa! Não posso simplesmente deixar todas as fronteiras caírem por terra. O acampamento inteiro será...

- Invadido por monstros – disse Quíron. – Sim, é o que temo. Mas você não deve se deixar tentar por alguma ação impensada! Isso pode ser uma armadilha do senhor dos titãs. Lembre-se do último verão! Ele quase tirou sua vida. Acha que ele esqueceria tão fácil assim de você? Você foi marcada por ele Megan...

Era verdade, mas ainda assim eu queria muito ajudar. O envenenamento tinha de ser coisa de Cronos. Quem mais seria tão baixo a ponto de atacar a árvore de Thalia, a única coisa que restara de uma heroína que dera a vida para salvar seus amigos?

- Você então vai nos deixar? — perguntei com uma lagrima caindo do meu olho.

Quiron sorriu tristemente.

- Talvez eu volte. — disse ele. — Quem sabe...

– Você me contou que os deuses o fizeram imortal somente enquanto você fosse necessário para treinar heróis. Se eles o demitem do acampamento... — começou Jake.

- Jure que fará o melhor que puder para manter Megan afastada do perigo – insistiu ele. — Jake. Por favor. A profecia... lembre-se dela!

- A Profecia que fala sobre mim, mas ninguém quer me contar... — falei e Quiron e Jake me encararam.

Ninguém respondeu.

– Certo – resmunguei. – Só confirmando.

– Muito bem – disse Quíron. Ele pareceu um pouquinho mais relaxado. – Talvez meu nome seja limpo, e eu retorne. Até lá, vou visitar meus parentes selvagens, em Everglades. É possível que eles saibam de algum tratamento que eu tenha esquecido para a árvore envenenada. Até lá... Jake quero que jure pelo rio Estige.

- Juro pela minha vida. — disse ele.

Eu o encarei, mas ele não me encarou de volta.

- Juro pelo Estige.

Trovejou do lado de fora.

Uma trombeta de concha soou pelo vale. Eu não tinha percebido como era tarde. Era hora de os campistas se reunirem para o jantar.

- Bom, Tântalo é bem impaciente... — disse Quiron. — Mas vocês aturam...

- Tântalo? — perguntei.

- O Novo diretor de atividades... Bom, eu tenho que ir. Vocês o encontrarão no pavilhão. — disse ele.

Com isso, ele saiu do apartamento batendo os cascos e desceu para o vestíbulo, enquanto Tyler gritava atrás dele:

– Pônei! Não vá!

O melhor professor que já tivera se fora, talvez para sempre.

Uma Lagrima escorreu pelo meu rosto. Jake me abraçou de lado e sem jeito. Não discuti, talvez ele soubesse como eu me sentia.

Ele me disse que tudo ia dar certo, mas parecia incerto enquanto a isso.

Enfim. Sabia que as coisas não seriam mais as mesmas.

Notas finais
Queria ter feito melhor, tentei fazer um jeito de Quiron não ter que sair do acampamento, mas ficou complicado e nada bateu com o casco certo... Enfim, eu queria ter feito melhor. Mas a critica é de vocês.